Não classificado durante a 64ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal

Encerramento de Sessão de Debates Temáticos destinada a debater o papel da ciência, tecnologia e inovação na prevenção e mitigação de futuros desastres e enchentes no Rio Grande do Sul e, na oportunidade, homenagear as vítimas dessa tragédia.

Comparação entre o preparo de cidades dos EUA e o que ocorre no Brasil, no que tange ao enfrentamento de desastres naturais.

Autor
Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
Nome completo: Marcos Cesar Pontes
Casa
Senado Federal
Tipo
Não classificado
Resumo por assunto
Calamidade Pública e Emergência Social, Ciência, Tecnologia e Informática, Homenagem:
  • Encerramento de Sessão de Debates Temáticos destinada a debater o papel da ciência, tecnologia e inovação na prevenção e mitigação de futuros desastres e enchentes no Rio Grande do Sul e, na oportunidade, homenagear as vítimas dessa tragédia.
Calamidade Pública e Emergência Social:
  • Comparação entre o preparo de cidades dos EUA e o que ocorre no Brasil, no que tange ao enfrentamento de desastres naturais.
Publicação
Publicação no DSF de 17/06/2025 - Página 43
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Calamidade Pública e Emergência Social
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • ENCERRAMENTO, SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DEBATE, ATUAÇÃO, PESQUISA CIENTIFICA, TECNOLOGIA, INOVAÇÃO, PREVENÇÃO, COMBATE, DESASTRE, INUNDAÇÃO, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (RS), CORRELAÇÃO, MUDANÇA CLIMATICA, HOMENAGEM, VITIMA.
  • COMPARAÇÃO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), BRASIL, PREPARO, DESASTRE, CALAMIDADE PUBLICA.

    O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Obrigado, Pesquisador, Dr. Laercio Massaru, do Inpe.

    Eu lembrei uma coisa quando você estava falando: Houston – eu morei 20 anos em Houston – é uma área suscetível a furacões, então volta e meia aparecem furacões. Vão sendo noticiadas ali as probabilidades de trajetória, e a gente fica acompanhando aquilo. Quando chega a um certo ponto, se aquele furacão for atingir a área de Houston, principalmente se atingir o sul de Houston, porque acaba enchendo... Houston é chamada de cidade dos bayous, porque há um monte de riozinhos, e aquilo alaga que é uma beleza. Aí vêm as determinações da cidade para abandono das regiões. Primeiro, abandona-se Galveston, que é uma cidade independente, mas perto de Houston, que está no litoral do Golfo do México. Então, primeiro, abandona-se Galveston – tem as áreas A, B, C –, depois se vai abandonando Clear Lake, e assim por diante. E não é opção; é obrigatório sair. Tem gente que vai brigar, vai querer ficar? Vai, mas tem que sair. É tanto que a cidade é toda preparada para isso. Nesses momentos, entra o plano de preparação ou o plano de resposta, se esse negócio estiver em cima, e já liberam todas as highways. Nenhuma chega para a cidade; todas as pistas são para sair da cidade, para abandonar. Então, são 5 milhões de pessoas abandonando a cidade. É um tumulto? Sem dúvida, mas é para tirar da frente do furacão ali.

    E cada pessoa recebe também – eu recebia lá em casa – tipo um booklet, um livrinho, dizendo da preparação: o que você tem que ter em casa guardado, o que você leva com você, o que você deixa para trás – a pessoa não pode levar um caminhão de mudança; leva os seus documentos, leva alguma coisa e deixa o restante lá –, tem que ter seguro, etc. Então, essa preparação é muito importante. Foi por isso que eu falei: plano de prevenção, preparação, resposta e a recuperação depois. E a gente não vê isso acontecer aqui. É importante ter isso aí para que as pessoas tenham essa consciência.

    Outra coisa que o Osvaldo falou e que eu acho muito importante – estou falando bastante porque, afinal de contas, esta é uma sessão de debates; fique à vontade também, se alguém quiser falar alguma coisa, dar alguma opinião – é a questão da vulnerabilidade... Como é que se chama a vulnerabilidade? Cultural, não é? Em que as pessoas não acreditam. Você está vendo o dado ali, e a pessoa não acredita naquilo. Eu estou vendo o furacão vindo para cá. "Não, isso aqui deve ser fake news". Se o furacão está vindo para cá, sai da frente do negócio, não é? Tem que acreditar. É por isso que a parte, Reitor, da educação, promoção, popularização da ciência, levar isso para as crianças desde o começo, é importante, para elas aprenderem a trabalhar com ciência.

    Morei na Califórnia também, no tempo de mestrado, doutorado lá. Lá tem terremoto e tem treinamento nas escolas: no caso de terremoto, o que você faz, como faz. Alguém aqui já participou de algum treinamento, por exemplo, no caso de incêndio de prédio? É muito raro acontecer isso aqui; lá é todo... Na Nasa, acho que a cada mês toca lá a sirene, você tem que descer. Ah, fica chato, você tem que sair do trabalho. É, mas tem que treinar, porque, quando acontece, não tem mais jeito.

    Então, a gente tem que aprender a planejar e executar aqui no país. Eu queria que o Brasil tivesse um planejamento de longo prazo, sabe? Dez anos. Onde o Brasil quer estar daqui a dez anos? Daqui a 20 anos? Daqui a 50 anos? E aí que cada governo que entrasse, governo de plantão, vamos chamar assim, seguisse aquele planejamento, planejamento feito por pessoas, por cientistas, por pessoas que entendem do assunto. Acho que a gente teria...

    Eu perguntei, na época em que era Ministro, para a Coreia do Sul. Eu fui lá perguntar para eles. Eu sou aqui o Presidente do Grupo Brasil-Coreia. Eu fui lá, como Ministro, perguntar para eles: "Escuta, como é que vocês fizeram para sair da situação em que vocês estavam para a situação em que vocês estão?". Isso em termos de educação, pesquisa, desenvolvimento. Eles me deram... Eles foram muito solícitos e fizemos um acordo com o ministério, pesquisadores de lá com os nossos consultores aqui também trabalharam para desenhar um modelo aqui para o Brasil, adaptado. E a gente vê que a gente pode e precisa fazer muita coisa. Mas, de novo, essa última parte precisa ser feita. A gente precisa fazer alguma coisa, e depende, logicamente, das autoridades e da boa escolha dos políticos.

    Pessoal, primeiro, eu queria agradecer muito a presença de todos. Eu acho extremamente importante a gente trazer esses temas e falar para a população, que está nos acompanhando também – obrigado por nos acompanhar –: pense sobre isso, pense como você pode fazer a sua parte aí na sua cidade, na sua casa, na sua comunidade. É muito importante a participação de todos, e a escolha adequada dos políticos também. Olhe o currículo das pessoas.

    Cumprida a finalidade desta sessão de debates temáticos, a Presidência declara o seu encerramento.

    Muito obrigado a todos.

(Levanta-se a sessão às 12 horas e 54 minutos.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/06/2025 - Página 43