Discurso durante a 71ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal

Sessão Especial destinada à entrega da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier. Homenagem póstuma a Francisco Cândido Xavier.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assistência Social, Homenagem, Religião:
  • Sessão Especial destinada à entrega da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier. Homenagem póstuma a Francisco Cândido Xavier.
Publicação
Publicação no DSF de 02/07/2025 - Página 21
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Assistência Social
Honorífico > Homenagem
Outros > Religião
Indexação
  • SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES, ENTREGA, Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier, INSTITUIÇÃO BENEFICENTE, ASSISTENCIA SOCIAL.
  • HOMENAGEM POSTUMA, FRANCISCO CANDIDO XAVIER, ATIVIDADE, RELIGIÃO, ESPIRITISMO.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Meu querido irmão, Presidente desta sessão, Senador Veneziano Vital do Rêgo; minha querida Senadora Zenaide Maia; minha irmã também, Senadora Damares Alves; e todos vocês que aqui estão, todos, cada um de vocês – meu querido Rabelo aqui também presente –, cada um que veio participar deste momento no Senado Federal, essa Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier marca uma data, marca uma ação muito positiva da Casa revisora da República que vai ficar para a história, como eu disse aqui – muito obrigado –, no começo desta sessão.

    Eu fiz até um discurso, mas não vou nem ler: eu vou abrir aqui meu coração para vocês.

    Primeiro, eu jamais imaginei estar aqui tendo a honra de ser um dos 81 brasileiros e brasileiras que ocupa esta Casa tão respeitada, uma instituição bicentenária do Brasil. Em meio a mais de 213 milhões de brasileiros, estar aqui é um privilégio, é uma bênção e uma enorme responsabilidade. E não tem como dissociar a minha vida, porque a vida da gente é resultado dos livros que a gente lê, dos filmes a que a gente assiste, dos convívios que nós temos desde a infância com familiares, com amigos. Para mim, muito especialmente, a minha existência é antes e depois do contato com a obra do Chico Xavier. Eu tenho o dever de dizer isso neste momento, porque ele mudou a minha vida, embora eu não tivesse o privilégio, como alguns que aqui estão, de ter contato, de olhar nos olhos, de estar próximo do Chico Xavier, do Francisco Cândido Xavier.

    Antes de ter contato com ele, com a obra dele, eu era uma pessoa muito individualista, muito ambiciosa, muito materialista. Fui batizado, mas não frequentava, estava afastado de Deus, só pensava em trabalhar, trabalhar, ganhar dinheiro. E foi-se criando um vazio muito grande – eu tinha 27, 28 anos, foi criando-se um vazio –, e aí eu caí no abismo que foi... Como diz a Bíblia, a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. Eu tive síndrome do pânico antes dos 30 anos e, para mim, foi um momento de repaginar, um momento de reavaliar os meus valores.

    E foi através de uma peça de teatro a que eu assisti, em São Paulo, sobre o Chico Xavier, sem nenhum ator famoso... Eu praticamente fui levado. Eu estava em São Paulo, numa reunião de trabalho que terminou, e, passando ali pelo Teatro Itália, vi aquele cartaz – eu estava num momento, cambaleando ainda, sem entender o que estava acontecendo comigo – e resolvi entrar. Eu acho que foi um chamamento. E fazia décadas que eu não chorava. Décadas o quê? Fazia... Eu não lembrava. Desde pequeno, eu não chorava, tinha um bloqueio para chorar. E aquela peça de teatro era sobre a vida dele, contava a vida do Chico, a vida dificílima e cheia de provações, a sua fidelidade com Jesus Cristo e o seu trabalho até 3h da manhã, atendendo as pessoas, e depois ainda ia psicografar. Ele chegou a psicografar mais de 430 livros. Milhões de exemplares desses livros foram vendidos e traduzidos para mais de 12 línguas. E esse homem não ficava com um centavo, tudo era doado para entidades assistenciais, para a caridade.

    Naquele momento em que eu estava repaginando meus valores e assistindo àquela peça, passou um filme pela minha cabeça e eu chorei como uma criança. Terminada a peça, eu fiquei chorando lá, e uma pessoa disse: "Olhe, já terminou, vou ter que fechar o teatro". E eu disse: "Olhe, eu gostaria de conversar com o produtor dessa peça para levar para o meu Ceará, para levar essa mensagem para lá, porque me fez muito bem e eu gostaria que fizesse bem a outras pessoas.

    E aí, Célia – você sabe dessa história –, veio o Flávio Serra, que, ao mesmo tempo, era o ator principal que interpretava o Chico Xavier, era o produtor, era o contrarregra, era tudo. Ele já partiu para o mundo espiritual. Paraense. O Flávio disse: "Poxa, a gente está até numa turnê pelo Nordeste, no final do ano. Fortaleza não tinha, pois agora tem". E aí, nós levamos essa peça para lá e foi um negócio que não dá para explicar como foi transcendental, como tudo aconteceu. A mídia cearense abraçou de uma forma incrível. Os centros espíritas... Foi um recorde de quase cem anos do Theatro José de Alencar. Ele tinha naquela época 98 anos, e foi o recorde da história do Theatro José de Alencar. A gente teve que fazer sessões extras para acomodar, naquele final de semana, as pessoas que queriam ir. E foi um sentimento de gratidão e de perdão que permeou ali a cidade, o Estado do Ceará, que é a Terra da Luz. O primeiro lugar a libertar os escravos foi o Ceará, quatro anos antes da Lei Áurea. E, não por acaso, é a terra de Dr. Bezerra de Menezes. Mércia foi Presidente e fundou o Centro Espírita Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, e nós fizemos sessões aqui no Senado em homenagem a ele também, que é cearense.

    A partir dali, daquele contato, que foi me dando, Senadora Zenaide, um sentido à vida, de levar esse conhecimento às pessoas, essa informação, sem querer absolutamente doutrinar ninguém, mas levar o conhecimento espírita da caridade, da esperança, da fé, do conforto. Veio o filme em seguida, depois da mostra de teatro transcendental, em que a gente reuniu peças do Brasil inteiro que faziam esse tipo de mensagem de fé, de espiritualidade. Fizemos o filme do Dr. Bezerra de Menezes, depois fizemos os dois filmes do Chico Xavier. E cada vez mais essa corrente do bem foi crescendo.

    Ao Chico Xavier eu só tenho a agradecer, pela existência dele, pela abnegação dele. Depois eu pude conhecer o quartinho em que ele morou em Uberaba, nem banheiro tem. É um dos caras que tinha tudo para ser o cara mais rico do Brasil, e nem banheiro no quartinho dele tinha, morreu ali. E é um homem que inspira, um grande brasileiro.

    Então, esse dia de hoje é um dia muito especial pelo qual eu só tenho que agradecer a Deus, aos meus amigos e minhas amigas, aos colegas Senadores, ao Presidente desta Casa, à equipe da Secretaria-Geral da Mesa, ao pessoal que está à frente... Daqui a pouco eu faço questão de falar o nome de todos que também fazem parte desse time de premiações aqui, de projetos especiais do Senado, porque eu tenho certeza de que vai trazer mais luz para esta Casa por onde passam projetos tão importantes para a nação, para esta Casa que cada vez mais precisa se aproximar da sociedade brasileira. Então, esse tipo de iniciativa coloca luz, traz cada vez mais reflexões. E eu tenho certeza de que vai cumprir um papel para que o Brasil seja o coração do mundo, a pátria do Evangelho, como uma obra do Chico Xavier preconizou.

    Então, eu só tenho que agradecer mais uma vez a presença de cada um de vocês e vamos agora já passar para a cerimônia rápida de entrega dos prêmios, dizendo que, nessa primeira edição, vocês todos, todos nós estamos aqui num momento emblemático do Senado Federal. Um dia nós vamos entender o significado desse passo que esta Casa dá. Que Deus abençoe abundantemente vocês e a família de vocês.

    Muito obrigado pela oportunidade. (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 02/07/2025 - Página 21