Pronunciamento de Plínio Valério em 01/07/2025
Discurso durante a 72ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação a favor dos produtores dos Municípios de Apuí e Lábrea, no Estado do Amazonas, que supostamente estão sendo retirados de suas casas em virtude da criação de áreas de proteção ambiental e alerta para o possível desalojamento de comunidade no Rio Juma pelo mesmo motivo. Crítica a um suposto interesse estrangeiro em isolar a Amazônia e impedir a exploração econômica nacional. Defesa da exploração do petróleo na costa do Amapá.
- Autor
- Plínio Valério (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
- Nome completo: Francisco Plínio Valério Tomaz
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca },
Energia,
Espaços Especialmente Protegidos:
- Manifestação a favor dos produtores dos Municípios de Apuí e Lábrea, no Estado do Amazonas, que supostamente estão sendo retirados de suas casas em virtude da criação de áreas de proteção ambiental e alerta para o possível desalojamento de comunidade no Rio Juma pelo mesmo motivo. Crítica a um suposto interesse estrangeiro em isolar a Amazônia e impedir a exploração econômica nacional. Defesa da exploração do petróleo na costa do Amapá.
- Publicação
- Publicação no DSF de 02/07/2025 - Página 47
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca }
- Infraestrutura > Minas e Energia > Energia
- Meio Ambiente > Espaços Especialmente Protegidos
- Indexação
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- DEFESA, PRODUTOR RURAL, PECUARISTA, CRIAÇÃO, AREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL, AMAZONIA, APUI (AM), LABREA (AM), CRITICA, INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVAVEIS (IBAMA), PAIS ESTRANGEIRO, INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRARIA (INCRA), INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBIO), FUNDO AMAZONIA, ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL (ONG), NECESSIDADE, EXPLORAÇÃO, RECURSOS NATURAIS, PETROLEO, ESTADO DO AMAPA (AP).
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para discursar.) – Obrigado. Obrigado ao Senador Amin também. Presidente Styvenson, meu amigo Senador Girão, meu amigo Senador Izalci, Paim, eu ocupo, mais uma vez, a tribuna só para lembrar os esquecidos, os invisíveis, para dizer a eles que eu continuo enxergando a todos, fazendo o que é possível, tentando, via Ministério Público Federal, fazer com que esta injustiça, este desmando, este abuso seja interrompido.
Eu estou falando dos produtores do Município de Apuí, no meu estado, também agora estendendo ao Município de Lábrea, que começou a passar pela mesma coisa. São várias operações se passando ao mesmo tempo no país, mas só na Região Norte.
Em Apuí, Presidente Styvenson, estão expulsando produtores que estão lá há 20 anos. Estão expulsando produtores e agricultores, pecuaristas que estão lá morando há anos, desde antes que a reserva fosse criada, inventada. Ela passa a ser criada, porque ela é inventada, homologada pelo Presidente e acaba sendo criada e valendo.
Portanto, a gente está tentando juntar documentação para recorrer também ao Ministério Público Federal, aqui em Brasília também, à Procuradoria-Geral da República, para que a gente possa interromper essa injustiça.
Casas queimadas, equipamentos destruídos, currais incendiados, famílias expulsas, sem nenhum direito, como acontece – a gente viu na CPI das ONGs – no Acre, no Pará, no Amazonas. Nada mudou. Se mudou, foi para pior.
Pior ainda com o Ibama agora podendo, Presidente Styvenson – isso é ligado à sua área de segurança, de armas... O Ibama agora vai poder portar arma, fuzil. Imagina só, o Ibama, todos eles, porque o Ibama representa... Assim como, na casa da gente, os nossos filhos acabam sendo parte de nós pais, no meio, quando a gente comanda, os comandados passam a ser parte do comandante, é assim no Ibama. É a prepotência do senhor chamado Agostinho, que foi Prefeito na cidade de São Paulo, que jogou água poluída lá no rio, no interior, e que fazia o que ele quer culpar os outros por fazer, por fazer o mesmo que ele. É a prepotência dele. Como no interior nós falamos, é a "metideza" dele, o cara é metido demais. Então o Ibama reflete o seu comandante. E agora, com arma, vai ser pior ainda.
Portanto, a minha palavra aqui é porque a gente tem que agir no Judiciário. No Judiciário, pois o Ibama só faz isso, a Funai só faz isso, as ONGs só fazem isso porque encontram respaldo no Ministério Público, mais notadamente o Ministério Público Federal, porque está sempre disposto a pedir uma liminar para interromper – interrompendo o potássio aqui, o gás ali, o ouro lá, o petróleo aqui. E vão continuando, dominando e agora exercitando e executando o plano final, que é mostrar serviço para ser exibido na COP, em Belém, na próxima COP, para serem exibidos os números, para que solicitem mais dinheiro. Esse é o objetivo.
Então, olha só, operações tocando fogo, expulsando, isso é muito bonito para a Noruega, é muito bonito para a Dinamarca, para a Holanda, para o Canadá, para a Alemanha, os Estados Unidos, a Inglaterra, que financiam essa gente para isso.
Então, lá, na época, o pessoal da Funai, o pessoal do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente vão mostrar números.
"Nós fizemos isso", "nós fizemos aquilo", "nós estamos cuidando, expulsando os invasores". Invasores? Quem? Invasores? Quando, se estavam lá antes da reserva?
Digo isso porque a prática, brasileiro, porque a prática, brasileira, vocês que estão nos vendo agora, é essa.
Você já mora lá há anos, teu avô, teu pai, você. De repente, eles a transformam em área de proteção, ou, então, numa reserva extrativista, e você é obrigado a sair dali. Aquilo tudo que você pensou ter construído, tudo que você pensou ter acumulado para o seu bem-estar e o da sua família não é teu – não é teu –, porque você sai dali sem direito algum – algum.
São assentados pelo Incra. O Incra assentou aquela gente ali. O Governo Federal incentivou aquela gente ali em Apuí, o Incra os assentou, e agora não vale nada do que o Incra fez, e o Incra fica calado, como sempre, porque faz parte também desse conluio, faz parte também desse acordo, que é para isolar a Amazônia, prestar serviço a quem os paga.
E quem os paga – todo mundo sabe, sabemos nós – paga via Fundo da Amazônia, ou então diretamente, por baixo do pano, porque não se presta conta.
Na CPI das ONGs, o relatório do meu amigo Senador Marcio Bittar pede transparência. Tem 11 projetos lá, ou 12 – eu até me perco –, no relatório final, projetos que não estão rodando aqui, que não estão avançando aqui, que são para dar transparência a esse dinheiro.
Quem manda? Por que manda? Quem recebe? Por que recebe? Vai fazer o que com esse dinheiro? E o que fez com ele? São perguntas para as quais a gente tem que ter resposta.
Banco Central, BNDES, Itamaraty, Ministério, ninguém tem controle sobre esse dinheiro estrangeiro que entra aqui, e todos nós sabemos... Não precisa ser adulto, muito menos político, para saber que não tem jantar e não tem almoço de graça. Isso é praxe. Isso é a premissa que tem e que continua valendo.
Portanto, Presidente Styvenson, a tribuna de hoje é mais um apelo, é mais manifestação, é mais a certeza de que os Anais vão registrar que a gente está protestando aqui e para dizer que, também, não estou só reclamando. A gente também está indo ao Judiciário.
Embora eu não acredite em determinados setores desse Judiciário, mas cabe a nós tentar, tentar, porque a instituição Ministério Público é muito maior do que esses procuradores, do que esses homens que estão vivendo à base da liminar. Eu acredito na instituição e, por acreditar na instituição, é por isso que a gente está indo lá.
E há o caso também do Rio Juma.
Já estão fazendo o inventário da Reserva do Juma – quantas árvores vão quantificar, para ver quanto vale para ir a leilão –, e o Governo vai entregar, se nós deixarmos, um bioma frágil, muito, muito frágil – muito, muito frágil –, e vai desalojar centenas de famílias que estão tentando iludir, dizendo que vai ser bom para as famílias, que vai ter projetos sociais, que vão regularizar a terra... Mentira pura. Balela pura.
Esse é o papo do ICMBio. Esse é o papo do Ibama. Esse é o papo deste Governo Federal, que está devendo muito, muito ao Brasil, muito a esta nação, porque concorda, porque assiste, de braços cruzados...
Agora, com a guerra... Uma pergunta simples, que eu não estou fazendo a ninguém, e eu a faço e a ela respondo, uma pergunta simples, com essa, agora, com Israel e Irã... Teve a da Ucrânia e Rússia. Se estivéssemos nós explorando o petróleo da costa do Amapá, estaríamos preocupados com essa guerra? De jeito nenhum, de jeito nenhum, porque a preocupação é com o que vem depois; e o que vem depois é o petróleo caro e tudo que vem de lá mais caro. E o Governo assiste a isso de braços cruzados.
Por não ficar de braços cruzados, por não aceitar ficar de braços cruzados, por jamais cruzar os braços por qualquer problema que alguém sofra... Não precisa ser só do meu Amazonas não – do Amazonas, é claro, muito mais, mas não precisa –; basta que um brasileiro, que uma brasileira sofra injustiça, para eu estar solidário, porque a gente pugna, briga, luta por liberdade, e liberdade só é boa quando é para todos; quando é parte de um todo, não é boa.
Obrigado, Presidente.