Discurso durante a 113ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro do início dos testes de energização do Linhão de Tucuruí, que conecta Manaus-AM a Boa Vista-RR, integrando o Estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Destaque para os entraves burocráticos e ambientais enfrentados durante o projeto e para a necessidade se modernizar o licenciamento ambiental.

Autor
Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Energia, Licenciamento Ambiental:
  • Registro do início dos testes de energização do Linhão de Tucuruí, que conecta Manaus-AM a Boa Vista-RR, integrando o Estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Destaque para os entraves burocráticos e ambientais enfrentados durante o projeto e para a necessidade se modernizar o licenciamento ambiental.
Publicação
Publicação no DSF de 11/09/2025 - Página 15
Assuntos
Infraestrutura > Minas e Energia > Energia
Meio Ambiente > Licenciamento Ambiental
Indexação
  • REGISTRO, LIGAÇÃO, ESTADO DE RORAIMA (RR), LINHA DE TRANSMISSÃO, MANAUS (AM), BOA VISTA (RR), SISTEMA ELETRICO INTERLIGADO, SISTEMA INTEGRADO NACIONAL (SIN), REDUÇÃO, DEPENDENCIA, USINA TERMOELETRICA, COMENTARIO, NECESSIDADE, MODERNIZAÇÃO, LICENCIAMENTO AMBIENTAL.

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Sr. Presidente, meu colega Esperidião Amin, presente nesta sessão, hoje eu gostaria de fazer um registro que vai ficar marcado nos Anais desta Casa, quando aconteceu a interligação do sistema energético do meu estado, do Estado de Roraima, ao Brasil.

    Hoje, dia 10 de setembro de 2025, foram iniciados os testes de energização do Linhão de Tucuruí, a linha de transmissão que conecta Manaus a Boa Vista e que garante, pela primeira vez, a plena inserção do Estado de Roraima no Sistema Interligado Nacional (SIN), um marco histórico para a integração nacional.

    Tive a honra de participar, hoje pela manhã, da visita alusiva aos testes de energização diretamente da sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), aqui em Brasília, evento em que demos o primeiro passo concreto para a integração definitiva de Roraima ao Sistema Interligado Nacional.

    Trata-se de um momento simbólico e estratégico, que foi, obviamente, coordenado e disparado pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Roraima era o único Estado brasileiro ainda isolado da rede elétrica nacional, abastecido quase que exclusivamente por usinas termelétricas movidas a óleo diesel. Esse modelo, além de caro e poluente, dependia de subsídios da conta de consumo de combustíveis, a tão conhecida CCC, paga por todos os brasileiros através da conta de desenvolvimento energético.

    Com o Linhão de Tucuruí, de 724km de extensão, incluindo cerca de 120km, atravessando a Terra Indígena Waimiri Atroari, o cenário muda profundamente. A expectativa é de redução expressiva de custo de geração – não falo de tarifa, de consumo, mas de custo de geração –, alívio no bolso de todos os consumidores brasileiros e maior confiabilidade no fornecimento de energia para famílias, empresas e serviços públicos do nosso querido Estado de Roraima.

    É preciso lembrar a trajetória dessa obra. Foi licitada em 2011. O projeto tinha previsão inicial de entrada em operação em 2015. No entanto, enfrentou mais de uma década de entraves, sobretudo no licenciamento ambiental.

    Nesse processo, a participação direta da comunidade indígena uaimiri-atroari foi fundamental. A linha foi planejada para seguir o traçado da BR-174, minimizando a abertura de novos acessos, portanto, ferindo a floresta. Isso foi literalmente evitado. As torres foram erguidas em áreas menores, e tecnologias inovadoras, como o içamento de cabos por drones, foram utilizadas para reduzir o impacto ambiental tão criticado antigamente pelos ambientalistas.

    O Ibama, ao conceder a licença de operação na última semana, destacou que o projeto é exemplo de como conciliar desenvolvimento energético, proteção ambiental e respeito aos povos tradicionais.

    Com isso, Sr. Presidente, nós temos musculatura intelectual e também política para mostrar que essa obra está obedecendo a todas aquelas orientações e parâmetros de preservação, proteção e cuidado com o meio ambiente.

    A história do Linhão de Tucuruí nos mostra que é possível conciliar desenvolvimento e preservação ambiental e, mais do que isso, que é preciso pôr fim, de uma vez por todas, a esse modelo ultrapassado do processo de licenciamento ambiental.

    Como já me manifestei aqui há algumas semanas, precisamos derrubar os vetos do novo marco de licenciamento ambiental para evitar que obras tão importantes como o Linhão de Tucuruí fiquem paralisadas por tantos anos.

    Sras. e Srs. Senadores, esse não é apenas um feito técnico. É uma vitória política, econômica e social para a população do nosso Estado de Roraima.

    Eu tenho lutado, desde o início do meu mandato no Senado para tirar o Linhão de Tucuruí do papel. Participei de várias reuniões, ainda no Governo anterior, do Presidente Bolsonaro, com os ex-Ministros de Minas e Energia Bento Albuquerque e Adolfo Sachsida, que deram início à obra. Já no atual Governo do Presidente Lula, continuei acompanhando de perto e sou testemunha da liderança do Ministro Alexandre Silveira, com quem estive em muitas oportunidades, acompanhando o avanço das obras no Estado de Roraima.

    A iniciativa do Governo Federal no sentido de determinar que fosse uma obra prioritária do PAC é inquestionável. Foi determinado que essa obra, que tem um custo superior a R$3 bilhões, fosse incluída no PAC para estar executada até o final do ano de 2025. E assim foi feito, Sr. Presidente.

    Portanto, essa é uma obra estratégica, é uma obra grandiosa para Roraima e para o Brasil. Essa obra, na verdade, foi garantida pelo Governo com esses R$3 bilhões, inclusive com antecipação do calendário de execução, que era previsto até o final de dezembro. E hoje, dia 10 de setembro, nós temos esta unidade de geração e de distribuição de energia, interligando Roraima ao Sistema Interligado Nacional, completamente concluída.

    Essa conquista encerra um ciclo de isolamento e inaugura uma nova etapa de oportunidades para Roraima. Energia estável e de qualidade significa atrair investimentos, fortalecer a produção local, gerar empregos e melhorar a vida das famílias roraimenses. Significa também maior soberania energética nacional, reduzindo a dependência de geração cara e instável para a nossa população.

    Por isso, celebramos hoje não apenas uma obra, mas um símbolo da integração nacional. O Linhão de Tucuruí é prova de que o diálogo entre Estado, empresas, comunidades indígenas e sociedade civil pode vencer barreiras, muitas vezes ideológicas, e realizar sonhos que pareciam distantes.

    Roraima deixa de ser uma ilha energética para se tornar, plenamente, parte do Brasil que cresce e se desenvolve.

(Soa a campainha.)

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – E é por isso que me dirijo hoje ao meu povo de Roraima, para dizer que, após a realização dos testes operacionais, temos a expectativa de que essa interligação do Linhão de Tucuruí possa, definitivamente, atender ao sonho da nossa população. A realização desse sonho é exatamente aquilo que está no coração de toda a população do nosso estado.

    Nós entendemos, meu caro Presidente, meu caro colega Senador Mecias de Jesus, que chegou ao Plenário, que gostaríamos de deixar este registro e dar a César o que é de César: ao Presidente Bolsonaro, que tomou a iniciativa, com a realização do Conselho de Defesa; ao Presidente Lula, que determinou que R$3 bilhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) deveriam ser destinados para que essa obra grandiosa, definitiva e sonhada pela população de Roraima tivesse, na verdade, a sua execução e a sua instalação de forma definitiva.

    Portanto, você sai hoje de Manaus, da Subestação Engenheiro Lechuga, onde recebe o linhão 500kV de potência do Amazonas, vindo de Tucuruí, se dirige até a Subestação do Equador, de rebaixamento, e vai até a subestação, onde efetivamente recebe a ponta da linha, como nós chamamos, para ser distribuído para todo o Estado de Roraima.

    Portanto, nós ficamos muito felizes. Andamos de Manaus até o km 500, em Novo Paraíso, pegamos a BR-432 e vamos na direção dos Municípios do Cantá e do Mucajaí.

(Soa a campainha.)

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – E essa linha vai deslizando as suas torres gigantes, superiores a 100m de altura, que vão deslizando e serpenteando a floresta, sem feri-la – como, na verdade, muitas vezes definem os ambientalistas – para, finalmente, chegar, de forma triunfal, à nossa capital, Boa Vista, e, a partir daí, garantindo a distribuição permanente.

    O Sistema Interligado Nacional, ao estar presente, faz com que a população de Roraima se sinta hoje brasileira como todos os brasileiros.

    Portanto, quero deixar este registro que vai ficar para a História: dia 10 de setembro de 2025 Roraima está definitivamente interligada ao Sistema Energético Nacional, gente.

(Soa a campainha.)

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Roraimenses de todas as classes, de todas as origens, vocês hoje recebem esse presente. Na verdade, é um presente do Brasil, para que Roraima possa ficar definitivamente interligada ao Sistema Interligado Nacional!

    Eu tenho a felicidade de ter vivido para acompanhar e participar, hoje pela manhã, no ONS, juntamente com toda a equipe da Eletronorte, da Eletrobras, das empresas que construíram, do Presidente da República, enfim, com todos que acompanharam, o acionamento daquele botão que liga Roraima a todo o Sistema Interligado Nacional.

    Era esse o registro que eu gostaria de fazer, Sr. Presidente, com muito orgulho!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 11/09/2025 - Página 15