Discurso durante a 131ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro da importância da campanha Outubro Rosa, com alerta para a alta incidência e mortalidade do câncer de mama e de colo do útero no Brasil, com destaque para desigualdades no acesso a exames. Defesa da ampliação do orçamento público, descentralização de equipamentos e fortalecimento da rede oncológica como políticas essenciais para garantir prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno às mulheres.

Autor
Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Mulheres, Saúde Pública:
  • Registro da importância da campanha Outubro Rosa, com alerta para a alta incidência e mortalidade do câncer de mama e de colo do útero no Brasil, com destaque para desigualdades no acesso a exames. Defesa da ampliação do orçamento público, descentralização de equipamentos e fortalecimento da rede oncológica como políticas essenciais para garantir prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno às mulheres.
Publicação
Publicação no DSF de 02/10/2025 - Página 25
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Mulheres
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Indexação
  • IMPORTANCIA, Campanha Outubro Rosa, PREVENÇÃO, CANCER, MULHER, DESIGUALDADE SOCIAL, ACESSO, EXAME MEDICO, POPULAÇÃO CARENTE, NEGRO, INTERIOR, DESIGUALDADE REGIONAL, CRITICA, SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), SAUDE PUBLICA, DESCUMPRIMENTO, PRAZO, TRATAMENTO MEDICO, SOLICITAÇÃO, AUMENTO, RECURSOS FINANCEIROS, RECURSOS ORÇAMENTARIOS.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Sr. Presidente, colegas Senadoras, colegas Senadores, todos que estão nos assistindo pela Rádio Senado, TV Senado e Agência Senado, eu quero falar aqui sobre o Outubro Rosa, que estamos iniciando hoje.

    O sonho de cada mulher brasileira é não precisar de um Outubro Rosa – isso queria dizer que já estariam todas tendo acesso às mamografias, a todos os exames necessários, sem precisar de um mês para dar visibilidade.

    Gente, o Outubro Rosa não é apenas uma campanha simbólica; é um chamado à vida. E hoje nós podemos afirmar: câncer de mama não é uma sentença de morte quando existe informação, diagnóstico precoce e tratamento sem demora. Mas a realidade ainda é muito dura. O câncer de mama é, infelizmente, a maior causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras, e o câncer de colo do útero também segue entre os que mais matam, atingindo com mais força mulheres pobres, pretas e do interior, justamente as que enfrentam mais dificuldades para ter acesso a exames preventivos.

    Os dados mostram que o Brasil registra, em média, mais de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano. É importante destacar que o SUS realizou, em 2024, cerca de 4 milhões de mamografias e 376 mil exames diagnósticos, mas isso ainda não é suficiente. Muitas mulheres, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, continuam sem acesso adequado aos exames preventivos.

    Dados oficiais apontam que quase um quarto das mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos nunca fez uma mamografia, mesmo sendo exatamente essa faixa etária prioritária para o rastreamento. Isso significa que milhares de vidas correm risco desnecessariamente pela falta de acesso a um exame que pode salvar essa vida. E, mesmo quando o câncer é diagnosticado cedo, ainda enfrentamos o drama da espera: o tempo médio entre a detecção e o início do tratamento pelo SUS pode ultrapassar até 140 dias – muito acima do que a lei determina. Cada dia perdido aumenta o risco de complicações, torna os tratamentos mais agressivos e compromete a chance de cura.

    Diante desse cenário, não basta iluminar monumentos de rosa ou distribuir laços. É preciso garantir orçamento público destinado à saúde da mulher, fortalecer a rede de atenção oncológica, descentralizar equipamentos para o interior, reduzir os prazos entre diagnóstico e tratamento e investir em campanhas educativas que alcancem todas as comunidades. Prevenção e diagnóstico precoce não podem ser privilégio; precisam ser um direito de todas.

    Como médica e Senadora, reafirmo meu compromisso de lutar por políticas públicas que assegurem que nenhuma mulher seja deixada para trás. Cada mamografia feita em tempo, cada tratamento iniciado sem demora é uma vida salva, uma família preservada e uma vitória da saúde pública.

    Outubro Rosa é, acima de tudo, um pacto pela vida. Vamos seguir firmes nessa luta, porque cuidar da saúde da mulher é cuidar da saúde de, no mínimo, mais da metade da população brasileira.

    Queria dizer aqui o seguinte: ter um diagnóstico de câncer não é uma sentença de morte. Agora, a gente saber que ainda tem mulheres que andam 200km, 300km para fazer uma mamografia, Senador Seif, é assustador, porque é uma mãe de família, é uma avó, que morre por isso, morre de morte evitável. Então, leis a gente já tem. Precisamos colocar, sim, a saúde da mulher no orçamento deste país. Não adianta aprovarmos leis, porque a lei diz que, em 30 dias, já tem que iniciar o tratamento. Aí, elas levam meses e, quando vão se tratar, muitas vezes não tem mais cura, dependendo do tipo histológico de tumor. E nós devemos, esta Casa deve a mais de 50% da população brasileira, que somos nós mulheres, que elas sejam incluídas no orçamento deste país.

    Muito obrigada, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 02/10/2025 - Página 25