Pronunciamento de Hamilton Mourão em 08/10/2025
Discurso durante a 137ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Alerta a respeito do aumento das tensões, da instabilidade e dos conflitos armados no cenário internacional, destacando a necessidade de se valorizar as Forças Armadas do país para a garantia dos interesses estratégicos e da soberania nacional.
Críticas à política fiscal do Governo Federal.
- Autor
- Hamilton Mourão (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/RS)
- Nome completo: Antonio Hamilton Martins Mourão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Conflito Bélico,
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública,
Tributos:
- Alerta a respeito do aumento das tensões, da instabilidade e dos conflitos armados no cenário internacional, destacando a necessidade de se valorizar as Forças Armadas do país para a garantia dos interesses estratégicos e da soberania nacional.
-
Governo Federal,
Tributos:
- Críticas à política fiscal do Governo Federal.
- Publicação
- Publicação no DSF de 09/10/2025 - Página 29
- Assuntos
- Outros > Conflito Bélico
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública
- Economia e Desenvolvimento > Tributos
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Indexação
-
- CRITICA, EXPANSÃO, MILITAR, PAIS ESTRANGEIRO, RUSSIA, ANALISE, INVASÃO, UCRANIA, CARACTERIZAÇÃO, DESRESPEITO, SOBERANIA NACIONAL.
- ANALISE, CONFLITO, GUERRA, ISRAEL, HAMAS, PALESTINA, INFLUENCIA, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), FALENCIA, ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU), PROMOÇÃO, PAZ, ORIENTE MEDIO.
- PREOCUPAÇÃO, SITUAÇÃO, AMERICA LATINA, EXPANSÃO, GUERRILHA, TRAFICANTE, DROGA, AMEAÇA, ESTABILIDADE, NATUREZA SOCIAL.
- GOVERNO FEDERAL, CRITICA, PARCELA, PARLAMENTO, PRIORIDADE, ELEIÇÕES, PREJUIZO, EQUILIBRIO, NATUREZA FISCAL, SOBERANIA NACIONAL, BEM ESTAR SOCIAL.
- PREOCUPAÇÃO, DETERIORAÇÃO, INSTALAÇÕES MILITARES, DEFESA, CONTINUIDADE, INVESTIMENTO, DEFESA NACIONAL.
O SR. HAMILTON MOURÃO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RS. Para discursar.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, senhoras e senhores que nos acompanham pela mídia, subo hoje a esta tribuna para alertar sobre as trombetas da guerra que estão a soar e o futuro, cada vez mais incerto.
A segunda metade da década de 30 mostrou ao mundo que a paz estabelecida após a Primeira Guerra Mundial era frágil e que os ressentimentos latentes eram fortes o suficiente para fazer soar novamente, na Europa, as trombetas da guerra. As ações alemãs de 1939, caracterizadas pelo choque estarrecedor da Blitzkrieg, colocaram rapidamente vários países de joelho face à superioridade militar germânica.
Menos de cem anos se passaram, e, hoje, novamente, a guerra é uma realidade crescente no mundo contemporâneo. O velho continente, área geoestratégica, que os jornalistas julgavam segura e longe da instabilidade, foi sacudido no ano, de 2022, pela invasão da Rússia sobre o território da Ucrânia. A Otan e seus principais países-membros tiveram que reestruturar suas visões de defesa e segurança para buscar fazer face ao expansionismo russo.
Mais recentemente, temos visto exemplos daquilo que poderíamos chamar de sondagens dos dispositivos de defesa dos países vizinhos da Rússia. A ação de enxames de drones, os supostamente equivocados disparos de mísseis e os sobrevoos de aeronaves militares russas apontam para o desprezo sobre a soberania desses países e sobre a possibilidade de novos avanços militares.
No Oriente Médio, o conflito entre o Hamas e Israel parece ter uma perspectiva de paz sob a ingerência do Presidente Trump. Mas a tarefa não é simples, pois naquela área o ódio e as crenças religiosas subvertem o pensamento racional, em favor da vingança e do instinto de sobrevivência. A ONU mostrou-se uma instituição falida e, como não há vácuo de poder, ele será ocupado.
Na África, uma gama de conflitos regionais, motivados por disputas étnicas e territoriais, seguem ceifando vidas diariamente, mas com pouca ou nenhuma repercussão na imprensa brasileira. Os horrores da África são sempre varridos para debaixo do tapete. Falo isso, pois fui observador militar em Angola e pude ver com os meus próprios olhos a devastação de uma luta fratricida.
Na América Central e na América do Sul, as narcoguerrilhas e o crime organizado seguem agregando valor em suas capacidades operacionais e verdadeiros narcoestados vão aos poucos se consolidando. O México, Colômbia, Bolívia, Peru, Paraguai, Venezuela, Equador e o nosso Brasil sentem diariamente os efeitos nefastos dessa realidade, mas, enredados em seus problemas comezinhos, parecem amargar um estado de torpor frente ao avanço dessa chaga que é capaz de destruir sociedades e a ordem ocidental.
No Brasil, vive-se, infelizmente, a eterna luta social e política do gato contra o rato, e a proximidade das eleições de 2026 faz com que o foco, as ações, os interesses do Governo, e da parcela do Parlamento que o apoia, sejam meramente eleitoreiros e sem um real espírito de defesa do bem comum e da soberania nacional.
Aqui, o equilíbrio fiscal foi deixado de lado, pois o Governo só tem um objetivo: vencer a eleição do próximo ano. Após isso, com o arcabouço tendo virado uma peça de ficção, teremos um dilúvio, pior do que aquele que assolou o meu Rio Grande do Sul no ano passado. Deixo aqui um alerta: faltará tudo em 2027 a seguirmos nessa toada.
Nossas Forças Armadas, sem previsão orçamentária fixa e razoável, seguem sendo sucateadas ao longo do tempo, a despeito do trabalho hercúleo dos homens e mulheres que integram suas fileiras. Lembro que as Forças Armadas bem equipadas e adestradas não se constroem do dia para a noite, mas as trombetas da guerra – essas, sim – soam a qualquer momento. Neste momento atual, prevalecem aqueles que prestigiam e honram seus soldados, entendendo seu papel de guardiões finais da honra da pátria.
Caros colegas, estimadas brasileiras e estimados brasileiros, fiquemos atentos ao mundo, levantemos nossos olhares para além dos interesses imediatos, pois o futuro é incerto e precisamos estar prontos, como nação, para defender nossos reais interesses e os desafios que possam se apresentar.
Eram essas as minhas palavras.
Obrigado, Sr. Presidente.