Pronunciamento de Izalci Lucas em 08/10/2025
Discurso durante a 137ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Insatisfação com o aumento do número de pessoas que dependem de programas sociais do governo por supostamente dificultar o setor produtivo encontrar mão de obra para contratar. Defesa de políticas públicas que priorizem a geração de empregos. Críticas à situação da educação no país, com destaque para a necessidade de melhorias na infraestrutura e no sistema educacional.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Educação,
Trabalho e Emprego:
- Insatisfação com o aumento do número de pessoas que dependem de programas sociais do governo por supostamente dificultar o setor produtivo encontrar mão de obra para contratar. Defesa de políticas públicas que priorizem a geração de empregos. Críticas à situação da educação no país, com destaque para a necessidade de melhorias na infraestrutura e no sistema educacional.
- Publicação
- Publicação no DSF de 09/10/2025 - Página 33
- Assuntos
- Política Social > Educação
- Política Social > Trabalho e Emprego
- Indexação
-
- CRITICA, DEPENDENCIA, POPULAÇÃO, BENEFICIO, PROGRAMA ASSISTENCIAL, BOLSA FAMILIA, SEGURO SOCIAL, PESCADOR ARTESANAL, CONSEQUENCIA, AUSENCIA, INCENTIVO, BUSCA, EMPREGO.
- CRITICA, EDUCAÇÃO, DESVALORIZAÇÃO, PROFESSOR, INSUFICIENCIA, ENSINO, QUALIDADE, INFERIORIDADE, RESULTADO, ALUNO, EXAME ESCOLAR, MATEMATICA, PORTUGUES.
- ANALISE, JOVEM, INSUFICIENCIA, INGRESSO, UNIVERSIDADE, INFERIORIDADE, ESTUDO TECNICO, BRASIL, COMPARAÇÃO, PAIS INDUSTRIALIZADO.
- CONTINGENCIAMENTO, CRITICA, RECURSOS, DESTINAÇÃO, INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI), AUSENCIA, PRIORIDADE, OBRA PUBLICA, POLITICA PUBLICA, LONGO PRAZO.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Obrigado, Presidente, senhoras e senhores, Senadores e Senadoras.
Gostaria de cumprimentar aqui os nossos queridos alunos lá da Cidade Ocidental. Tenho o maior carinho pela população. De vez em quando, vou a essa cidade, que está se desenvolvendo muito bem. Espero que a gente consiga realmente melhorar cada vez mais. Tenho ajudado lá o Prefeito na área de saúde também, para que as pessoas possam resolver os seus problemas de saúde lá na Cidade Ocidental e não tenham que vir para Brasília.
Presidente, eu vou falar hoje de um assunto que foi uma frase usada pelo ex-Presidente americano Ronald Reagan. Ele dizia o seguinte, que o sucesso dos programas sociais deve ser medido por quantas pessoas conseguem sair deles, não por quantas pessoas entram. Esse também é o sucesso que deve ser medido pelos governos.
Nós estamos vivendo um momento hoje deste Governo que tem comprometido muito principalmente os nossos jovens. No Brasil hoje você não tem mais mão de obra, você não consegue mão de obra para nada, na área de tecnologia, na agricultura, no comércio, porque grande parte da população hoje vive do Seguro Família, do Bolsa Família, do seguro-defeso, e ninguém nasceu para viver de cesta básica, as pessoas querem dignidade, dignidade é emprego, é geração de emprego, educação de qualidade, que infelizmente não temos mais.
Eu ainda sou de uma época em que estudei em escola pública aqui em Brasília e só entrava na Universidade de Brasília quem estudava em escola pública, e hoje, lamentavelmente, a nossa educação está um caos, um caos porque não tem infraestrutura, não se valoriza o professor, não tem internet, não tem laboratório de ciência, os professores são muito mal remunerados. E, lamentavelmente, não tem outra forma de você subir na vida, a gente só consegue chegar aonde eu cheguei, aonde o Senador Wilder chegou, através da educação, não tem outra saída. E parece que esses governos são cegos, mudos e surdos, porque cada dia que passa a qualidade vai piorando.
Hoje, coitados, os jovens saem do ensino médio, 70%, sem saber matemática, 60% sem saber português. Os professores hoje se formam em EaD, não conseguem realmente ter a prática, como tinha antigamente, do normal, vão direto para a sala de aula onde não se respeita mais o professor, e aí querem que esses jovens vençam na vida. É muito difícil, vão ser exceções, enquanto antigamente isso era a regra.
Então, você pega hoje os jovens, e somente 22% dos nossos jovens entram numa faculdade, numa universidade; 78% não entram, e aí fica a geração nem-nem, não têm educação profissional. No mundo todo desenvolvido, 60% dos jovens fazem curso técnico. No Brasil, nós não chegamos ainda a 11%. E aí os jovens não têm qualificação profissional e saem da escola, não conseguem entrar na universidade, não tiveram qualificação profissional e ficam à mercê. Minha avó já dizia, minha avó falava: "Cabeça vazia é oficina do diabo. Não tem o que fazer, vai fazer o que não presta". Então, a gente tem que ter essa consciência.
Eu sei que todo mundo... Se perguntar para todo mundo aqui, a educação é prioridade total, mas, na prática, na hora de realmente fazer as coisas, não acontece absolutamente nada, não tem recurso, não tem incentivo, não se valoriza o professor. Eu dei aula a vida toda. Cara, hoje o salário é pífio. É triste você ver a situação hoje da educação no Brasil. Salvo raríssimas exceções – e espero que essa escola seja uma delas –, ainda existe alguma qualidade, mas é muito difícil.
Então, Presidente, nós estamos discutindo agora o Orçamento. Agora, criaram o Pé-de-Meia, as pessoas acham maravilhoso: vamos dar R$200 para cada aluno não sair do ensino médio, não abandonar a escola. Cara, isso é para ficar na dependência do Governo. O Governo quer que todo mundo seja dependente dele, vivendo de miséria, vivendo de cesta básica, vivendo de programas sociais. O que este país precisa fazer é se desenvolver, investir em ciência e tecnologia. É incrível, aqui a gente não consegue aprovar nada de ciência e tecnologia, porque a ciência e a tecnologia são de médio e longo prazo, e aqui se pensa apenas na próxima eleição, ninguém pensa na próxima geração.
Então, eu fico vendo esses jovens de hoje: qual será o futuro que eles terão realmente com essa ineficiência da educação? Qual será o futuro desses jovens que não têm qualificação profissional?
E nós não temos no Brasil uma política de Estado; a gente tem política de governo. Cada governo que entra acaba com tudo e começa tudo de novo. Eu fui o Presidente do Novo Ensino Médio, que era exatamente para trazer educação profissional para os estudantes do ensino médio. A gente deu cinco anos para implantar o projeto. Aí, mudou o governo, acabou-se com tudo. É incrível como as pessoas não têm essa consciência de dar seguimento nas coisas que são boas. Aquilo que é ruim você troca, o que é bom você vai aperfeiçoando. Mas aqui, não; as pessoas só pensam na próxima eleição e, aí, para contrariar os adversários, acabam com os programas. É incrível. Um programa maravilhoso que nós lançamos aqui em Brasília – eu lembro – foi o DF Digital: quase 600 mil pessoas fazendo curso de qualificação. Mudou o governo, acabou-se com o programa. Lançamos o Bolsa Universitária: a gente dava uma bolsa integral para os alunos nas faculdades, e eles davam a contrapartida na escola pública. Quem estava fazendo Educação Física dava esporte na escola; quem fazia Pedagogia dava reforço escolar; quem fazia Teatro dava teatro no contraturno. Mudou o governo, acabou-se com o programa. Isso é o que o Brasil está vivendo há anos.
Quantos anos nós temos desse Governo petista aí? Mais de 18 anos. E essa educação cada vez vai piorando mais. E ainda ficam com esse discurso de que a prioridade é a educação. É incrível como as pessoas são enganadas a cada eleição em função dessa demagogia, desse populismo que existe realmente nos políticos, principalmente de esquerda.
Então, Presidente, eu fico triste. Ontem votamos... Era para votar-se realmente a proibição do contingenciamento de recursos para o INPI, que é patente. O Brasil tem meia dúzia de patentes. Se você pegar China, Coreia, Japão, Estados Unidos, eles investem cem vezes mais do que o Brasil investe; têm patente fácil. Aqui você leva dez anos para registrar uma patente. E a gente queria proibir o contingenciamento de recursos, o desvio de recursos. Não conseguimos aprovar porque o Governo diz que "tem impacto, tem impacto". O Governo só pensa no hoje. Ele não pensa... Ele não sabe que, de qualquer investimento em ciência e tecnologia, o retorno é cinco, seis vezes maior. Não é no dia seguinte, demora um pouco, mas esses governos têm pressa, porque eles só querem fazer o que é visto, o que é de imediato. Ninguém gosta de fazer saneamento. O Brasil hoje tem milhares de municípios que não têm saneamento básico, que não têm água potável, que não têm esgoto. Por quê? Porque são obras que ficam debaixo da terra; ninguém vê. Eles gostam de fazer as coisas assim, que todo mundo vê: "Que viaduto bonito!", "Que ponte bonita!", "Que estrada bonita!". Então, a gente vive esse momento na política, no Governo.
Eu fico assim, indignado, porque, seja no Governo Federal, seja em governo local, você não tem planejamento nenhum. Você não sabe para onde vai. Ora, se a gente não tem um plano de nação, se a gente não sabe aonde a gente quer chegar, a gente vai chegar aonde? Lugar nenhum. Você tem que estabelecer, é obrigado. Se é obrigado, todo governante tinha que ter um plano de metas: "Olha, no meu governo, eu vou fazer 'isso', 'isso' e 'isso'. Durante esse período, vai custar tanto". E a população acompanhar.
Eu tenho falado aqui que quem não gosta de política...
(Soa a campainha.)
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – E é muito comum isso, viu? As pessoas: "Ah, não quero saber de política. Só tem ladrão, só tem corrupto". Quem não gosta vai ser governado por quem gosta. E não adianta botar a culpa nos outros, porque alguém vai decidir por você. Se você não acompanhar, se você não souber em quem você votou, o que ele está fazendo, a gente vai cada vez piorar mais.
E digo ainda: voto não tem preço, voto tem consequência. Votou errado, são quatro anos de sofrimento, o que compromete a juventude de hoje e de amanhã porque a gente tem que fazer hoje aquilo que pode beneficiar o amanhã; não adianta você querer fazer só aquilo que beneficia as pessoas de hoje. Então, eu fico indignado porque há quanto tempo a gente está falando isso?
O Plano Nacional de Educação é um plano de intenção, não acontece nada: se melhorar ou não melhorar, não acontece nada, não tem penalidade...
(Soa a campainha.)
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – ... para ninguém. Então, a gente tem que aprovar, nesta Casa, um plano de responsabilidade educacional. Se o Presidente não está fazendo o que tem que fazer, se o Governador não está fazendo, se o Prefeito não está fazendo, tem que ser punido, e a melhor punição é não reeleger. Acompanha: se o cara não está fazendo certo, muda, até acertar, para ver se a gente muda este país.
Muito obrigado, Presidente.