Discurso durante a 135ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada à memória das vítimas dos ataques terroristas do Hamas contra a população civil de Israel na Faixa de Gaza. Defesa da memória das vítimas e crítica à indiferença diante da barbárie. Denúncia do antissemitismo como ideologia corrosiva que se intensificou após os atentados. Apelo à paz duradoura, aos direitos humanos e à rejeição absoluta do terrorismo.

Autor
Efraim Filho (UNIÃO - União Brasil/PB)
Nome completo: Efraim de Araújo Morais Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assuntos Internacionais, Homenagem:
  • Sessão Especial destinada à memória das vítimas dos ataques terroristas do Hamas contra a população civil de Israel na Faixa de Gaza. Defesa da memória das vítimas e crítica à indiferença diante da barbárie. Denúncia do antissemitismo como ideologia corrosiva que se intensificou após os atentados. Apelo à paz duradoura, aos direitos humanos e à rejeição absoluta do terrorismo.
Publicação
Publicação no DSF de 08/10/2025 - Página 30
Assuntos
Outros > Assuntos Internacionais
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, MEMORIA, VITIMA, ATAQUE, TERRORISTA, TERRORISMO, HAMAS, POPULAÇÃO, CIVIL, ISRAEL, FAIXA DE GAZA, DEBATE, INFLUENCIA, ANTISSEMITISMO, SOLICITAÇÃO, PAZ.

    O SR. EFRAIM FILHO (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - PB. Para discursar.) – Bom dia aos senhores e às senhoras! Minha saudação aos Senadores, Senadoras, Deputados e Deputadas. Na pessoa deles, quero saudar a todos os Parlamentares que estão prestigiando esta sessão e saudar aqui, à mesa, a Sra. Rasha Athamni, o Claudio Lottenberg, o Carlos Reiss, o Rafael Zimerman e o Denis Rosenfield, sob a Presidência do meu amigo, colega de Bancada do União Brasil, estimado Senador Sergio Moro.

    Quero saudar os presentes também na pessoa do meu amigo, um judeu que defende bastante a causa, meu amigo Tomas Fuchs, empreendedor que investe no Brasil e que também se encontra aqui presente. Na sua pessoa, quero saudar a todos os que prestigiam esta sessão.

    De forma muito rápida, Sr. Presidente, quero trazer essa palavra em nome do nosso União Brasil e dizer que estamos aqui reunidos dois anos após a data que gravou uma cicatriz absolutamente profunda na alma da civilidade global: 7 de outubro de 2023.

    O Requerimento para esta sessão, da qual eu sou subscritor, não é apenas um ato protocolar, é o cumprimento de um imperativo moral e histórico. Nosso propósito hoje é duplo. Em primeiro lugar, honrar a memória das vítimas inocentes dos ataques terroristas perpetrados pelo grupo Hamas contra a população civil de Israel e, ao mesmo tempo, promover um debate sobre o papel corrosivo do antissemitismo na percepção deste conflito.

    O Senado Federal, Sr. Presidente Sergio Moro, Casa do debate democrático e da consciência histórica aqui no Brasil, não incorrerá na violência da indiferença. O silêncio ou o esquecimento, em face de tamanha barbárie, seria um acúmulo de crueldade. Recordar o que aconteceu é um ato de resistência ativa contra a apatia, um meio vital para que a sociedade aprenda com os erros e para que monstruosidades semelhantes não sejam repetidas.

    As imagens que o mundo viu e as provas documentadas pela ONU mostram que foram um assalto premeditado e selvagem contra a vida, a paz e a inocência os assassinatos em massa em comunidades pacíficas e os atos hediondos de violência sexual. O terror se manifestou de forma mais emblemática e chocante, como foi testemunhado aqui, no festival de música nova, em um local onde jovens de diversas nacionalidades se reuniam para celebrar a vida e a música. Aquele festival de paz, infelizmente, foi transformado em um campo de extermínio.

    Testemunhamos, com horror, que terroristas do Hamas não apenas perpetraram esses massacres, como, de forma distinta de outros regimes, que esconderam os seus crimes, celebraram publicamente o massacre desses inocentes. Além da perda de vidas, não podemos silenciar sobre o sequestro de inúmeros reféns – e estão sendo transformados em peças de chantagem política e em escudos humanos, meu caro Senador Magno Malta.

    Esta sessão de memória e solidariedade é dirigida a cada uma dessas almas inocentes e às suas famílias que vivem a dor do luto e a angústia da incerteza.

    A condenação do Hamas deve ser total, firme e desprovida de qualquer relativismo. Não existe causa que possa ser alcançada através de crimes contra a humanidade e de violações diretas dos princípios mais básicos do direito internacional humanitário.

    A tragédia do dia 7 de outubro nos confronta com um paradoxo profundo e doloroso de condição humana. Vivemos na era da tecnologia exponencial. A civilização moderna alcança o domínio da inteligência artificial, decifrou o genoma humano, conectou o planeta em uma rede global de informações e, no entanto, para além de todo esse esplendor tecnológico, fracassamos de forma trágica no essencial: a capacidade de estabelecer a paz e a coexistência fraterna entre nossos semelhantes. Conhecimento avança em escala – o conhecimento avança em escala –, mas a moral regride em uma velocidade assustadora.

(Soa a campainha.)

    O SR. EFRAIM FILHO (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - PB) – A barbárie do terrorismo, que utiliza ódio primitivo, ocorre em um cenário de máxima sofisticação técnica. É esse paradoxo que nós vivemos, e esta sessão especial é fundamental para abordar a influência nefasta do antissemitismo, uma ideologia do ódio que, infelizmente, encontrou um terreno fértil para se manifestar após os ataques.

    Já para concluir, Sr. Presidente, recordar esta data é condenar, portanto, a barbárie, e se transforma em um passo essencial para que a comunidade avance para a compreensão. Esta Casa, ao promover este debate sobre as vítimas e o combate ao antissemitismo, reafirma o compromisso com a defesa dos direitos humanos, direito internacional humanitário e contra a luta intransigente contra o terrorismo.

    Rememorando a Encíclica Fratelli Tutti, escrita pelo Papa Francisco, é preciso condenar o terrorismo em todas as suas formas e manifestações. Que a memória das vítimas inspire em nós não a vingança, mas a resolução de nos elevarmos acima de nossos muros ideológicos. Que possamos nos dedicar a uma paz duradoura, construída sobre a base do reconhecimento mútuo e do respeito.

    Portanto, Sr. Presidente, que as almas dos inocentes que perderam suas vidas naquele dia atroz encontrem descanso eterno, que sua memória seja para nós um eterno chamado à vigilância, à justiça e à humanidade.

    Em nome do nosso União Brasil, da Liderança da nossa bancada, deixo essa mensagem a cada um de vocês. Que Deus abençoe as almas daqueles que fizeram parte dessa atrocidade nesse dia, que é rememorado hoje, aqui no Senado.

    Muito obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/10/2025 - Página 30