Pronunciamento de Izalci Lucas em 14/10/2025
Discurso durante a 141ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a comemorar o Dia do Professor. Reflexão sobre os desafios da educação pública no Brasil, com ênfase na necessidade de políticas de Estado e valorização da carreira docente.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Educação,
Homenagem:
- Sessão Especial destinada a comemorar o Dia do Professor. Reflexão sobre os desafios da educação pública no Brasil, com ênfase na necessidade de políticas de Estado e valorização da carreira docente.
- Publicação
- Publicação no DSF de 15/10/2025 - Página 22
- Assuntos
- Política Social > Educação
- Honorífico > Homenagem
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, DIA NACIONAL, Dia do Professor, COMENTARIO, DIFICULDADE, EDUCAÇÃO, BRASIL, NECESSIDADE, VALORIZAÇÃO, CORPO DOCENTE, MELHORIA, ALFABETIZAÇÃO, ENSINO PROFISSIONAL, CURSO TECNICO.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sra. Presidente, Senadora Dorinha, que é uma referência para nós aqui na área de educação, cumprimento-a e, ao mesmo tempo, parabenizo-a pela iniciativa. Como Deputado e como Senador, a gente sempre foi um dos autores da sessão solene. Cumprimento também o meu amigo Deputado Federal Rafael Brito, que é o Presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, que tem feito um belo trabalho; o Secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino, Ministério da Educação, o Gregório Durlo Grisa; o Secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; e também o Vice-Presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Idilvan Alencar.
Um dos grandes problemas que nós temos no Brasil é falta de política de Estado; lamentavelmente, nós temos política de governo. E é incrível o que acontece nos nossos municípios, nos estados e no nível de União. Eles não conseguem dar seguimento naquilo que é bom, no sentido de aperfeiçoar. Muitos deles, inclusive, acabam com os programas bons, porque eram de governo diferente. Esse é um dos grandes males da educação. E eu estou falando isso aqui, porque é o Dia do Professor; apesar de ser aqui para comemorar, a gente precisa de um dia de reflexão sobre a educação.
Nós temos sérios problemas, como a alfabetização, que está na competência dos municípios, que normalmente não têm dinheiro e não têm... Hoje, infelizmente, ainda muitos Prefeitos são eleitos em troca de alguma coisa – cesta básica, receita médica. Hoje, qualquer empresinha pequenininha, se você bota um mau gestor, quebra, mas, se botar um Prefeito, um Governador, muitas vezes as pessoas não observam isso, colocam qualquer um que não tem a mínima noção do que é gestão pública. E é esse caos que está aí.
Óbvio, se você não tem uma boa educação infantil, uma bela alfabetização, esse problema vai para a frente: vai para o fundamental, para o médio, para a universidade. Você carrega essas dificuldades todas. Então, esse é o grande problema que nós temos. Nós precisamos garantir que todas as nossas crianças... A primeira infância tem que ter acesso à educação, com creche para todo mundo, e de qualidade.
Depois, nós temos sérios problemas com a educação profissional. Eu fui Secretário de Ciência e Tecnologia e trouxe educação profissional para ciência e tecnologia. Nós tínhamos três escolas aqui. Conseguimos trazer os institutos federais, não tinha nenhum em Brasília, federalizamos o de Planaltina e hoje nós temos 11 institutos federais. E assinei um convênio com o Ministério da Educação para construir mais nove escolas técnicas.
Mesmo assim, com esse sacrifício todo, ainda estamos muito longe do ideal. Nos países desenvolvidos, 60% dos jovens fazem curso técnico. No Brasil, a gente não conseguiu chegar nem a 11%, a 12% ainda. E aí a gente aprovou o novo ensino médio, eu fui o Presidente da Comissão do novo ensino médio, mas mudou o Governo, muda tudo de novo. Está tudo... Deu cinco anos para implementar. Já passaram os cinco anos, e agora vamos entrar no novo Governo, com uma nova proposta.
Então, este é um gargalo: somente 22% dos jovens entram na faculdade, gente; 78% ficam fora. Aí não estudam e não trabalham. Minha avó já dizia lá atrás: cabeça vazia, oficina do diabo. Não tem o que fazer, vai fazer o que não presta. E esse monte de meninos, de jovens, que têm um potencial imenso, não têm oportunidade de qualificação profissional, como tinham na época do Efraim. Viu, Senador Efraim? V. Exa. se lembra, né? Estou brincando. É muito jovem ainda, mas, na minha época, a gente saía do ensino médio com uma profissão, cara. Todo mundo saía como técnico – contabilidade, administração, edificações, normal – e ia para o mercado de trabalho. Eu não fiz UnB, porque UnB, na época em que eu estudava aqui, só tinha de manhã. Eu tinha que ralar o dia todo. Tinha que fazer particular, mas eu tinha uma profissão.
Então, a gente precisa investir muito na educação profissional, e com tecnologia. Eu estava agora na Ciência e Tecnologia, por isso que eu me atrasei um pouco aqui, discutindo realmente a inclusão da ciência e tecnologia na educação, que também parece que são coisas distintas, né? E a gente precisa incluir tudo isso, tem que ter estrutura.
E a outra é formação de professor, cara. Ninguém quer ser mais professor. Por quê? Porque não reconhecem, não valorizam. É uma merreca o dinheiro lá, como diz o Prof. Raimundo, né? É um troço pequenininho lá, antigo. E o tempo vai passando, todo mundo diz que educação é prioridade, prioridade, prioridade, mas na prática não acontece. Hoje muitos professores são formados por EaD; vão para a sala de aula sem ter a mínima noção da questão prática. Daí a nossa saudade lá do Curso Normal, que era tão importante para a qualidade da educação.
E questão de infraestrutura, gente, você achar que um aluno de ensino médio, em uma escola que não tem internet, que não tem tecnologia, que não tem laboratório de ciência, que não tem esporte, que não tem cultura, esse aluno vai para essa escola e vai ficar lá o tempo todo ouvindo cuspe e giz... "Aí, não, vamos dar R$200 para ele, para ele não abandonar a escola". Resolve? Nada, não resolve absolutamente nada! A gente tem que investir realmente, de fato, real, botar dinheiro e valorizar os professores, melhorando a qualificação, a educação continuada, ainda mais com a tecnologia mudando todo dia.
Então, quero aqui saudar todos os professores do Brasil, de uma forma especial os nossos professores aqui do Distrito Federal, né? Sei da importância deles, mas infelizmente não se valoriza, não se reconhece o trabalho. É uma coisa tão óbvia, né? Quem é que forma os médios, quem é que forma o contador, o advogado? São os professores. Hoje, a gente tem problema de disciplinar. Os alunos não respeitam mais os professores, cara. Como é que...? Eu não sei se eu conseguiria dar aula mais. Eu dei aula a vida toda, viu, Dorinha? Eu não sei se eu consigo dar aula hoje, chegar a uma sala de aula e enfrentar esses alunos que não respeitam o professor. A gente tem que corrigir isso, não é possível, é uma coisa tão óbvia. Por isso que as escolas cívico-militares têm melhorado os rendimentos, pelo menos o Ideb tem melhorado muito. Por quê? Porque têm disciplina. Não tem como você dar aula se não tiver disciplina, respeito, né?
Então, aqui, meus cumprimentos, mais uma vez, parabenizando a Senadora Dorinha, que já foi Secretária, espero que seja a próxima Governadora também, para a gente ter realmente uma educação de qualidade, em algum município, em algum estado que seja modelo. Brasília era para ser isso, um modelo para o Brasil – não é, mas deveria ser! A gente precisa pegar esses exemplos que acontecem em alguns municípios para implantar isso no Brasil todo, porque as nossas crianças merecem realmente uma educação de qualidade.
Parabéns a todos os professores deste país!
Obrigado. (Palmas.)