Discurso durante a 142ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Considerações sobre a importância de priorizar a educação no país, garantindo o acesso à alfabetização na primeira infância, criando uma política de Estado que assegure a educação profissional aos jovens e a valorização dos professores. Exposição de debate realizado na CCT sobre a inclusão da ciência e tecnologia na educação e alerta para a implementação de políticas públicas para os idosos diante do aumento anual de sua população. Preocupação com a falta de estrutura nas escolas, a ineficiência de programas como o Pé-de-Meia e a escassez de mão de obra qualificada, especialmente em tecnologia.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Ciência, Tecnologia e Informática, Educação:
  • Considerações sobre a importância de priorizar a educação no país, garantindo o acesso à alfabetização na primeira infância, criando uma política de Estado que assegure a educação profissional aos jovens e a valorização dos professores. Exposição de debate realizado na CCT sobre a inclusão da ciência e tecnologia na educação e alerta para a implementação de políticas públicas para os idosos diante do aumento anual de sua população. Preocupação com a falta de estrutura nas escolas, a ineficiência de programas como o Pé-de-Meia e a escassez de mão de obra qualificada, especialmente em tecnologia.
Publicação
Publicação no DSF de 15/10/2025 - Página 36
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Política Social > Educação
Indexação
  • NECESSIDADE, PRIORIDADE, EDUCAÇÃO, ALFABETIZAÇÃO, CRIANÇA, DEBATE, Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT), Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), INVESTIMENTO, RECURSOS ORÇAMENTARIOS, EDUCAÇÃO BASICA, CRECHE, ENSINO PROFISSIONAL, VALORIZAÇÃO, PROFESSOR, CIENCIA E TECNOLOGIA, CRITICA, Programa Pé de Meia, BOLSA FAMILIA.

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, Senadoras, hoje, 14 de outubro, é Dia do Professor, da educação deste país.

    Hoje de manhã tivemos aqui uma sessão solene promovida pela Senadora Professora Dorinha. Tive a oportunidade de falar aqui, mas quero aproveitar esses dez minutos também para falar um pouco sobre a questão da educação no nosso país.

    Já faz vinte e poucos anos que eu entrei na política pela educação, por incrível que pareça, e a gente patinando, patinando, patinando...

    Hoje, na Comissão de Ciência e Tecnologia, foi feito um debate sobre a inclusão da ciência e tecnologia na educação, quer dizer, uma coisa que já devia estar há muitos anos. Os países desenvolvidos já estão bem lá na frente e a gente aqui patinando.

    Estamos discutindo agora também, hoje de manhã, na CMO (Comissão Mista do Orçamento). Vamos ver o orçamento da educação!

    Cara, é difícil... Se a gente não colocar como uma prioridade real, eu fico com pena das próximas gerações. Essa geração que está aí, dos jovens, foi um desastre, desde a alfabetização. E a gente precisa consertar isso. De quem é a responsabilidade da alfabetização, da educação infantil? Pelo que a gente sabe, é dos municípios, que normalmente não têm recurso, ou têm dificuldade de recurso, ou têm dificuldade de gestão até. Estão melhorando, mas grande parte dos nossos Prefeitos não têm ainda uma vocação ou uma qualificação de gestão pública, porque não é fácil.

    A gestão pública é muito diferente da iniciativa privada. Eu que já tive a oportunidade de ser Secretário, por duas vezes, e aqui do Legislativo, há uma diferença muito grande entre a iniciativa privada e a iniciativa pública. Na iniciativa privada, você faz o que quiser, só não pode fazer o que é proibido; e, na área pública, você só pode fazer o que é permitido. Então, tem uma dificuldade.

    Agora, nós precisamos garantir que todas as crianças, ou seja, a primeira infância como um todo tenha acesso à creche. Ninguém pode ficar fora de creche, fora da escola porque é exatamente nesse período que tem o desenvolvimento cognitivo, a coordenação motora e a alfabetização. Então, cara, é uma coisa tão óbvia, mas, infelizmente, a gente tem que repetir aqui o óbvio muitas vezes, porque não é reconhecido. Então, vamos resolver essa questão da alfabetização.

    Você não tem mais alfabetizadora também. A criança hoje não pode nem ser mais reprovada. Então, ela não consegue ser alfabetizada; vai para o ensino fundamental, carregando aí uma série de dificuldades; vai para o ensino médio; aí sai do ensino médio, como está acontecendo hoje: 60% não sabem matemática, não sabem português; aí vai para o ensino superior, grande parte hoje faz ensino à distância, que, muitas vezes, não tem experiência da parte prática, é só teoria; e aí entra numa sala de aula como professor, por exemplo, e é um desastre – é um desastre.

    Então, primeiro ponto, corrigir realmente a questão da alfabetização; segundo, educação profissional. Eu também fico acompanhando os nossos jovens. Cara, 78% dos jovens não conseguem entrar na faculdade, na universidade, e aí fica essa geração nem-nem, que não estuda e não trabalha e que, infelizmente, sai do ensino médio sem uma profissão. Antigamente, todos nós saíamos já do ensino médio com uma profissão: normal, técnico de administração, técnico de contabilidade, técnico de edificações, qualquer coisa, e íamos para o mercado de trabalho. Hoje a juventude termina o ensino médio, não consegue entrar na faculdade e fica aí à mercê do tráfico que, muitas vezes, fica de olho nessa meninada, inclusive na porta da escola.

    Então, temos que encarar essa questão da educação profissional como uma política de Estado. Este é o grande problema deste país: nós não temos política de Estado, a gente tem política de Governo. Eu mesmo fui o Presidente da Comissão que aprovou o novo ensino médio. A gente deu cinco anos para implementar o ensino médio. Aí muda o Governo, aí começa de novo a discussão, e aí tem mais esse atraso. O mundo todo já ultrapassou 50%, 60% dos jovens fazendo curso técnico, e a gente está patinando desde o Pronatec, lá atrás, e não atingiu ainda 12%. Então, é triste a gente ver que passa ano, vai ano, e as coisas não se resolvem.

    Depois vem a formação de professor, que hoje também é um desastre. Nós não temos a valorização. Ninguém quer mais ser professor, porque o correto mesmo é que os melhores alunos todos quisessem fazer pedagogia, ser professores, mas não, hoje não, ninguém mais quer. A última alternativa é pedagogia e, normalmente, à distância. E aí esse professor vai para a sala de aula, chega à sala de aula e já não tem mais respeito ao professor, não tem mais disciplina nas escolas. Ainda bem que temos aqui ainda algumas escolas agora cívico-militares, porque a diferença da escola cívico-militar é que lá tem disciplina, coisa que não está acontecendo hoje em grande parte das escolas, onde o professor não é mais respeitado e não tem mais valorização.

    Então, esses três pontos, seja alfabetização, educação profissional e formação de professor, são pontos que têm que ser atacados, assim, com prioridade total, como se fosse um plano emergencial – vamos cuidar disso –, porque também não é da noite para o dia. Você não forma um professor em um ano ou seis meses, você tem toda uma trajetória, mas você tem que dar o primeiro passo. A gente precisa investir, imediatamente, nessa formação.

    Agora – estava discutindo hoje sobre ciência e tecnologia –, a escola não tem internet, não tem tecnologia, não tem laboratório de ciência, não tem esporte e não tem cultura. Que formação é essa?

    E, aí, para segurar o aluno em sala de aula, para ele não abandonar a escola: "Ah, não, vamos pagar R$200 para cada um" – o Pé-de-Meia. Resolve? Nada, absolutamente nada. É mais colocando a juventude já na linha do Bolsa Família, para ficar dependente do Governo. Acho que é isso que o Governo quer, que todos os brasileiros sejam dependentes dele, ou estando no Pé-de-Meia, como aluno, ou estando no Bolsa Família, recebendo aí, o que tem comprometido, inclusive, a falta de mão de obra.

    Você não encontra mais mão de obra para nada, seja no setor rural, seja na área urbana; você não tem mais profissionais. Aliás, você consegue alguns, mas não querem nem registro, e aí vocês veem a questão da previdência, aproveitando o mês de outubro também, a questão do idoso, que é outra fase que também está abandonada, porque a gente não tem política pública para o idoso. Depois dos 60 até os 100, não tem nada, a não ser algumas faculdades agora lançando vestibular e tal, mas você tem que ter política pública para a terceira idade.

    Daqui a quatro anos, aqui, em Brasília mesmo, mais de 20% da população será idosa, e falta realmente uma política pública para isso, inclusive da educação. Você tem que aproveitar a experiência dos idosos para que eles possam transmitir para os jovens. Então, tem uma série de políticas públicas que você pode lançar, para a gente poder, realmente, melhorar as condições do nosso cidadão.

    Então, Presidente, tem hora em que a gente fica, assim: "Cara, não é possível..."; dá um desânimo danado, porque você não vê a coisa acontecer, por mais que você brigue. Agora, começa a discussão lá na CMO.

    A Embrapa, coitada... Eu estou tentando lá...

(Soa a campainha.)

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Tem quatro destaques lá da Embrapa – questão de contingenciamento. A Embrapa foi um orgulho nacional, igual ao Pelé, conhecido no mundo todo, reconhecido no mundo todo, e aqui está com um pires na mão, está funcionando ainda com alguma coisa por causa de emenda parlamentar. O orçamento mesmo da Embrapa não existe.

    E, aí, o que nós fizemos lá atrás, nos anos 60, que foi a Embrapa, o mundo todo começou a fazer exatamente isso, e nós paramos de fazer. Tanto a China, você pega a China, você pega os Emirados Árabes, todo mundo mandou lá milhares de jovens para fazer curso lá fora de tecnologia, de todas as áreas, e o Brasil parou, estacionou, e aí não tem nem mão de obra mais na tecnologia.

    Então, para encerrar, Presidente, a gente precisa, realmente, se dedicar um pouco mais a esses temas, principalmente a esses três itens de alfabetização, qualificação do professor e educação profissional...

(Soa a campainha.)

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – ... inclusive na área tecnológica, porque está faltando mão de obra.

    Aqui, em Brasília, nós temos 70 mil vagas – 70 mil. Em nível nacional, deve chegar a 700 mil vagas na área de tecnologia, e não tem mão de obra. Então, se a gente não levar a sério isso aí, a gente pode comprometer muito as novas gerações.

    Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 15/10/2025 - Página 36