Discurso durante a 18ª Sessão Solene, no Congresso Nacional

Sessão Solene destinada a homenagear os 53 anos do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e os 35 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). Reconhecimento do papel dos hospitais universitários nos atendimentos de alta complexidade. Defesa do SUS como sistema insubstituível, essencial para quem possui plano de saúde. Apelo por maior financiamento e presença orçamentária para a saúde pública.

Autor
Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Congresso Nacional
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem, Saúde Pública:
  • Sessão Solene destinada a homenagear os 53 anos do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e os 35 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). Reconhecimento do papel dos hospitais universitários nos atendimentos de alta complexidade. Defesa do SUS como sistema insubstituível, essencial para quem possui plano de saúde. Apelo por maior financiamento e presença orçamentária para a saúde pública.
Publicação
Publicação no DCN de 18/09/2025 - Página 17
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO SOLENE, HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, HOSPITAL ESCOLA, UNIVERSIDADE DE BRASILIA (UNB), SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), SOLICITAÇÃO, AUMENTO, RECURSOS ORÇAMENTARIOS, RECURSOS FINANCEIROS, SAUDE PUBLICA, VALORIZAÇÃO, IMPORTANCIA, PROFISSIONAL DE SAUDE.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (PSD - RN. Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todos e a todas aqui presentes.

    Quero cumprimentar a nossa querida Senadora Leila Barros, que preside e é requerente desta sessão solene.

    Pensem em um privilégio: homenagear os 53 anos do Hospital Universitário de Brasília e os 35 anos desse SUS maravilhoso, que eu costumo chamar de "pérola".

    Quero cumprimentar o Ministro de Estado Alexandre Padilha, que teve que sair — sabemos que a agenda não é tão simples assim. Saúde nunca é para amanhã, todos querem para ontem.

    Quero cumprimentar também a Sra. Superintendente do Hospital Universitário de Brasília. Eu sou médica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e sei que os hospitais universitários são responsáveis pela grande maioria dos atendimentos da medicina de alta complexidade.

    Por isso aquela luta nossa, no ano passado, Senadora Leila, para destinar emendas a hospitais universitários e para que pudessem ser deduzidas do SUS. Eu tinha muita dificuldade com isso, porque, como o hospital é vinculado ao MEC, ao Ministério da Educação, Deputado Jorge Solla, quando destinávamos emendas, não havia como... Se destinávamos para o Município, porque geralmente os equipamentos são de altíssima complexidade, o Município não podia adquiri-los. Era um imbróglio. É difícil entender como um hospital pode não fazer parte da área da saúde — isso era uma coisa difícil de entender.

    Quero cumprimentar o Presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, o Arthur Chioro, que já foi Ministro da Saúde, e a todos os que fazem e que fizeram o Hospital Universitário de Brasília e a todos os que nos precederam no SUS.

    Eu queria, na pessoa do Deputado Jorge Solla, cumprimentar os Parlamentares presentes.

    Está aí à porta uma reforma administrativa, e um dos principais argumentos é o de que os servidores públicos não trabalham. Eu digo: "Olha, gente, eles são tão interessados em trabalho, que eu recebo dos Secretários de Saúde, junto com os funcionários da saúde dos 167 Municípios do meu Estado, pedidos de mais equipamentos, melhores condições de trabalho, horário estendido". Quem não gosta de trabalhar não quer equipamento, muito menos mais serviços para fazer. Esse argumento já cai por terra com isso.

    Quero parabenizá-los por esses mutirões. Sabemos que, para as cirurgias eletivas e exames de média e alta complexidade, havia demanda reprimida, mas, com a pandemia, isso triplicou. É difícil acreditar que não seria preciso fazer mutirões. E o que vemos nos mutirões? Servidores entusiasmados, querendo ajudar, precisando que demos a eles condições de trabalho. Esse é o SUS, que se junta à academia e que defende a ciência.

    Eu queria cumprimentar a Rádio Senado, a TV Senado e a Agência Senado, porque uma sessão como esta dá visibilidade. Numa época não muito distante todos queriam falar mal do SUS, como se ele fosse um saco de pancada, mas a pandemia veio mostrar que, se não fosse o SUS, o número de mortes teria sido muito maior, gente. Mesmo que tenha havido vacina, mesmo que tenha havido equipamentos, se o SUS não estivesse presente em todos os rincões deste País, teria morrido muito mais gente. De que adiantaria ter vacina se não houvesse gente qualificada para aplicá-la? Então, os recursos humanos são insubstituíveis. Os recursos humanos somos nós trabalhadores, seja do serviço público, seja daquele serviço privado sem fins lucrativos.

    Eu digo o seguinte: dos números que mostraram aqui nós precisamos, mas o Congresso tem que dizer algo à população. Porque eu ouço muito isto: "Dra. Zenaide, eu não tenho nada a ver com o SUS, porque eu tenho um plano de saúde". Eu digo: "Ótimo! Se precisar de um transplante de órgão pelo plano de saúde, eu quero ver se você vai conseguir". O SUS é o sistema de saúde mais completo que conhecemos, do Brasil e da maioria dos países. E mais: quem custeia o SUS, gente, para aqueles que dizem que não dependem do SUS, são justamente os 85% que só têm esse programa de saúde, essa saúde que abraça, que acolhe a todos, que paga. O que a Senadora e todos nós que temos condições pagamos pelo plano de saúde, para a nossa família ter atendimento à saúde de Primeiro Mundo, com o que existe de mais tecnológico, é deduzido do Imposto de Renda, e este recurso oriundo do Imposto de Renda iria para o SUS. Isso faz com que, muitas vezes, aprovemos projetos de lei, como se faz aqui, para mostrar isso.

    Aí vem o quê? O Programa Agora Tem Especialistas, sobre o qual falamos. Ele se faz necessário, sim, porque há demanda reprimida. Sabemos que o SUS é tripartite. Isso gera transversalidade: se o Município está sem condições, o Estado e o Governo Federal têm que entrar nisso também. É por isso que ele é tripartite. Sabemos que o Município só não tem condições de executar isso. Nós precisamos financiar essa pérola. Como se diz, pérola legítima temos que colocar na água do mar, que é para ela se recuperar. O SUS precisa de financiamento. Todas as vezes que se falou aqui em ajuste fiscal, eu disse: "Saúde, educação, assistência social vão entrar no ajuste fiscal?".

    Quero dar um exemplo: se eu sou Prefeita e posso gastar 54% do orçamento com pessoal, e a minha arrecadação é de 1 milhão, eu posso gastar 540 mil reais. Se cair a receita, eu vou demitir profissionais de saúde? E quem vai salvar vidas?

    Como eu estava falando, sobre o SUS, nós temos o quê? Qual é o plano de saúde que nos oferece vacina, cuidado real com o hipertenso, com o diabético e pré-natal? E mais: agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde. Quem trouxe para mim, que sou médica, o diagnóstico de um paciente com calazar foi o agente de combate às endemias. Tentando dar o diagnóstico, eu ouvi: "Dra. Zenaide, tem um cachorro com calazar". Quer dizer, o agente de combate às endemias nos deu o diagnóstico. Eu faço aqui um desafio: qual é o plano de saúde que faz isso? Não existe!

    Outra coisa: nós temos os hospitais de urgência e emergência mais completos. Posso ter plano de saúde, mas, no meu Estado, se precisar de atendimento de emergência, eu digo: "Vá ao Walfredo Gurgel!". É um hospital público, Senadora Leila. É o único hospital em que há um cirurgião torácico e um neurocirurgião de plantão. Em qualquer outro hospital privado você vai ter que formar a equipe para fazer um procedimento como drenagem torácica, que muitas vezes é feita no próprio corredor do hospital.

    Então, SUS e hospitais universitários, parabéns, porque são a prova viva de que é possível, sim, fazer saúde pública de qualidade! Como falou minha companheira Leila, é preciso vontade política. Por isso nós vamos lutar. Pelo quê? Para colocar essa saúde maravilhosa no orçamento.

    Muito obrigada.

    Parabenizo a todos mais uma vez. (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DCN de 18/09/2025 - Página 17