Pronunciamento de Lucas Barreto em 12/11/2025
Discurso durante a 167ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Denúncia sobre suposta tentativa de anular a renovação da outorga da Rádio Forte FM, por motivação política, e reconhecimento à decisão da Justiça Federal que impediu a medida. Defesa da liberdade de imprensa como fundamento da democracia e exaltação da Rádio como símbolo de resistência no Estado do Amapá.
- Autor
- Lucas Barreto (PSD - Partido Social Democrático/AP)
- Nome completo: Luiz Cantuária Barreto
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Administração Pública Direta,
Comunicações,
Direitos Individuais e Coletivos,
Imprensa:
- Denúncia sobre suposta tentativa de anular a renovação da outorga da Rádio Forte FM, por motivação política, e reconhecimento à decisão da Justiça Federal que impediu a medida. Defesa da liberdade de imprensa como fundamento da democracia e exaltação da Rádio como símbolo de resistência no Estado do Amapá.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/11/2025 - Página 19
- Assuntos
- Administração Pública > Organização Administrativa > Administração Pública Direta
- Infraestrutura > Comunicações
- Jurídico > Direitos e Garantias > Direitos Individuais e Coletivos
- Outros > Imprensa
- Indexação
-
- DENUNCIA, PERSEGUIÇÃO, NATUREZA POLITICA, TENTATIVA, ANULAÇÃO, OUTORGA, EMISSORA, RADIO, ESTADO DO AMAPA (AP), COMENTARIO, DECISÃO JUDICIAL, JUSTIÇA FEDERAL, CRITICA, ATUAÇÃO, MINISTERIO DAS COMUNICAÇÕES (MC), ABUSO DE PODER, CONTROLE, INFORMAÇÃO, DEFESA, LIBERDADE DE IMPRENSA, LIBERDADE DE EXPRESSÃO, DEMOCRACIA.
O SR. LUCAS BARRETO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - AP. Para discursar.) – Sra. Presidente, Srs. e Sras. Senadoras, subo hoje a esta tribuna para denunciar uma tentativa escandalosa de silenciar uma das vozes mais autênticas do povo amapaense, a Rádio Forte FM.
Desde o início do processo administrativo, todos sabem a verdade: essa perseguição começou porque a rádio nunca se vergou aos interesses do Governo estadual, e isso, senhoras e senhores, incomoda. Incomoda quem se acostumou a controlar, a impor silêncio, a calar quem pensa diferente, mas a Rádio Forte FM não se cala, ela fala o que precisa ser dito, ela informa, doa a quem doer.
E é justamente aí que mora o incômodo. Quando a verdade não se curva, o poder tenta dobrá-la – é justamente isso. Mas há algo que os governantes de plantão parecem esquecer: a liberdade de expressão não pode viver ao sabor dos adversários políticos de ocasião, pois a política gira, as cadeiras mudam, os nomes passam, mas a verdade fica.
Recentemente, a Justiça Federal, pela voz firme e lúcida da Juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros, impediu que essa injustiça se consumasse. Sua decisão foi categórica: cassação de outorga é a pena capital da radiodifusão e, como toda pena capital, só pode ser aplicada após julgamento justo, com contraditório, ampla defesa e decisão judicial definitiva.
A magistrada lembrou que calar uma rádio é privar toda uma comunidade de informação, cultura e cidadania. Afirmou que a radiodifusão é serviço essencial e que suspender sua operação é causar dano irreparável à coletividade. Em outras palavras, calar a rádio é calar o povo e, quando se tenta calar o povo para agradar o governante de plantão, o que morre não é uma emissora, mas a democracia que se asfixia devagar entre despachos e portarias.
O que o Ministério das Comunicações tenta fazer é usar o poder do Estado como arma política, e isso se viu na recente visita do Ministro das Comunicações. Disfarça-se a perseguição sob o pretexto de irregularidades técnicas, mas o que está em jogo é o controle da narrativa, o velho desejo de domesticar a imprensa. E saibam: quem teme a crítica teme a verdade.
E há algo quase cômico nisso, pois, no mundo de hoje, ninguém esconde mais nada. Basta uma rápida passada de olhos no celular e os fatos estão ali, na palma da mão. Em segundos, dá para saber tudo o que foi dito, o que foi feito e até o que tentaram esconder.
Pensar que se pode controlar a informação em tempo de internet é como querer apagar o sol com as mãos. O Governo que tenta controlar as vozes independentes atira contra si próprio, porque quanto mais tenta esconder, mais revela sua face autoritária, a face de quem confunde autoridade com domínio e poder com silêncio.
Sras. e Srs. Senadores, Sr. Presidente Humberto Costa, não há democracia sem crítica, não há liberdade sem imprensa livre.
A rádio Forte FM é símbolo da resistência amapaense.
E é curioso: aqueles que hoje tentam impor silêncio, serão amanhã os primeiros a clamar por liberdade, quando o vento da política mudar de direção.
A roda do poder gira, senhores, e gira depressa, mas a liberdade de expressão não é engrenagem de Governo, é alicerce da República e da democracia. Enquanto houver nesta Casa quem tenha coragem de defender a verdade e a democracia, nenhuma voz será calada – nem a voz do Amapá, nem a voz da Forte FM, nem a de qualquer veículo de comunicação que se recuse a ajoelhar diante do poder.
Podem até tentar desligar o transmissor, senhoras e senhores, mas o que realmente os incomoda é que a verdade não tem botão de desligar.
Obrigado, Sr. Presidente.