Discurso durante a 166ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Em fase de revisão e indexação
Autor
Plínio Valério (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
Nome completo: Francisco Plínio Valério Tomaz
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Aparteantes
Luis Carlos Heinze.

    O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para discursar.) – Obrigado, Presidente Davi. Sras. Senadores, Srs. Senadores.

    Começou de forma marcante a COP 30, com o maior baile presidencial que não houve na história do Brasil. Organizado pela Primeira-Dama Janja, o coquetel foi atrasado por duas horas, à espera dos convidados, mas nada e ninguém apareceu. Eu começo assim para mostrar a desimportância da COP 30. Nada de aparecerem. Almas bem-intencionadas ainda disseram que o chileno Gabriel Boric passara por lá, mas ele próprio avisou que estava cansado demais para ficar. E apareceu, claro, o time da casa: Dilma Rousseff, Alexandre Silveira, Aloizio Mercadante e por aí afora. E não é um bom sinal, por isso que eu comecei o discurso assim.

    Tradicionalmente, são as ações de lideranças que conferem alguma repercussão às COPs – digo repercussão porque fatos concretos são extremamente raros nesses convescotes de interesse divergente. Foi o caso da COP 21, de Paris, perdida em confrontos, que à última hora reuniu delegados dos Estados Unidos – o Presidente Barack Obama e o Secretário John Kerry –, mais França e Brasil. E foi aí que se acertou o princípio de que as nações ricas contribuiriam para salvar as florestas e outras áreas importantes para o clima. Não deu em nada. Claro que não deu em nada, como essa também não vai dar. Pois, até hoje, não houve nada de significativo em termos financeiros, mas ao menos chegou-se a um discurso bonito, como está sendo agora também.

    Nessas COPs houve, como consolo, presenças maciças. Este ano, porém, só 18 chefes de estado, 11 primeiros-ministros e um rei – o herdeiro do trono britânico apareceu, mas avisou que não tinha dinheiro para qualquer contribuição. Faltaram, ainda, autoridades de alto escalão: Estados Unidos, Itália, Canadá, Japão, China, México.

    Quanto às participações financeiras, apenas a Noruega anunciou um volume razoável de recursos, mas parcelados em vários anos, ou seja, vem calote por aí. A Alemanha, que empurra o Brasil para essa política ambiental desastrosa, também falou em contribuir, mas ainda sem um valor preciso. Cumpre, assim, um destino: já vivemos 30 COPs em que os discursos são sempre os mesmos, as promessas idênticas e os fracassos, meu amigo Seif, cada vez mais evidentes.

    Por essas e outras, fica no ar o discurso da Ministra Marina Silva sobre o seu grande projeto para a COP 30 – eu falei Ministra Marina Silva –, batizado em português como Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Segundo ela, o fundo nasceu no Ministério do Meio Ambiente, "mas depois fizemos um trabalho ombro a ombro com o Ministério da Fazenda, com o Banco Mundial, e fomos alargando as parcerias" – foi o que ela disse. Ou seja, se veio algum dinheiro de fora, não se sabe quanto e nem de onde, mas ela alega que o fundo já está operacional, e com os primeiros aportes, com algo em torno de R$6 milhões.

    Marina se gabou ainda de ter criado uma arquitetura em que, abro aspas, "para cada dólar que vem de fundos soberanos nós vamos alavancar pelo menos US$4 para pagar por floresta protegida". Para quem não sabe – e eu não sou do agronegócio – um hectare produz, se for traduzido em dinheiro, uns US$20 mil, US$21 mil, e vamos receber US$4 por ano para manter a floresta em pé. Cabe-nos aguardar, e essa fórmula mágica talvez, se der certo – e não vai dar –, aplicar nos outros setores do Governo, porque é uma mágica, salvaria o Governo.

    Até agora viu-se o contrário. O comércio no centro de convenções montado em Belém, onde o pão de queijo por R$45... mas azar de quem acreditou e foi, o problema é de quem compra o pão de queijo. Mas há gastos bem mais significativos: por exemplo, a destruição da floresta para ampliação das estradas de acesso a Belém, particularmente chamada Avenida Liberdade. Segundo a Fox News, 100 mil árvores foram cortadas para viabilizar a estrada – um parêntese aqui: a BR-319 não vai derrubar uma só árvore. Eu estou reafirmando aqui o que eu disse aos brasileiros e brasileiras: se derrubar uma só árvore, eu renuncio ao meu mandato, peço perdão à minha mulher, às minhas filhas e sumo do mapa.

    Sr. Presidente, Senadoras e Senadores, já se tornou modismo, especialmente entre os santuaristas, ridicularizar os esforços do Governo brasileiro, e aqui, louve-se – inclusive, o dinheiro torrado na COP está sendo traçado por eles, vilipendiado por eles –, quando esse mesmo Governo ingressa na produção de combustíveis fósseis na Margem Equatorial, que foi uma luta de todos nós. O Presidente Lula quis, a Petrobras quis e saiu e foi dada. Mas esses santuaristas, os trombeteiros do apocalipse ambiental, ficam criticando o Brasil na cara do Presidente por uma coisa boa que ele fez, que foi fazer com que o Ibama, que é um órgão de apoiamento técnico do Governo, liberasse a licença para as pesquisas. E essas maiores críticas partem de onde? Do Greenpeace, ele próprio com um navio atracado no cais de Belém, pronto para difundir suas ideias confusas por lá. É evidente que o problema não está nisso.

    A vizinha Guiana está se desenvolvendo como nunca em sua história graças ao petróleo da Margem Equatorial sem que se tenha ouvido falar em um único incidente poluidor de porte por lá. Se há poluição – e tem poluição lá na COP, sim – é a poluição dos iates. O iate, por exemplo, em que o Presidente está alojado gasta 135 litros de óleo diesel por hora – por hora! – e cada convidado paga R$2,7 mil por dia. Se exagero está havendo é por lá.

    Eu tinha escrito aqui, para não cometer, Presidente Davi, nenhuma injustiça, não errar em dados, porque os defensores da COP, já nessa edição, reconhecem que ela servira apenas para tomar várias decisões sobre financiamento. Nenhuma delas saiu do papel.

    Basta ver o que ocorreu no Acordo de Paris, firmado por 190 países que prometiam limitar o aquecimento global a 1,5°C criar um fundo de US$100 milhões anuais. Nada disso sai do papel.

    Nada, nada vai sair do papel.

    Mas, como eu disse, meu amigo Jorge Seif, até aqui eu li e poderia ler mais. Para não causar nenhum constrangimento e não cometer nenhuma falta de educação, agora eu largo o papel e quero lembrar uma coisa: mesmo lidando com tanta hipocrisia, e o que eu falei é hipocrisia elevada ao cubo, a inércia elevada, os termos, pura hipocrisia. É o que a gente está vendo. E me esforcei muito para não ter que estar com outras palavras, agredindo. Agora, não posso ser tão educado, porque essa gente, eu estou falando de quem manda na COP, estou falando de pseudocientistas, essa gente, Seif, parece saber o que diz. O problema é que eles não conhecem, eles não conhecem de forma alguma o que pensam saber. Eles falam com uma convicção, e a gente pensa que eles sabem, mas eles não conhecem. Eles não conhecem. Não sabem que, na Amazônia, e aqui eu digo para os brasileiros: na Amazônia, é mais útil saber nadar do que qualquer mestrado. Na Amazônia, quem não sabe nadar está ferrado, não adianta mestrado. Não adiantam esses estudos mirabolantes se não souber nadar. Para que nós possamos viver na Amazônia, temos que saber nadar.

    Quanto a mim, antes que perguntem, eu aprendi a nadar aos cinco anos de idade.

    Agora, assim como não pode falar de amor quem nunca soube amar, não pode falar de Amazônia quem não sabe nadar. Não pode. Eu uso "nadar" aqui no sentido amplo, porque foi esse aprendizado de nadar que me trouxe ao Senado da República. E, ao me trazerem e me tornarem Senador da República, me deram a missão de combater essa hipocrisia, essa hipocrisia que vem desses estudos científicos.

    A COP não mostra a verdadeira Amazônia. A Amazônia mostrada na COP é a Amazônia deles, que, ao acabar, pegam os seus jatinhos e vão embora, e nós vamos ficar aqui.

    Nove a dez milhões de amazônidas não têm renda para comprar uma cesta básica.

    O Amazonas é o estado maior da Federação, rico em minerais, e 58% da população vive abaixo da linha da pobreza.

    Presidente, antes que eu encerre, eu ouço meu amigo Senador do Rio Grande do Sul.

    O Sr. Luis Carlos Heinze (Bloco Parlamentar Aliança/PP - RS. Para apartear.) – Senador Plínio, apenas reforçando o que V. Exa. está falando, fizemos um debate, alguns dias atrás, com o Senador Zequinha Marinho sobre o valor do crédito de carbono que a Floresta Amazônica gera: segundo dados do Banco Itaú, US$150 bilhões. E é brasileiro.

    E V. Exa. fala que tem 10 milhões de amazônidas que não têm recurso para comprar uma cesta básica.

    Aqui, tem dinheiro que a comunidade internacional pode jogar lá. Não são alguns milhões que algumas ONGs recebem para se dizerem protetores da Amazônia. Aqui é a realidade: Banco Itaú, US$150 bilhões. Esse é o valor que nós podemos absorver com a Floresta Amazônica.

    Obrigado, Senador Plínio.

    O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Obrigado, obrigado.

    Incorporo ao discurso e vou encerrar, Presidente.

    Eu falei que quem não sabe nadar não pode falar de Amazônia. Esse pessoal não conhece a Amazônia. Na Amazônia ninguém trafega, cara, a gente navega, a não ser que tenha dinheiro para fretar avião. Essa gente nos condena a uma pobreza eterna. Eu não acredito que o povo europeu, que o americano, quando contribui, saiba disso. Querem nos colocar, nos impingir uma pobreza eterna.

    A Amazônia não salva nada – a Amazônia, que é 1% de todo o território do planeta, 1%! Os mares representam 74%. Agora querem que eu, como você, brasileiro, se quiser acreditar, que acredite. Meu papel é pensar e fazer com que você não acredite. Não vão colocar nos meus ombros. Eu não vou salvar o planeta. Eu não vou, porque quem mais reclama é quem mais produz. Quem mais come, quem come melhor, quem bebe melhor é quem produz lixo. Quem come pouco, quem bebe pouco não produz lixo algum. É muita hipocrisia.

    E mais uma vez, Presidente, eu vou erguer as mãos aos céus e agradecer a bênção de estar Senador, de poder chegar a esta tribuna e confrontar esses hipócritas. Vamos ter aqui... Temos o ano de 2026 e mais oito anos pela bênção de Deus. Vocês não vão ficar falando de amor. Vocês não sabem amar. Vocês não conhecem o amor. Vocês não vão ficar falando de Amazônia e dando lição porque vocês não entendem coisa nenhuma de Amazônia.

(Soa a campainha.)

    O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Vocês podem até pensar que sabem o que falam, mas vocês não conhecem o que pensam saber.

    Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 12/11/2025 - Página 53