Discurso durante a 170ª Sessão Especial, no Senado Federal

Em fase de revisão e indexação
Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Paz e bem, meu querido irmão Senador Paulo Paim. Não poderia ser outro colega a presidir uma sessão tão importante como esta. O senhor é uma referência aqui nesta Casa em várias pautas, mas, sobretudo, em pautas humanitárias.

    Eu tenho também, Senador Randolfe Rodrigues, que tenho que parabenizar o Presidente da Casa, Senador Davi Alcolumbre, que tem procurado, com essas iniciativas, essas corajosas iniciativas, promover a cultura da paz. Não é a primeira vez que nós fazemos aqui entregas de comendas que resgatam a importância da história do nosso país, do nosso povo.

    E é com muita honra e alegria que me congratulo com os organizadores desta importante Comenda Senador Abdias Nascimento, que reconheceu o mérito do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, uma das figuras mais marcantes do Brasil no século XIX, destacando-se como médico, político, abolicionista e importante liderança religiosa, sobretudo na questão espírita. Sua trajetória é lembrada pela dedicação incondicional aos necessitados, pela postura humanitária e pela defesa firme da dignidade humana.

    Nasceu no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, hoje Município de Jaguaretama, no interior do Ceará – minha terra também –, primeiro estado do Brasil a abolir a escravidão em nosso país. É por isso que nós somos considerados a Terra da Luz.

    Bezerra de Menezes mudou-se, ainda jovem, para o Rio de Janeiro, onde, com muita dificuldade financeira, formou-se em Medicina em 1856. Desde o início da carreira médica, ele demonstrou sensibilidade pelos que sofriam e um profundo senso de dever moral. Tornou-se conhecido por atender pessoas humildes, sem cobrar consulta e, muitas vezes, pagando ele próprio os remédios necessários. Tem uma cena do filme que nós tivemos a oportunidade de produzir, Bezerra de Menezes – o Diário do Espírito, que mostra o momento em que ele tira o anel. Já não tinha mais o que dar – vendeu as propriedades para ajudar os mais necessitados –, ele dá o anel de formatura para uma mãezinha comprar remédio para o seu filho. Essa postura lhe rendeu o título pelo qual ficou eternizado: o Médico dos Pobres.

    Bezerra de Menezes nunca enxergou a medicina apenas como uma profissão, mas sobretudo como uma missão de vida. Em sua prática diária, ele atendia gratuitamente os escravizados da época, trabalhadores pobres, mulheres abandonadas e crianças; visitava casas simples e cortiços, levando auxílio material e espiritual; acolhia sem distinção de cor, condição financeira ou origem. Para ele, a saúde integral incluía não apenas o corpo, mas também o bem-estar emocional e espiritual das pessoas.

    No século XIX, o debate sobre o fim da escravidão mobilizava intelectuais, políticos e ativistas. Bezerra de Menezes ocupou o cargo de Deputado-Geral em dois mandatos, entre 1861 e 1881 – é como hoje, tem a Câmara de Deputados aqui vizinha; na época do Brasil Império, tinha o Deputado-Geral logo ali no início. E ele tentou sem êxito chegar aqui ao Senado, mas na época era preciso integrar uma lista tríplice para ser então nomeado pelo Imperador.

    Era um período de intensos embates entre conservadores e liberais sobre a abolição dos escravos. Suas intervenções abolicionistas sempre foram marcadas pela ética, fraternidade e espiritualidade. Como Deputado e homem público, defendeu projetos relacionados à emancipação gradual dos escravizados; apoiou iniciativas humanitárias e políticas libertárias; posicionou-se contra abusos e violências do sistema escravocrata; usou sua influência para conscientizar a sociedade sobre a injustiça da escravidão. Seu pensamento unia ética cristã, humanismo e defesa da liberdade, sempre com um tom conciliador, mas firme na convicção de que nenhum ser humano deveria ser tratado como propriedade.

    Em 1870, Presidente Paulo Paim, Dr. Bezerra de Menezes foi tocado profundamente pelas suas ideias espíritas, pelas ideias trazidas na época, lá da França, em 1857, com a primeira publicação de O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec. A partir de 1880, assumiu publicamente, no dia 16 de agosto, sua posição como espírita, uma postura muito ousada na época que escandalizou o Rio de Janeiro. Ele foi Presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), escreveu livros e artigos que uniam ciência, moral cristã e espiritualidade; fortaleceu e unificou o movimento espírita em todo o Brasil; identificou-se imediatamente com o grande lema da doutrina espírita: fora da caridade, não há salvação. Seu legado espiritual ecoa até hoje, sendo reverenciado como um dos maiores expoentes do espiritismo.

    Ele desencarnou em 1900, no dia 11 de abril, deixando o exemplo de amor ao próximo, compromisso ético e dedicação ao bem.

    Seu nome segue vivo nas obras filantrópicas, nas instituições sociais, nos centros espíritas e na memória coletiva como referência de bondade – não é só no Brasil, é no mundo inteiro.

    Nesta vida, tive a grande honra de trabalhar na produção do filme sobre o Dr. Bezerra, inclusive um documentário também, destacando seu legado como médico dos pobres, abolicionista, pacifista e humanista. Oro para que o seu exemplo de vida possa nos inspirar e fortalecer diante dos embates atuais da política brasileira.

    Meu querido irmão Senador Paulo Paim, do Rio Grande do Sul, nós estamos tendo a honra de receber pela primeira vez no Plenário do Senado – o senhor sabe que a gente já fez outras sessões solenes em homenagem ao Dr. Bezerra de Menezes, mas, pela primeira vez, neste dia, tinha que ser neste dia e sob a sua Presidência, nós os estamos recebendo aqui – os trinetos do Dr. Bezerra de Menezes: o Sr. Ivan Mendes Corrêa Júnior e a Sra. Rosane também, que estão conosco aqui e que vão receber a comenda...

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Eles estão aqui?

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Estão aqui do lado esperando para serem agraciados.

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Então, peçam a eles para subirem ao seu lado para darmos uma salva de palmas a eles.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Boa! Com muita honra! Por favor! (Palmas.)

    E, Rosane – você não sabe, Rosane, eu não lhe falei ainda –, o nome da minha irmã é Rosane, Rosane com "e", o que não é tão comum assim.

    É uma honra estar aqui ao lado de vocês. O Dr. Bezerra de Menezes é uma inspiração na minha vida. Eles vieram do Rio de Janeiro, de Niterói, são de Niterói, onde o Dr. Bezerra passou a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro, tendo nascido no Ceará.

    Quem está nos fotografando ali, aquela que fotografa a alma da gente, também admira muito o Dr. Bezerra de Menezes.

    E eu fico feliz. Muito obrigado. Parabéns por este evento de todos vocês.

    Presidente, muito obrigado pela oportunidade. Deus o abençoe.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/11/2025 - Página 35