Discurso proferido da Presidência durante a 174ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Satisfação com a visita de S. Exa. à Dianópolis-TO, sua cidade natal, e homenagem a personalidades locais relevantes.

Autor
Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
Nome completo: Confúcio Aires Moura
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Atividade Política:
  • Satisfação com a visita de S. Exa. à Dianópolis-TO, sua cidade natal, e homenagem a personalidades locais relevantes.
Publicação
Publicação no DSF de 25/11/2025 - Página 33
Assunto
Outros > Atividade Política
Indexação
  • REGISTRO, VISITA, DIANOPOLIS (TO), ELOGIO, PREFEITO, AGRONEGOCIO, SOJA.

    O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Muito bem. (Pausa.)

    Não havendo outros oradores inscritos, eu vou usar um curto espaço de tempo aqui na Presidência para falar de outros assuntos que não foram esses dos três oradores que me precederam, que foram o Banco Master e a prisão do ex-Presidente Bolsonaro.

    Hoje eu vou falar de uma visita que eu fiz. Fazia 25 anos que eu não visitava a minha cidade natal, aqui no Estado do Tocantins – eu sou goiano. Antigamente era um estado maciço, único, e a região em que eu nasci, hoje, pertence ao Estado do Tocantins. E fazia 25 anos que eu não visitava a cidade. Logicamente, muitos dos meus parentes já faleceram, os mais antigos, e ainda tinha lá um pouco deles, e eu resolvi fazer uma visita e visitar a cidade em que eu nasci aqui no interior do Estado do Tocantins.

    Quando eu saí de lá, era Sertão bruto, era Sertão bruto que não tinha transporte. Inclusive, a minha viagem, como aluno – com 17 para 18 anos, saí da região – foi na carroceria de um caminhão até chegar em Goiânia. E agora retorno àquela cidade, depois de 60 anos que eu saí de lá, e 25 anos da última visita. Achei uma cidade transformada. Achei uma cidade bonita, uma cidade bem administrada. Encontrei com meus parentes, meus amigos, envelhecidos como eu, e foi um encontro extremamente emocionado, muito satisfeito.

    A primeira visita que fiz foi ao Prefeito da cidade, que já tem quatro mandatos, que é meu primo, José Salomão Jacobina Aires, a ele e alguns Vereadores na sua própria residência. Foi na quinta-feira, à tardezinha. Fiquei muito satisfeito com os seus mandatos sucessivos. Ele é do Partido dos Trabalhadores.

    Fui visitar também um dos homens mais extraordinários do Brasil, hoje, com 97 anos de idade, e seu irmão, Wilson Araújo. Ele, que foi Prefeito, chamado Hagahús Araújo, ele foi Prefeito da cidade com 25, 26 anos de idade; Deputado Estadual, quando era Goiás. Ele ia para a Assembleia de bicicleta, Hagahús Araújo. E depois foi Deputado Federal aqui em Brasília, sempre defendendo um modelo alternativo de educação. Hoje ele está com essa idade, muito lúcido, tranquilo, ainda escreve, irreparavelmente correto, tudo muito certinho, e é um homem a que eu, inclusive, quando eu era Deputado Federal, na década de 90, apresentei, na Comissão da Educação, uma homenagem a ele com o Prêmio Darcy Ribeiro.

    Naquela época, antiga, de sertão, muito pobre, ele se insurgiu contra a desgraça e a miséria, e criou uma instituição para abrigar essa pobreza, trazer e alimentar esses meninos que eram esfomeados e sem menor chance de prosperidade. Ele criou o Instituto de Menores da Cidade de Dianópolis, que hoje é instituto federal de educação.

    Ele fez isso por muitos anos – ele e seu irmão, Dr. Wilson, os dois integrados no mesmo objetivo – e a sua esposa leal, Josa Wolney, fizeram toda essa revolução no Sertão goiano antigo.

    E, lá na casa dele, ele serviu para a gente um lanche à base de soja. Todos os produtos – leite de soja até o café de soja – que ele mesmo, com a sua auxiliar, foram trabalhando as alternativas alimentares para o povo brasileiro, a proteína barata que é através da soja. Faz-se tudo com a soja, inclusive o café de soja. Eu tomei café de soja. Tudo, todo tipo de ingrediente que você pensar aí, pode ser feito a partir da soja.

    Fiquei muito satisfeito em vê-lo vivo, saudável, embora idoso, com a sua lucidez, com o seu exemplo que me inspira muito: a vida e a obra do Deputado, do Prefeito Hagahús Araújo.

    Eu continuei essa peregrinação nesse final de semana, visitando colegas que eu não via também há 60 anos. Encontrei duas colegas que eu não via há muitos anos. Foi um encontro muito agradável e muito emocionado de colegas de escola lá do passado, do curso ginasial – como a gente chamava antigamente –, hoje, o ensino fundamental.

    Esta cidade do Tocantins, Dianópolis, tem alguns detalhes importantes. Lá é um berço da intelectualidade. Lá têm inúmeros poetas, inúmeros escritores, inúmeros compositores, artistas famosos. Isso tudo a gente deve, primeiro, a Hagahús Araújo e a umas freiras espanholas que, nos anos 50, com imenso sacrifício, se instalaram na cidade, junto com um Padre chamado João Magalhães, para educar aquelas famílias até o nono ano de hoje, que era a quarta série ginasial naquele tempo. Isso fez uma diferença imensa.

    Quando eu cheguei aqui na Câmara dos Deputados, como Deputado Federal, nos anos 90, encontrei vários funcionários da Câmara que eram educados nesse Instituto de Menores, que eram aquelas pessoas mais pobres – pobreza feia, pobreza desigual, pobreza profunda – que Hagahús chamava para educar, educava e soltava esse menino para o mundo, e alguns funcionários da Câmara e do Senado vieram de lá. Isso é para vocês verificarem a importância da educação transformadora e que todas as pessoas têm condição de ascender a espaços sociais e econômicos a partir de uma educação bem-feita.

    Então essas freiras fizeram toda essa revolução com o Prof. Osvaldo, que era um intelectual fantástico, de transformar essa massa de jovens em intelectuais, poetas, escritores e tudo o mais.

    E eles são tão vaidosos com a sua cidade, que lá numa praça, em todo lugar que você vai na cidade tem lá: "eu amo tal cidade", "eu amo tal". E lá tem escrito o seguinte, na praça principal: "Dianópolis, a capital do mundo" – a capital do mundo. Uma cidade de 20 mil habitantes é a capital do mundo para os seus moradores. Olha o orgulho dessa cidade. Olha a vaidade dessa cidade: "A capital do mundo". É fantástico.

    E a gente foi andando, conversando... Eu me hospedei na casa de dois colegas, amigos, que são o José Alencar, que é aposentado aqui do TCU, mas é de lá, que é um gênio, escritor, compositor, músico, violonista, tudo ele é; e a sua esposa, Iara Araújo, que é filha do Hagahús e é aposentada, hoje, da Câmara dos Deputados.

    Eles retornaram para lá, e ele é advogado, continuou advogando, ganhou dinheiro, e foi comprando aquelas fazendas da nossa saudade, dos nossos 60 anos atrás. Onde tinha pasto, ele mandou tirar os bois e deixou a floresta se regenerar. Eles compraram outra área, onde tinha a única queda d'água que não virou pequena central hidrelétrica. Foi essa que eles foram lá, compraram e transformaram em um regime privado de florestas, que é deles, mas é patrimônio do povo brasileiro, e intocável, cercada de soja por todos os lados, mas lá, não. Lá, a Cachoeira do Calixto continua preservada, linda, maravilhosa, fotografada e visitada, mas ninguém pode tocar naquela área – para você ver a grandeza das pessoas.

    E o José Alencar me falou o seguinte: "Eu não gosto de boi; eu gosto é de pássaro, eu gosto é de floresta". E lá, onde eu me hospedei com eles, na floresta, os bichos campeiam: os veados, os macacos, os pássaros, os tucanos, para deleite deles e inspiração para sua literatura e seus poemas. Ele fica naquele meio. Assim, ele foi adquirindo essas propriedades antigas e deixando a natureza se recuperar, voltar a ser o que era quando nós éramos jovens, meninos e adolescentes daquela região.

    Então eu fiquei muito satisfeito pela hospedagem, quero agradecer a todos eles, envaidecido por ver a cidade tão bem administrada, tão bonita e tão reencontrada. Fui aos museus, fui a uma capelinha da cidade, também de grata lembrança, onde estão sepultados nove corpos que foram chacinados, mortos numa rebelião no ano de 1919, de uma mesma família ou de duas famílias, enterrados em cova comum, em vala comum, e ali, sobre aquele local, aquela vala, foi erguida uma capelinha chamada Capelinha dos Nove, por causa das nove pessoas enterradas ali.

    Eu quero, neste momento, agradecer a acolhida de todos os companheiros e de todas as pessoas que me receberam na cidade de Dianópolis nesse final de semana. Foi altamente comovedora essa visita, uma visita de reencontro comigo mesmo; inclusive, visitei a única escola que havia naquele momento, chamada Ginásio João d'Abreu, que hoje é Colégio João d'Abreu. Não é preciso eu falar desse nome brilhante, que foi esse Deputado Estadual da época, mas quero agradecer a todos pela acolhida sensacional e emocional. Encontrei e abracei meus primos, meus parentes, todos ainda residentes por lá.

    E quero, assim, neste momento, encerrar meu pronunciamento de agradecimento a todos e parabenizar a todos os moradores da cidade de Dianópolis, no Estado de Tocantins.

    Muito obrigado. (Pausa.)

    O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Fala da Presidência.) – Assim sendo, a Presidência informa às Senadoras e aos Senadores que está convocada sessão deliberativa para amanhã, terça-feira, às 14h, com pauta divulgada pela Secretaria-Geral da Mesa.

    Cumprida a finalidade desta sessão, a Presidência declara o seu encerramento.

    Muito obrigado e boa tarde.

(Levanta-se a sessão às 15 horas e 17 minutos.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/11/2025 - Página 33