Discurso durante a 176ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Repúdio contra as condenações impostas pelo STF em ações penais de correntes dos atos de 8 de janeiro de 2023. Defesa da aprovação de anistia ampla, geral e irrestrita. Alegação de cumplicidade e omissão do Governo Federal no 8 de janeiro.

Denúncia de perseguição do Ministério da Saúde contra médicos que participam de estudos sobre eventuais efeitos adversos das vacinas contra a covid-19.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Judiciário:
  • Repúdio contra as condenações impostas pelo STF em ações penais de correntes dos atos de 8 de janeiro de 2023. Defesa da aprovação de anistia ampla, geral e irrestrita. Alegação de cumplicidade e omissão do Governo Federal no 8 de janeiro.
Governo Federal, Saúde Pública:
  • Denúncia de perseguição do Ministério da Saúde contra médicos que participam de estudos sobre eventuais efeitos adversos das vacinas contra a covid-19.
Aparteantes
Esperidião Amin.
Publicação
Publicação no DSF de 27/11/2025 - Página 23
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Indexação
  • REPUDIO, CONDENAÇÃO CRIMINAL, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), TENTATIVA, GOLPE DE ESTADO, ABOLIÇÃO, ESTADO DEMOCRATICO, DEPREDAÇÃO, PRAÇA DOS TRES PODERES, QUESTIONAMENTO, LEGALIDADE, PRISÃO, DEFESA, ANISTIA, CRITICA, GOVERNO FEDERAL, OMISSÃO.
  • CRITICA, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ALEXANDRE DE MORAES, CONFLITO DE INTERESSES.
  • DENUNCIA, MINISTERIO DA SAUDE (MS), MINISTRO DE ESTADO, ALEXANDRE PADILHA, PERSEGUIÇÃO, MEDICO, CRITICA, VACINA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19).

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Muitíssimo obrigado, meu querido amigo, irmão, Senador Izalci Lucas. Quero também saudar as demais Senadoras, Senadores, funcionários desta Casa, assessores e aos brasileiros e brasileiras que estão nos acompanhando nesse dia depois de, aí sim, um golpe duro em cima dos cidadãos de bem deste país. Pessoas que apreciam a justiça, o direito à defesa, ao contraditório, o ordenamento jurídico, a Constituição deste país. Pessoas que têm gratidão por aqueles homens honrados que, com todos os seus defeitos e imperfeições, ousaram fazer o bem, o que é correto, ousaram combater o crime organizado com recorde de apreensão de drogas, com prisão de pedófilos em operações jamais vistas na história desta nação. Brasileiros que estão encarcerados injustamente.

    Ontem foi difícil dormir, Presidente, e chegar aqui ao Senado e ver que parece que tudo está normal. Raros espasmos ali, protestos, discursos. A maioria achando que está normal, que a gente vive em uma democracia. Democracia fajuta!

    O povo brasileiro não concorda com o que estão fazendo com, por exemplo, não apenas o Bolsonaro, mas eu acho que o símbolo é o General Heleno, um senhor de 78 anos de idade, com uma história fabulosa em serviço, defendendo o país, com Alzheimer desde 2018. E hoje nós temos, com ele, com Anderson Torres, outro grande Delegado, que nem no Brasil estava, assim como o Bolsonaro, no que aconteceu dia 8 de janeiro aqui, na quebradeira... E quem quebrou tem que pagar, mas foi a minoria da minoria que fez isso.

    As imagens que foram negadas para a gente não mostram, porque foram negadas, mas outras mostram que essas pessoas não quebraram nada; aliás, quem quebrou fugiu; ninguém sabe. Para mim, são infiltrados, porque nós fomos sabotados na investigação da CPMI do dia 8 de janeiro e boicotados, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Hoje é um regime que comanda o Brasil: o Lula e o STF.

    E eu quero dizer que estou profundamente consternado com os abusos que a gente está vendo no país, que tem hoje, Senador Esperidião Amin – e eu já lhe passo a palavra para o aparte –, milhares de presos políticos; falei o nome de alguns: tem o General Paulo Sérgio Nogueira, tem também o General Garnier...

    O SR. ESPERIDIÃO AMIN (Bloco Parlamentar Aliança/PP - SC. Fora do microfone.) – Almirante Garnier.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Almirante Garnier. Temos também o General Braga Netto e outros milhares de brasileiros.

    Enquanto todos não estiverem junto às suas famílias, que já têm marcas para a vida inteira dessa caçada implacável e injusta, enquanto todos não estiverem em casa, nós não vamos descansar um minuto, aqui, pela anistia ampla, geral e irrestrita, porque só ela vai corrigir um pouco essa injustiça insana.

    Senador Esperidião Amin, o senhor tem o aparte concedido.

    O Sr. Esperidião Amin (Bloco Parlamentar Aliança/PP - SC. Para apartear.) – Senador Girão, quero também agradecer ao Senador Izalci pela oportunidade.

    Ontem, ainda, eu mencionava esses dois tópicos, e V. Exa. assistiu. Eu concordo em gênero, número, intensidade e grau com o que V. Exa. está falando; primeiro, sobre as omissões da Procuradoria-Geral da República e da investigação do 8 de janeiro sobre as omissões de todo aquele aparato, compreendido pelo chamado Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência), que recebeu informações sobre a perspectiva de invasão, inclusive, ao Congresso Nacional, e não existiu nenhuma providência, nenhum inquérito sobre a omissão.

    Se existe algum atestado de cumplicidade, é o fato de que desapareceram todas aquelas anotações da nossa CPMI, incluindo as mensagens da Abin às 48 agências e às suas representações federativas, sobre o que ia acontecer. Não há nenhum inquérito sobre a omissão do atual Governo, que fez sumir, inclusive, os registros em vídeo das câmeras do Ministério da Justiça.

    E o segundo ponto é a natureza do inquérito. A "vaza jato", que V. Exa. assinou e que também tem o número necessário para investigação, não vai investigar procedimentos judiciais, nem decisões judiciais, mas, sim, a investigação, porque há indícios concretos – concretos, não é fofoca – de que se vazaram de lá de dentro, através do Sr. Eduardo Tagliaferro, procedimentos administrativos inquisitoriais que confundiram a investigação.

    Então, o senhor está integralmente certo, e nós temos que ficar atentos, porque o Sr. Tagliaferro vai participar de uma audiência sobre a sua extradição no dia 17 de dezembro. E quem quer extraditá-lo não quer dar um microfone nem a oportunidade para ele comprovar as suas acusações, ou não. Quem quer extraditá-lo – leia-se o Estado brasileiro, representado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Executivo – quer escondê-lo e as verdades que ele possa trazer para o nosso conhecimento e da sociedade brasileira.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito bem. Eu peço à Presidência que incorpore o aparte do Senador Esperidião Amin aqui ao meu discurso.

    Para concluir esse tema, quero deixar aqui o meu repúdio ao que está acontecendo no Brasil. É inaceitável – inaceitável – tamanha injustiça. Um exemplo apenas: Alexandre de Moraes, o Ministro, se diz vítima disso tudo, era o Presidente do inquérito, o Relator, e dá as cartas de tudo. Só isso, só isso, sem falar... Não precisa nem falar que Bolsonaro estava nos Estados Unidos, que Anderson Torres estava nos Estados Unidos e que era o Secretário de Segurança aqui, de férias, porque a segurança do Distrito Federal não é da alçada exatamente... É do Governador a responsabilidade, e não do Secretário de Segurança. Não precisa nem entrar nesses detalhes, porque o processo não tem prova para mostrar que isso é uma peça de ficção, de perseguição política dos poderosos de plantão.

    Mas, Sr. Presidente, eu gostaria de falar também da perseguição do Governo Lula aos médicos independentes neste país. É só revanche, é só vingança o que a gente vê dessa turma! O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez recentemente uma declaração pública em suas redes sociais, ameaçando três médicos de perseguição junto à AGU, em função da repercussão de matéria publicada no Estadão a respeito da espaiquiopatia.

    Antes de mais nada, precisamos conhecer um pouco sobre as biografias desses três médicos que tanto estão incomodando o Ministro Alexandre Padilha.

    O primeiro é Roberto Zeballos, clínico, imunologista e alergista, formado pela Universidade Federal de São Paulo, tem mestrado e doutorado e é sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

    O segundo é o Dr. Francisco Cardoso, infectologista, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor, perito médico e Vice-Presidente da Associação Nacional dos Peritos Médicos. Entre 2019 e 2024, integrou câmaras técnicas do Conselho Federal de Medicina. Atualmente é Conselheiro do Conselho Federal de Medicina.

    Olhem o currículo desses profissionais da medicina!

    O terceiro é Paulo Porto de Melo, neurologista, formado pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e pós-graduação em Harvard, autor de vários livros e artigos científicos publicados internacionalmente.

    Nas redes sociais, os três médicos juntos superam 2 milhões de seguidores.

    A declaração literal do Ministro, feita nas suas redes sociais, sobre esses três médicos é a seguinte, abro aspas: "[...] não seremos lenientes com o negacionismo! [...] junto c/ [...] [a AGU, do Messias, atenção, Brasil], acionaremos todas as medidas cabíveis pra impedir que essas pessoas continuem colocando em risco a vida da nossa população [...]", fecho aspas.

    A razão dessa perseguição foi a publicação pela revista IDCases dos resultados de um estado clínico a respeito da síndrome pós-spike, que está associada à proteína spike, presente na superfície do vírus da covid-19. As vacinas contra a covid promovem a sua produção para gerar resposta imunológica no organismo. Nós já fizemos até debates em sessão temática, aqui neste Plenário, ouvindo cientistas do mundo inteiro, aqui no Senado.

    O Ministro qualificou esses três grandes médicos brasileiros, que têm o meu maior respeito, que salvaram vidas durante a pandemia, como negacionistas – o Ministro da Saúde qualificou. Isso interessa a quem, Ministro da Saúde, essas suas insinuações? Está confrontando interesses de laboratórios? Está confrontando o lobby bilionário da indústria farmacêutica? Nós não temos medo – nós não temos medo! O médico tem liberdade, estudou para isso. Que história é essa de querer intimidar?! Então, Sr. Presidente, o Ministro qualificou como negacionistas esses três médicos que tiveram a coragem de pesquisar os efeitos das vacinas contra a covid, porque manipulam a proteína spike.

    Agora, cinco meses depois, estranhamente, a revista IDCases se retratou sobre a publicação do artigo sobre a síndrome, mesmo admitindo a legitimidade dos autores por fazerem um relato descritivo gerador de hipóteses. Em sua nota de retratação, a editora reforça que são necessários mais estudos abrangentes e ensaios clínicos. Segundo a Agência Europeia de Medicamentos, a pesquisa foi feita numa escala muito pequena e, portanto, possui valor científico limitado. Já para a Anvisa, a síndrome pós-spike não tem ampla aceitação devido à falta de evidências robustas e consenso sobre existência de mecanismos patológicos. Assim, ninguém nega as evidências das possibilidades apresentadas por esses três médicos!

    Segundo os estudos, a partir da experiência clínica, no acompanhamento de um grupo de pacientes, foi possível identificar alguns sintomas decorrentes da síndrome pós-spike, mas o estudo das consequências da proteína spike no organismo humano não é novidade no meio científico. Já são mais de 14 mil artigos científicos publicados que relacionam a proteína spike com doenças.

    Ademais, o termo "spikeopatia" não foi cunhado pelos médicos brasileiros perseguidos pelo Governo Lula, mas lançado na literatura médica em 2023, ou seja, há dois anos.

    Os sintomas mais comuns dessa síndrome são fadiga, dores nas juntas, diarreia, inflamação sistêmica, confusão mental, problema nos nervos, perda de cabelo, deficiência na memória e distúrbios do sono. São muitos também os casos de pessoas que apresentaram tais sintomas após as vacinas com proteína spike.

    O trabalho dos médicos, suas palestras e seus cursos nada têm a ver com protocolos milagrosos de "spikeopatia", mas tratam de temas gerais de saúde...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... atividade física, nutrição, saúde da mulher e do homem, etc. Em seus perfis, é possível ver a clara orientação para que procurem sempre um profissional de confiança e façam um bom check-up.

    Fica novamente evidente que, desde a pandemia, tem ocorrido uma crescente politização da ciência, algo que não beneficia ninguém. Em vez de perseguir aqueles que pensam diferente, o Governo Lula deveria apoiar a continuidade de estudos e pesquisas sobre a chamada "spikeopatia", sem qualquer tipo de preconceito. Em vez de punir injustamente médicos que não são contra vacinas, o Ministério da Saúde deveria se preocupar com a falta de imunizantes importantes, como as vacinas contra catapora e dengue, que estão em falta em diversos estados do país. Essa postura do Ministro da Saúde evidencia claramente o posicionamento do Governo. Em vez de direcionar os recursos do contribuinte para a melhoria...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... da saúde, educação e segurança pública, ele opta por utilizar o aparato estatal para perseguir aqueles que possuem posicionamentos ideológicos diferentes.

    Encerro com esse pensamento nos deixado há mais de 1,7 mil anos pelo teólogo, filósofo e escritor Santo Agostinho, Senador Flávio Arns – abro aspas –: "Não é tanto o que fazemos na vida, mas, sim, o motivo pelo qual fazemos que pode determinar a bondade ou a maldade".

    Que Deus abençoe a nossa nação!

    Muito obrigado pela tolerância ao Presidente e aos colegas aqui.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 27/11/2025 - Página 23