Discurso proferido da Presidência durante a 185ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão especial destinada a homenagear Rorion Gracie pelos 100 anos do Jiu-Jitsu no Brasil (1925-2025).

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Cultura, Desporto e Lazer, Homenagem:
  • Sessão especial destinada a homenagear Rorion Gracie pelos 100 anos do Jiu-Jitsu no Brasil (1925-2025).
Publicação
Publicação no DSF de 05/12/2025 - Página 7
Assuntos
Política Social > Cultura
Política Social > Desporto e Lazer
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, ATLETA PROFISSIONAL, CENTENARIO, LUTA, BRASIL, COMENTARIO, ATIVIDADE, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), FUNDAÇÃO, ACADEMIA, LOS ANGELES, CRIAÇÃO, CAMPEONATO MUNDIAL, REGISTRO, LEGADO, ESPORTE.

    O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) – Registro, aqui, a presença do nosso nobre colega Senador Chico Rodrigues, que convido para compor a mesa.

    Convido também a mestra e campeã brasileira de jiu-jítsu, Sra. Yvone Magalhães Duarte. (Palmas.)

    Quero cumprimentar aqui meu querido Senador Chico Rodrigues; o nosso Subprocurador-Geral da Procuradoria-Geral do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Carlos Alberto da Cunha Júnior; Luis Roberto de Moraes Duarte, representando aqui a Secretaria de Esporte do Estado do Rio de Janeiro; o Sr. Rorion Gracie, Grande Mestre de jiu-jítsu e homenageado; a Presidente do Instituto InvestBrasil, Sra. Pricila Menin; e a Sra. Yvone Magalhães Duarte, mestra e campeã brasileira de jiu-jítsu.

    Quero cumprimentar aqui também todos os atletas, todos os professores, convidados.

    No século passado, uma semente estrangeira encontrou solo brasileiro, e foi nesse solo que essa semente batalhou para crescer, porque sabia que era no chão que a luta de verdade começava.

    Em 1925, no Rio de Janeiro, o jiu-jítsu japonês chegou silencioso, quase tímido, sem imaginar que aqui acabaria encontrando uma identidade própria, moldada pelo caráter de um povo que transforma dificuldade em oportunidade; limite em superação; força em vitória.

    Os frutos que vieram dessa semente não pertencem apenas a uma modalidade esportiva; pertencem ao Brasil e pertencem a todos que, ao longo desses cem anos, deram coração, forma, método e alma ao que hoje conhecemos como jiu-jítsu brasileiro. E, entre todos esses nomes, um se ergue como referência, marco e símbolo: Rorion Gracie.

    Homenagear Rorion nesta Casa é reconhecer que certos patrimônios culturais não nascem de políticas públicas; nascem de persistências familiares, de garagens improvisadas, de sonhos que insistem em sobreviver mesmo quando o resto do mundo ainda não os compreende.

    Foi assim com Carlos e Hélio Gracie, que receberam o jiu-jítsu japonês como quem acolhe um ilustre visitante e ousaram fazer dessa arte marcial algo novo. Foi então que o jiu-jítsu se transformou, se recriou, se abrasileirou.

    Assim, crescia uma tradição viva. Porém, tradições vivas precisam de representantes capazes de levá-las além das paredes onde nasceram. E foi exatamente aí que o destino apresentou ao Brasil e ao mundo a figura singular de Rorion Gracie, homem que acreditou que o jiu-jítsu brasileiro não deveria permanecer somente onde foi criado, mas onde fosse necessário.

    Aos 26 anos, com mais coragem que recursos, Rorion atravessou o continente e desembarcou na América. Levava pouco na bagagem, mas levava consigo tudo o que realmente importa quando o mundo parece um grande adversário: conhecimento, preparo, serenidade e a crença de que não existe posição impossível para quem tem técnica e disciplina.

    E foi em uma garagem, assim como surgiram as grandes ideias do século XX, que aquele jovem brasileiro iniciou uma das maiores revoluções esportivas e culturais de nosso tempo. A garagem de Los Angeles tornou-se a extensão da garagem do Rio, como se as duas fossem portas de um mesmo templo: o templo do jiu-jítsu brasileiro.

    A Gracie Academy, fundada por Rorion e seus irmãos, transformou-se em referência mundial. Mas o mundo ainda precisava ver, de forma incontestável, aquilo que o Brasil já sabia desde os anos 30: que inteligência vence brutalidade, que estratégia supera força e que técnica, trabalhada com humildade, vale mais que qualquer impulso.

    Em 1993, Rorion concebeu o título UFC. Não era apenas um evento; era um experimento prático, um laboratório ao vivo para responder a uma pergunta antiga: qual arte marcial é realmente eficaz quando tudo se resume ao corpo, à mente e à coragem?

    A escolha de Rorion Gracie para representar a família foi um capítulo à parte. Em um cenário de gigantes, surgia um lutador leve, de aparência comum, sereno como os grandes mestres que não precisam provar nada. E o mundo assistiu perplexo, enquanto ele, com técnica refinada e postura tranquila, derrubava a lógica e vencia um adversário após o outro, dominando oponentes aparentemente indomáveis. E foi ali, diante de milhões, que uma verdade ancestral tornou-se visível: a força pode impressionar, mas a técnica transforma.

    Aquele momento não mudou apenas a história das artes marciais; mudou a história do esporte mundial. Deu origem ao MMA, hoje uma das modalidades mais populares do planeta, colocando o Brasil no centro de uma revolução cultural que influenciou academias, projetos sociais, polícias, escolas e famílias inteiras, porque o jiu-jítsu brasileiro, mais que arte marcial, tornou-se ferramenta de vida: em comunidades vulneráveis, desviou jovens do crime; em corporações de segurança, ensinou que controle subjuga a violência; em lares, tornou-se ponte entre pais e filhos; e, em academias pelo mundo, formou cidadãos mais fortes no corpo e mais sábios na mente.

    Celebrar Rorion Gracie é celebrar o Brasil que não se dobra às dificuldades, o Brasil que cruza fronteiras sem abandonar suas raízes, o Brasil que reinventa tradições e traduz sua genialidade em linguagem universal.

    Rorion é lutador, educador, empreendedor, divulgador cultural, mestre e guardião de um legado que não pertence apenas à família Gracie; pertence ao nosso país e pertence ao mundo, que aprendeu com ele que disciplina é liberdade, que paciência é força, que técnica é inteligência aplicada ao movimento.

    Hoje, registramos essa história construída com suor e dedicação. Ao celebrarmos o centenário do jiu-jítsu no Brasil, afirmamos diante desta Casa que não seria possível contar essa história sem reconhecer o homem que abriu caminhos, derrubou obstáculos e levou o Brasil para dentro de academias, arenas e de corações ao redor do mundo.

    Mestre Rorion, o seu legado é simbólico, cultural e profundamente educativo, com lições que ensinam ao mundo e que ecoam neste Plenário: a força nasce da técnica; a estratégia se adapta ao improviso; e não existe o impossível quando se acredita, de verdade, no propósito que nos guia.

    Que sua história continue inspirando gerações dentro e fora do tatame, porque o jiu-jítsu, tal como o Brasil o reinventou, é mais que uma arte marcial; é a semente de onde nasce uma filosofia de vida.

    Muito obrigado. (Palmas.)

    Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo que apresenta os relatos sobre o homenageado desta sessão especial.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)

    O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Quero registrar a presença aqui do Sr. Deputado Federal Coronel Assis e do Sr. Terceiro Secretário da Embaixada da República Dominicana, Ariel José Liranzo Martinez.

    Quero registrar também a presença – e dar boas-vindas a estes que estão na galeria – dos nossos alunos do ensino médio do colégio Império Win, na cidade de Paracatu, Minas Gerais.

    Sejam bem-vindos!

    Concedo a palavra ao Senador Chico Rodrigues.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 05/12/2025 - Página 7