Pronunciamento de Chico Rodrigues em 04/12/2025
Discurso durante a 185ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão especial destinada a homenagear Rorion Gracie pelos 100 anos do Jiu-Jitsu no Brasil (1925-2025).
Discurso sobre o Projeto de Lei (PL) n° 4478, de 2019, que "Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a prática do jiu-jitsu nos currículos do ensino fundamental."
- Autor
- Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
- Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Cultura,
Desporto e Lazer,
Homenagem:
- Sessão especial destinada a homenagear Rorion Gracie pelos 100 anos do Jiu-Jitsu no Brasil (1925-2025).
-
Educação:
- Discurso sobre o Projeto de Lei (PL) n° 4478, de 2019, que "Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a prática do jiu-jitsu nos currículos do ensino fundamental."
- Publicação
- Publicação no DSF de 05/12/2025 - Página 9
- Assuntos
- Política Social > Cultura
- Política Social > Desporto e Lazer
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Educação
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, ATLETA PROFISSIONAL, CENTENARIO, ESPORTE, LUTA, BRASIL, COMENTARIO, EFEITO, FORMAÇÃO, JOVEM, CONSTRUÇÃO, VALORES, DISCIPLINA, RESPEITO.
- DISCURSO, PROJETO DE LEI, ALTERAÇÃO, LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, INCLUSÃO, ESPORTE, LUTA, CURRICULO, ENSINO FUNDAMENTAL.
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Sr. Presidente e requerente desta sessão, Senador Izalci Lucas; Sr. Subprocurador-Geral do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Alberto da Cunha Júnior; representando a Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Assessor Luis Roberto de Moraes Duarte; Sr. Grão-Mestre de jiu-jítsu Rorion Gracie; Sra. Presidente do Instituto InvestBrasil, Pricila Menin; mestra e campeã brasileira de jiu-jítsu, Sra. Yvone Magalhães Duarte, do Estado de Roraima, estado que eu represento no Congresso Nacional, no Senado da República; senhoras e senhores, cem anos de uma arte que se tornou um estilo de vida, disciplina, respeito e resiliência para gerações; um século dos Mestres Carlos e Hélio Gracie, que aqui estão representados pelo mais antigo de seus alunos, o Grande Mestre João Alberto Barreto (Palmas.), e pela enorme família e que muito honraram seus nomes e nossa arte marcial; um século sendo ferramenta de transformação, fortalecendo pessoas na superação de desafios com coragem e autoconfiança. É um verdadeiro legado compartilhado com o mundo da luta que se transformou em uma arte genuinamente brasileira.
Hoje o Senado Federal se reúne em sessão especial para celebrar um marco histórico do esporte brasileiro, os cem anos do jiu-jítsu em nosso país, e para homenagear um de seus maiores expoentes, Rorion Gracie, responsável por difundir ao mundo essa arte marcial que levou o nome do Brasil a patamares inimagináveis.
Não é exagero afirmar que poucas expressões culturais conseguiram, ao longo de um século, produzir impactos tão profundos e permanentes na formação de jovens, na construção de valores sociais e na projeção internacional do nosso país quanto o jiu-jítsu brasileiro. O que nasceu como adaptação de técnicas milenares trazidas ao Pará por Mitsuyo Maeda, o Conde Koma, encontrou na família Gracie um terreno fértil para florescer, se transformar e, sobretudo, para se tornar patrimônio nacional.
Rorion Gracie, figura que homenageamos nesta ocasião, não apenas perpetuou um legado: ele levou o jiu-jítsu a uma dimensão global. Foi responsável por apresentar ao mundo uma filosofia de vida que combina estratégia, disciplina, autocontrole, superação e respeito. Seu trabalho na difusão internacional da modalidade, inclusive com a criação do UFC, fez com que o Brasil fosse reconhecido como berço de uma das artes marciais mais influentes do planeta.
Porém, o que nos traz aqui hoje não é apenas uma celebração esportiva. É um momento de reafirmar que o jiu-jítsu é ferramenta de transformação social.
Senhoras e senhores, o esporte escolar é uma das mais poderosas políticas públicas de inclusão e desenvolvimento humano. Crianças e adolescentes que encontram na escola espaços para a prática esportiva tornam-se jovens mais disciplinados, mais confiantes, com maior capacidade de concentração e com valores éticos muito mais sólidos.
E quando falamos em jiu-jítsu, falamos justamente da soma perfeita entre atividade física, saúde mental, disciplina, autocontrole, respeito e convivência social. É uma modalidade que ensina o estudante a compreender limites, resolver conflitos, lidar com frustrações, superar desafios e trabalhar em equipe.
Por essas razões, e por sugestão do meu filho Thiago Henrique Ferreira Rodrigues e de alguns amigos que participam da Academia Gracie, aqui presentes, nós tomamos a iniciativa de apresentar um projeto aqui nesta Casa, o Projeto de Lei n° 4.478, de 2019, que inclui o jiu-jítsu como componente curricular opcional em todas as séries do ensino fundamental.
A proposta, agora em análise na Câmara dos Deputados – o processo legislativo é muito lento, mas estamos procurando, através do atual Presidente da Câmara, acelerar essas avaliações e análises –, não obriga as escolas a adotarem a modalidade, mas abre a porta para municípios e estados que desejarem incorporar esta prática, de forma estruturada, segura, orientada por profissionais qualificados e alinhada com os princípios pedagógicos da educação brasileira.
Defendo essa iniciativa, porque acredito que o jiu-jítsu é capaz de mudar realidades. Já vimos inúmeros relatos de escolas que ao adotarem essa arte marcial em seus projetos pedagógicos reduziram drasticamente episódios de indisciplina, melhoraram o desempenho dos alunos e criaram ambientes muito mais saudáveis na convivência escolar. Isso não é acaso. O jiu-jítsu é, por natureza, uma prática que convida à reflexão, ao autocontrole e à humildade. Ensina que força não é tudo, que inteligência e técnica superam impulsividade, que respeito é a primeira regra do tatame. Ensina, sobretudo, que a grande luta é contra nós mesmos, contra nossos medos, ansiedades e limitações.
Em um país que enfrenta tantos desafios na educação e convive com altos índices de evasão escolar, violência juvenil e desigualdade, oferecer aos nossos jovens ferramentas que desenvolvam corpo, mente e espírito é mais do que desejável, é urgente.
Rorion Grace e sua família nos mostram que o jiu-jítsu é mais que um esporte. É uma filosofia de vida. É educação. É construção de caráter. É política pública de segurança, saúde e cidadania.
Por isso, esta homenagem não é apenas a ele pessoalmente, mas a todo o legado de um século de jiu-jítsu brasileiro, aos mestres e professores que dedicam suas vidas a formar jovens nos tatames, aos atletas que levam nossa bandeira ao mundo e às famílias que encontraram na modalidade um caminho para afastar seus filhos das ruas, das drogas e da violência.
Encerrando, deixo meu compromisso como Parlamentar e como cidadão. Continuarei defendendo o esporte como um meio de transformação. Continuarei trabalhando para que o jiu-jítsu esteja cada vez mais presente nas escolas, nos projetos sociais e nas políticas públicas deste país. E seguirei honrando a história que Rorion Grace e sua família construíram com tanto esforço, disciplina e, mais que tudo, amor pelo Brasil.
Parabenizo Rorion Grace pelos 100 anos de jiu-jítsu no Brasil.
Parabenizo o esporte brasileiro e, sobretudo, parabenizo o povo brasileiro que fez desta arte marcial um símbolo de identidade, superação e orgulho nacional.
Muito obrigado. (Palmas.)