Pronunciamento de Zenaide Maia em 02/12/2025
Discurso durante a 182ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Divulgação do início da distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório pelo Ministério da Saúde e apelo em favor da vacinação de crianças e idosos, reafirmando a importância dessa política de saúde pública, em especial no atual contexto nacional de queda na cobertura vacinal.
- Autor
- Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
- Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Saúde Pública:
- Divulgação do início da distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório pelo Ministério da Saúde e apelo em favor da vacinação de crianças e idosos, reafirmando a importância dessa política de saúde pública, em especial no atual contexto nacional de queda na cobertura vacinal.
- Publicação
- Publicação no DSF de 03/12/2025 - Página 80
- Assunto
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Indexação
-
- ANUNCIO, DISTRIBUIÇÃO, VACINA, IMUNIZAÇÃO, DOENÇA PULMONAR, MINISTERIO DA SAUDE (MS), SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), DESTINAÇÃO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL (DF).
- IMPORTANCIA, CONSCIENTIZAÇÃO, POPULAÇÃO, NECESSIDADE, IMUNIZAÇÃO, VACINAÇÃO, PREVENÇÃO, DOENÇA.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Sr. Presidente, Izalci Lucas, colegas Senadoras, colegas Senadores, os meios de comunicação, Agência Senado, TV Senado e Rádio Senado e a todos vocês, homens, mulheres e crianças deste país.
Venho a esta tribuna compartilhar uma boa notícia que salva vidas.
O Ministério da Saúde inicia, nesta terça-feira, dia 2, a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório.
O primeiro lote, com 673 mil doses, será enviado a todos os estados e ao Distrito Federal.
A imunização, ofertada gratuitamente pelo SUS, a nossa pérola que oferece saúde de graça para toda a população, é destinada a gestantes a partir da 28ª semana e tem como objetivo reduzir casos de bronquiolite em recém-nascidos.
Com a chegada das doses, estados e municípios poderão iniciar imediatamente a vacinação nos postos de saúde.
O lote inicial integra a compra de 1,8 milhão de doses feita pela pasta.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo as hospitalizações.
Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de síndrome respiratória aguda grave causados pelo VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de síndrome respiratória aguda grave no período.
E quero aqui, gente, como médica, mãe, avó, alertar toda a sociedade sobre a importância da vacinação.
Vocês sabem quais as revoluções que prolongaram a vida humana? Vacina e água tratada. Isso mesmo: vacina e água tratada são as grandes responsáveis por aumentar o tempo médio de vida da humanidade. É fato histórico, cientificamente comprovado, e não é narrativa ideológica.
Por isso que, como médica infectologista, com 30 anos de trabalho no serviço público, tenho feito uma reiterada campanha em defesa da vacinação, combatendo as informações falsas.
O negacionismo tem feito pais, mães e outros responsáveis deixarem de vacinar seus filhos menores de idade, o que significa cometer um verdadeiro e estarrecedor abandono de incapaz.
Reafirmo, sempre falando em voz alta, porque hoje os ouvidos têm paredes: vacina é produto de estudo e pesquisa seriíssimos, trabalho árduo de cientistas e especialistas, no Brasil e no mundo todo, para prevenir doenças graves e mortes.
O Brasil é referência mundial em vacinação, e o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas para todas as idades, garantindo que estejamos protegidos ao máximo.
Gratuito, hein, gente? É um dos poucos países do mundo em que todas as vacinas são gratuitas.
Não é uma questão individual; é uma questão de saúde coletiva. Quando você se vacina, protege a si mesmo e a quem está ao seu redor.
Trata-se, portanto, de um ato de amor e empatia, de defender a vida, de proteger a saúde, de prevenir doenças e suas sequelas graves e permanentes, de evitar a morte.
Segundo um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet, nos últimos cerca de 50 anos, a vacinação – contra 14 – contribuiu para reduzir as mortes infantis em 40% no mundo. Só a vacinação contra o sarampo eliminou, em 60%, a mortalidade infantil global.
O Governo atual tem feito um esforço concentrado suprapartidário, via Ministério da Saúde, e ancorado na ciência, para restabelecer a confiança da população nas vacinas, bem como para reforçar as campanhas de imunização em todo o território nacional.
Meu apelo, olho no olho, é para você, pai, mãe e responsável: vacine seus filhos! Não podemos deixar nossas crianças morrerem ou ficarem com sequelas para o resto da vida.
Como médica que já viu muita coisa triste antes da vacinação, peço a vocês: não acreditem em mentiras propagadas contra a vacinação.
A Fiocruz também alertou sobre o risco representado pela queda da cobertura vacinal contra a meningite, além de mostrar, recentemente, que apenas 11% das crianças de até 5 anos haviam tomado vacina contra a covid e que outras coberturas vacinais infantis estavam abaixo da meta.
Em 1973, foi criado no Brasil o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com os objetivos principais de organizar, implementar e avaliar as ações de imunização em todo o país.
O Estado brasileiro promoveu a vigilância epidemiológica intensiva para casos suspeitos nas comunidades, capacitação de pessoal, campanhas de divulgação, entre outras ações.
Os resultados foram extremamente positivos, a começar pela redução drástica da mortalidade infantil.
O Programa Nacional de Imunização é referência de saúde no mundo todo. Tanto, que houve conversas da Organização Mundial de Saúde com a Fiocruz e o Instituto Butantan, para acelerar a produção de vacinas no Brasil, como a da dengue.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vale lembrar, é um dos maiores compradores de vacinas do mundo.
Por meio do PNI, o Governo Federal disponibiliza, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde, 48 imunobiológicos: 31 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas.
Essas vacinas incluem tanto as presentes no Calendário Nacional de Vacinação quanto as indicadas para grupos em condições clínicas especiais.
O Calendário Nacional de Vacinação contempla, na rotina dos serviços, 20 vacinas, que protegem o indivíduo em todos os ciclos de vida, desde o nascimento.
Entre as doenças...
(Soa a campainha.)
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN) – ... imunopreveníveis por essas vacinas estão: poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche e outras doenças graves e, muitas vezes, fatais.
Conforme o Ministério da Saúde, a vacinação é reconhecida como uma das mais eficazes estratégias para preservar a saúde da população e fortalecer uma sociedade saudável e resistente.
Além de prevenir doenças graves, a imunização contribui para reduzir a disseminação dos agentes infecciosos – os vírus – das comunidades, protegendo aqueles que não podem ser vacinados por motivo de saúde.
Vacina não tem partido nem cor, não é de Governo, mas do Estado brasileiro, que tem obrigação de mostrar que a vacinação salva vidas.
Como militante e defensora da saúde pública, reitero também a necessidade de promover canais de informação de interesse público, para combater o negacionismo e as notícias falsas que circulam na internet.
É este o sentido do nosso trabalho legislativo: a defesa da vida, investir no direito de nosso povo a um futuro saudável e seguro.
Não podemos permitir o reaparecimento de algumas doenças preveníveis em território nacional e que já haviam sido extintas.
Por favor, pais, mães, avós e responsáveis, vacinem seus filhos, vacinem seus idosos.
Ah, meu Deus, se todas as doenças tivessem uma vacina... E o Brasil as oferece gratuitamente; e a gente tem que ter essa defesa.
Eu digo a vocês que os médicos que se formaram nos últimos 20, 30 anos, nunca viram um sarampo. Deixamos de ver as sequelas da poliomielite, mas, com 65%, no máximo, de vacinados, nós vamos voltar a ver, sim, crianças que, quando não morrem, ficam com sequelas para o resto da vida.
Muito obrigada, Sr. Presidente.