Discurso durante a 188ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Manifestação de apoio à candidatura do Senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026, e elogios à liderança política do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

Autor
Marcio Bittar (PL - Partido Liberal/AC)
Nome completo: Marcio Miguel Bittar
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Eleições e Partidos Políticos:
  • Manifestação de apoio à candidatura do Senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026, e elogios à liderança política do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
Publicação
Publicação no DSF de 09/12/2025 - Página 64
Assunto
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Indexação
  • DEFESA, EX-PRESIDENTE DA REPUBLICA, JAIR BOLSONARO, APOIO, CANDIDATURA, FLAVIO BOLSONARO, DENUNCIA, PERSEGUIÇÃO, NATUREZA POLITICA.
  • CRITICA, GOVERNO FEDERAL, CORRUPÇÃO, FRAUDE, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC. Para discursar.) – Sr. Presidente, senhores e senhoras que nos assistem, eu inicio dizendo que tenho muito respeito pelo Governador Tarcísio, mas o meu líder chama-se Jair Messias Bolsonaro.

    Eu, como qualquer ser humano, tenho todos os defeitos, mas tem um deles, Senador Confúcio, com quem fui Deputado Federal na minha primeira vez, que eu procuro não cometer, que é o pecado da ingratidão.

    Eu sei muito bem a importância que teve o Presidente Bolsonaro em campanha, em 2018. Quero aqui render minha homenagem, mais uma vez, ao Deputado Federal Coronel Ulysses, que era o candidato a Governador do PSL, do Presidente Bolsonaro – hoje Deputado Federal –, que indicou apenas um nome para o Senado e deixou a outra vaga em aberto, fazendo a indicação do meu nome. Aquilo permitiu que, ao visitar o Acre, em campanha, o Presidente Bolsonaro, para quem eu já pedia votos, pudesse gravar um vídeo pedindo o segundo voto para a minha candidatura. Isso foi muito importante para que eu pudesse vencer uma parada duríssima, em que disputávamos a segunda vaga eu e o ex-Senador Jorge Viana.

    Eu tive a oportunidade, meu Senador e Presidente Confúcio, na primeira ocasião, no Palácio do Planalto, em reunião de líderes e vice-líderes, com a mesa redonda cheia de gente, eu esperei essa ocasião para mostrar para o Presidente Bolsonaro, que com certeza não lembrava mais, o vídeo que ele gravou do pedido de voto que fez a mim e que foi tão importante para ajudar a definir a minha eleição.

    Acompanhei o Governo inteiro e sei da importância de um monte de Senadores, Prefeitos, Governadores que foram lançados e apoiados por ele e que se elegeram ou que se reelegeram. Aqui, nessa fileira destinada aos três Senadores do Acre, em 2023, no começo do ano, eu fiz questão de pegar o microfone, num aparte, para que o Brasil inteiro soubesse mais uma vez a minha posição. E eu disse – e me lembro de que fui o primeiro, não o último, mas fui o primeiro – que o meu lado era o lado do Presidente Bolsonaro, que eu iria ficar com ele, que ele continuava sendo o meu Líder, que ele seria o meu candidato a Presidente e que, se não conseguisse, eu apoiaria aquele que ele indicou.

    Poucas vezes, Presidente, eu tive a audácia de oferecer uma opinião ao Presidente Bolsonaro, mas, na terceira vez, que foi o dia em que eu fui recebido por ele em prisão domiciliar, eu disse exatamente a minha opinião a respeito do processo, caso ele não pudesse ser candidato. E disse, à ocasião, que a minha opinião era a de que ele lançasse um Bolsonaro.

    Quer dizer que todo mundo tem direito de querer ser candidato a Presidente da República, todo mundo tem direito de indicar alguém, mas o Presidente Bolsonaro, que, pela primeira vez no Brasil, tirou do armário os conservadores, tirou do armário aqueles que são de direita, esse é o que não pode? Então, eu dizia a ele a minha opinião, que eu, no lugar dele, lançaria um Bolsonaro à Presidência da República. E disse mais: que entendo que o papel do Governador do Estado de São Paulo é garantir o palanque no estado mais povoado do Brasil – quase um quarto da população –, em processo dele de reeleição, para o nosso candidato a Presidente da República.

    Hoje, Presidente Confúcio, há um silêncio que machuca, há um silêncio que incomoda. Eu quero declarar, em alto e bom tom: eu tenho amor ao meu Líder. Como eu não vou ter amor a alguém que passou 28 anos na Câmara sem nunca ter o nome envolvido em nenhuma corrupção? E quantas existiram na Câmara! Quando o Ministro Joaquim Barbosa se referiu ao nome do Presidente foi para dizer que aquele era o único que não tinha participado daquela coligação, daquela legislatura, daquela bancada. Quando o antigo Presidente do PP – hoje PP, PL na época; eu não lembro o nome mais, Pedro Corrêa, se eu não me engano –, ao mencionar o mensalão, o que foi que ele disse? Ele disse que o único da bancada dele que não aceitava nenhum tipo de suborno – não usou essa palavra, mas era isso que ele queria dizer –, que não aceitou participar da mensalidade, foi Jair Messias Bolsonaro.

    O único Presidente civil – eu não digo isso com alegria não, mas é para relembrar – cujo Governo não teve escândalo de corrupção é o homem que está preso. Aquele que patrocinou os maiores escândalos de roubalheira do Brasil está na Presidência da República; e aquele que passou por limpos quatro anos, que combateu e que acabou com a roubalheira no seguro-defeso – agora, voltou –, acabou com a roubalheira nas estatais e com o prejuízo, que agora voltaram...

    E está aí o escândalo do INSS, mostrando que não é a primeira vez que o Governo do PT mexe com o salário daqueles que eles fazem jura de proteger. Juram proteger o servidor público, mas foram eles que acabaram com os fundos de pensão da Petrobras, do Banco do Brasil, do Postalis e de todas as grandes empresas do Brasil. E, agora, são eles que estão acobertando e que não queriam a CPMI do INSS, que está mostrando a roubalheira em cima das pessoas mais vulneráveis do Brasil.

    Quem impediu esse escândalo no Governo dele, o escândalo do INSS? O Presidente Bolsonaro. A qualquer pessoa que esteja me assistindo, não acredite em mim, não. Os documentos que provam que o Presidente Bolsonaro segurou por quatro anos a panela de pressão do INSS são públicos. O Rogerio Marinho acabou com o imposto sindical obrigatório, no esquema criminoso em que estava só a Contag – passou a ter 40! Aquilo virou uma fornalha para explodir, e não explodiu, porque Bolsonaro passou quatro anos segurando. Hoje, ele está preso, Sr. Presidente, como nenhum membro de facção criminosa se encontra; humilhado, caçado, perseguido por um crime que não aconteceu.

    Qualquer pessoa no Brasil, se não for um militante de esquerda, sabe que não houve tentativa de golpe no Brasil. Ele está pagando por um crime que não ocorreu. E aí, quando eu falo do silêncio criminoso, é de pessoas que se elegeram à custa dele e que ainda agora se silenciam. E esse silêncio, Sr. Presidente, mostra que é verdadeiro o que está escrito, o que nós achávamos é verdadeiro: tem muitas pessoas que querem os votos bolsonaristas, mas não querem Bolsonaro. Aceitam docilmente um candidato consentido pelo sistema. E Bolsonaro e anistia? Que fiquem para as calendas.

    Por isso, Sr. Presidente, eu estava lá no meu estado, em Cruzeiro do Sul, quando eu soube da notícia. Eu disse: "Confirme agora". Quando confirmaram, eu gravei dizendo: meu candidato é Flávio Bolsonaro.

    Aí eu vejo matérias e mais matérias: o Centrão não gostou. Que lance candidato! Não tem problema. Mas o que eu digo aqui hoje, que é um desabafo, é: como é que pessoas que têm mandato à custa dele estão silenciadas? Esse silêncio é a prova de que flertavam com o sistema, e o que queriam mesmo era tirar Bolsonaro. Isso não é gratidão, Sr. Presidente. Ao contrário, isso é ingratidão, e a ingratidão é a porta de entrada da traição.

    Por isso, mais uma vez, Sr. Presidente, no dia de hoje, eu quero deixar a minha posição clara de novo. O meu líder, a quem eu tenho amor, chama-se Jair Messias Bolsonaro. Quando eu disse aqui, no começo de 2023, que era ele ou quem ele indicasse... Quantos eu ouvi dizer isso depois? Mas tem muitos que eu ouvi dizer isso depois e que agora estão silenciados. Não é o meu erro, esse não é o meu pecado, dando coerência à minha natureza. Eu disse aqui no começo de 2023 e repito aqui hoje: o meu candidato chama-se Flávio Bolsonaro. É com ele que eu vou caminhar nas eleições.

    Às vezes, Sr. Presidente, eu tenho muito orgulho – e isso não é às vezes, é sempre – de representar o meu querido Estado do Acre, mas eu queria que o Acre tivesse 5 milhões de eleitores, 10 milhões de eleitores, para poder ajudar, porque o Acre é um estado pobre, um estado que tem mais Bolsa Família do que carteira assinada, diferentemente do Estado de Rondônia, que é o único na Região Norte que tem mais carteira assinada do que Bolsa Família, mas, lá no meu estado, a esquerda nunca teve vida fácil. Começa que, para ganhar da gente – e eu sei, então, o que eu denunciei aqui agora –, para a esquerda ganhar da gente, para o PT ganhar o governo, pessoas que seriam de direita se venderam para o PT. Foi assim que Jorge Viana chegou ao governo, tendo o apoio do Governador que, em tese, era de direita, bancou a candidatura.

    Mesmo assim, ao longo dos 20 anos, nunca tiveram vida fácil. Ganharam a eleição de nós de meio ponto, um ponto, de mim, do Bocalom, que hoje é o Prefeito da capital; e a eleição nacional nunca ganharam da gente. Nós ganhamos com todos os candidatos que apoiávamos. Achávamos, naquela época, que o candidato do PSDB era o candidato opositor à esquerda. Não era. Hoje a gente sabe que era a opção que nós tínhamos. 

    Agarramo-nos, numa época, com o ex-Governador Ciro Gomes, achávamos que ele seria a alternativa ao PT, mas são todos de esquerda, como disse o próprio Lula, numa determinada candidatura de Presidente à República: "Que bom! Eu olho aqui no espectro dos candidatos, todos somos de centro-esquerda".

    O que acontece no Brasil é a intolerância cruel de quem não aceita a existência do Bolsonaro: "Ah, ele fala palavrão". O Lula não fala. O Lula... Passam um pano para o Lula que é uma coisa... Imagine, Presidente Confúcio, se o Lula tivesse dito que, depois do jogo de futebol, a violência contra a mulher aumenta – isso é um crime! –, mas, se for do Corinthians, tudo bem. O senhor já imaginou... As pessoas que nos assistem já imaginaram se essa frase fosse proferida por Bolsonaro? O mundo tinha se acabado, tinha pedido impeachment, mas, para ele, não tem problema.

    Portanto, Sr. Presidente, no dia de hoje é esse desabafo, porque... Agora, recentemente, no meu estado, membros do Governo do meu amigo Gladson Cameli me disseram, nas inaugurações de obras que têm emenda nossa, basicamente mandando um recado de que talvez eu já teria – vamos dizer assim – o voto bolsonarista, então eu deveria esquecer, porque tem gente que não gosta do Bolsonaro que votaria em mim. Olhem que oportunismo! Eu vou esquecer o meu amigo, eu vou esquecer quem é o meu líder, porque, em tese – isso não é verdade –, o voto bolsonarista já estaria encaminhado para mim, e eu teria que tentar angariar outro voto de quem não gosta dele, por isso eu o abandonaria.

    Eu fui para inauguração, Sr. Presidente, e, mais do que eu já ia falar, eu disse que – no meu estado, por onde eu andar –, se eu negar Bolsonaro, eu não mereço voto de nenhum conterrâneo meu. Eu ando hoje, no meu estado, e eu vejo obras de infraestrutura nunca vistas antes sendo inauguradas pelo Governador. Daqui a pouco, serão obras estruturantes inauguradas pelo Prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. E eu me lembro de que foram emendas minhas. Eu me lembro, em momentos difíceis no Congresso Nacional, de quando eu era Relator do Orçamento, do famoso RP 9, tão criminalizado, que nunca foi secreto – poderia ser aperfeiçoado e foi, enfim, mas secreto nunca foi –, mas essa foi a versão que colou.

    Foram dois anos. E, um dia, Sr. Presidente, eu narrei isso no evento em que pessoas do Governo que eu apoio, de forma mais ou menos indireta, pediam que eu esquecesse Bolsonaro. Aí eu contei essa história, entre outras coisas.

    No momento em que o próprio Ministro Paulo Guedes se colocou publicamente contra o Orçamento que eu relatava, na parte do RP 9, eu apanhei uns dez dias da imprensa, fiquei calado, esperei a poeira abaixar e aí respondi – é alguém de quem eu gosto, por quem tenho admiração e respeito, continuo tendo, mas respondi, porque, enfim, era um ponto de vista divergente.

    O Presidente Bolsonaro me liga e me pede para que aquilo... Eu era Vice-Líder, Relator do Orçamento do Governo dele; e o outro, nada mais nada menos que o Ministro Paulo Guedes, Ministro da Economia do Brasil. Eu disse: "Claro, Presidente, o senhor não pediu nada que eu não atendesse". Ele foi desligando o telefone, meu Presidente Confúcio, e eu disse: "Presidente, só um minuto. Como eu vou ficar? Eu sou um soldado seu e não posso ficar no campo de batalha ferido. Eu não posso ser a Rainha da Inglaterra". "O que é isso Bittar?", disse o Presidente Bolsonaro. Eu disse: "Presidente, o que o nosso Ministro quer, entre outras coisas, é que o senhor vete, cancele 100% da RP 9! O senhor já imaginou, depois de toda essa confusão de dois anos, lá no meu estado? É a primeira vez que um acriano é Relator do Orçamento. É claro que criou uma expectativa de o estado ser um pouco mais bem atendido, e, depois de tudo isso, eu não levar um centavo a mais para o meu estado?". Porque eu dizia publicamente para o meu Presidente, várias vezes, que eu ia fazer tudo como Relator do Orçamento para levar um pouco mais de recursos para o meu estado, porque inclusive as leis ambientais draconianas só existem para a nossa região e não há compensação do tamanho que o nosso povo precisa. E aí eu disse ao Presidente Bolsonaro: "Depois de criar uma expectativa e depois desses dois anos de turbulência, aí eu não vou levar um real, um centavo para o meu estado, tão carente, tão pobre e que criou uma expectativa?". Ele me disse ao telefone: "Bittar, não se preocupe, eu não vou deixar isso acontecer".

    Quando eu ando no meu estado e eu vejo a Ponte da Sibéria, promessa de 60 anos, sendo concluída – e dividia o município ao meio... Ela foi concluída agora, numa participação nossa com o Governo do Estado. Quando eu vejo inaugurar uma estrada que liga o Município do Bujari a Porto Acre, promessa de 30 anos, ligando dois municípios... Quando eu vejo o Prefeito Bocalom perto de entregar o viaduto mais importante de Rio Branco, o viaduto da AABB... E, daqui a três, quatro meses, vai entregar o novo Mercado Elias Mansour, porque o velho estava cheio de barata e rato, um atentado à saúde pública dos trabalhadores, dos donos de comércio e de quem visitava. Se eu não lembrar, Sr. Presidente, quem me deu a mão... Se não fosse o Presidente Bolsonaro, o que eu vejo no meu estado eu não teria levado. Como é que eu posso esquecer quem me ajudou, quem me abraçou?

    Por isso eu digo que eu posso ter todos os defeitos de todo ser humano, mas um deles eu procuro não ter, que é o pecado da ingratidão. Eu ouço muitas vezes as pessoas dizerem assim: "Gratidão não prescreve". É verdade. Não prescreve, mas, então, se posicione, diga.

    Portanto, Sr. Presidente, deixo clara a minha posição de novo, no dia de hoje. Eu vim aqui para isso.

    Como eu disse, aqui, em abril de 2023: "Eu continuo com o Bolsonaro e, se ele não for candidato, com quem ele apontar", a minha opinião para ele só agora eu revelo, porque eu não poderia revelar antes. Eu disse a ele, eu dei opinião de assuntos que eu considero importantes três vezes para o Presidente, e a última foi esta: "Presidente, eu no seu lugar lançaria um Bolsonaro. É direito seu, o senhor está pagando como ninguém por ter tirado do armário, repito, pela segunda vez, os conservadores do Brasil, a direita do Brasil, sozinho e Deus". A eleição mais diferente de todas do Brasil, chegou à Presidência e levantou um monte de colegas que hoje estão aqui. Quantos ex-Ministros hoje são Senadores da República? A importância dele na minha eleição eu já disse, não é a primeira vez, mas eu vou dizer tantas vezes quantas achar necessárias! Mas quantos?

(Soa a campainha.)

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Marcos Astronauta, nosso querido colega. Com todo o respeito, não se trata aqui de caráter de ninguém! Não estou aqui julgando caráter, mas seria eleito sem o Presidente da República? O meu querido amigo Jorge Seif. O meu queridíssimo amigo, pessoa por quem eu tenho a maior admiração, considero um dos políticos mais preparados do Brasil, Rogerio Marinho! Fez a reforma trabalhista e não se reelegeu Deputado Federal. Foi para o Governo do Presidente Bolsonaro, Bolsonaro lutou por ele – porque ele é assim: ele é transparente, ele é verdadeiro, é isso que o povo sente no Presidente Bolsonaro. Tinha dois Ministros do Rio Grande do Norte. Ele não fez jogo escondido; ele optou por um, pelo Rogerio Marinho, que teve uma campanha difícil, mas que, com certeza absoluta, se não fosse pelo Presidente Bolsonaro, também não estaria aqui. Nós não teríamos aqui, talvez, um dos políticos mais preparados, que é o Rogerio Marinho.

    Jorge Seif confessou a mim.

(Soa a campainha.)

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Quarta-feira, na semana da eleição, ligou para o Presidente Bolsonaro. Era o primeiro turno. Ele disse: "Presidente, o senhor me colocou nessa, e eu estou em quarto lugar". Véspera do primeiro turno, sábado, se taca Bolsonaro para Santa Catarina, faz uma motociata gigantesca. Domingo, a urna abre: Jorge Seif, Senador da República.

    A minha queridíssima – eu tenho um carinho enorme por ela – Tereza, a nossa Ministra, para se eleger, na última vez, Deputada Federal, foi dificílimo – foi dificílimo! Eu conheço a história do Mato Grosso do Sul, só não tanto quanto do Acre. Foi dificílimo, vira Ministra do Presidente Bolsonaro.

    No primeiro ano, o Flávio Bolsonaro me disse: "Marcio, quero te levar com o meu pai para falar esse assunto", que era o assunto da importância de preparar a bancada no Senado. E aí teve a primeira vez uma conversa, não do Senador do...

(Interrupção do som.)

(Soa a campainha.)

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Só mais esse minuto e eu encerro.

    ... com pessoas que comungam com mesmas ideias.

    E, naquela ocasião, eu disse ao Presidente, em 2019, meio do ano, primeiro ano do mandato: "Presidente, não adianta pensarmos, lá na frente, só na sua reeleição. O que nós pensamos e particularmente o que eu quero mudar na Amazônia passam pelo Senado, e o Senado que nós temos não aprova".

    Três meses depois, eu vou a Campo Grande, Mato Grosso do Sul, me encontro com um querido amigo – que vai ser Senador, se Deus permitir –, Reinaldo Azambuja, e ele me pergunta: "Quem esteve aqui foi seu amigo Presidente". "Sim, e aí, Reinaldo?". "Ele me perguntou se eu não apoiaria a Tereza" – em 2019, Presidente Confúcio! E eu perguntei a ele: "O que foi que você disse?". "Eu apoio a Tereza, sua candidata, se você me ajudar a fazer meu sucessor, porque eu vou ficar até o final do segundo mandato e me importa mais fazer o sucessor". Hoje, Tereza, de 2022, é a Senadora mais bem votada...

(Soa a campainha.)

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – ... proporcionalmente de todos aqueles de 2022. Ele trabalhou por isso.

    Portanto, Sr. Presidente, eu lembro – para terminar mesmo – como inauguramos a ponte do Madeira, ponte que também tem a ver... Aliás, é no Estado de Rondônia. Embora seja muito mais importante para nós acrianos, ela é no querido estado vizinho, nosso Estado de Rondônia.

    Na volta, estava o hoje Governador de São Paulo, Tarcísio – Ministro à época –, Bolsonaro, eu e mais alguém que eu não lembro. Estava muito recente a decisão de Bolsonaro de lançá-lo para Governador. E, naquele momento, o assunto veio, e eu me lembro da expressão um tanto assustada do Ministro Tarcísio diante dessa "loucura", entre aspas, de um Presidente que escolhe um Ministro carioca, técnico, que nunca tinha sido candidato a nada...

(Soa a campainha.)

    O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – ... a Governador do maior estado, economicamente, do Brasil. E o que ele é hoje? Governador do maior estado do Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista populacional.

    Eu termino por onde comecei, Sr. Presidente. Respeito o Governador Tarcísio, mas o meu Líder chama-se Jair Messias Bolsonaro.

    Eu espero que haja, por enquanto, em algumas pessoas, um silêncio combinado, porque, se não for combinado e ele persistir, vai ser uma grande vergonha ver pessoas que devem o seu mandato ao Presidente Jair Messias Bolsonaro usarem da ingratidão.

    Eu termino dizendo de novo: a ingratidão é a porta da traição.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/12/2025 - Página 64