Presidência durante a 193ª Sessão Especial, no Senado Federal

Encerramento de Sessão Especial destinada a promover o lançamento do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, produzido pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). Crítica a uma suposta "criminalização" do meio empresarial no Brasil. Diagnóstico da crise educacional na base, apontando falhas na alfabetização infantil e no ensino médio como obstáculos ao ensino superior. Comentários sobre o subfinanciamento nas áreas de Ciência e Tecnologia.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Presidência
Resumo por assunto
Educação Superior, Homenagem:
  • Encerramento de Sessão Especial destinada a promover o lançamento do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, produzido pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). Crítica a uma suposta "criminalização" do meio empresarial no Brasil. Diagnóstico da crise educacional na base, apontando falhas na alfabetização infantil e no ensino médio como obstáculos ao ensino superior. Comentários sobre o subfinanciamento nas áreas de Ciência e Tecnologia.
Publicação
Publicação no DSF de 13/12/2025 - Página 27
Assuntos
Política Social > Educação > Educação Superior
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • ENCERRAMENTO, SESSÃO ESPECIAL, MES, DEZEMBRO, CELEBRAÇÃO, LANÇAMENTO, INDICE, AVALIAÇÃO, INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL, ESTABELECIMENTO DE ENSINO, ENSINO SUPERIOR, CORRELAÇÃO, EMPREENDEDORISMO, AMBITO, CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA, EMPRESA, REPRESENTAÇÃO, ALUNO, UNIVERSIDADE, INOVAÇÃO.
  • NECESSIDADE, APOIO, EMPREENDEDORISMO, EMPRESARIO, PEQUENA EMPRESA, MICROEMPRESA.
  • CRITICA, ENSINO MEDIO, EDUCAÇÃO BASICA, EDUCAÇÃO INFANTIL, DEFICIENCIA, MATEMATICA, PORTUGUES.
  • CRITICA, AUSENCIA, FINANCIAMENTO, CIENCIA E TECNOLOGIA.

    O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Bem, primeiro eu quero dizer da minha alegria de estar presidindo esta sessão solene, cumprimentar e parabenizar o Senador Jayme Campos pela iniciativa, que depois foi apoiada aqui, por unanimidade, pelos Senadores.

    Eu tive a oportunidade, aqui no DF, de ser Secretário de Ciência e Tecnologia durante dois mandatos. E quero dizer para vocês: gente, quem não gosta de política vai ser governado por quem gosta. É muito comum as pessoas: "Ah, não querem saber de política, não querem saber disso e tal". Alguém vai decidir por você, depois não adianta reclamar.

    Se o Brasil está desse jeito, grande parte se deve às escolhas, porque quem escolhe os seus representantes – seja no Legislativo, seja no Executivo – é o eleitor. Então, se ele não valoriza o voto, as consequências são graves. Eu digo sempre: voto não tem preço, tem consequência.

    Então, fico muito feliz de vocês, jovens empreendedores... que são guerreiros, porque no Brasil há uma criminalização do meio empresarial. É incrível como as pessoas não reconhecem, não valorizam o empreendedorismo, as empresas, o risco que correm – pegam todas as economias para montar um negócio e, muitas vezes, não dá certo. Então, a gente precisa realmente participar mais. Vocês que estão nessa área de empreendedorismo, empresários, precisam realmente participar mais. Hoje, qualquer pequena empresa, média empresa, se não for bem gerenciada, ela quebra.

    Agora, para eleger um Prefeito que vai administrar uma cidade, a gente vota de qualquer jeito, em qualquer um, muitas vezes em troca de uma cesta básica ou em troca de um medicamento, pagamento de uma conta de luz. E aí você pega a educação infantil, a primeira infância, que é competência dos municípios, e de que os Prefeitos não têm a mínima noção, e a gente não tem hoje, por exemplo, uma alfabetização na idade certa. Depois carregam essa dificuldade pelo ensino fundamental, pelo ensino médio. Hoje, 60% dos jovens do ensino médio saem de lá sem saber matemática, e muitos sem saber português. Essa é a realidade da escola pública.

    Eu não fiz universidade pública, até porque eu trabalhava e não tinha... Aqui na UnB só tinha de manhã na minha época, quando eu era estudante. Então, eu fiz particular, fiz a UDF. E fiz à noite, com bolsa. Estudei meu ensino médio com bolsa, estudei faculdade com bolsa.

    Depois eu criei a Abeduq, que é a Associação Brasileira pela Educação de Qualidade, porque eu entrei na política pela educação. E não tem outra forma de você dar igualdade e oportunidade que não seja através da educação. Criei, lá em 1998, aqui em Brasília, o Cheque Educação – ocupando as vagas ociosas das escolas particulares, universidades, faculdades –, que hoje é o Prouni.

    O Prouni é exatamente aquilo que nós lançamos aqui em 1998. E, para transformar esse projeto numa política pública, eu entrei na política. E aí fui Secretário de Ciência e Tecnologia. Tudo que eu ia fazer, não podia. Porque, na área pública, você só pode fazer o que é permitido. Na área privada, você faz o que você quiser, você só não pode fazer o que é proibido. Então, na Ciência e Tecnologia – o país não valoriza isso; não valoriza inovação, não investe em ciência e tecnologia –, a gente teve muita dificuldade.

    Lançamos aqui o Parque Capital Digital, que é a Cidade Digital, no ano de 2004, praticamente do mesmo jeito que a gente lançou há 20 anos atrás. Por quê? Porque é um parque científico e tecnológico a proposta. Foi com a UnB; fomos para a Coreia, para o Japão, para Taiwan para conhecer os parques tecnológicos. Infelizmente, não andou como a gente gostaria.

    Mas eu ouvi do Presidente aqui uma coisa importante, que eu aprendi aqui no Congresso, e que a gente precisa ouvir mais. Eu aprendi aqui: nada de nós sem nós. É muito comum nesta Casa, e na Câmara, votar em matérias em que a maioria dos Parlamentares não sabe nada sobre aquilo. Não conhecem o mundo real, e votam. Muitos burocratas e tecnocratas é que decidem as coisas, sem conhecer o mundo real.

    Então, eu vim para o Congresso não foi por carreira. Quando eu fui Secretário, eu percebi que eu tinha que mudar muita coisa aqui. Então, por exemplo, coloquei inovação na Constituição – não tinha, fui eu que coloquei. Mudamos toda a legislação de ciência e tecnologia, o marco regulatório. Porque o pesquisador não podia sair da universidade – era dedicação exclusiva –, não podia participar da pesquisa, das patentes. Então a gente mudou essa legislação.

    Depois, faltava dinheiro. Aqui no Brasil, para investir em ciência e tecnologia, é muito difícil. Em 2017, nós conseguimos aprovar uma lei proibindo o Governo de desviar recursos da ciência e tecnologia para outras áreas, que é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e que é uma mixaria: R$20 bilhões por ano – comparado com Estados Unidos, Coreia, Japão, é nada.

    Mas, pelo menos, tem alguma coisa. Então, a gente precisa investir mais. Na minha época, quando eu fui Secretário, eu trouxe educação profissional para ciência e tecnologia. Aqui não tinha nenhum instituto federal. Nós tínhamos três escolas técnicas. Eu, quando fiz meu ensino médio, fiz curso técnico. Naquela época, todos saíam com a profissão, quem não queria ir para a universidade.

    No Brasil, a gente não chegou a 12% ainda de técnicos. No mundo todo, já está em 50, 60% dos jovens que fazem curso técnico. Hoje, apenas 22% dos jovens entram na faculdade, e 78% dos jovens – de cada 100, 78 – não conseguem fazer uma faculdade e não foram qualificados no ensino médio. Aí é a geração nem-nem, que não estuda e não trabalha.

    Hoje se discute muito segurança pública. Não temos como resolver segurança pública se não investirmos em qualificação profissional, em geração de emprego, empreendedorismo. Isso é fundamental.

    Então, eu quero aproveitar esta sessão, porque eu estou vendo aqui jovens, que são ousados... Porque hoje, no Brasil, em qualquer coisa, tem que ser ousado. Em um país que incentiva realmente que as pessoas fiquem sob a tutela do Estado, onde você tem mais Bolsa Família do que carteira assinada ou empreendedor, onde você agora, para segurar o aluno no ensino médio, para ele não abandonar, você cria o Pé-de-Meia... – R$200 por mês, como se isso fosse resolver a questão da educação.

    Educação se resolve com o investimento em infraestrutura e valorização do Professor. Ninguém quer ser mais Professor. Por incrível que pareça, é raro. Se você perguntar hoje nas universidades quem quer ser Professor, só quem realmente tem esse dom ou tradição, porque a valorização não existe.

    As pessoas parecem não lembrar que quem forma o Advogado, o Contador, o Médico são os Professores. Aí você pega uma escola, hoje, pública – e eu estudei em escola pública; na minha época, só entrava na UnB quem estudava em escola pública –, hoje você não tem laboratório de ciências, você não tem internet, você não tem esporte, você não tem cultura, e aí você quer que o menino fique na sala de aula sem nada? Sem tecnologia, sem nada? É difícil. Não é por R$200 que você vai segurar.

    Então, eu convido vocês a pensar, a refletir um pouco sobre isso, e se apresentarem na política. Se não quiserem ser candidatos, pelo menos vamos buscar orientar as pessoas a votarem nas pessoas, a acompanharem o processo, para a gente mudar este país. Porque não tem política de Estado, a gente tem política de Governo: cada Governo que entra acaba com tudo e começa de novo, e acaba principalmente com as coisas que funcionam, para não se lembrarem do anterior.

    Então, a gente precisa mudar isso. Se a gente quiser realmente um país desenvolvido, com justiça social, a gente precisa mudar esse conceito, melhorar a educação – educação e educação.

    Cumprindo, então, a finalidade desta sessão especial aqui do Senado Federal, eu agradeço a cada um de vocês pela presença – aos professores, reitores, alunos aqui –, que a honraram com a sua participação.

    Declaro, então, encerrada esta sessão.

    Muito obrigado. (Palmas.)

(Levanta-se a sessão às 15 horas e 59 minutos.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/12/2025 - Página 27