Discurso durante a 198ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Manifestação contrária à possibilidade de votação extrapauta do Projeto de Lei no. 2234/2022, que dispõe sobre a exploração de jogos e apostas em todo o território nacional. Denúncia de irregularidades reveladas pela CPMI do INSS, com destaque para indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e suposta blindagem institucional envolvendo agentes públicos e pessoas vinculadas ao Governo Federal.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Previdência Social:
  • Manifestação contrária à possibilidade de votação extrapauta do Projeto de Lei no. 2234/2022, que dispõe sobre a exploração de jogos e apostas em todo o território nacional. Denúncia de irregularidades reveladas pela CPMI do INSS, com destaque para indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e suposta blindagem institucional envolvendo agentes públicos e pessoas vinculadas ao Governo Federal.
Publicação
Publicação no DSF de 18/12/2025 - Página 31
Assunto
Política Social > Previdência Social
Indexação
  • CRITICA, POSSIBILIDADE, COLOCAÇÃO, PAUTA, VOTAÇÃO, PROJETO DE LEI, AUTORIZAÇÃO, FUNCIONAMENTO, BINGO, CASA DE APOSTA ESPORTIVA, CASSINO, CONSEQUENCIA, PREJUIZO, POPULAÇÃO CARENTE.
  • COMENTARIO, DIVULGAÇÃO, INFORMAÇÃO, IMPRENSA, POLICIA FEDERAL, SUSPEIÇÃO, PARTICIPAÇÃO, FILHO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, RECEBIMENTO, MESADA, PARTICIPANTE, DESVIO, RECURSOS, PENSIONISTA, APOSENTADO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
  • COMENTARIO, SUSPEIÇÃO, PARTICIPAÇÃO, FILHO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, TRAFICO DE INFLUENCIA, MINISTERIO DA SAUDE (MS), FAVORECIMENTO, EMPRESA INTERNACIONAL, UTILIZAÇÃO, PRODUTO FARMACEUTICO, PROCEDENCIA, MACONHA.
  • CRITICA, ATUAÇÃO, DIAS TOFFOLI, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), UTILIZAÇÃO, FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO, IMPOSIÇÃO, SIGILO, INVESTIGAÇÃO, FALENCIA, BANCO PRIVADO.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Meu querido irmão, Senador Paulo Paim, ainda bem que o senhor está sentado, porque eu vou lhe dar uma notícia que vai lhe fazer… Está levantando? Levantou? Ih, rapaz, então é melhor o senhor se sentar, porque eu vou lhe dar uma notícia aqui... Eu sei que o senhor é preocupado com as pessoas mais pobres deste país e, como a gente diz no Nordeste, além da queda, o coice. Isso pode acontecer hoje no Plenário do Senado Federal.

    Eu não acredito que o Presidente Davi Alcolumbre vai descumprir algo que ele inclusive falou para mim, embora outros colegas estejam dizendo que nós vamos ter esta surpresa negativa no apagar das luzes, antes do recesso, que é votar, depois de todo o escândalo de bets e apostas que a gente está tendo, Senador Paulo Paim e Senador Chico Rodrigues, que também já se manifestou sobre esse caso, bingo e cassino, liberação de bingo e de cassino hoje, sem debate, no apagar das luzes, extrapauta, porque nem na pauta está. Eu não acredito e espero que o bom senso prevaleça.

    O Senador Davi Alcolumbre me disse aqui, na presença até de outros colegas, quando eu perguntei: "Mas semana que vem..." – que é esta semana, quando ele comunicou que iria declarar que seria uma semana semipresencial, ou seja, remota, sem todos os Senadores na Casa, aí eu perguntei: "Mas não vai ter nada polêmico, não?". Ele disse: "Não, só o que já está previsto", que é o que estava sendo discutido, zero de cassino e bingo.

    Então, eu não espero que o povo brasileiro tenha esse presente de grego para acabar definitivamente com a situação financeira do brasileiro mais pobre, porque a gente sabe quem vai pagar essa conta, que já está pagando das apostas esportivas, das bets... E aí, cassino e bingo, dinheiro saindo de novo do setor produtivo e indo para os magnatas, porque esse projeto tem as digitais de um grupo da Espanha. Aí é brincadeira, Senador Marcos Rogério! Eu acredito que o bom senso vai prevalecer e que essa matéria não virá extrapauta, porque é um golpe contra os brasileiros, no momento de maior dificuldade que o país enfrenta, financeira e moral.

    Mas, Sr. Presidente, eu vim falar aqui também dos dados revelados ontem pela imprensa brasileira de mais um escândalo da série de escândalos da CPMI do INSS, que está desvendando aí essa roubalheira também dos mais pobres, dos órfãos, viúvas, aposentados, pensionistas do Brasil. Bilhões e bilhões, com poderosos envolvidos, chegando em peixe graúdo, inclusive com jatinhos de Ministro, andando... Telefones, achando, inclusive, de traficante, do crime organizado. Mas, mesmo a tropa de choque do Governo Lula, que vem blindando, de todas as formas possíveis, as apurações envolvendo pessoas ligadas ao regime, vamos dizer, em que a gente vive hoje – STF e Lula –, nós chegamos ao ponto, na Comissão – não com as minhas digitais, porque eu voto para transparência total, quebrar sigilo, chamar quem tiver que ser chamado... Chegaram ao ponto, essa tropa de choque do Governo Lula, de impedir até a requisição de documentos da Latam sobre a viagem do Careca do INSS, do famoso Careca, que o Senado decretou um sigilo de cem anos para você, brasileiro, não saber onde ele andou aqui dentro desta Casa.

    Não adiantou tanta obstrução. Sabe por quê? Porque agora a informação foi fornecida pela Polícia Federal. No voo da Latam JJ-8148, de Guarulhos para Lisboa, no dia 8 de novembro, Lulinha ocupou a poltrona 3A da primeira classe, e o Careca do INSS ocupou a poltrona 6J, também da primeira classe, a um custo em torno de R$20 mil.

    Essas informações foram possíveis pelo depoimento de Edson Claro, que durou mais de 70 horas, à Polícia Federal do Brasil, gerando mais de mil páginas de documentos, provando aí, dando indícios das falcatruas do Careca do INSS, um dos campeões, peça-chave desse esquema cruel. Ele é uma peça, repito, basilar dessa roubalheira de aposentados e pensionistas no Brasil.

    Edson Claro era funcionário de confiança do Careca, mas, depois do seu rompimento, chegou até a ser ameaçado de morte, porque sabia demais e certamente era portador de muitas provas materiais. Em seu depoimento, relatou muitas operações de lavagem de dinheiro envolvendo a criação de empresas no exterior; uma delas – atenção! –, outro lobby que funciona forte aqui dentro do Congresso Nacional, o lobby da World Cannabis, com o objetivo de comercializar produtos à base da maconha.

    Essa é uma das empresas em que há fortes indícios da possibilidade de Lulinha atuar como sócio oculto, de forma a facilitar a movimentação junto ao Ministério da Saúde, aproveitando o tráfico de influência. Aquela lorota de que existe Cannabis medicinal, maconha medicinal... Não existe isso! Das 500 moléculas da maconha, da planta, uma apenas, trabalhada em laboratório, pode gerar um remédio que não vai viciar, que é o CBD. E não precisa plantar maconha para isso. Isso é lorota de quem está querendo fazer outra coisa e faturar com as desgraças dos brasileiros. Inclusive, eu tenho um projeto de lei para dar, gratuitamente pelo SUS, esse remédio àquelas crianças, adolescentes que precisam desse medicamento porque têm problemas de epilepsia refratária. Então, o objetivo é um cavalo de troia para fazerem o que eles querem, que é a maconha fumada, que é ganhar dinheiro com a desgraça, repito, do nosso povo.

    Sr. Presidente, o que precisa ser urgentemente esclarecido é por que Lulinha, o filho do Presidente Lula, está morando em Madri desde quando esse escândalo explodiu. Por que ele foi para Madri e continua lá, não voltou? E, mais importante ainda, é descobrir as consequências do pagamento, pelo Careca do INSS, de uma mesada para ele – revelada lá nesse documento, nesse depoimento do Edson Claro –, de uma mesada que seria de R$300 mil por mês ao filho do atual Presidente da República.

    Não podemos esquecer que estourou outro escândalo monumental, envolvendo o Banco Master, cujo rombo pode ultrapassar R$40 bi – "b" de bola, "i" de índio –, R$40 bilhões, e que está sendo blindado, por enquanto, pelo STF; e também aqui, porque eu tenho um pedido de CPI, aqui nesta Casa, há três semanas, que não foi ainda numerado e lido para que a gente possa buscar a verdade sobre isso, que também envolve gente muito poderosa. Importante a população saber. E não há nada que se esconda eternamente!

    Então, o Ministro Dias Toffoli – e eu já denunciei aqui, nesta tribuna – centralizou o processo usando o vergonhoso foro privilegiado como desculpa – que na realidade é o foro da impunidade, a trava do mecanismo – e ele também decretou o sigilo máximo. O interessante de tudo isso, Sr. Presidente, é que aconteceu exatamente essa decretação do sigilo, por parte do Ministro Toffoli, depois que ele foi ao jogo.

    Inclusive, agora, estamos tendo a final do Mundial de Clubes, mas, na semana passada, retrasada, tivemos a final da Libertadores, e o Toffoli foi assistir, de jatinho particular, junto com o advogado de quem? Do Banco Master. E depois do jogo, no dia seguinte, ele decreta o sigilo máximo. Perdeu-se o pudor por completo. Algo está muito errado na nossa República.

    E aí, Sr. Presidente, sem contar as viagens suspeitas, em jatinhos particulares, envolvendo até o chamado Beto Louco, investigado pela Polícia Federal em função do envolvimento com operações de lavagem de dinheiro para o PCC.

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Olha, Sr. Presidente, são muitos indícios fortes de que tudo está conectado. É muita sujeira que já não cabe mais debaixo do tapete.

    Chega de sigilo, chega de segredismo, chega de blindagem! Mais do que nunca, é fundamental a CPI, a instalação da CPI do Banco Master, que já conta com o apoio de 34 Senadores da República.

    Por isso, Presidente, defendo a suspensão, diante de tanta necessidade de apurarmos – CPMI do INSS, com esses dados que estão chegando; CPI do Banco Master... Eu defendo aqui, perante o povo brasileiro e perante meus colegas, a suspensão do recesso parlamentar, que começa na próxima sexta-feira, para não apenas darmos sequência a essa CPMI do INSS, mas também darmos início urgente à CPI do Banco Master.

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – É um dever que esta Casa tem.

    Claro que, de todos nós, existe o cansaço mental e físico, do ano difícil, mas temos uma emergência nacional. Por isso, defendo a suspensão desse recesso, porque é um caso muito atípico o que está acontecendo. É o mínimo que a Casa revisora da República pode fazer, em nome da grande maioria do povo brasileiro, que é trabalhador, que é honesto e paga tanto imposto.

    Eu encerro, Sr. Presidente, com um pensamento a nós deixado, há quase cem anos, pelo escritor George Orwell. Se o senhor me permite mais um minuto, eu complemento o meu discurso.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.

    Olha só o que George falou?

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – "Se liberdade significa alguma coisa, será, sobretudo, o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir", mas precisam ouvir. É mais ou menos o que se pode fazer com a CPI justa, ou CPMI, como é o caso do INSS e do Banco Master.

    Que Deus, Sr. Presidente, abençoe a nossa nação e que tenhamos uma tarde sem surpresas negativas. O povo brasileiro não merece manobras, não merece que esta Casa jogue sujo com ele na véspera do Natal. O povo já está muito sofrido.

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Espero, sinceramente, que esses rumores de que viria para cá, numa extrapauta, a liberação de bingo, cassino e jogo do bicho no Brasil sejam uma fake news daquelas, porque isso é o fim da picada e seria a derradeira desmoralização desta Casa, mostrando que o interesse dela, definitivamente, não é com o povo brasileiro, é com interesse de magnata, porque não gera emprego, não gera renda, gera endividamento em massa, tira dinheiro da economia produtiva e leva para os magnatas, gera suicídio – é tudo de ruim que você possa imaginar.

    Que Deus dê juízo a cada um de nós, Senadores, mas principalmente ao Presidente, que nem cogite colocar uma sandice dessas na pauta da última sessão deliberativa do ano.

    Muito obrigado pela sua benevolência, Presidente. Que Deus abençoe o senhor!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/12/2025 - Página 31