Pronunciamento de Veneziano Vital do Rêgo em 24/02/2026
Discurso durante a 3ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão Especial destinada à entrega da Comenda Ceci Cunha. Resgate da trajetória da homenageada, Nilda Gondim, descrevendo os desafios de uma mulher que teve sua formação educacional interrompida pelo conservadorismo da época, mas que assumiu a liderança da família em períodos de exceção política.
- Autor
- Veneziano Vital do Rêgo (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/PB)
- Nome completo: Veneziano Vital do Rêgo Segundo Neto
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Mulheres:
- Sessão Especial destinada à entrega da Comenda Ceci Cunha. Resgate da trajetória da homenageada, Nilda Gondim, descrevendo os desafios de uma mulher que teve sua formação educacional interrompida pelo conservadorismo da época, mas que assumiu a liderança da família em períodos de exceção política.
- Publicação
- Publicação no DSF de 25/02/2026 - Página 22
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Proteção Social > Mulheres
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, ENTREGA, Comenda Ceci Cunha, HOMENAGEM, MULHER, DESTAQUE, EXERCICIO, ATIVIDADE, EXECUTIVO, LEGISLATIVO.
- HOMENAGEM, NILDA GONDIM, SENADOR, MULHER.
O SR. VENEZIANO VITAL DO RÊGO (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB. Para discursar.) – Minhas senhoras, meus senhores – hoje, mais minhas senhoras! –, os nossos cumprimentos.
Bom dia a todos os presentes nesta data particularmente especial sob vários aspectos.
Eu devo iniciar e haverei de me conter – aos que me conhecem, sabedores que nós gostamos, às vezes, de ultrapassar os limites nos pronunciamentos com o tempo a mais –, minha querida Senadora Damares.
E o momento ensejaria: as homenageadas, por todos os seus respectivos históricos, sugeririam que cada um daqueles e daquelas que tiveram a oportunidade de sugerir ao conselho essa homenagem... Nós poderíamos aqui nos ater a mais minutos, pela condição especial, do que aqueles que efetivamente nos são permitidos. Portanto, falarei menos neste instante.
Quero abraçar carinhosamente a nossa Presidente, Dra. Eudócia, e dizer o quanto nos honra poder tê-la na condição de integrante do nosso Parlamento e neste momento presidindo-nos. Quero saudá-la. A senhora sabe do meu carinho, do nosso afeto, o afeto coletivo, por tudo aquilo que, nesses últimos meses, tem nos propiciado, com uma presença marcante feminina, competente e feminina, nas atribuições e missões que lhe são reservadas em Plenário, em Comissões e fora do nosso universo legislativo.
Quero abraçar carinhosamente o nosso Presidente Humberto Martins. Seja muito bem-vindo. Ao seu lado, quero saudar a minha querida Ministra Marluce Caldas. Seja muito bem-vinda. Mais uma vez nos sentimos lisonjeados por termos participado de um momento incomum na sua vida, que foi o reconhecimento a uma extraordinária profissional do Direito, uma extraordinária magistrada, que, em poucos meses assim, já demonstra aquilo que bem sabíamos quando tivemos a oportunidade de recepcioná-la e de sabatiná-la.
Quero abraçar aqui a minha estimada Senadora Damares, particularmente o fiz já por diversas vezes, e faço publicamente – não há razões para que nós escondamos, disse isso ao Ministro Vital Filho, filho da nossa agraciada D. Nilda –, a sua presença carinhosa junto à Dra. Eudócia, junto à Senadora Leila, para que, naquele momento de definições, pudesse acolher a sua colega Senadora Nilda, que por dois anos aqui esteve. E foi dessa forma que a senhora, que Leila, que a Senadora Eudócia diziam: "Olha, nós temos que resolver esse imbróglio, porque, afinal de contas, essas sugestões são tão caras, elas transbordam nos seus merecimentos, que nós vamos levar ao Presidente Davi Alcolumbre a necessidade para que tenhamos as oito indicadas pelos integrantes do conselho". E assim se deu e, em razão disso, estamos aqui a abraçá-las, a cada uma das queridas e justificadas homenagens feitas pelo conselho.
Quero saudar o Ministro Vital do Rêgo Filho, que igualmente, como eu e como a nossa irmã que não pôde vir em razão de superveniente fato que não lhe permitia à saúde poder se deslocar da nossa capital para cá, mas deve estar a nos assistir e evidentemente não poderia deixar de ser citada, porque ela é daquela que, quando não é mencionada, puxa o meu cabelo, puxa a orelha de Vitalzinho, minha amada irmã Rachel Gondim Vital do Rêgo... Ela, eu e Vitalzinho temos um orgulho extraordinário de poder ter como mãe Ozanilda Gondim Vital do Rêgo. Quero também cumprimentar os meus outros familiares, Vilauba, minha sobrinha Sara.
Quero abraçar o querido Senador Rodrigo Cunha. A você, meu irmão, a senhora sua irmã, Adriana, digo que sei o quanto há de significado, sei o quanto a instituição da Comenda Ceci Cunha toca profundamente os vossos corações. Não é fácil.
Ninguém aqui, em sã consciência, pode dizer e dimensionar o que foi o ato em si, absurdo e abjeto, que não apenas alcançou a toda Alagoas, mas a todo o país, e o pós-ato que também se abateu sobre a realidade de vossas vidas.
Por mais que nós tentemos nos aproximar, por mais que nós tentemos dimensionar os anos que se seguiram àquele momento, Adriana e Rodrigo, não somos capazes absolutamente. Apenas nós temos que parabenizá-los e dizer o quanto vocês foram grandes a chegarem no dia de hoje honrando a história de vossa mãe. Vocês merecem os nossos aplausos, os nossos reconhecimentos. (Palmas.)
E quero dizer da minha grande satisfação de poder abraçar cada uma das oito.
Evidentemente, a felicíssima lembrança da nossa Senadora Damares, a nossa primeira Senadora... Imaginem, do Brasil Monárquico ao Brasil República, nós só viemos ter, com direito a assento neste Plenário, no ano de 1979. Imaginem a falta de quaisquer razões. É como se, durante todo esse interregno, como se em todo esse curso temporal não existissem sobejamente mulheres capazes e reconhecidas nos vários estados brasileiros a poderem estar aqui, a poderem assumir as suas missões em assembleias na nossa Câmara Federal, em câmaras legislativas, municipais ou à frente de chefias de executivos.
E é dessa forma que, saudando a nossa primeira Senadora, nós queremos também saudar a Dra. Célia Rocha, mencionada aqui com todos os motivos e razões. (Palmas.)
A Senadora Eunice, a Dra. Leany Lemos, a Sra. Linamara Rizzo Battistella, a Sra. Prefeita – e me recordo muito bem que, em Fortaleza, me recordo, por força de meu avô, integrante do Banco do Nordeste do Brasil, nós acompanhávamos a passagem, naquele período, da primeira Prefeita da capital cearense – Maria Luiza Fontenele –, cumprimentar a Sra. Sheila Carvalho e, por fim, saudar a minha mãe, Senadora Nilda Gondim.
E aí a gente faz, evidentemente, por mais que tentemos separar aquilo que nos invade emocionalmente na condição de filho, aquilo que nos é pertinente dizer da grande honra de poder ter tido, durante essa nossa existência, minha mãe, como também nosso pai, in memoriam, Vital do Rêgo, mas a gente faz essa homenagem e eu quero dizer às senhoras e aos senhores que, objetivamente, Senadora Damares e Senadora Eudócia, nós poderíamos aqui fazer as menções que são emotivas, dizer da alegria de poder ter tido minha mãe, que, por força daqueles conservadorismos de outrora, não pôde, logo em seguida ao seu matrimônio celebrado, não pôde concluir a sua formação educacional. E aí eu não estou fazendo a queixa à memória do meu pai, mas o ambiente conservador de então, que às vezes se estende até as realidades dos dias atuais, fizeram-no dizer: "Nilda, você tem que cuidar dos nossos filhos e, portanto, não haverá tempo para concluir os seus estudos".
Isso para ela deve ter sido muito doloroso, mas a condição materna de criar três filhos num período muito delicado, que foi também o período que nós tivemos e nos ressentimos, o período da exceção – meu avô e meu pai foram cassados no regime da década de 60 –, isso trouxe, sobre os ombros de minha mãe, uma responsabilidade gigantesca que ela abraçou, que ela acolheu e em que ela demonstrou todo o seu amor e toda a sua competência materna.
E, depois disso, vindo a nos acompanhar, sempre lado a lado, acompanhar o marido, profissional da advocacia, acompanhar o marido da vida pública, Parlamentar federal, Parlamentar estadual que foi, depois, como se não fosse suficiente, quando tanto eu quanto o meu irmão resolvemos participar dessa experiência política, lá estava a D. Nilda também a fazê-lo e, em nenhum dos instantes da nossa existência, faltou-nos o carinho, o afeto, o afago, a presença materna. Mas ela foi chamada – literalmente chamada – a participar da vida pública e assim o fez, e o fez com grandes brilhantismos. Não exagero, aqui poderia fazê-lo na condição filial, mas objetivamente quem acompanhou a passagem por quatro anos como Deputada Federal e depois chamada, num momento único de tristeza nossa, quando nos despedimos do Senador José Maranhão, em razão do fatídico período da covid, D. Nilda aqui esteve, e para muitos, sim, mas para a grande maioria, mais uma vez, ela pôde se portar como uma mulher que serviria, como assim serviu, combativa, nas Comissões, chamada à apresentação e produção legislativa de forma particularmente incomum.
Então, mainha, você é, de fato, um orgulho para todos nós. Quando a Senadora Damares, que se escondeu porque quis e quando nós nos encontrávamos no aeroporto, ela dizia: "Vené, vim passar dez dias nessa amada capital". Eu disse: "Eu fiquei triste, era melhor que eu não soubesse que a senhora teria vindo, porque dizendo que veio e não nos chamou a recepcioná-la...". Mas foi dessa forma como nós estivemos juntos e ela dizia: "Com muita alegria, Vené, nós vamos prestar homenagem à sua mãe não pela condição tão somente de ser ela sua mãe, a mãe do Senador e hoje Ministro Vitalzinho, mas por aquilo que ela produziu, por aquilo que ela deixou".
Imaginemos nós, para encerrar, Dra. Eudócia, no seu pronunciamento, trazido neste pequeno livreto, todos os dados que são alarmantes. E, observem, a Bancada Feminina do Senado, nesses sete anos e dois meses, e aqui estou desde 2019, façamos a devida justiça, produziu de forma repetidamente e respeitosamente em comum, Senador Rodrigo Cunha. Nós aqui votamos matérias de suma importância quando tratávamos sobre a pauta feminina e, mesmo assim, ainda estamos diante de gigantescos desafios. Não foram apenas os fatos, meu Ministro Humberto Martins, minha querida Ministra, não foram as medidas adotadas assertivamente, que o Parlamento Brasileiro assim o fez, quando decidiu aumentar, endurecer as penas suficientes para que nós tivéssemos, nesses quatro ou cinco anos, diminuições desses terríveis e assombrosos percentuais de violência contra a mulher. O que significa que nós precisamos tomar ainda mais outras atitudes, e uma destas é ter como inspiradora nesta manhã a inspiração de mulheres que se fizeram presentes e que estão presentes, sim, na memória da nossa Deputada Ceci Cunha, para que outras tantas se encorajem para conosco, homens, fazer com que haja o respeito à dignidade humana, independentemente do gênero.
Então, parabéns ao Senador Magno Malta, como autor, instituindo a Comenda Ceci Cunha! Parabéns ao Senador Rodrigo, meu Prefeito Rodrigo Cunha, à senhora sua irmã, pela mãe que teve, ostentando toda uma passagem que foi dramaticamente tolhida, assombrosamente tolhida pela infâmia de poucos que não admitiam o crescer, o aparecer, a presença fulgurante de uma Parlamentar que já se fazia realidade para o seu Estado de Alagoas e das demais outras integrantes da nossa Bancada Feminina e do conselho.
Mainha, um beijo! Parabéns! Ainda há tempo para que você continue a participar, não é?
Um abraço a todos! Bom dia. (Palmas.)