Pronunciamento de Humberto Costa em 25/02/2026
Discurso durante a 5ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Elogio às ações e políticas públicas implementadas e retomadas no terceiro mandato do Presidente Lula. Defesa do fim da escala 6x1, sem redução salarial, como mecanismo de compatibilização entre desenvolvimento e dignidade nas relações de trabalho.
- Autor
- Humberto Costa (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
- Nome completo: Humberto Sérgio Costa Lima
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Economia e Desenvolvimento,
Habitação,
Jornada de Trabalho,
Saúde,
Tributos:
- Elogio às ações e políticas públicas implementadas e retomadas no terceiro mandato do Presidente Lula. Defesa do fim da escala 6x1, sem redução salarial, como mecanismo de compatibilização entre desenvolvimento e dignidade nas relações de trabalho.
- Publicação
- Publicação no DSF de 26/02/2026 - Página 23
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento
- Política Social > Habitação
- Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
- Política Social > Saúde
- Economia e Desenvolvimento > Tributos
- Indexação
-
- DEFESA, GESTÃO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, DESTAQUE, POLITICAS PUBLICAS, CRESCIMENTO ECONOMICO, JUSTIÇA, MATERIA TRIBUTARIA, REGISTRO, IMPORTANCIA, MODERNIZAÇÃO, RELAÇÃO DE EMPREGO, EXTINÇÃO, ESCALA, ATUALIDADE, AUSENCIA, REDUÇÃO, SALARIO, OBJETIVO, PROMOÇÃO, SAUDE, PRODUTIVIDADE, DESENVOLVIMENTO, JUSTIÇA SOCIAL, COMENTARIO, EDUCAÇÃO, Programa Pé de Meia, AMPLIAÇÃO, UNIVERSIDADE, INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIENCIA E TECNOLOGIA, PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS (PROUNI), OBSERVAÇÃO, HABITAÇÃO, PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA (PMCMV), EXPOSIÇÃO, FARMACIA POPULAR, PROGRAMA MAIS MEDICOS, SERVIÇO DE ATENDIMENTO MOVEL DE URGENCIA (SAMU), Programa Agora Tem Especialistas.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para discursar.) – Obrigado, Senador Girão.
Sr. Presidente, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, público que nos acompanha pelos serviços de comunicação do Senado e pelas redes sociais, eu inicio esta fala com a convicção serena de quem acompanha de perto os rumos do país: o terceiro mandato do Presidente Lula, sem dúvida, é o mais maduro, o mais eficiente e o mais transformador entre todos os governos liderados pelo PT e por outras forças políticas do nosso país. É um governo que aprendeu com a própria história, que superou o golpe institucional imposto ao segundo mandato da Presidenta Dilma e teve a grandeza de reconstruir o Brasil depois do desmonte promovido pelo ex-Presidente Jair Bolsonaro.
Em pouco mais de três anos, o Presidente Lula não apenas retomou políticas públicas como também recolocou o povo brasileiro no centro do Orçamento. O Brasil voltou a crescer, voltou a gerar empregos formais, voltou a ter credibilidade internacional e voltou a planejar seu desenvolvimento. Nunca, em tão curto espaço de tempo, tantos direitos foram restabelecidos e tantos programas estruturantes foram reerguidos com tamanha consistência.
Na saúde, reconstituímos o Farmácia Popular, o Brasil Sorridente, o Mais Médicos, o Samu e lançamos o Agora Tem Especialistas, enfrentando um dos maiores gargalos do SUS: o acesso a consultas e procedimentos especializados.
Na educação, criamos o Pé-de-Meia para combater a evasão escolar, ampliamos universidades e institutos federais e reforçamos o Prouni.
Na habitação, retomamos o Minha Casa, Minha Vida como política permanente de dignidade.
Estamos falando de políticas que mudam a vida concreta das pessoas que conseguem atendimento, que permanecem na escola; das famílias que recebem a chave da casa própria.
Também avançamos na justiça tributária. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil representa mais dinheiro no bolso do trabalhador e menos peso no orçamento. É o Estado deixando de apenar quem vive do próprio esforço e começando a corrigir distorções históricas.
E este Governo não se acomoda com o que já fez. Há um novo desafio que se impõe e que precisa ser tratado com coragem política: o fim da escala 6x1, sem redução salarial.
Estamos falando de milhões de trabalhadoras e trabalhadores submetidos a uma rotina de exaustão, que acordam antes de o Sol nascer, enfrentam transporte lotado, passam o dia inteiro sob pressão, retornam para casa tarde da noite e, quando finalmente têm um dia de folga, usam esse tempo para resolver pendências acumuladas do dia a dia.
O lazer desaparece. O convívio familiar se reduz. E o retorno ao trabalho chega antes mesmo que o corpo tenha se recuperado. Não se trata apenas de uma questão trabalhista, é uma questão de saúde pública, de dignidade humana e de desenvolvimento nacional.
O Presidente Lula sempre afirmou que crescimento econômico e justiça social caminham juntos. E é exatamente isso que está em debate. Modernizar a jornada de trabalho não é, nem de longe, hostilizar o setor produtivo; é fortalecer a produtividade com base em condições humanas mais equilibradas. Países e empresas que reorganizaram suas jornadas perceberam que trabalhadores menos exaustos produzem mais, adoecem menos e permanecem mais tempo nos empregos. A racionalidade econômica aponta na mesma direção da justiça social.
Não me surpreende que setores da extrema direita insistam em defender um modelo ultrapassado, que privilegia a superexploração da mão de obra em nome de uma falsa ideia de competitividade, mas a história demonstra que as grandes conquistas trabalhistas sempre enfrentaram resistência inicial antes de se consolidarem como avanços civilizatórios.
E é importante aqui esclarecer uma coisa: defender a modernização das jornadas de trabalho não é ser contra o empreendedor, contra os empresários ou contra a economia. O fim da escala 6x1 não é uma aventura, não é radicalismo, não é uma invenção brasileira. Trata-se de uma transformação que já vem sendo debatida e experimentada por diversos países.
O mundo está repensando o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. O Brasil, sob a liderança do Presidente Lula, não pode ficar preso ao passado. Temos a oportunidade histórica de liderar uma nova etapa da modernização das relações de trabalho, compatibilizando desenvolvimento, inovação e dignidade.
O ano de 2026 será decisivo não apenas porque o povo brasileiro poderá reafirmar, pela força do voto popular, o projeto de reconstrução nacional liderado pelo Presidente Lula, mas porque poderemos consolidar um novo pacto social no qual crescer signifique também distribuir, produzir; signifique também cuidar e trabalhar; signifique viver.
O fim da escala 6x1 é mais do que uma pauta trabalhista. Por mais que as elites deste país, as entidades empresariais e a grande mídia tentem divulgar leviandades, mentiras, fake news, dizendo, por exemplo, por intermédio dos editoriais dos grandes jornais brasileiros, que o brasileiro trabalha pouco. Nada mais falso, nada mais mentiroso. Acompanhemos a jornada de trabalho...
(Soa a campainha.)
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... de países desenvolvidos, avançados e vamos identificar que nesses países, há muito tempo, a jornada de trabalho é menor do que aquela que temos aqui no Brasil.
Além disso, é muito comum nós ouvirmos que o brasileiro trabalha pouco, reproduzindo um pouco aquela visão da elite escravagista – e depois da elite que remanesceu ao escravagismo – de que o brasileiro é preguiçoso. Longe disso, nós somos um povo que trabalha demais, que vive em meio a uma enorme desigualdade, que recebe pouco pelo trabalho que realiza, e, como tal, nós adotarmos a jornada de trabalho que derrube a jornada 6x1 é sem dúvida...
(Soa a campainha.)
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... um símbolo do Brasil que nós estamos construindo: um país que valoriza, que acorda cedo, que move a economia, que sustenta suas famílias. Um país que entende que descanso não é privilégio, é investimento em eficiência, saúde e futuro.
Muito obrigado, Sr. Presidente.