Pronunciamento de Confúcio Moura em 02/03/2026
Discurso durante a 6ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Reflexão sobre os ciclos das civilizações, os conflitos internacionais e a liderança das potências mundiais na história, com destaque ao período contemporâneo e à atuação dos Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump.
Crítica à violência no Brasil e à contraditória percepção de país pacífico.
Defesa do fortalecimento das instituições e da educação como resposta à descrença social, ao populismo e aos impactos das novas tecnologias sobre a juventude.
- Autor
- Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
- Nome completo: Confúcio Aires Moura
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Assuntos Internacionais:
- Reflexão sobre os ciclos das civilizações, os conflitos internacionais e a liderança das potências mundiais na história, com destaque ao período contemporâneo e à atuação dos Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump.
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Segurança Pública:
- Crítica à violência no Brasil e à contraditória percepção de país pacífico.
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Educação:
- Defesa do fortalecimento das instituições e da educação como resposta à descrença social, ao populismo e aos impactos das novas tecnologias sobre a juventude.
- Publicação
- Publicação no DSF de 03/03/2026 - Página 24
- Assuntos
- Outros > Assuntos Internacionais
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
- Política Social > Educação
- Indexação
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- ANALISE, SITUAÇÃO, PAIS ESTRANGEIRO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), EXCESSO, GASTOS PUBLICOS, FORÇAS ARMADAS.
- CRITICA, VIOLENCIA, BRASIL, MORTE, HOMICIDIO, COMPARAÇÃO, GUERRA CIVIL.
- DEFESA, INVESTIMENTO, EDUCAÇÃO, CRIANÇA, ADOLESCENTE, JOVEM, NECESSIDADE, REGULAMENTAÇÃO, UTILIZAÇÃO, SERVIÇO MOVEL CELULAR, MIDIA SOCIAL, INTELIGENCIA ARTIFICIAL.
O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar.) – Sr. Presidente, Senadores presentes, Senador Girão, Senadores que estão nos gabinetes, Senadores que estão nos seus estados, ainda não chegaram a Brasília, meus cumprimentos a todos.
Quero saudar os jovens estudantes que estão aí nas galerias, eu não sei de qual escola e qual município, mas sejam bem-vindos. Não reparem, hoje é uma sessão apenas de debates, discursos, e são poucos Senadores presentes, mas já entraram e já saíram, e amanhã começa a esquentar aqui, com debates mais acalorados, de temas mais importantes, terça e quarta-feira em diante.
O SR. PRESIDENTE (Jorge Seif. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Só para fazer o registro, Senador Confúcio: queremos registrar e agradecer a visita aqui na galeria dos jovens aprendizes da Câmara dos Deputados. Sejam muito bem-vindos. Obrigado por seu interesse de política. Esperamos que muitos de vocês, amanhã, estejam nessas cadeiras aqui cuidando do Brasil. Obrigado pela presença de vocês.
O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Perfeito. Obrigado.
Quero saudar aqui o Prof. e Reitor Fabio Rychecki Hecktheuer – ao lado, deve ser a sua esposa ou uma pessoa da sua família. Sejam bem-vindos ao nosso Plenário, hoje vazio – mas eu quero aqui registrar a presença honrosa do Prof. Fabio, que é um benfeitor lá do Estado de Rondônia, tem uma maravilhosa faculdade, com milhares de alunos. E também ele é ligado à Igreja Católica e foi trazido do Rio Grande do Sul, lá de Pelotas, pelo Arcebispo de Rondônia e Acre, Dom Moacyr Grechi, que é também um dos criadores da Faculdade Católica em Rondônia, que hoje cresceu muito e é uma faculdade exemplar em nosso estado. Seja bem-vindo. Fico muito honrado com a sua presença aqui no Plenário do Senado.
Bem, gente, o meu discurso hoje é um comentário, não é nenhum pronunciamento clássico, assim, com início, meio e fim. É mais um comentário sobre o mundo, esse mundo louco. A gente não sabe se é o mundo que é louco ou se é a humanidade que está enlouquecendo. Certo é que estão se cumprindo os pressupostos de ser homem.
Na realidade, nós já vivemos, a humanidade, uma série de ciclos históricos de civilizações, e as civilizações têm prazo de vencimento. Se olharmos bem os egípcios, quantos anos os egípcios controlaram e dominaram o mundo, com a sua civilização fausta, elegante, rica, cultural, enfim, com as suas pirâmides, com as suas riquezas, com os seus reinados. Certo é que os egípcios dominaram bastante, depois vieram os mesopotâmicos, onde está lá o Irã, o Iraque, a antiga Pérsia. Então por ali também teve uma civilização que dominou muitos anos. Houve os romanos, os gregos, e assim vai... Agora nós temos aí a nossa atual, contemporânea civilização com o domínio econômico americano.
As civilizações não demoram muito. O Império Romano – eu não me lembro bem das datas, posso errar aqui – em torno de 500, 600 anos, os outros, cada um teve 300, 400 anos. Mas será que agora, nesse tempo atual, essas civilizações dominantes demoram tantos anos? Então vamos vivendo essas épocas, e umas caem, se perdem. E, normalmente, a queda das grandes civilizações se dá por gastos militares. Os gastos militares consomem, as guerras consomem as finanças dos países, e, depois, tem uma fase de crescimento econômico e de fausto, que é a fase da reconstrução.
Foi assim na Segunda Guerra Mundial. Depois da Segunda Guerra Mundial, afundou tudo, destruiu tudo, destruiu a Europa toda, tudo virou cacarecos, e logo depois veio a reconstrução. Aí entra dinheiro, entra movimento, entra o crescimento de uma nova geração de milionários, a classe média enriquece, quem era rico empobrece, e vira um ciclo de mudanças, de alternativas interessante. É isso que o Presidente Trump quer hoje: a América para os americanos, do jeito que era em 1950 até 1960, em que realmente houve um enriquecimento brutal, não é? Então é por isso que ele clama hoje: "Eu quero América para os americanos! Que se lasquem os outros! Quero saber de Brasil, quero saber de Venezuela, quero saber de Irã, quero saber disso e daquilo outro? Eu quero saber que o povo americano está feliz, eu quero saber que o povo americano está rico, eu quero saber que o povo americano está ganhando dinheiro!". É esse realmente o pensamento dele, capitalista, de um baita milionário, um jogador de pôquer, lá em Las Vegas. É assim que ele está trabalhando o mundo: blefando. É um blefador; ele joga na mesa as cartas e ganha quem quiser, e assim vai jogando.
Então esse é um mundo louco, é o mundo das civilizações que oscilam e bailam na natureza dos tempos, não é?
Mas conflitos sempre existiam. A gente fala: "Tem a guerra da Ucrânia, tem a guerra da Rússia contra a Ucrânia... " E a Ucrânia já tem quatro anos em guerra! A gente achava que a da Ucrânia iria acabar rapidinho, que a Rússia iria destruir a Ucrânia, mas o povo ucraniano, ajudado por um e por outro, está resistindo. Eu até escrevi uma pequena crônica esses dias. Lá, certo dia, houve um bombardeio – não sei se foi em Kiev ou em outra cidade ucraniana – e destruiu uma casa, uma região, os prédios. E, dentro daquela casa destruída, a dona da casa chegou, estava tudo ali destruído, mas o piano dela estava lá ainda. Ela passou a mão, limpou a poeira, levantou a tampa do piano e tocou Schumann, uma música fantástica, uma sinfonia de Schumann. Quem assistiu àquilo? Muita gente no mundo chorou. Como é que uma pessoa com a casa destruída ainda toca uma música clássica para o mundo todo ouvir, aquilo tudo dentro de uma tristeza que é um bombardeio que está havendo? Então, esses conflitos sempre existiram por onde o homem passa, em todas as Idades, Média, Antiga, Contemporânea, Moderna, até atualmente – sempre existiu conflito.
E nós falamos assim: "Não, o Brasil é um país de paz, o Brasil é pacífico. Aqui é um país em que ninguém mata ninguém, aqui ninguém briga com ninguém, só tivemos uma Guerra do Paraguai lá trás, já esquecemos, coisa e tal, mas aqui é um país de paz". Paz coisa nenhuma! Quem diz que o Brasil é um país de paz? É coisíssima nenhuma. Aqui só de morte violenta, homicídios das mais variadas formas, cerca de 40 mil mortos por ano, todos os anos; trânsito e outras mortes, mais outro tanto. Então, fechando a estatística, passa de 100 mil mortos por ano. Nesse bombardeio lá agora do Irã, morreram 260 iranianos e morreram três americanos só. E aqui a gente mata mais de 100 mil. Como é que nós somos um país pacífico? Não somos um país pacífico. Nós vivemos em guerra civil, é uma guerra civil silenciosa, é uma guerra civil de nós contra nós, é de nós contra nós, nos matando em todas as esquinas, nas noites. Em todos os cantos do Brasil, é trânsito, é tiro, é facada, é paulada, é mulher morrendo, matada, é tudo isso aqui, nós somos campeões disso, e achamos que nós somos pacíficos. E o crime organizado dominando tudo! E o crime de colarinho branco dominando tudo! E os bancos roubando aqui e acolá, você está vendo esse escândalo aí desse Banco Master. É uma infiltração demoníaca aqui e acolá. É isso.
Então nós temos que, primeiro, voltar para dentro de nós e falar assim: "Nós vamos ser um país pacífico". E nós vamos ser um país pacífico, primeiro, cuidando da educação das crianças. Se eu não quero ter um criminoso amanhã, eu tenho que cuidar das crianças hoje, agora. É agora que nós vamos ter que cuidar das crianças, através de uma escola boa, uma escola de qualidade, é isso que nós devemos fazer.
Então, minha gente, então esse é o conflito existente na humanidade. A gente fala: "Ah, mas o capitalismo foi bom, o capitalismo depois da Revolução Industrial foi maravilhoso, o capitalismo enriqueceu muita gente". Um por cento ficou bilionário, e a grande massa lá embaixo. Então, ficou um disparate, uma desigualdade fantástica no Brasil. E esse estudo da sociedade americana... Por exemplo, Alexis de Tocqueville, em 1825, escreveu um livro maravilhoso que chama A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville, que é um menino francês de 28 anos, que escreveu esse livro contando essa história que é um país importante, porque prega os dois princípios fundamentais: a liberdade e a igualdade – a liberdade e a igualdade. Aí faz uma pesquisa de opinião pública: "Meu irmão, você quer ser livre ou quer ser igual? O que você quer mais dentro da democracia? Você quer ser livre ou quer ser igual?". O cara pensa, pensa, pensa e fala: "Não, eu quero ser igual". "Mas igual como? Você quer ficar rico igual ao Trump? Você quer ficar rico igual os banqueiros?" "Não, eu não quero ficar rico, eu quero que eles fiquem pobres igual a mim. Eu quero a igualdade por baixo, meu irmão. Eu quero a igualdade por baixo, quero que todo mundo seja pobre." Então, o princípio da igualdade é bem relativo na opinião do povo. Normalmente o pessoal fala: "Ah, mas eu não vou conseguir ficar rico mesmo, então eu quero que o rico, o milionário, fique pobre igual a mim, aí eu fico feliz". É o princípio da... Um dos princípios da liberdade e da igualdade que Alexis de Tocqueville escreveu, em 1825. Pode ler esse livro, A Democracia na América, um livro maravilhoso, um tratado de política dentro de um princípio capitalista.
Muito bem, então é essa situação desses conflitos que estão no mundo hoje, esse conflito de A contra B, contra C, mas o conflito sempre existiu, o conflito sempre existiu e existe em todos os cantos do mundo, não é? E aí, quando a coisa degringola, quando a população não confia mais em ninguém... "Eu não confio mais em Senado, eu não confio mais em Presidente, eu não confio mais em Câmara de Deputados, eu não confio mais em Governador, em Prefeito, em nada, não confio mais nessa raça, nessa raça ruim." Então, quando não se confia na "raça ruim", surge o populista. Aí é um prato cheio para surgir o populista demagogo, mentiroso, aí ele termina ganhando uma eleição. Aí é um desastre, é uma desgraça total, porque ele só pega o país em sua ação de desespero, quando ele perde a crença nas instituições.
Então, as instituições, o Senado Federal do Brasil, a Câmara dos Deputados, as Câmaras de Vereadores, a gente deve fazer o mea-culpa, para que a gente não perca esses 3% ou 4% da população que ainda acredita na gente. Isso é indispensável, é indispensável esse princípio da confiança, senão a gente perde absolutamente tudo e a população não acredita na gente.
É esse o meu pronunciamento. Eu não vou me delongar, tinha mais outros temas para falar aqui, mas eu queria fazer um comentário geral sobre a situação e as circunstâncias em que o mundo se encontra, para a gente refletir sobre a situação do Brasil. Eu sou um defensor da educação. Eu estou vendo aí a meninada hoje em dia, eu tenho neto novo, adolescente: a meninada hoje, dessa geração chamada Z, que nasceu no ano de 1990 até o ano de 2010 – essa é a Z, tudo adolescentezinho aí –, esses é que não estão acreditando em nada, eles só acreditam no celular, eles só acreditam no TikTok, eles só acreditam nos conselhos, nos grupos, nas fake news e nas bagunças que existem na internet. E agora entra a inteligência artificial. Até os meninos, nos deveres de casa hoje, nas tarefas de casa, o que o menino faz é copiar, copia e entrega, e assim vai. Então, a gente não sabe aonde isso vai chegar. Essas crianças não entendem nada da gente aqui e ficam mais ou menos por fora e sem crença, perdidos. A gente não sabe aonde essa geração vai chegar, em que crença que ela vai chegar, que política que eles querem. Daqui a mais dez anos, vinte, trinta, eles já serão homens e mulheres casados, com 40 anos ou 35 anos. Então, eu não sei aonde é que a gente vai chegar com essa geração. O que é que nós vamos conduzir?
Eu acho que nós temos que ter um pouco de mistura. Eu acho que estão certos os países que estão controlando o uso do celular, dosando o uso do celular para os adolescentes e crianças, eu acho que eles estão corretos, não liberar total, porque aquilo é viciante. É viciante! Menino, hoje em dia... Antes, os meninos... Eu brincava na rua, eu tenho 78, 77 para 78, eu brincava na rua, fazia meus brinquedos, corria, escondia. Hoje, menino não brinca mais na rua, ele vai para o quarto e tranca a porta e fica no celular dia e noite, e o pai não sabe o que ele está vendo, não sabe é coisa nenhuma, então é uma geração cujo fim a gente não sabe, não.
Eu espero que tudo melhore, porque, com tanta tecnologia, com tanto míssil teleguiado, com tanta bomba que anula até os radares, com tanto avião supersônico que esconde tudo e encontra alvo à distância, com as guerras que não têm mais o corpo a corpo, a batalha campal, que ali se lutava com escudo, flecha, e se lutava corpo a corpo; antes havia a estratégia de guerra, como naquele livro daquele general que fala sobre guerra, A Arte da Guerra, não é isso mesmo? Agora não, a guerra é diferente, não tem mais arte de guerra nenhuma. Aquele livro já não vale mais nada. Hoje as coisas são tecnológicas, a coisa hoje é brava, e a gente não tem como se defender. Então o que nós vamos fazer é o arroz com feijão, e o arroz com feijão é a educação.
Muito obrigado.