Comunicação inadiável durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Preocupação com a alegada instabilidade institucional no Brasil diante das suspeitas envolvendo o caso do Banco Master e possíveis relações com Ministros do STF. Questionamento sobre mecanismos de responsabilização de magistrados e defesa do debate, no Senado Federal, sobre eventual "impeachment" de Ministros da Corte para apuração das denúncias e preservação da confiança nas instituições.

Autor
Margareth Buzetti (PP - Progressistas/MT)
Nome completo: Margareth Gettert Busetti
Casa
Senado Federal
Tipo
Comunicação inadiável
Resumo por assunto
Atuação do Judiciário, Sistema Financeiro Nacional:
  • Preocupação com a alegada instabilidade institucional no Brasil diante das suspeitas envolvendo o caso do Banco Master e possíveis relações com Ministros do STF. Questionamento sobre mecanismos de responsabilização de magistrados e defesa do debate, no Senado Federal, sobre eventual "impeachment" de Ministros da Corte para apuração das denúncias e preservação da confiança nas instituições.
Publicação
Publicação no DSF de 04/03/2026 - Página 28
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, CORRUPÇÃO, BANCO PRIVADO, CORRELAÇÃO, FRAUDE, DESVIO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), PARTICIPAÇÃO, AUTORIDADE, POLITICO, QUESTIONAMENTO, CONDUTA, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), DEFESA, IMPEACHMENT.

    A SRA. MARGARETH BUZETTI (Bloco Parlamentar Aliança/PP - MT. Para comunicação inadiável.) – Sr. Presidente, senhoras e senhores, há tempos eu queria utilizar esta tribuna para falar da instabilidade institucional que assola o nosso país. Não há brasileiro que não esteja atônito acompanhando os desdobramentos do caso do Banco Master.

    Quando ainda estávamos boquiabertos com o escândalo do INSS, surge mais essa bomba. Um único homem conseguiu colocar em xeque não apenas o mercado financeiro, mas também expor autoridades dos mais diversos matizes. O que me preocupa, Sr. Presidente, Srs. Senadores, é ver Ministros do Supremo Tribunal Federal sob a luz da suspeição.

    Não sou eu quem fala, não sou eu quem está dizendo: são matérias e mais matérias mostrando contratos milionários, envolvendo familiares, viagens em aeronaves privadas, ao lado de advogados ligados a investigações sensíveis e escritórios recebendo valores expressivos, enquanto processos relevantes tramitam nas cortes superiores.

    Não estou aqui para julgar ninguém, mas também não podemos fechar os olhos para o que parece, no mínimo, estranho. Quando políticos se envolvem em escândalos, a democracia tem um remédio claro: as urnas. É a população quem emprega e quem demite seus representantes.

    Mas e quando a dúvida recai sobre quem não enfrenta eleições? Se ministros vierem a ser investigados ou responsabilizados, quem os julgará? Quem os demitirá?

    Tenho percorrido os estados, Sr. Presidente, e visto uma população cada vez mais desconfiada da Justiça. Dias atrás, um taxista me disse, no interior de Mato Grosso, que alguns Ministros do Supremo se sentem deuses. Aquilo me fez lembrar uma passagem conhecida: Jesus e seus 12 apóstolos. A história mostra que, até entre os mais próximos, houve traição. Judas rompeu o silêncio e mudou o rumo da história.

    A pergunta que fica é se instituições atravessam momentos em que alguém, pressionado pela verdade ou pela própria sobrevivência, decide falar. Teríamos no STF alguém que, diante das circunstâncias, faria uma delação premiada contra seus próprios pares?

    Jesus morreu na cruz e ressurgiu para reafirmar a fé. Será que a Suprema Corte brasileira precisará atravessar seu próprio momento de cruz para voltar mais forte, mais respeitada, mais fiel ao seu princípio constitucional?

    Não digo isso com alegria, Presidente, mas com uma preocupação genuína, porque, quando o Supremo passa a ser assunto desconfiado nas ruas, nos mercados, nas praças do interior, nos bares, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser moral. A imagem de uma Justiça que corrói a confiança do cidadão comum, aquele que não domina termos técnicos, mas percebe algo que está longe do que chamamos de justiça.

    A democracia tem mecanismos para políticos, mas qual é o mecanismo quando a suspeição alcança quem deveria estar acima de qualquer questionamento? Talvez a saída seja a coragem desta Casa – o Senado de Ruy Barbosa, de Paulo Brossard e de Pedro Simon – de discutir instrumentos constitucionais como o impeachment de ministros. O processo de impeachment não é uma sentença, mas sim um espaço em que um ministro terá todo o tempo e recurso para rebater todas as suspeitas.

    Acho que é isso que mais dói nos brasileiros hoje, Presidente. Em épocas de Google e de inteligência artificial, não há perguntas sem respostas, exceto uma, amigos, exceto uma: quem poderá parar os Ministros do STF? Fica a reflexão.

    Obrigada, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 04/03/2026 - Página 28