Pronunciamento de Sergio Moro em 04/03/2026
Discurso durante a 8ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Defesa da prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, decretada pelo Ministro do STF André Mendonça, diante de suspeitas de fraude bilionária envolvendo o Banco Master e de práticas associadas ao crime organizado. Apoio à atuação da CPI do Crime Organizado e da CPMI do INSS para aprofundar as investigações e responsabilizar os envolvidos
- Autor
- Sergio Moro (UNIÃO - União Brasil/PR)
- Nome completo: Sergio Fernando Moro
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Fiscalização e Controle,
Regime Geral de Previdência Social,
Sistema Financeiro Nacional:
- Defesa da prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, decretada pelo Ministro do STF André Mendonça, diante de suspeitas de fraude bilionária envolvendo o Banco Master e de práticas associadas ao crime organizado. Apoio à atuação da CPI do Crime Organizado e da CPMI do INSS para aprofundar as investigações e responsabilizar os envolvidos
- Aparteantes
- Eduardo Girão.
- Publicação
- Publicação no DSF de 05/03/2026 - Página 17
- Assuntos
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle
- Política Social > Previdência Social > Regime Geral de Previdência Social
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
-
- DEFESA, PRISÃO PREVENTIVA, EMPRESARIO, BANQUEIRO, DANIEL VORCARO, CONTROLADOR, BANCO COMERCIAL, DECRETAÇÃO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ANDRE MENDONÇA, MOTIVO, INDICIO, FRAUDE, PREJUIZO, SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, COMENTARIO, OPERAÇÃO FINANCEIRA, EMPRESA, DIAS TOFFOLI, APOIO, CRIAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), INVESTIGAÇÃO, CRIME ORGANIZADO, IRREGULARIDADE, CONSIGNAÇÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO, APOSENTADO, PENSIONISTA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
O SR. SERGIO MORO (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - PR. Para discursar.) – Boa tarde a todos, colegas Senadores e Senadoras, Presidente em exercício.
No dia de hoje não tem como deixar de tratar deste assunto: a prisão de Vorcaro. O dono do Banco Master teve a prisão preventiva decretada pelo Ministro André Mendonça, que tem feito um grande trabalho no Supremo Tribunal Federal e tomou uma decisão corajosa.
Eu confesso que, quando li os termos da decisão, fiquei surpreendido, porque sempre entendi e defendi no passado que o Daniel Vorcaro já deveria estar preso. Afinal de contas, existem aí elementos probatórios ainda sendo apurados, no sentido de que ele seria responsável por uma fraude financeira de mais de R$40 bilhões, isso falando só no prejuízo causado ao fundo garantidor. Não me recordo de um prejuízo tão elevado assim para o Sistema Financeiro Nacional, mesmo em rombos anteriores, liquidações de instituições financeiras. No entanto, ainda surgiram evidências, lá atrás, de que ele teria pagado influencers em rede social para fazer um ataque coordenado ao Banco Central para que as instituições não pudessem operar e fazer o seu trabalho em relação à intervenção e liquidação no Banco Master.
Mas quando eu leio os termos da decisão, eu chego à conclusão de que o quadro é ainda pior, porque as mensagens trocadas por ele com seus, eu ia dizer cúmplices, mas pelo teor das mensagens são capangas, são estarrecedoras. Sugerindo, por exemplo, em relação a uma empregada dele, entre aspas: "Daniel Vorcaro tem que moer essa vagabunda". Em relação à jornalista que o incomoda com a publicação de matérias – e aqui há uma possibilidade de ser o Lauro Jardim, eventualmente a Malu Gaspar –, ele sugere, entre aspas também, "a simulação de um assalto, quebrar todos os dentes, dar um pau nele".
Nós estamos vendo aqui, Senador Seif, gangsterismo; justifica mais ainda a atribuição da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado para apurar esses fatos. Não é somente crime de colarinho branco; a decisão está repleta de referências à espionagem ilegal de adversários, à cooptação de agentes públicos para obtenção de informação e para manipulação de processos. E agora nós temos o mais puro gangsterismo, a sugestão da prática de violência contra possíveis testemunhas e contra jornalistas, colocando em ameaça a imprensa livre.
Como se não bastasse – e disto todo o país foi informado –, esse indivíduo, Daniel Vorcaro, manteve transações financeiras milionárias com uma empresa controlada pelo Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A rede de influência desse indivíduo é enorme, que, em boa hora, teve decretada a prisão preventiva e foi recolhido à prisão. Quem sabe agora possamos ter desdobramentos mais normais nesse caso, já que a fonte, talvez, que impedia que houvesse uma coleta de provas regular foi recolhida à prisão.
O quadro aqui é típico de crime organizado. Eu fui Juiz 22 anos e, embora tenha tido casos envolvendo crimes de colarinho branco, tive também processos contra quadrilhas de traficantes de drogas, chefes de grupos criminosos organizados. Esse método de contratar capangas para eliminar ou intimidar adversários é típico de chefes de quadrilhas de tráfico de drogas, e aqui a gente vê um banqueiro realizando essas atitudes!
É necessário aqui destacar, assim, a coragem do Ministro André Mendonça, muito sereno sempre, muito calmo. Quando eu vi a notícia dessa decretação da prisão preventiva, logo imaginei: "Os fatos devem ser muito graves, já que a prisão preventiva é excepcional e já que o Ministro André Mendonça é um Ministro que age com muita serenidade e cautela", mas qualquer um que lê essa decisão de pronto concorda com a medida que foi tomada.
Quem sabe nós possamos, a partir dessa providência drástica, começar de novo a esclarecer vários fatos que assombram esta República e quem sabe possamos também limpar esta República – um trabalho que foi começado na Operação Lava Jato, que, não obstante, foi depois desmontada, por razões políticas, unicamente com o objetivo de permitir que voltasse não só a impunidade, mas, como é revelado pelo escândalo do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS e igualmente pelo escândalo do Banco Master, para que voltasse a roubalheira.
Ninguém em uma República deve estar acima da lei, nem mesmo um banqueiro com conexões poderosas.
Vamos aguardar os desdobramentos, mas, da minha parte, na CPI do Crime Organizado e igualmente na CPMI do INSS, vamos realizar o nosso trabalho, inspirados na coragem do Ministro André Mendonça.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Por favor, eu gostaria, Presidente, de um aparte ao Senador Sergio Moro.
O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Concedido.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para apartear.) – Quero cumprimentá-lo pelo pronunciamento firme, coerente. Também quero fazer minhas as palavras dele, com relação a cumprimentar o Ministro André Mendonça.
Deus colocou para ele – não tenham dúvida disto – duas das principais relatorias que podem mudar os destinos do Brasil. A população estava desesperançosa, a ética estava no ralo, e ele pegou simplesmente a relatoria do maior escândalo financeiro do Brasil, que é o do Banco Master, para o qual esta Presidência de Davi Alcolumbre, como bem falou agora o Senador Jorge Seif, tem o dever de abrir ou uma CPI ou uma CPMI. A minha, aqui no Senado, tem 51 assinaturas, dos 81 Senadores, mas eu concordo com o Senador Jorge Seif que daria mais legitimidade uma CPMI, porque o escândalo é tão gigante que precisa ter Deputados eleitos pelo povo, assim como Senadores também – você está certo –, mas o Presidente tem que abrir uma das duas, não pode é fazer de conta que não existe.
(Soa a campainha.)
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – E também tem a do INSS, em que é um sucesso absoluto o que está revelando para o país, Presidente, e que o Davi Alcolumbre precisa prorrogar.
Inclusive, o Deputado Marcel van Hattem está aqui, conseguiu o número de assinaturas mais que suficientes para prorrogar por pelo menos 60 dias. Acredito que até deva mais, mas 60 dias ainda dá para fazer.
Então, para encerrar, eu quero dizer, Senador Sergio Moro, que o que foi revelado hoje de ameaça a jornalista, da forma como foi, é coisa de máfia, máfia; e o Ministro André Mendonça precisa de mais segurança ainda do que ele tem.
Eu e o Senador Magno Malta já entramos com o pedido da Polícia Federal, para o Diretor-Geral, para que possa providenciar mais segurança para o Ministro André Mendonça.
Obrigado.