Pronunciamento de Jorge Seif em 04/03/2026
Discurso durante a 8ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Destaque para denúncias de fraude financeira, corrupção e atuação de organização criminosa no caso do Banco Master, com elogio à decisão do Ministro do STF André Mendonça, que decretou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, e crítica à decisão do Ministro do STF Flávio Dino relacionada à investigação sobre o Sr. Fábio Luís Lula da Silva, filho do Presidente Lula.
- Autor
- Jorge Seif (PL - Partido Liberal/SC)
- Nome completo: Jorge Seif Júnior
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atuação do Congresso Nacional,
Atuação do Judiciário,
Fiscalização e Controle,
Sistema Financeiro Nacional:
- Destaque para denúncias de fraude financeira, corrupção e atuação de organização criminosa no caso do Banco Master, com elogio à decisão do Ministro do STF André Mendonça, que decretou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, e crítica à decisão do Ministro do STF Flávio Dino relacionada à investigação sobre o Sr. Fábio Luís Lula da Silva, filho do Presidente Lula.
- Publicação
- Publicação no DSF de 05/03/2026 - Página 24
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Congresso Nacional
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
-
- DENUNCIA, FRAUDE, BANCO COMERCIAL, OPERAÇÃO, POLICIA FEDERAL, CRIME DO COLARINHO BRANCO, LAVAGEM DE DINHEIRO, ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, CORRUPÇÃO, PARTICIPAÇÃO, SERVIDOR PUBLICO CIVIL, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), COMENTARIO, PRISÃO PREVENTIVA, EMPRESARIO, BANQUEIRO, DANIEL VORCARO, DECISÃO JUDICIAL, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ANDRE MENDONÇA, REPUDIO, FLAVIO DINO, SUSPENSÃO, QUEBRA DE SIGILO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INVESTIGAÇÃO, IRREGULARIDADE, CONSIGNAÇÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO, APOSENTADO, PENSIONISTA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), DEFESA, ATUAÇÃO, ORGÃO, CONGRESSO NACIONAL.
O SR. JORGE SEIF (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para discursar.) – Sr. Presidente, senhoras e senhores colegas do Senado, Senadoras, Senadores, e toda a população brasileira que nos assiste pela TV Senado, pela Rádio Senado, eu queria explicar para a população brasileira, para quem ainda não entendeu, o que está acontecendo com a questão do Banco Master, que confusão é essa de Banco Master.
O Banco Master está sendo investigado porque é um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A Polícia Federal – aqui meu reconhecimento à Polícia Federal, que está fazendo um trabalho isento e corajoso – aponta que o Banco Master teria montado uma estrutura complexa de captação de recursos com promessa de rentabilidade acima do mercado, ou seja, eles iam ao mercado e falavam assim: "Olhe, se você colocar dinheiro aqui no meu banco, eu vou pagar mais juros do que os demais bancos". Então vários fundos de pensão, vários estados da Federação, vários cidadãos brasileiros, vários poupadores começavam a colocar dinheiro no Banco Master, porque eles ofereciam e prometiam pagar mais juros para essas pessoas que operavam com ele. Eles direcionavam esse dinheiro para operações de alto risco e usavam o dinheiro para outros fins.
Então, segundo a investigação da Polícia Federal, tinha captação agressiva de dinheiro. A aplicação desses recursos era de alto risco e baixa liquidez, ou seja, compravam títulos estragados, títulos podres – como se diz – e esse dinheiro era usado por empresas e fundos ligados ao próprio grupo, como se fosse uma pirâmide, um esquema, uma quadrilha. Isso se caracteriza como crime contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de justiça.
Só que tem mais, senhoras e senhores que nos assistem de todo o Brasil: a acusação mais grave é que tinha também corrupção dentro do Banco Central. No Banco Central, duas pessoas, dois servidores do Banco Central, que deveriam investigar, ver se as operações estavam corretas, se o banco estava operando dentro da lei, se não tinha nenhuma ilegalidade, nenhuma irregularidade, se estava cumprindo as obrigações do Banco Central – não! –, servidores do Banco Central estavam ajudando o Banco Master. O que eles faziam? Eles atuavam como consultores do banco, ou seja, do banco que eles deveriam fiscalizar. Eles revisavam documentos do banco, eles orientavam estratégias junto ao Banco Central e antecipavam informações regulatórias, tráfico de influência, ou seja, servidores de um órgão fiscalizador estavam ajudando a instituição que deveria ser fiscalizada.
O ponto mais chocante que veio hoje na decisão do Ministro – acertada decisão do Ministro André Mendonça – foi de prender Vorcaro. Parabéns, Ministro André Mendonça! E faço uma sugestão: que o senhor reforce, junto com a Polícia do Judiciário, junto com a Polícia Federal, a segurança de sua vida e de sua família! A coragem que o senhor está tendo em investigar INSS, em investigar o Banco Master, com tantas pessoas poderosas... Por exemplo, quem fazia parte do conselho do Banco Master é ex-Presidente do Brasil, ex-Presidente do Banco Central, ex-Ministro da Economia. Tinha gente muito poderosa. Eles tinham muitos lobistas nas três esferas de Poder em Brasília: Executivo, Legislativo e Judiciário.
E, pelo que nós vimos hoje, ele tinha uma milícia própria, era um criminoso de alta periculosidade, ameaçando imprensa, ameaçando pessoas até que trabalhavam com ele, se a pessoa dava uma resposta que ele não gostava. Era uma estrutura chamada "A Turma". E essa estrutura teria sido usada, segundo a decisão do Ministro André Mendonça... Parabéns mais uma vez. Deus abençoe o senhor e o proteja. Ele monitorava jornalista, levantava dados de autoridades, intimidava os críticos e acessava sistemas sigilosos. Ele invadia sistema da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, invadia FBI. O cara era de alta periculosidade, gângster. E, segundo a decisão do Ministro André Mendonça, houve acesso indevido aos sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de bases internacionais como Interpol e FBI. Ele falava inclusive em agredir jornalistas, quebrar os dentes, quebrar a cara, moer a empregada doméstica que trabalhava com ele. Ele falou: "Tem que moer essa vagabunda", desse jeito que ele tratava os funcionários dele.
E o Ministro André Mendonça decretou a prisão porque entendeu que tinha risco de destruição de provas, risco de intimidação de testemunha, risco de fuga e risco de continuidade do crime.
Além disso, o Sr. Vorcaro tinha patrimônio no exterior, tem empresas no exterior para ocultar dinheiro e foram bloqueados mais de R$2,2 bilhões. Não é brincadeira, pessoal. O cara era um quadrilheiro de alta periculosidade envolvido com um monte de gente de Brasília.
Então nós estamos falando de um caso que mistura sistema financeiro, corrupção, lobby, corrupção dentro do Banco Central, de órgãos reguladores e até estrutura de intimidação. E não é apenas uma fraude bancária, é algo muito mais grave: infiltração dentro de sistemas oficiais.
Então quero elogiar mais uma vez a Polícia Federal, elogiar a investigação conduzida pelo Ministro André Mendonça e defender a autonomia da Polícia Federal para continuar seu trabalho.
Por outro lado, preciso dizer que estou extremamente decepcionado com a decisão do Ministro Flávio Dino. Se, por um lado, eu elogio o Ministro André Mendonça, preciso aqui dizer da minha decepção com o Ministro Flávio Dino em blindar o Lulinha. Quando o pessoal na internet acaba falando que o Ministro Flávio Dino é líder do Governo no Supremo, não é à toa. Mas tem um lado bom nisso, nós precisamos ver o lado bom em todas as coisas. Quando a esquerda, o PT, lá dentro da CPMI do INSS, gritou, esperneou, agrediu Deputados, foi para cima do Carlos Viana, quando eles fizeram essa confusão toda, vieram para cima de Davi Alcolumbre, Presidente desta Casa, para cancelar a sessão, nós já começamos... O povo brasileiro não é bobo. Você que está nos assistindo não é mais inocente, vocês sabem que onde há fumaça há fogo. Eles estavam escondendo o quê? Por que estavam com medo de investigar o Lulinha? Se esse cara tivesse as mãos limpas, se tivesse as mãos limpas, falariam: "Não; pode investigar, não tem problema, não". Aí, não satisfeito, o Ministro Flávio Dino foi lá e derrubou a decisão de quebra de sigilo bancário de Lulinha.
Ministro Dino, estou triste com a sua decisão, mas veja: o senhor só comprovou para a população brasileira que tem caroço nesse angu, que as mãos de Lulinha, viajando com o Careca do INSS, metido em um monte de coisa, hotel de luxo, avião de primeira classe... Tem caroço nesse angu. Esse rapaz não está sozinho e não está puro, está envolvido.
(Soa a campainha.)
O SR. JORGE SEIF (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Então, eu quero dizer para o senhor, Ministro Dino, que é lamentável a sua decisão, porque o senhor faz parte da nossa Suprema Corte, o senhor deveria primar pela investigação, preservar, proteger a quebra de possíveis criminosos. Investigação e transparência são obrigação do nosso Supremo Tribunal Federal, mas o senhor quer esconder debaixo do tapete, mas não dá para esconder o sol debaixo da peneira, meu amigo. E o senhor só comprovou o que o Brasil já sabe: as portas da corrupção no INSS têm tentáculos profundos com o Governo Lula, inclusive com o seu próprio filho.
Obrigado por proteger o Lulinha, porque, se alguém tinha dúvida de que esse rapaz é inocente ou não, agora está escancarado que ele tem as mãos sujas, está com corrupção. E não adianta a sua blindagem, porque o André Mendonça já decidiu pela quebra de sigilo dele.