Pronunciamento de Astronauta Marcos Pontes em 11/03/2026
Discurso durante a 12ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Crítica à gestão da saúde pública no Brasil, com menção ao recorde de 1,7 mil mortes por dengue em 2025.
Alerta sobre o descontrole fiscal do Governo, apontando que a dívida pública atingiu 79% do PIB.
Questionamento da política externa, lamentando o afastamento de aliados tradicionais, como os Estados Unidos, em favor de aproximações com regimes acusados de financiar o terrorismo, como o Irã.
Defesa da atuação do Senado Federal diante das denúncias de comportamentos indevidos de Ministros do STF no caso do Banco Master.
- Autor
- Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
- Nome completo: Marcos Cesar Pontes
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Saúde Pública:
- Crítica à gestão da saúde pública no Brasil, com menção ao recorde de 1,7 mil mortes por dengue em 2025.
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Finanças Públicas,
Governo Federal:
- Alerta sobre o descontrole fiscal do Governo, apontando que a dívida pública atingiu 79% do PIB.
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Governo Federal,
Relações Internacionais:
- Questionamento da política externa, lamentando o afastamento de aliados tradicionais, como os Estados Unidos, em favor de aproximações com regimes acusados de financiar o terrorismo, como o Irã.
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Atuação do Judiciário:
- Defesa da atuação do Senado Federal diante das denúncias de comportamentos indevidos de Ministros do STF no caso do Banco Master.
- Publicação
- Publicação no DSF de 12/03/2026 - Página 44
- Assuntos
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Indexação
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- CRITICA, GESTÃO, SAUDE PUBLICA, ESTATISTICA, MORTE, DENGUE, BRASIL.
- PREOCUPAÇÃO, POLITICA FISCAL, GOVERNO FEDERAL, AUMENTO, CRESCIMENTO, DIVIDA PUBLICA, RISCOS, INSOLVENCIA.
- CRITICA, GOVERNO FEDERAL, POLITICA EXTERNA, AFASTAMENTO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), APOIO, IRÃ, TERRORISMO.
- DENUNCIA, CORRUPÇÃO, BANCO PRIVADO, DANIEL VORCARO, LIGAÇÃO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), SOLICITAÇÃO, ATUAÇÃO, SENADO.
O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Para discursar.) – Sr. Presidente, Srs. e Sras. Senadoras e Senadores, aqueles que nos acompanham também pelas redes e pela TV Senado, quem me conhece sabe que eu gosto mais de fazer do que de falar. Esse é o meu jeito. Aliás, é o jeito de engenheiro, é o jeito de piloto de caça. Nós fazemos mais do que falamos. A gente coloca a vida em alguma coisa, em vez de falar sobre ela.
Mas chega um momento em que você vê as coisas acontecendo no país e é necessário que nós chamemos a atenção aqui para esses fatos. Então vamos começar lá.
O fato é que está tudo errado – está tudo errado. Para onde nós olhamos, nós somos confrontados apenas com problemas e escândalos que corroem a nossa nação. Em 2025, nós enfrentamos a marca trágica de 1,66 milhão de casos de dengue, com 1,7 mil mortes, enquanto assistimos a milhões de vacinas serem destruídas.
Quem acompanhou o meu trabalho no Ministério da Ciência e Tecnologia deve ter visto que foi uma luta muito grande para o desenvolvimento de vacinas nacionais. Para quem não sabe, o Brasil nunca tinha desenvolvido nenhuma vacina. Eu mesmo não sabia isso, quando entrei lá no ministério, engenheiro aeronáutico, não era a minha área, mas montei lá um grupo de pesquisadores, a Rede Vírus, e eles montaram o plano, para o Ministério da Ciência e Tecnologia, no combate à covid, durante a pandemia, e, dentro desse plano, estava "desenvolver vacina brasileira pela primeira vez". Falei: "Disso a gente não precisa, a gente já tem o desenvolvimento de vacinas aqui". "Não, não temos, nós fabricamos vacinas com tecnologia de fora." O Brasil nunca tinha desenvolvido nenhuma vacina. Hoje nós temos essa capacidade, graças ao trabalho do Ministério da Ciência e Tecnologia, no Governo Bolsonaro, nós temos, lá em Minas Gerais, um Centro Nacional de Vacinas, que é capaz de desenvolver qualquer vacina para o Brasil – desenvolver a vacina.
Mas o que nós vemos aqui agora? Então, em 2025, 1,66 milhão de casos de dengue com 1,7 mil mortes, dengue, que a gente já tem no Brasil há tanto tempo e continua a assolar o país, com tanta tecnologia que pode ser utilizada para resolver esse problema.
Na economia, a dívida frente ao PIB já atinge quase 80%, 79%. O próprio Ministro Haddad admitiu que, em 2027, nós corremos o risco real de não haver condições sequer para pagar o salário dos servidores, essa é a situação fiscal do país, um completo descontrole fiscal. Eu não ouço absolutamente ninguém do Governo falar em redução de custos, eu ouço falar em aumento de impostos o tempo todo. Redução de custos parece que é algo que não existe, esqueceu, não existe no dicionário, e isso coloca o Brasil numa situação caótica em termos de economia.
No cenário internacional, o Governo Federal nos afasta de aliados históricos e coloca o Brasil, a passos largos, vamos dizer assim, longe ou cada vez mais longe dos Estados Unidos. Nós estamos nos tornando inimigos dos Estados Unidos, um país que sempre esteve junto conosco nos momentos mais difíceis, e a gente está ficando como inimigos dos Estados Unidos. Por outro lado, a gente está ficando amigo de países como o Irã, como outros países, que nós sabemos muito bem o histórico que existe por trás desses países. Veja bem, não estou aqui criticando a população desses países, o que nós criticamos é a política que esses países empregam, principalmente com relação a terrorismo contra outros países e pessoas de outros países. Para ver a situação, nós fomos recentemente excluídos de uma reunião internacional crucial para a América Latina, nós sequer tivemos um assento nesta reunião. Para agravar, nós vemos uma resistência incompreensível, incompreensível essa resistência que nós temos no Brasil de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. É difícil de entender uma coisa como essa, mas nós temos essa resistência incompreensível, por parte do Governo, de classificar essas organizações como organizações terroristas. Qual o medo? Qual a ideia por trás disso? Isso aí eu deixo para quem estiver assistindo aí raciocinar e pensar um pouco.
O que estarrece mesmo, neste momento aqui também, além de todas essas coisas, nós tivemos o INSS, porque não tem tempo para falar de tudo aqui, mas nós tivemos o escândalo do Banco Master, que coloca a nossa Suprema Corte, tão falada aqui pelos seus abusos de entrada, interferência nos outros Poderes, mas agora com alguma coisa que é praticamente inacreditável. A liquidação extrajudicial da instituição do Banco Master, que foi decretada em novembro de 2025, devido a graves violações e crise de liquidez, revelou um esquema de emissão de títulos sem lastro e irregularidades contábeis, que geraram perdas bilionárias.
É aí que vem a parte que fica mais complicada ainda de se explicar, porque o que a gente espera é que uma Suprema Corte tenha pessoas ilibadas, que trabalhem para o país de forma ilibada – aliás, o ideal era que a gente nem soubesse o nome dos ministros, que eles nem aparecessem, fizessem o seu trabalho sem aparecer em nenhum tipo de notícia ou sem participar de forma intensa, como se fosse um político –: o envolvimento de ministros da Corte ultrapassa qualquer limite de relação republicana. O Banco Master contratou o escritório de advocacia da esposa do Ministro Moraes por R$129 milhões. Além disso, a perícia da Polícia Federal, no celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, revelou supostas trocas de mensagens com o magistrado no dia da sua prisão, tratando de negociações de venda da instituição, e sabe-se lá mais o quê. E isso é um problema seriíssimo de se encarar aqui, aliás, a questão de mensagens apagadas também foi aquilo que colocou uma pena maior naquela moça do batom, no 8 de janeiro. Há que se pensar sobre isto: duas medidas, dois pesos.
Quanto a outro ministro, o Ministro Toffoli, as suspeitas são igualmente graves. Ele assumiu a relatoria do caso mesmo após viajar em um jato particular com advogados ligados ao mesmo banco. A Polícia Federal investiga o repasse de recursos do esquema para uma empresa da qual ele participa, além da venda de participações num resort, um empreendimento de familiares dele também, e fundos ligados a esse mesmo Sr. Vorcaro. A Polícia Federal já enviou o relatório ao STF, apontando suspeitas de corrupção passiva. O que a gente espera agora é que isso tenha um efeito, que não vire simplesmente, como costumavam falar por aí, pizza dentro desse esquema todo.
Somado a isso, a coluna do jornalista Lauro Jardim revelou hoje que os trabalhos do escritório da Dra. Viviane Barci de Moraes são um "frankenstein regulatório" – isso entre aspas – com indícios de plágio e uso de inteligência artificial acima de 70%, misturando leis brasileiras com cartilhas de fintechs. Essa informação realmente deixa um ponto de interrogação. Eu trabalho com inteligência artificial, é muito útil para muita coisa, mas é importante que seja sempre sob supervisão humana, vou colocar dessa forma simplesmente.
O dossiê do Banco Master mostra ainda reuniões fora da agenda entre o Vorcaro e o Presidente Lula no Palácio do Planalto, além de consultorias milionárias pagas ao atual Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O que mais precisa acontecer para este Senado se mexer? É esta a Casa, somos nós aqui que temos a obrigação constitucional e moral de dar esperança ao povo de arrumar este país.
(Soa a campainha.)
O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Faz parte do nosso trabalho aqui. Não podemos nos calar diante de um rombo estimado de R$40,6 bilhões e do comprometimento da nossa segurança jurídica e financeira. Este Senado precisa agir e é bom que aja com um documento aqui falando também, embora eu ache que precisa ser mais ação do que falar. Eu ouço muitos discursos, mas eu vejo pouca ação. Nós assinamos muitos documentos também, mas nós temos aqui um impedimento muito grande, muitos desconfortos entre os Senadores – inclusive para assinar esses processos –, mas essa é a nossa obrigação.
Eu até entendo esses desconfortos para quem tem alguma situação presa, vamos chamar assim. Mas o Presidente Alcolumbre, Presidente, agora precisa tomar uma atitude. Se eu fosse o Presidente sentado aí...
(Soa a campainha.)
O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – ... com certeza eu já tinha tomado essa atitude de colocar pelo menos esses processos para votação, colocar aqui para apreciação do Plenário. Se o Davi tem a preocupação de colocar isso nas costas dele, é importante colocar aqui, nas nossas costas, porque o Plenário é para isso, é para justamente tomar as decisões.
Então, ele não precisa carregar esse peso todo, nós carregamos o peso junto com ele. E isso é importante, mas é importante respeitar a democracia, respeitar a diversidade de pensamentos que nós temos aqui, para que nós possamos colocar e decidir, pela população que nós representamos, se esses processos vão adiante ou se eles param, mas é importante ter essa resposta. É o que eu falei há muito tempo: se eu fosse o Presidente da Casa, certamente isso já estaria andando. O resultado a gente não sabe, porque depende do Plenário, mas é importante que nós tomemos uma atitude.
Obrigado, Presidente.