Pronunciamento de Eduardo Girão em 17/03/2026
Discurso durante a 16ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Críticas à indicação da Sra. Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da ONU e ao apoio do Governo Federal à candidatura. Denúncia de suposta instrumentalização ideológica e da consequente perda de credibilidade de organismos internacionais.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Assuntos Internacionais:
- Críticas à indicação da Sra. Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da ONU e ao apoio do Governo Federal à candidatura. Denúncia de suposta instrumentalização ideológica e da consequente perda de credibilidade de organismos internacionais.
- Publicação
- Publicação no DSF de 18/03/2026 - Página 37
- Assunto
- Outros > Assuntos Internacionais
- Indexação
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- CRITICA, GOVERNO FEDERAL, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, ITAMARATI (MRE), INDICAÇÃO, EX-PRESIDENTE, CHILE, CARGO, SECRETARIO GERAL, ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU).
- COMENTARIO, CRISE, LEGITIMIDADE, ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU), IDEOLOGIA, PREJUIZO, PROTEÇÃO, FAMILIA, VIDA.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Presidente, eu combinei com o Senador Esperidião Amin que seriam oito minutos. Pode marcar aí. E eu quero agradecer ao Senador por essa concessão, porque eu vou ter, daqui a pouco, uma reunião a que eu não posso chegar atrasado.
Sras. Senadoras, Srs. Senadores, eu estive no Chile na posse do Presidente Kast. Fui eu, o Senador Flávio Bolsonaro. Tive a oportunidade de conhecer, ainda no summit de Madri, dois anos atrás, o então pré-candidato, que agora ganhou as eleições. Um homem simples, mas de muito compromisso com o livre mercado, com a vida, com a família – ele tem nove filhos –, e eu tive a oportunidade, lá no Palácio de La Moneda, de participar dessa posse.
E eu subo hoje a esta tribuna para tratar de um tema que, embora pareça distante da realidade cotidiana nossa, toca diretamente em algo essencial: a credibilidade das instituições internacionais e o papel que o Brasil escolhe desempenhar no cenário global.
Eu refiro-me à recente e precipitada articulação dos Governos Boric, lá do Chile, enquanto Presidente, de Claudia Pardo, do México, e lamentavelmente do Presidente Lula, Senador Marcos Pontes, que formalizaram aí a candidatura da Sra. Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas.
O perfil da Sra. Bachelet, especialmente sob a ótica de sua atuação internacional, é marcado por uma contradição profunda. De um lado, a imagem de uma líder progressista. Até aí, tudo bem. De outro lado, a realidade de uma gestão omissa e seletiva.
Quando analisamos sua passagem pelo Alto Comissariado da ONU, de 2018 a 2022, o que vemos não é uma defesa dos direitos humanos, mas sim uma diplomacia de conveniência que blindou ditaduras ideologicamente alinhadas com ela: na Nicarágua, onde o regime de Daniel Ortega perseguiu e extinguiu a oposição; em Cuba; com a falta de posicionamento incisivo com a representação a militantes na China. Ela só veio reconhecer alguma coisa quando estava saindo, aos 45 minutos do segundo tempo.
É importante destacar que essa preocupação não é isolada, no Brasil. No próprio Chile, Parlamentares já levantaram suas vozes. O Senador José Manuel Rojo Edwards fez um pronunciamento contundente, denunciando o viés ideológico dessa candidatura e alertando para os riscos de se aprofundar a politização, a instrumentalização de organismos internacionais que já estão com muita falta de credibilidade, como é o caso da ONU – a gente vem acompanhando.
Inclusive, eu acho muito deselegante acontecer uma antecipação, um açodamento, sabendo que o Chile estava elegendo um novo Presidente e que o povo mudou totalmente o seu viés: quis um novo Presidente de direita, de valores e princípios em defesa da vida e da família.
A nomeação de Bachelet não foi um ato de estado planejado sob a égide do interesse nacional, foi uma corrida contra o relógio, ideológica. O Governo Boric, no Chile, ciente de que o cenário político interno mudou – e para muito melhor – com a eleição de Kast, apressou-se em lançar esse nome antes que pudessem oferecer uma alternativa alinhada com a realidade do povo chileno, que se confirmou nas urnas.
E o Brasil, sob a atual gestão de Lula, serviu de caudatário dessa manobra. Quero deixar claro nesta tribuna: esta não é uma indicação do Estado brasileiro, é uma indicação pessoal e ideológica do Presidente Lula, é o uso do Itamaraty como extensão de um partido político para aparelhar a maior organização multilateral do mundo.
Infelizmente, a ONU atravessa uma crise de legitimidade sem precedentes – eu já usei esta tribuna para falar isso. Por militância de determinados grupos, a ONU vem se transformando em imensa plataforma de propagação de pautas radicais da esquerda: pauta de aborto, liberação de drogas, restrição à liberdade de expressão, liberdade religiosa, uma leniência com governos ditatoriais que não representam os verdadeiros anseios da população.
A ONU foi concebida como um espaço de promoção de paz – lá atrás –, da dignidade humana, da cooperação entre nações, mas, ao longo dos anos, temos visto uma crescente captura dessas instituições por agendas ideológicas que não representam o verdadeiro interesse dos povos.
Não podemos normalizar essa instrumentalização de instituições multilaterais. Não podemos aceitar que organismos que deveriam ser espaços de equilíbrio se tornem plataformas de promoção de agendas específicas, muitas vezes desconectadas da realidade e da vontade dos povos.
Hoje, muitas dessas agendas promovem pautas sensíveis, sem o devido respeito à soberania nacional, sem o devido debate democrático interno, e, muitas vezes, em desacordo com valores fundamentais de diversas sociedades, como a proteção à vida, o papel da família e as liberdades individuais.
E aqui eu falo, para encerrar, que essa indicação – eu quero deixar claro – não representa o Estado brasileiro em sua integralidade, ela reflete a posição do atual Governo, liderado por Lula, alinhada a uma determinada visão ideológica. Que fique claro, inclusive para o novo Presidente do Chile, que a oposição não concorda com isso. O Brasil é maior do que qualquer Governo, ainda mais num Governo de fim de linha, como é o Governo Lula, que está terminando. Se Deus quiser, vamos mudar.
O Brasil é plural, Sr. Presidente, o Brasil é diverso. E nós, Parlamentares, temos o dever de expressar essa pluralidade, especialmente quando entendemos que determinadas decisões não refletem os valores de grande parte da população.
Por isso, faço questão de registrar, nesta tribuna, que já assinei, juntamente com outros Parlamentares brasileiros, uma carta, a ser enviada à Organização das Nações Unidas, manifestando posição contrária à candidatura de Michelle Bachelet. A ONU precisa ser resgatada em sua essência, resgatada em seu compromisso com os direitos humanos verdadeiros, aqueles que protegem a dignidade humana em sua integridade, sem seletividade, sem distorções, sem imposições ideológicas.
Senador Esperidião Amin, ele deu oito minutos...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Eu ainda tenho um minuto, ele tinha reduzido o relógio.
Eu quero agradecer, mais uma vez, ao senhor e dizer para quem nos ouve: o Brasil não concorda. O brasileiro está com muitos problemas, inclusive, tem muitas outras prioridades. Muitas vezes não chega a informação de que alguém que é a favor de aborto, a favor de drogas, com pautas que não têm nada a ver com o que a maioria do povo brasileiro coaduna, o Lula está indicando. O mesmo Lula que passa a mão na cabeça do Hamas, que flerta com Nicolás Maduro, com Daniel Ortega. Não aceitamos isso. E que fique claro para o povo, amigo, chileno.
Muito obrigado, Sr. Presidente.