Pronunciamento de Izalci Lucas em 18/03/2026
Discurso durante a 17ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Comentários sobre possíveis indícios de irregularidades na negociação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), com apontamento de conexões entre autoridades do GDF, instituições financeiras e decisões judiciais. Acusação de supostas irregularidades em operações com o PicPay e prejuízos a aposentados e servidores do DF. Suspeita de blindagem institucional e gestão fraudulenta. Defesa de responsabilização dos envolvidos, com pedido de bloqueio de bens e proteção dos recursos públicos do Distrito Federal.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Administração Pública,
Direito Penal e Penitenciário,
Finanças Públicas,
Governo do Distrito Federal,
Sistema Financeiro Nacional:
- Comentários sobre possíveis indícios de irregularidades na negociação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), com apontamento de conexões entre autoridades do GDF, instituições financeiras e decisões judiciais. Acusação de supostas irregularidades em operações com o PicPay e prejuízos a aposentados e servidores do DF. Suspeita de blindagem institucional e gestão fraudulenta. Defesa de responsabilização dos envolvidos, com pedido de bloqueio de bens e proteção dos recursos públicos do Distrito Federal.
- Publicação
- Publicação no DSF de 19/03/2026 - Página 20
- Assuntos
- Administração Pública
- Jurídico > Direito Penal e Penitenciário
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Outros > Atuação do Estado > Governo do Distrito Federal
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
-
- ANALISE, CRITICA, FRAUDE, BANCO PRIVADO, PROPRIETARIO, DANIEL VORCARO, TRAFICO DE INFLUENCIA, ALEXANDRE DE MORAES, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), IBANEIS ROCHA, GOVERNADOR, DISTRITO FEDERAL (DF), JOESLEY BATISTA, EMPRESARIO, BANCO DE BRASILIA (BRB), PARTICIPAÇÃO, PREJUIZO, APOSENTADO, PENSIONISTA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), PEDIDO, RESULTADO, BLOQUEIO, BENS, PARTICIPANTE, PROTEÇÃO, RECURSOS PUBLICOS, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF).
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sr. Presidente, Sras. Senadoras e Srs. Senadores, eu sempre tenho falado aqui sobre coincidências, só que, a partir de hoje, eu vou parar de usar essa palavra. Não existe isso de coincidência na operação da compra do Banco Master pelo BRB. Na realidade, quanto mais eu pesquiso, mais eu percebo que foi criado um esquema no GDF. Eu vou explicar para vocês e eu peço aqui que todos fiquem atentos às minhas palavras.
Nesta semana, falei sobre a ligação entre os possíveis envolvidos no maior escândalo de corrupção do mercado financeiro do Brasil: o Ministro Alexandre de Moraes tirou o Governador Ibaneis do inquérito do dia 8 de janeiro; o escritório da esposa do Ministro Alexandre de Moraes tem contrato de R$129 milhões com o Banco Master; os encontros com o Vorcaro – Paulo Henrique, que era o Presidente do BRB, Alexandre de Moraes –, que resultaram na compra ou na tentativa da compra do Banco Master. Isso tudo para salvar ou beneficiar quem?
Vem comigo que tem mais coisa aqui.
Nas últimas semanas, saiu na imprensa que o escritório do Governador Ibaneis tinha contrato de R$43 milhões com o fundo ligado à Reag. O mesmo fundo fazia parte do Banco Master. Essa mesma gestora é investigada pela Polícia Federal, inclusive por ligações com o PCC. Falando da Polícia Federal, pasmem: a Polícia Federal solicitou, quatro vezes, ao STJ para fazer busca e apreensão contra Ibaneis e seus aliados, justamente pelo caso da compra do Banco Master. Adivinhem o que aconteceu? O STJ negou todos os pedidos feitos pela Polícia Federal. Foram quatro vezes, e houve a negativa por parte do STJ. Isso é muito estranho, não é? Parece blindagem, não é isso? Parece blindagem, porque não deixar a Polícia Federal fazer operação...
Mas calma, porque ainda tem mais.
Fazendo uma pesquisa hoje, eu encontrei algo que chamou minha atenção. Em maio de 2025, eu fiz aqui uma denúncia na CPMI do INSS: mostrei que o INSS tinha um programa chamado Meu INSS Vale+, e o único banco que foi liberado para fazer isso era exatamente o PicPay, do grupo J&F, do Joesley Batista – guardem esse nome. O que parecia um benefício... Esse aplicativo era o Meu INSS Vale+, que foi operado pelo Banco PicPay. E o que parecia um benefício para os aposentados se transformou num pesadelo. Eles adiantavam a aposentadoria e cobravam juros abusivos; não só juros, mas também taxas, seguro obrigatório. Então, com essa operação irregular, roubaram milhões dos aposentados, mas milhões, muito mais do que o desconto associativo.
Agora vem a ligação com o Distrito Federal.
Vocês sabiam que o GDF fez um convênio com o PicPay para adiantar o salário dos servidores do DF? Está aqui. O PicPay fez exatamente a mesma coisa que o INSS aqui fez. Parece algo muito bom, mas não é verdade. Só que vocês não sabem que o site da Secretaria de Estado de Economia, aqui do DF, informa a antecipação salarial e as empresas credenciadas – vejam, empresas, no plural. Agora, adivinhem, o PicPay é a única empresa credenciada para fazer essa antecipação. Isso mesmo, o PicPay, do grupo J&F, do Joesley Batista, também no GDF.
Mas ainda tem mais. Eu vi, na pesquisa que eu fiz, que teve uma campanha de divulgação de convênios, com alguns influencers dando as boas sobre a antecipação do salário. Tem várias influencers que foram contratadas para, realmente, fazer propaganda do PicPay. Então, houve um grande investimento nisso. Mas esses influencers não falavam uma coisa: a página de ajuda do PicPay fala que, para participar da campanha Telemedicina RX, é preciso ser servidor do DF, estar elegível à antecipação salarial e antecipar pelo menos R$20 do salário usando o aplicativo do PicPay. Isso é venda casada, um absurdo. Povo do Distrito Federal, acredite quando eu digo: não existe coincidência e eu vou mostrar o porquê.
Na semana passada, saiu outra matéria e ela fala o seguinte: o filho do Ibaneis comprou um duplex, está aqui, por R$9 milhões. Claro, qualquer pessoa pode comprar um apartamento no Noroeste, se tiver dinheiro. Porém, adivinhem só, sabem de quem era o imóvel, esse apartamento? De Joesley Batista, do grupo J&F, que é dono do PicPay. Falei que vocês guardassem esse nome. O que parece um simples negócio, um benefício, algo que vai ajudar a população do Distrito Federal vira um grande escândalo, uma possível organização criminosa, que usou o GDF como porta.
Quando eu falo de GDF, claro, falo de Ibaneis e de Celina Leão. Falando nos dois, vocês viram que foi derrubada a liminar que suspendia o uso dos terrenos do DF para cobrir o prejuízo do BRB? A conversa dos dois é que esses terrenos vão salvar o BRB, mas salvar deles mesmo – não é? –, porque foram eles que fizeram a compra do Banco Master, toda essa operação, todos os investimentos, mesmo sabendo dos títulos podres. A solução correta para salvar o BRB é usar os bens do Ibaneis e da Celina. Eu tenho certeza de que o dinheiro deles daria para tapar esse rombo e ainda sobraria.
Eu fui ao Ministério Público pedir o bloqueio dos bens deles e vou, amanhã – está marcado já com o Presidente do Banco Central, às 17h –, fazer o mesmo pedido. Ele mesmo me disse, em uma das reuniões que nós fizemos lá sobre esse caso, que o correto seria os responsáveis pagarem essa conta, e não o Governo do Distrito Federal, que, no caso, é o povo do Distrito Federal.
Eu vou continuar firme. Não vamos deixar, realmente, isso barato.
Ninguém mexe com o DF. O DF é do povo.
Então, não pode sair impune quem faz esse tipo de falcatrua que vem acontecendo.
Todo dia, Presidente, surgem novas notícias. Hoje mesmo, agora, já apareceu mais investimento de precatórios do escritório do Governador Ibaneis Rocha, sem falar que o Secretário da Casa Civil também fez parceria com o escritório, ou seja, estão envolvidos nessa operação o Governador, o ex-Presidente Paulo Henrique. E eu estive no banco, no BRB, conversando com o atual Presidente, o Nelson, e disse a ele que sou contador. Disse: "Olha, como pode alguém fazer um investimento de R$12 bilhões e não checar se tem fundamento, se tem garantia, se tem documento?".
(Soa a campainha.)
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Não fizeram isso.
Aí ele me disse que, na realidade, eles burlavam os conselhos fiscais, o conselho de administração, porque eles fatiavam... E aí, quando eles fatiam, não precisa de autorização do conselho. Mas esse fatiamento de R$12 bilhões...
Então, na prática, foi fraude, uma gestão fraudulenta. Não é uma questão também só de não se ter analisado isso.
E, ontem, na audiência pública que foi feita aqui no Senado Federal, com o Presidente do Conselho Federal de Contabilidade, os auditores independentes, eles mostraram. O Trevisan mostrou lá, realmente, o parecer do auditor independente. Ele dizia, realmente, isso. Dizia que, realmente, havia sérios problemas com relação a Banco Master e essas operações.
Então, o Presidente do BRB e o Governador fizeram isso, sabendo...