Discurso durante a 23ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Crítica ao encerramento da CPMI do INSS, com denúncia de articulação entre Poderes e cobrança de responsabilização dos envolvidos. Defesa da mobilização de Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas para apuração das denúncias. Posicionamento contrário à equiparação de condutas como homofobia e misoginia ao crime de racismo. Protesto contra resolução do Conselho Nacional de Psicologia e contra voto do Ministro do STF Alexandre de Moraes na ADI 7.426 que, segundo S. Exa., restringiriam a atuação ou identificação religiosa de psicólogos cristãos. Registro devoto de louvor a autoridades do Estado do Espírito Santo pelo êxito de operação de combate ao crime organizado.

Autor
Magno Malta (PL - Partido Liberal/ES)
Nome completo: Magno Pereira Malta
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Congresso Nacional, Atuação do Judiciário, Direito Penal e Penitenciário, Direitos Humanos e Minorias, Fiscalização e Controle, Improbidade Administrativa, Previdência Social, Saúde, Transparência e Governança Públicas { Modernização Administrativa , Desburocratização }:
  • Crítica ao encerramento da CPMI do INSS, com denúncia de articulação entre Poderes e cobrança de responsabilização dos envolvidos. Defesa da mobilização de Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas para apuração das denúncias. Posicionamento contrário à equiparação de condutas como homofobia e misoginia ao crime de racismo. Protesto contra resolução do Conselho Nacional de Psicologia e contra voto do Ministro do STF Alexandre de Moraes na ADI 7.426 que, segundo S. Exa., restringiriam a atuação ou identificação religiosa de psicólogos cristãos. Registro devoto de louvor a autoridades do Estado do Espírito Santo pelo êxito de operação de combate ao crime organizado.
Aparteantes
Chico Rodrigues.
Publicação
Publicação no DSF de 31/03/2026 - Página 50
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Congresso Nacional
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Jurídico > Direito Penal e Penitenciário
Política Social > Proteção Social > Direitos Humanos e Minorias
Organização do Estado > Fiscalização e Controle
Administração Pública > Agentes Públicos > Improbidade Administrativa
Política Social > Previdência Social
Política Social > Saúde
Administração Pública > Transparência e Governança Públicas { Modernização Administrativa , Desburocratização }
Indexação
  • CRITICA, COMPROMETIMENTO, SENADO, CAMARA DOS DEPUTADOS, EXECUTIVO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ENCERRAMENTO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
  • COMENTARIO, COPIA, REMESSA, RELATORIO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), DESTINAÇÃO, ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, CAMARA MUNICIPAL, ESTADOS.
  • CRITICA, INCLUSÃO, MISOGINIA, CATEGORIA, RACISMO, OBJETIVO, APROVAÇÃO, PROJETO DE LEI, INFLUENCIA, ELEIÇÕES.
  • INDIGNAÇÃO, PROIBIÇÃO, CONSELHO NACIONAL, PSICOLOGIA, IDENTIFICAÇÃO, PSICOLOGO, QUALIDADE, CRISTÃO.
  • APRESENTAÇÃO, VOTO DE LOUVOR, REQUERIMENTO, INSERÇÃO, PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA, MINISTERIO PUBLICO ESTADUAL, ESTADO DO ESPIRITO SANTO (ES), PROMOTOR, SUPERINTENDENTE, POLICIA FEDERAL, OPERAÇÃO, COMBATE, CRIME ORGANIZADO, TRAFICO, DROGA.

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES. Para discursar.) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, aqueles que nos veem pelas redes sociais e que estão nos vendo pela TV Senado, faço um registro do belo registro feito pelo Senador Izalci a respeito do final da CPMI. Espero que eu tenha um tempo, no final, para também fazer algumas considerações.

    O Brasil sofre e paga – os aposentados, neste momento, choram lágrimas de sangue –, por conta de um consórcio de quem não tem um pingo de vergonha na cara e que envolve esta Casa. Ela é a principal, a devedora é esta aqui, porque os caras são sabatinados aqui, são aprovados aqui, e é uma vergonha.

    Eu ouvi um áudio, esta semana, do Presidente desta Casa, com um Prefeito interino no estado dele, que é de dar vergonha, de vomitar, que é muito pior do que o escândalo do Banco Master.

    Esta Casa e a outra Casa, de conluio com o Executivo e com a Suprema Corte – que de suprema não tem nada, supremo é Deus –, de negociantes, empresários com capa de togados, e, diga-se de passagem, toga suja.

    Sr. Presidente, eu gostaria, ainda, dentro dessa questão da CPMI, que foi parada com uma força letal envolvendo os Poderes, porque todos estão na mesma lama, e de forma até covarde com o próprio estatuto...

    Eu já presidi grandes CPIs, grandes e de muito resultado, e as CPIs que eu presidi, todas elas, duraram anos, não foram só 120 dias, foram-se renovando prazos. Presidi a grande CPI do narcotráfico deste país, como Deputado Federal; presidi uma grande CPI da pedofilia, que durou anos. Inclusive fui lá no estado do Senador Chico e prendi até o Procurador, um pedófilo, bandido, procurador do estado; os empresários da cidade, os irmãos Carola, abusadores de criança, dois desgraçados. E nunca tinha visto o que vi, Senador Izalci, como V. Exa., que na sua vida parlamentar participou de tantas CPIs. Em nenhuma que eu tenha presidido eu vi isso, e CPIs perigosas, eu não vi isso que vi, contemplei...

    Mas Deus é justo. Se não chegou à cicatrização, ao menos o tumor nós esprememos, e o pus saiu. Hoje o povo mais simples sabe o nome de quem o roubou. Para quem? Para sustentar quem? O povo do Brasil sabe quem está blindado, quem foi blindado. Os estados sabem quem blindou, os Senadores, os Deputados... O Brasil sabe os Senadores que estão envolvidos nessa roubalheira, nessa safadeza.

    Cem anos – cem anos! – de sigilo do Careca. E eu entrei nessa mesa aí pedindo à Mesa que me informe se alguma vez o Careca entrou no meu gabinete. Acho que todos os Senadores tinham que pedir para o Presidente informar, porque, por exclusão, a gente vai saber onde é que ele entrou, mas nunca recebi nenhum tipo de resposta.

    Mas o povo brasileiro sabe quem tirou os seus parcos recursos, quem construiu enganação, quem gastou suas energias, lágrimas, choro, salários atrasados... Hoje, alguns nem remédio podem comprar, pessoas amputadas, pessoas que por diabetes adquiriram cegueira, pessoas com diabetes tipo 1. Esse Governo que aí está, de uma forma vergonhosa, negou – negou! – a insulina para alguém que tem diabetes tipo 1, cujo sofrimento a gente sabe o que é, e deixou de incluí-lo às pessoas portadoras de deficiências, Zezinho. E só sabe quem é portador de diabetes tipo 1 quem tem, ou quem tem alguém na família com diabetes tipo 1, e que se vê arrumando perspectivas, saídas, medicamentos que podem remediar. Até a aids hoje se bloqueia, o cara vive a vida inteira, mas, para a diabetes tipo 1 e o câncer, até hoje não acharam nada ainda. Até lesão de medula está se recuperando.

    Eu estou com muita esperança, Senador Chico, porque eu sou lesionado de medula. Eu tive um tumor dentro da medula, minha coluna é um enxerto, eu tenho um passivo do meu lado direito, tenho duas próteses nos dois joelhos e posso ser recuperado com essa descoberta maravilhosa que tem o nome de uma criança, menina, olha, e em forma de cruz ainda, descoberta por uma cientista. Quando uma cientista dessas precisa ser laureada no Brasil, o Brasil elege um homem como a mulher do ano.

    Eu estou oficiando as câmaras de Vereadores e as assembleias legislativas, Senador Izalci e Senador Chico, aqueles que nos ouvem, porque o nosso Relator Gaspar aceitou a minha indicação, que está no relatório, mas eu estou enviando, porque sempre fiz isso com as CPIs que eu presidi, para que as câmaras de Vereadores no Brasil e as assembleias legislativas abram uma CPI do INSS. A gente sabe que uma CEI, numa câmara de Vereadores, tem pouco poder, mas tem poder para se reunir, e o aposentado mora no município. Aqueles que foram lesados podem ir à câmara, dar seu depoimento, ter audiência pública, e nós teremos os nomes dos ladrões, do Careca, do Camisotti, do Lulinha, sendo repetidos no Brasil inteiro, todo o tempo, todo o dia. As assembleias legislativas abrirem, Senador Chico, uma CPI do INSS!

    Você tem ali o tribunal de Justiça, em que nós encontramos muitos magistrados juntos. Quantos roubados moram no seu estado? Quantos roubados moram no meu estado? Eles estarão nas assembleias legislativas, ali, dando nome de novo aos bois, dando nome aos que estão presos, aos milhões roubados, à mesada do Lulinha, às reuniões do Lula com o Vorcaro, aos R$129 milhões da mulher de Alexandre de Moraes, às relações dele com o Vorcaro, às relações de Vorcaro com o Toffoli – Toffoli Tayayá. Então, nós teremos o Brasil o tempo inteiro falando a mesma coisa. Não acaba aqui, não vamos ficar só nós aqui repetindo, porque eu vou ficar repetindo...

    E essa raça ruim está ali decidindo. Decidiram acabar com a CPMI. Decidiram acabar! Que moral – que moral – esses caras têm para votar alguma coisa, para dizer o que é certo e o que é errado? Quem só vive cometendo coisa errada! O discurso do Toffoli, falando em contenção – mamãe, me acode! –; um cara que tem um cassino clandestino... A fala de Gilmar... Ele quase chorou. Eu até me emocionei; ele quase chorou. Brincalhões. Brincalhões. Brincalhões. E a gente vai ter que fazer esse enfrentamento o tempo todo.

    Mas eu quero usar estes dez minutos porque estou oficiando as câmaras de Vereadores todas com base na aceitação do Relator. E aqueles que são do meu partido – e sou Presidente do meu partido no estado –, os Vereadores eleitos e os Deputados vão receber um comunicado para que eles proponham a CPI do INSS nas câmaras e assembleias legislativas, como membros do meu partido.

    Eu gostaria, Sr. Presidente, assim como... Afirmava o Senador Portinho: "Ah, eu estou sendo redundante, porque a Constituição já trata dessa questão da misoginia", mas o truque é velho. Graças a Deus, minha digital não está nisso. O truque é velho. Qual é o truque? O senhor se lembra do PL 122 – o senhor era Deputado Federal –, o chamado PL da homofobia, do casamento homossexual. Durante oito anos, eu enfrentei aqui a Fátima Cleide, que era a Relatora, lá de Rondônia. E não passou. Tentaram um truque aqui de madrugada, votar tudo em bloco – "Porque está começando o recesso parlamentar, ninguém quer olhar mais nada", "Vamos votar tudo por acordo" e tal –, e lá no meio estava essa matéria para se aprovar. E Deus sempre me dava a graça de descobrir, e nunca se aprovou. Então, não existe o tipo penal homofobia. Não existe esse tipo penal.

    Como eles não conseguiram, o que eles fizeram? Judicializaram e colocaram dentro do crime de racismo. O que racismo tem a ver com homofobia? – é a minha pergunta. Alguém pede para nascer albino? Alguém pede para nascer amarelo, nascer lá no Oriente? Alguém pede para nascer pardo, negro, índio? Não. O que homofobia tem a ver com o crime de racismo? Tem a ver que, se ele te põe no crime de racismo, ele te põe inelegível e acaba com a tua vida.

    E agora esse da misoginia é também um outro truque eleitoral. Porque, se você é dono de uma loja e diz para a funcionária: "Querida, toda vez você está arrumando as camisas desse lado, mas não é desse lado. Você precisa prestar atenção", pronto, é misoginia. Já é colocado no crime de racismo. É misógino; a vida acabou. Aí, todo mundo vai ter medo de dar emprego, de empregar mulher, porque tudo é misoginia.

    Não; misoginia realmente é um homem abrir a boca e chamar mulheres de "mulheres cis", "vocês, mulheres cis", referindo-se à mulher – mulher – que tem ovário, que tem útero, que tem endometriose, que sofre para parir, criar filhos, amamentar. Um macho – um macho – manda calar a boca, chama de lixo, de lixo da sociedade, e manda parar de latir.

    Venha cá: vai ser colocado agora no crime de racismo? Vai ser colocado no crime de racismo? Isso é misoginia, não é? Misoginia é um homem com muito ódio – ódio de mulher –, querer bater, difamar, gritar, espancar. Isso é misoginia! Agora, o marido diz para a mulher: "Olhe, você sabe que eu tenho pressão alta, sua comida está muito salgada". "Não, ele atingiu o meu psicológico; isso é misoginia." Gente, vamos parar de brincadeira com a vida dos outros. Isso tudo é um esquema, Senador Chico: jogam no crime de racismo e acabam com a sua vida.

    A outra coisa... Preste atenção, Senador Izalci, porque eu preciso muito de V. Exa. – o Brasil vai precisar. Está uma resolução do Conselho Nacional de Psicologia proibindo psicólogos de confissão cristã – vou pegar só uma informação aqui – de exercer e de se identificar como cristãos.

    Nós vivemos num país absolutamente cristão, e a resolução é esta: fica impedido o psicólogo – Conselho Nacional de Psicologia – de se identificar como cristão. Não tem cabimento! Nós vivemos numa nação absolutamente cristã. Eu não sei se tem estatística ou não tem. Vou procurar agora, porque acabei de protocolar... Senador Izalci e Senador Chico, sei que os senhores estarão comigo. Eu protocolei, agora, a criação da frente parlamentar em defesa dos psicólogos de confissão cristã. É maioria absoluta.

    Hoje, pela manhã, falei com o Pastor Silas Malafaia, que é psicólogo, e foi um dos primeiros a ser perseguido, ainda no meu primeiro mandato de Senador. Queriam tirar a inscrição dele por ser cristão. E, depois, a Marisa Lobo – não sei se vocês conhecem – lá de Curitiba, no Paraná, psicóloga que sofreu muito, fazendo palestras neste país ainda assim... E faço um registro: na pandemia, a psicologia foi aquela que mais atendeu pacientes; nunca se teve tanto paciente com doença psicológica – trancados dentro de casa – sendo atendidos online pelos psicólogos – e, na sua maioria absoluta, cristãos.

    O cidadão brasileiro tem direito de ir e vir e de escolher. Se o Conselho Nacional de Psicologia diz que o Estado é laico...

    Aliás, o Relator de uma Adin, aqui feita pelo Novo, pelo Partido Novo, a ADI 7.426, questionando o Conselho Nacional de Psicologia... Está aqui. Está no Supremo. Adivinhe, Senador Izalci, quem é o Relator? Alexandre de Moraes.

    Quero ler as datas aqui. O processo tem esse número, data inicial e data prevista para o fim no dia 08/04/2026. Está para acabar. Até este momento, só tem um voto, que é o voto do Alexandre de Moraes. Ele votou pela constitucionalidade de tirar a legitimidade do psicólogo que é de confissão cristã, que pode ser um católico, um espírita, um evangélico. E qual o argumento dele para a constitucionalidade? Eu vou falar o argumento do bonitão: ele diz que o argumento é de que o Estado é laico.

    Senador Chico, se o Estado é laico, por que o cristão é proibido? Você não pode proibir o muçulmano, você não pode proibir o da umbanda, o da macumba, o ateu que é psicólogo. Cada um procura um médico, aquele em quem confia e que pode ajudá-lo, mas querem perseguir cristão.

    E isso aqui, Alexandre de Moraes, é perseguição religiosa, é crime de perseguição religiosa. Então, eles estão criando outra vala, Senador. Já criaram a da homofobia, dentro do crime de racismo, a da misoginia e, agora, criminalizam um país que está assim ó...

    E eu faço isso em nome do Pastor Silas Malafaia, que é psicólogo, em nome da minha filha mais nova, Jaisliny, que é psicóloga, em nome da psicóloga Tatiana Hartz, que foi a psicóloga da CPI da Pedofilia e das psicólogas do Rio Grande do Sul que, conjuntamente, criaram o chamado depoimento sem dano. Eu falo isso em nome do Pastor Raimundo Goodgloves, que estudou comigo no Recife e, além de fazer Teologia, fez Psicologia.

    Eu alerto para o fato de que agora começa. Protocolei a frente parlamentar e já me comunico com os senhores. Essa frente parlamentar... Vamos fazer audiência pública e vou criar um grupo de psicólogos, no Brasil, que tem profundidade, e um grupo de juristas, um grupo de constitucionalistas...

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – ... porque nós não podemos permitir essa aberração.

    Eu sei o quanto é importante. O homem tem dois cérebros, ele tem um aqui; o intestino é seu segundo cérebro. E tudo demanda daqui. Quando você tem um problema que o inquieta, que o deixa sem dormir, o seu corpo todo sofre. A própria literatura chama isso de doenças somáticas. Doenças somáticas são doenças que se apresentam por causa dos seus dramas psicológicos.

    Eu sei o quanto eu sofro aqui por fazer o mandato do jeito que eu faço, por enfrentar do jeito que eu enfrento... O meu médico falou comigo: "A sua recuperação é mais difícil, porque você é inquieto; é mais difícil pela sua luta, pelo seu estresse, porque você não se acovarda. Você vai. Se você pudesse parar um pouquinho, a recuperação seria mais rápida".

    Mas minha sede em justiça, Senador Chico, é muito maior do que a minha dor. E eu gostaria que o seu povo lá de Roraima... O seu povo aqui, Izalci, espera que nós façamos isso, ou vamos ter que banir os cursos de Psicologia, ou alguém vai ter que virar ateu para poder manter a sua carteirinha e manter as suas consultas, não é? Porque não é fácil.

    Não é fácil hoje. É muito difícil, há muitos aproveitadores no mercado, mas quem trata de alguém, quem empresta o ouvido para alguém, uma hora, uma hora e meia e ouve a pessoa falar, contar, conversar, alguém que estudou, que se aprofundou nos livros, se aprofundou...

    Nós temos o Augusto Cury, respeitado no mundo e lido no mundo inteiro, um psicólogo ateu que foi estudar a Bíblia para desmoralizar a Bíblia e se converteu. Eles vão tomar a carteira de Augusto Cury, porra? Vão tomar a carteira deles, delas? Não vão não.

    Concorda comigo, Izalci? Concorda comigo, Senador? Não vão, não, porque nós vamos enfrentar. Nós vamos enfrentar. Eu vou fazer audiência pública no Brasil inteiro, com advogados, psicólogos e estudantes de Psicologia. Essa luta será a luta do Brasil. E a minha psicóloga, dentro da minha casa, formou-se no ano passado – eu falei desta tribuna –, é a minha filha adotiva, Jaisliny, por quem eu tenho muito orgulho.

    Que vergonha esse Conselho Nacional de Psicologia! Vergonha. Hoje tem psicólogos que não querem renovar a carteira.

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Hoje tem psicólogos que não querem participar. Ficam calados – ficam calados. E por que ficar calado quando você tem algo que é bom dentro de si? A gente tem que contar, tem que falar.

    Eu nunca neguei... Eu sei que o Brasil me conhece há muito tempo, porque eu fui Deputado Federal, fui Senador, e as pessoas sabem que eu nunca abri mão da minha fé. E, se a gente abrir mão agora, Senador Chico, e deixá-los fazerem isso com os psicólogos, amanhã eles farão isso com os políticos.

    Você não pode dizer qual é a sua fé, senão você não vai registrar a sua candidatura. Ou você diz que é ateu, que você é socialista, que você é comunista, ou que você é de uma religião que está completamente desassociada do cristianismo, ou você não terá legenda em partido.

    Olhe, se deixar subir um degrau, vai subir o segundo, viu? Se deixar subir o segundo, vai subir o terceiro. E essa luta começou e não vai dar certo. Deu ruim. Os psicólogos contem conosco aqui nesta Casa, porque nós assumimos essa verdade. Isso não é uma dor. É uma sandice, é uma canalhice. E nós vamos enfrentar juntos.

    Obrigado, Sr. Presidente.

    Muito obrigado, Senador Izalci, por me ouvir.

    Eu encerro a minha fala.

    Só para registrar, Sr. Presidente, é só um requerimento de congratulação para que o Senado possa enviar a essas pessoas.

    Ontem teve uma matéria no Fantástico falando sobre a infiltração do crime organizado na polícia do meu estado, uma matéria muito feia que põe o nosso estado mais uma vez nas páginas policiais de forma vergonhosa. E eu gostaria que essas pessoas aqui fossem cumprimentadas por este Parlamento e tivessem reconhecido o seu trabalho.

    Requeiro, nos termos do art. 22 do Regimento Interno do Senado Federal, inserção em ata de voto de louvor ao Dr. Francisco Martínez Berdeal, Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo; Promotor Vitor Anhoque Cavalcanti, Coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); e ao Dr. Márcio Magno Carvalho Xavier, Superintendente Regional da Polícia Federal do Espírito Santo, pelo êxito da Operação Turquia, operação integrada voltada ao enfrentamento de organizações criminosas com atuação no tráfico de drogas no Município de Vitória, Espírito Santo, que demarcou, prendeu e afastou das funções policiais que foram covardes e, de maneira criminosa, traíram o dever constitucional de proteger a sociedade...

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – ... ao se associar ao tráfico de drogas, vendendo, desviando entorpecentes apreendidos de operações oficiais e alimentando o mesmo crime que tinham obrigação legal de combater, numa atuação firme e exemplar que reafirma que o Estado brasileiro não tolera corrupção, crime, desvio de conduta no interior da sua própria instituição.

    O brasileiro não tolera mais corrupção. E corrupção, hoje... Corrupção é o enfeite, é o penduricalho do Brasil. É um país, hoje, que se tornou um ninho, um paraíso de corruptos que soltam bandidos e prendem inocentes, chamam inocentes de terroristas e se revoltam quando o Comando Vermelho e o PCC...

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – ... organizações criminosas... Eles se revoltam com quem quer tachá-los de organizações terroristas no mundo. É neste país, é com esse comando que nós estamos vivendo. O povo brasileiro não tolera mais.

    Qual é a possibilidade e qual é a moral que tem o Toffoli, que tem o Alexandre de Moraes, para dizer que alguém está errado ou está certo? Quando, na verdade, o que eles têm feito neste país, com a vida exposta, de maneira... com uma fratura exposta moral, fazendo contorcionismo jurídico... E, mesmo assim, eles continuam fazendo intervenção dentro dessas duas Casas – nesta principalmente, que, dos três Poderes, é a que mais poder tem, e que se cala, se acovarda –, e o monstro cresce todo dia contra a revolta e a tristeza do povo brasileiro.

    Muito obrigado, Sr. Presidente, pela tolerância.

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Muito obrigado pela tolerância.

    Que Deus abençoe o Brasil e que o Brasil acredite, porque nós vamos continuar lutando.

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para apartear.) – Senador Magno Malta, V. Exa. trata de um assunto, inclusive, que mostra exatamente a fratura na sociedade em função de decisões que, no mínimo, nós podíamos dizer que são incabíveis.

    Os psicólogos, obviamente, têm uma importância majestosa na vida das pessoas. Em momentos de dor, em momentos de recuperação, em momentos de injustiça muitas vezes praticada, você tem que a eles recorrer, porque eles, na verdade, nos bancos das universidades, se dedicaram exatamente a cuidar das vidas das pessoas. Portanto, num país onde nós temos milhares de problemas, onde a Justiça deveria, de uma forma pontual, cuidar das grandes questões, ela procurar eliminar – poderia dizer eliminar, mesmo – a religiosidade de um psicólogo, de um cidadão comum... Isso é um absurdo!

    V. Exa. pode ter a certeza de que nós seremos dos primeiros a subscrever esse seu projeto. Pode ter certeza, porque nós sabemos a importância vital que tem para o ser humano, quando, em um determinado momento da sua vida, um jovem ou um já maduro profissional da psicologia ouve-o por minutos, por horas, para arrancar da sua alma, muitas vezes, um sofrimento. Não é justo que decisões judiciais venham a impedir que ele tenha, realmente, a sua religiosidade.

    Portanto, parabéns a V. Exa., que sempre trata de questões extremamente polêmicas. Foi interessante assistir a V. Exa. olhando com uma precisão cirúrgica cada palavra, porque V. Exa. mesmo sofre, o seu psicólogo, o seu médico, a sua médica... Inclusive, o tempo de recuperação... Porque na verdade a sua cabeça está sempre sacudida por necessidade de proteção ao ser humano, em vários segmentos.

    E, é claro, quem sou eu aqui para falar exatamente do alcance das suas investidas, muitas vezes em temas ultrassensíveis, que, realmente, incomodam muita gente? Acredito que isso, no psicológico da pessoa, afeta de uma forma muito dura.

    Portanto, parabéns a V. Exa.

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES. Pela ordem.) – Eu quero incorporar a fala de V. Exa. ao meu pronunciamento.

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Muito obrigado.

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – E não sou Parlamentar de fazer isso normalmente, não.

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Muito obrigado.

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Nunca neguei aparte a ninguém, mas muitas vezes eu estou discursando, alguém me pede um aparte, eu dou e, quando ele termina, eu prossigo o meu discurso como se eu nem tivesse ouvido o que ele falou, mas incorporo ao meu pronunciamento as suas palavras e a disposição de andar conosco. Saiba que os psicólogos e psicólogas do seu estado estão nos vendo e certamente saberão do que se tratou aqui.

    O senhor falou: "Os psicólogos, as psicólogas de sua vida". Realmente, eu tenho psicólogas na minha vida, por quem eu tenho muito amor, e tem um psicólogo também, o meu tio, Pastor Manoel Nascimento, que me deu uma oportunidade de me levar para a casa dele, em Pernambuco, aos 17 anos de idade, do interior da Bahia.

    Quando eu cheguei, ele era estudante de Psicologia e Pastor da Primeira Igreja Batista em Jaboatão. Como estudante de Psicologia – eu cheguei lá aos 17 anos, sempre fui um menino muito precoce –, ele me sentou no escritório dele, olhou nos meus olhos e me disse uma frase que eu nunca esqueci: "Meu filho, eu não sei o que você pensa para a sua vida daqui para a frente. Sua mãe me pediu para ajudá-lo, e eu trouxe você para aqui, mas eu quero lhe dizer uma coisa para você nunca mais se esquecer: meu filho, o homem é aquilo que ele decide ser". Naquele dia, eu refiz todos os meus compromissos com Deus, e sou o homem que sou.

    Lembro que minha mãe fez para ele uma ligação a cobrar. E eu fui para essa ligação com ela, na Telebahia, lá no interior da Bahia, em Itapetinga.

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – E lembro que a moça falou: "Olha, a chamada da senhora foi atendida, está no box 3", porque você fazia uma chamada a cobrar e ficava ali esperando se a pessoa ia atender. E lembro que fiquei de longe, eu nem sabia que era sobre mim, mas eu vi como ela falava, como ela respondia ao que ele falava. E eu ouvi uma frase da minha mãe. Ela disse assim: "Meu irmão, ajude meu filho, leve meu filho para sua casa, porque você não vai se envergonhar. O meu filho será um grande homem, o meu filho vai lhe dar muita alegria".

    Meu tio é jubilado, está em Palmeira dos Índios. O perfil dele no Instagram é Pastor Manoel Nascimento. Ele tem sempre uma reflexão ali, todos os dias, Pastor Manoel Nascimento.

    E eu sou grato, foi um pai para mim.

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Terezalva, a esposa dele, uma mãe para mim. A partir dos meus 17 anos, apesar de ter mãe e pai, eles me deram e abriram as portas, me dando essa oportunidade.

    Eu tenho minha filha, que é psicóloga, tenho uma sobrinha chamada Jaddh, que teve um bebê agora, José. Um beijo para o José e um beijo para você, Jaddh, essa minha sobrinha, que tem quase todas as formações nessa área, sabe?

    E sei que milhões estão me ouvindo neste momento. Saibam de milhões que emprestam o seu ouvido – e muitos sem cobrar nada, alguns trabalhando quase que de graça, porque quem serve a uma clínica... Na verdade, das clínicas hoje – até dos hospitais – os donos não são médicos, não são nada; é um negócio. O cara compra um hospital para ganhar dinheiro. É como a indústria farmacêutica. O cara quer ganhar dinheiro. E, muitas vezes, é assim em todas as áreas, não é? Você está aí cheio de psicólogos e psicólogas...

(Soa a campainha.)

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – ... trabalhando por quase nada. Estudaram tanto e ainda recebem uma carga dessa, uma informação dessa, desgraçada, miserável e que nós, com a garra e com a bênção de Deus, não vamos permitir.

    Obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 31/03/2026 - Página 50