Discurso durante a 22ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar os 32 anos da Agência Espacial Brasileira (AEB). Relato pessoal sobre a presença de S. Exa. no Cazaquistão há exatos 20 anos, acompanhando o lançamento da Missão Centenário. Reiteração de que a Agência Espacial Brasileira é a guardiã de um projeto de soberania que transcende governos.

Autor
Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Ciência, Tecnologia e Informática, Data Comemorativa:
  • Sessão Especial destinada a celebrar os 32 anos da Agência Espacial Brasileira (AEB). Relato pessoal sobre a presença de S. Exa. no Cazaquistão há exatos 20 anos, acompanhando o lançamento da Missão Centenário. Reiteração de que a Agência Espacial Brasileira é a guardiã de um projeto de soberania que transcende governos.
Publicação
Publicação no DSF de 31/03/2026 - Página 34
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Honorífico > Data Comemorativa
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, AGENCIA ESPACIAL BRASILEIRA (AEB), MES, MARÇO.
  • REGISTRO, ACOMPANHAMENTO, CAZAQUISTÃO, MISSÃO, ATIVIDADE ESPECIAL, ASTRONAUTA, SENADOR, MARCOS PONTES.
  • IMPORTANCIA, AGENCIA ESPACIAL BRASILEIRA (AEB), SOBERANIA NACIONAL, MONITORAMENTO, AMAZONIA, AGRICULTURA, DEFESA, TELECOMUNICAÇÃO.

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Minha querida Presidente, Senadora Damares Alves, que é a caixa de ressonância do pensamento feminino do Brasil aqui nesta Casa; colega Senador e amigo de longa data Marcos Pontes; autoridades aqui presentes, que eu cumprimento na pessoa do decano Dr. Mussi, que representa exatamente esse programa, para ficar vivo na nossa memória o seu envolvimento e a sua dedicação, já ultrapassando a fronteira dos 90 anos com esse vigor intelectual, esse exemplo que deixa o rastro de uma força para que a ciência e a tecnologia do Brasil tenham milhares de seguidores; eu subo hoje a esta tribuna com um sentimento especial de orgulho nacional e – por que não dizer? – pessoal para celebrar duas datas que simbolizam o sonho, a ousadia e a capacidade do povo brasileiro de olhar para além do horizonte.

    Comemoramos os 32 anos da Agência Espacial Brasileira, uma instituição que, desde sua criação, tem sido guardiã de um projeto estratégico para o país: o domínio do espaço como instrumento de desenvolvimento, soberania e inovação.

    Celebramos também os 20 anos da histórica Missão Centenário, um marco que permanece vivo na memória de todos nós. Foi naquele momento que o Brasil rompeu a barreira da atmosfera e escreveu seu nome entre as nações que já enviaram um cidadão ao espaço, um feito que teve rosto, coragem e, acima de tudo, dedicação: o do nosso primeiro astronauta, Marcos Pontes, hoje Senador desta Casa, que honra o Parlamento com sua trajetória singular. Senador Astronauta Marcos Pontes, eu, que acompanho com carinho sua carreira praticamente desde o início, hoje me orgulho de perfilar ao seu lado nos trabalhos desta Casa de representação política e fortaleza de nossa democracia.

    Senhoras e senhores presentes, tenho a honra de dizer que fui testemunha ocular deste momento histórico. Para minha alegria, estive presente no lançamento do primeiro brasileiro ao espaço, no Cazaquistão, há exatos 20 anos. Vi com emoção indescritível o instante em que aquele foguete deixou o solo, levando consigo não apenas um homem, mas os sonhos de mais – na época – de 180 milhões de brasileiros. Naquele momento, o Brasil não apenas chegou ao espaço, o Brasil afirmou ao mundo que é capaz de sonhar grande e, mais do que isso, de realizar. Todo dia, no meu trabalho parlamentar – e já se vão quase 40 anos –, eu gosto de repetir uma máxima: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce". Senador, astronauta e amigo Marcos Pontes, com o nosso trabalho transformamos sonhos em realidade, por isso o meu trabalho não para, com ele estou sempre transformando sonhos em realidade.

    Voltando à Missão Centenário, ela não foi um evento isolado, ela foi resultado de décadas de investimentos em ciência, tecnologia e formação de talentos. Foi fruto do trabalho sério da Agência Espacial Brasileira, das universidades, dos centros de pesquisa e de todos aqueles que acreditaram que o espaço não é um luxo, mas uma necessidade estratégica em benefício do ser humano.

    Hoje, ao olharmos para o desafio do século XXI, essa visão se mostra ainda mais relevante. O Programa Espacial Brasileiro é essencial para o monitoramento ambiental, para a agricultura de precisão, para a defesa nacional, para as telecomunicações e para a integração de um país de dimensões continentais como o nosso querido Brasil.

    Celebrar os 32 anos da AEB é, portanto, reafirmar nosso compromisso com a ciência, com a inovação e com o futuro. Celebramos os 20 anos da Missão Centenário renovando nossa crença de que o Brasil pode e deve ocupar o lugar de protagonismo no cenário internacional de tecnologia espacial.

    Mas, acima de tudo, esta é uma celebração de pessoas, de brasileiros e brasileiras que dedicaram as suas vidas à pesquisa, à engenharia e ao conhecimento; de jovens que se inspiraram naquele lançamento e decidiram seguir carreira científica; de todos os que acreditaram que investir em ciência é investir no desenvolvimento do nosso querido Brasil.

    Que esta data não seja apenas de memória, mas um compromisso com o futuro, compromisso com mais investimentos, compromisso com políticas públicas consistentes, compromisso com um projeto nacional que enxergue no espaço uma fronteira de oportunidades, porque um país que alcança o espaço demonstra, acima de tudo, antes Astronauta e Senador, essas oportunidades para beneficiar o nosso povo, porque um país assim demonstra muita força e, acima de tudo, muita determinação.

    Parabéns à Agência Espacial Brasileira. Parabéns à Missão Centenário. Parabéns, colega e Senador Astronauta Marcos Pontes. Parabéns ao povo brasileiro que continua olhando para o céu, não com resignação, mas, acima de tudo, gente, com ambição.

    Eu tive a oportunidade de acompanhar, como já foi dito aqui pelo Senador Marcos Pontes, muitos anos daquela operação de treinamento, capacitação e, acima de tudo, de exemplo de obstinação, apesar das dificuldades que foram encontradas pelo caminho.

    Muitos aqui presentes conhecem, com precisão cirúrgica, as dificuldades que foram enfrentadas pelo Programa Espacial Brasileiro, mas, acima de tudo, do nosso astronauta.

    Eu tive a oportunidade, muitas vezes, em Houston, de acompanhar o treinamento do Senador Marcos Pontes; e, voltando ao Brasil, vendo a carência de recursos e, depois de capacitado, preparado, treinado, em condições de voo, foi feita uma verdadeira operação de guerra, de convencimento, à época do Presidente Lula, através do saudoso e companheiro de longas jornadas Ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos, que nos recebeu lá e, sozinho, na sala do seu gabinete, conversou com o Senador Marcos Pontes e disse que iria levar o projeto do voo ao Presidente. E, de lá, na verdade, houve a determinação exatamente para que, com qualquer custo, fosse realmente feita a missão e cumprida a missão.

    Portanto, quero dizer aqui, como foi falado pelo Senador Marcos Pontes – Aroldo Cedraz, Maurício Rabelo, Jair Messias Bolsonaro, à época, colegas nós éramos da Comissão de Ciências e Tecnologia e também da Comissão de Defesa Nacional –, que houve realmente um empenho profundo.

    E, apesar do querer contrário de muitos, a decisão de nós termos um astronauta capacitado, comprometido com o país, para representar o Brasil no espaço, chegou, não em uma nave americana, mas numa janela de oportunidades de nações soviéticas.

    E, a partir daquele momento, o Brasil, na verdade, mostrou a capacidade dos seus técnicos, mostrando, acima de tudo, o compromisso do Congresso Nacional, sim, senhor, naquela época, porque todos defendiam o voo do Astronauta Marcos Pontes.

    E lá, gente, emociona-nos dizer que, naquelas caminhadas, ali em Baikonur, nós víamos a fragilidade, víamos a inquietação da Fátima, esposa do Marcos – nós passamos todo o tempo juntos, fomos em uma nave, em um avião soviético, de Moscou a Baikonur – no dia do lançamento, e aquela inquietação, naquele momento de despedida, ali no vidro, com o Pavel, o Jeffrey e o Marcos...

    O Marcos era o mais alegre de todos; parecia Yuri Gagarin ali – todo mundo, inclusive, fazia esse comentário ali –, com aquela resiliência monumental, que, na verdade, transmitia a todos nós ali a segurança, mais a família, os filhos, os dois, o Fábio e a Carol, adolescentes, ali olhavam...

    E você, também como pai, verificava, imaginava o que passava na cabeça da mãe ali, vendo, na verdade, o que poderia acontecer, e o que acontecia era pela vontade de Deus.

    Mas a vontade de Deus, Marcos, levou, trouxe e deu a honra de você, na verdade, ser uma pessoa querida e admirada por todo o Brasil, a ponto, gente, de, na eleição passada, o Marcos ter tido mais votos para o Senado do que o candidato a Presidente da República em São Paulo – o reconhecimento silencioso da população do Estado de São Paulo.

    Lembro-me de quantas e quantas vezes nós falávamos ao telefone. Marcos seria candidato a Deputado Federal. E, no momento de inspiração qualquer do destino, porque nada acontece sem a vontade de Deus...

    O tempo do homem não é o tempo de Deus, e, na verdade, estava reservado, quando ele me disse... Um sábado, eu em campanha, e o Marcos disse: "Poxa, o Presidente Bolsonaro agora quer que eu seja candidato ao Senado. E aí?". Eu disse: "Aí? Você foi muito mais longe; você foi ao espaço. O espaço da Terra é pequeno para você".

    E, graças a Deus, ele aceitou a indicação, foi candidato e teve aquela maior votação da história de São Paulo para o Senado.

    Portanto, está aqui honrando. Na Comissão de Ciência e Tecnologia, ele praticamente é a caixa de ressonância das demandas reprimidas do Brasil em ciência e tecnologia!

    E as conquistas, Senadora Damares, V. Exa., que na área social é o exemplo também desses novos Senadores que entraram aqui no Parlamento...

    Eu não estou muito velho, não, gente, mas eu fui colega do Ulysses Guimarães aqui, 1990, quando entrei, em 1991, quando entrei na Câmara dos Deputados, onde fiquei por mais de 20 anos. E depois fui Governador, Vice-Governador, fui Vereador, enfim, já estou no nono mandato, sempre com o mesmo orgulho e a mesma determinação que o Marcos, hoje, transfere para a ciência e tecnologia.

    Na verdade, são um troféu para a gente as conquistas que a gente vê chegar a cada dia nas populações dos nossos municípios, dos nossos estados, da Amazônia, eu, como representante do Estado de Roraima e do Brasil – por que não dizer?

    Portanto, parabéns, meu amigo Marcos Cesar Pontes, Senador da República!

    Essa frase que inspirou... E olhem, com aqueles olhinhos pequenos, ali, de japonês do Eric...

    Como você disse, trabalhe, estude, persista e faça mais do que alguém possa esperar por você. E aí, na verdade, o futuro, e o voo, fica muito mais fácil na vida de cada um de nós, mas, acima de tudo, de todos nós, brasileiros, que, neste país gigantesco, neste país de dimensões continentais, de uma capacidade que Deus nos deu de termos uma tabela periódica, de mantermos os minerais estratégicos...

    Dizia-me um professor meu na Itália, quando estudei lá em Roma, como engenheiro agrônomo, no curso de Política de Desenvolvimento Rural e Urbano, ele dizia, na verdade, que o Brasil era maior do que o sonho dos brasileiros, que foi Amintore Fanfani, que era um dos professores, depois veio ser Primeiro-Ministro da Itália, e dizia isso. E, na verdade, a gente vive essa realidade hoje.

    Então, o Brasil é maior do que muitos acreditam, e, para nós, 215 milhões de brasileiros, esse é apenas o começo da decolagem dessa grande nave que se chama Brasil.

    Portanto, parabéns aos 32 anos da AEB! Parabéns aos 20 anos da Missão Centenário!

    E, Marcos, você é orgulho não apenas de nós, seus colegas Senadores, mas orgulho do Brasil.

    Muito obrigado. (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 31/03/2026 - Página 34