Discurso durante a 25ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Preocupação com o elevado índice de endividamento das famílias paraenses e com a precariedade do mercado de trabalho. Insatisfação com a condução do governo do Pará em relação à economia e apelo por medidas estruturais que promovam emprego, renda e melhoria das condições de vida da população.

Autor
Zequinha Marinho (PODEMOS - Podemos/PA)
Nome completo: José da Cruz Marinho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Fomento ao Trabalho, Governo Estadual, Proteção Social:
  • Preocupação com o elevado índice de endividamento das famílias paraenses e com a precariedade do mercado de trabalho. Insatisfação com a condução do governo do Pará em relação à economia e apelo por medidas estruturais que promovam emprego, renda e melhoria das condições de vida da população.
Publicação
Publicação no DSF de 01/04/2026 - Página 66
Assuntos
Política Social > Trabalho e Emprego > Fomento ao Trabalho
Outros > Atuação do Estado > Governo Estadual
Política Social > Proteção Social
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, ENDIVIDAMENTO, FAMILIA, ESTADO DO PARA (PA), MERCADO DE TRABALHO, ECONOMIA INFORMAL.
  • CRITICA, GOVERNO ESTADUAL, ESTADO DO PARA (PA), DIVIDA PUBLICA, AUSENCIA, REAJUSTE, SERVIDOR PUBLICO ESTADUAL, DEFICIENCIA, INFRAESTRUTURA, SAUDE PUBLICA, ENSINO PUBLICO, HABITAÇÃO, FAVELA.

    O SR. ZEQUINHA MARINHO (Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - PA. Para discursar.) – Muito obrigado, Presidente.

    Eu volto à tribuna no dia de hoje para abordar a grave situação econômica que assola a população do Estado do Pará – por tabela, o Estado do Pará como um todo – e, consequentemente, a vida de milhões de paraenses. Os números que trago aqui não são meras estatísticas, são o retrato de uma realidade dura de famílias endividadas, de sonhos adiados e de um futuro incerto.

    Recentemente, fomos confrontados com dados alarmantes. Um levantamento da Fecomércio revelou que mais de 70% das famílias paraenses iniciaram o ano de 2026 com algum tipo de dívida. Em fevereiro deste ano, o percentual de endividamento atingiu 71,9%, um aumento preocupante em relação a janeiro, 70,4%, e ainda mais grave em comparação com fevereiro de 2025, que era 69,3%. Isso significa que em apenas um ano o endividamento cresce 3,75%, e, mensalmente, de janeiro para fevereiro de 2026, houve uma alta de 2,13%. Essa é uma tendência que compromete seriamente a renda e a dignidade dos cidadãos do meu estado.

    É importante ressaltar, Presidente, que o endividamento é mais acentuado entre as famílias de menor renda. Em fevereiro de 2026, 74,5% das famílias que recebem até dez salários mínimos estavam endividadas, contrastando com 47,7% daquelas com renda superior a isso. O cartão de crédito, como era de se esperar, lidera o ranking das dívidas, presente em 89,6% dos casos, seguido por carnês, 24,3%, e o crédito consignado, de 11,5%.

    Mas o que causa essa espiral de endividamento? De acordo com o ranking de competitividade dos estados, o Pará ocupa a última posição em relação à formalidade no mercado de trabalho.

    Este é um dado de um grito silencioso que ecoa a falta de oportunidades, a precariedade dos empregos e a dificuldade que os paraenses enfrentam para conseguir recursos financeiros estáveis, que lhes permitam saldar suas dívidas e construir um futuro com um pouquinho mais de segurança.

    Como se não bastasse, a população paraense ainda terá que pagar por uma dívida colossal: o Governo do Pará, com a anuência da Assembleia Legislativa do estado, contraiu um total de mais de R$22 bilhões em empréstimos. Este montante será pago por essa população, por essa mesma população que já se encontra endividada e que luta diariamente para sobreviver. É inaceitável que, diante de um cenário de tamanha fragilidade econômica e social, o Governo estadual imponha um fardo financeiro tão pesado sobre os ombros da população paraense.

    E, além da queda, o coice: não bastasse a condição financeira a que o Governo do estado submete a população, recentemente o Governador anunciou um reajuste de apenas 6% aos salários dos servidores públicos do estado. Segundo dados do Sindicato das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), as categorias do funcionalismo público estadual já enfrentam um abismo salarial de 37%. Esse percentual representa o poder de compra que foi corroído e que o Governo ignora ao reajustar os salários com apenas 6% quando está devendo 37% de reajuste.

    Precisamos de políticas públicas que promovam a geração de empregos formais, que estimulem o desenvolvimento econômico e social sustentável e que ofereçam condições para que as famílias possam sair do ciclo do endividamento, e não o contrário! Precisamos de ações concretas, de um plano de recuperação econômica que seja transparente, justo e que coloque o bem-estar do povo paraense acima de quaisquer outros interesses. Não podemos admitir que a dívida do estado se torne a dívida impagável de cada cidadão paraense.

    A hora de agir é agora! O povo paraense merece respeito, dignidade e, acima de tudo, esperança de um futuro melhor.

    Agora, no final de semana, certamente o Governador vai se afastar para concorrer às eleições de outubro – festa e muita festa, mas são festas que não se baseiam em dados; são festas fictícias para se comemorar nada, e esse nada significa essa situação econômica que o Pará está vivendo.

    Se nós pegarmos o PIB do estado entregue em 31 de dezembro de 2018 e compararmos, de lá para cá, com 31 de dezembro de 2025, a gente vai ver a insignificância do crescimento: muito pouca coisa. O estado não tem infraestrutura; o estado não tem segurança jurídica, nem no campo, nem na cidade; o estado precisa urgentemente encontrar um novo rumo!

    Mas o estado virtual, aquele estado da televisão, das redes sociais, que as agências de publicidade, marketing, colocam e vendem para a população, é um estado lindo, maravilhoso, é um estado em perfeitas condições para a população, oferecendo saúde, oferecendo educação, oferecendo tudo de bom.

    Só que a população não vive nesse estado digital, nesse estado inexistente; ela vive no estado real, e, quando se vive no estado real, você vê a dificuldade de cada cidadão paraense quando precisa de um leito para internar uma pessoa; você vê a dificuldade quando o Ideb das suas escolas é um dos mais baixos de todo o país; você vê dificuldade na geração de emprego, de renda e de oportunidade. Essa é a situação do estado real, do estado em que vivem as pessoas.

    E era isso, Sr. Presidente, nessa véspera da festa que vem aí, para comemorar nada, dizer que está tudo bem e vender para essa população, coitada, que precisa de renda, que precisa de oportunidade, que precisa de uma casinha melhor... Para o senhor ter uma noção, o Estado do Pará... Belém do Pará é a capital mais favelizada do Brasil, ninguém ganha da gente. O déficit habitacional é uma coisa gritante: numa casinha pequena moram duas, três, quatro famílias, uns por cima dos outros! E a gente precisa encarar essa realidade como ela é, nua e crua, e dar a essa gente a oportunidade de viver com dignidade, pelo menos.

    Portanto, era esse o registro que eu quero deixar na véspera da grande festa que vem aí, dia 2, para celebrar, como disse, absolutamente nada!

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 01/04/2026 - Página 66