Pronunciamento de Teresa Leitão em 31/03/2026
Discurso durante a 24ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão de Premiações e Condecorações destinada à entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz.
Exaltação da atuação unificada da Bancada Feminina e da Procuradoria da Mulher no Senado Federal, enfatizando a superação de divergências partidárias em prol de pautas fundamentais, como a equiparação salarial.
- Autor
- Teresa Leitão (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
- Nome completo: Maria Teresa Leitão de Melo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Mulheres:
- Sessão de Premiações e Condecorações destinada à entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz.
-
Atuação do Senado Federal,
Mulheres:
- Exaltação da atuação unificada da Bancada Feminina e da Procuradoria da Mulher no Senado Federal, enfatizando a superação de divergências partidárias em prol de pautas fundamentais, como a equiparação salarial.
- Publicação
- Publicação no DSF de 01/04/2026 - Página 31
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Proteção Social > Mulheres
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Indexação
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- SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES, HOMENAGEM, DIPLOMA, MULHER, CIDADÃO, BERTHA LUTZ, PESSOAS, CONTRIBUIÇÃO, PROMOÇÃO, DIREITO, DIREITOS HUMANOS, GENERO.
- ELOGIO, ATUAÇÃO, UNIÃO, BANCADA FEMININA, PROCURADORIA ESPECIAL DA MULHER, SENADO, DIVERGENCIA, PARTIDO POLITICO, OBJETIVO, SOCIEDADE, EQUIPARAÇÃO SALARIAL, GENERO.
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para discursar.) – Bom dia a todas e a todos. Quero, na pessoa da Senadora Augusta Brito, Presidente desta sessão, saudar toda esta mesa, todas as minhas colegas Senadoras, as que estão aqui presentes e as que não puderam vir por algum motivo superior.
Quero também cumprimentar todas as agraciadas, indicadas, votadas por unanimidade pela Comissão, como também o bendito sois entre as mulheres, o Dr. Heleno Taveira, agraciado.
Quero destacar a importância desse prêmio aqui para o Senado Federal. O Senado concede vários prêmios, em várias situações e com diversas motivações. Esse prêmio, que é sempre concedido no mês de março, significa uma luta histórica das mulheres pelo direito de votar, pelo direito de serem votadas. Independentemente da função que tantas e todas de vocês representam, as senhoras, estar no espaço Legislativo, estar nos espaços de poder, é importantíssimo para as mulheres, porque é neste espaço que muitas coisas se resolvem. Às vezes não muito bem; às vezes nem com tanta importância; às vezes com o valor diminuído por várias querelas e circunstâncias, mas é aqui que a vida das mulheres é pensada.
E aqui, nesta Casa, como algumas Senadoras já disseram, a Bancada Feminina e a Procuradoria da Mulher conseguem fazer um trabalho de unidade, independentemente de partidos políticos diversos, independentemente da polarização reinante. Quando se trata de assunto de mulher, a nossa unidade é muito trabalhada e muito conquistada.
Eu vou dar um rápido exemplo. Equiparação salarial entre homens e mulheres. Para nossa tristeza, na Câmara, houve mulheres que votaram contra esse projeto de lei. Quando o projeto chegou aqui no Senado, nós nos unimos, refletimos, apresentamos emendas e todas as Senadoras votaram "sim" (Palmas.)
porque esse é um projeto fundamental para o empoderamento, para a autonomia financeira da mulher, que muitas vezes a livra da violência doméstica.
Terminadas as minhas saudações, eu vou me dirigir à minha homenageada.
Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá. (Palmas.)
Lia de Itamaracá é uma das mais importantes e reconhecidas representantes da cultura popular brasileira, consagrada como a maior cirandeira do Brasil.
Nascida e criada na Ilha de Itamaracá, uma pequena cidade da região metropolitana do Recife, teve sua formação profundamente ligada às tradições populares do litoral pernambucano, especialmente a ciranda, manifestação cultural coletiva, marcada pelo canto, pela dança em roda e pela oralidade.
Lia também foi funcionária pública estadual, hoje aposentada, e trabalhou em escolas das redes. Foi lá também que nós nos encontramos. Eu sou professora aposentada da rede estadual, Lia foi agente administrativa, trabalhou em merenda, numa atenção muito presente aos estudantes pequenininhos.
(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Iniciou sua trajetória artística ainda jovem, apresentando-se em festas populares e eventos comunitários. Paralelamente à carreira musical, trabalhou por muitos anos como merendeira da rede pública, mantendo-se ligada à educação e à vida comunitária, o que reforça seu papel social e simbólico como referência cultural.
Seu reconhecimento nacional teve impulso a partir da década de 1970, com o lançamento do álbum A Rainha da Ciranda, em 1977, no qual se destacou com a canção, que é um ícone do seu repertório, Essa ciranda quem me deu foi Lia, que se tornaria um verdadeiro hino da cultura popular pernambucana.
Ao longo de sua trajetória, Lia de Itamaracá consolidou-se também como símbolo da afirmação feminina na cultura popular brasileira em um campo historicamente marcado por desigualdade de gênero e pela invisibilização das mulheres, especialmente das mulheres negras e nordestinas, por isso a nossa homenagem para Lia de Itamaracá.
Sua presença como protagonista, liderança artística e mestra de saberes tradicionais representa uma forma concreta de resistência e empoderamento feminino. Por meio de sua atuação pública, de suas canções e de sua postura artística, Lia reafirma o papel das mulheres como criadoras, guardiãs e transmissoras da cultura, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e da visibilidade feminina e da autonomia.
Lia tornou-se referência em debates sobre gênero, identidade, cultura e território, sendo frequentemente convidada a participar de eventos, projetos educativos e iniciativas culturais que promovem a valorização das mulheres...
(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... o respeito à diversidade e à igualdade de direitos. Sua trajetória inspira gerações de mulheres, artistas e lideranças comunitárias, reforçando a importância da ocupação feminina nos espaços culturais, sociais e políticos.
Ao longo das décadas, Lia de Itamaracá ultrapassou as fronteiras regionais, passando a se apresentar em importantes palcos do Brasil e do exterior. Sua obra dialoga com artistas da música popular e da cena contemporânea sem jamais se afastar das raízes tradicionais da ciranda.
A ciranda é muito forte na Paraíba e em nosso estado, meu e de Lia, o Estado de Pernambuco, muito presente na zona da mata, da monocultura da cana-de-açúcar e também na beira da praia, que é onde Lia reside e tem a sua casa cultural, na beira da praia da Ilha de Itamaracá.
Para se dançar a ciranda, damos a mão com a mão, fazemos uma roda, cantando uma canção. É uma dança que não tem idade, que não precisa de par, homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher, criança, velho, adulto, mas também não se dança só. É uma dança que se dança de roda. Onde começa uma roda? É na minha mão ou é na mão de quem me dá a mão? É na sua mão ou é na mão que lhe dá a mão? Ninguém sabe, porque a roda não permite isso. Por isso que ciranda também é uma dança democrática, contagiante, no batido das pernas, nos passinhos, rodando, girando. Até quando? Até a gente conseguir vida plena para todas as mulheres.
(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – E Lia colabora, evidentemente, com isso.
Lia de Itamaracá simboliza a resistência da ciranda. Lia de Itamaracá simboliza a continuidade e a valorização da cultura popular nordestina – com licença, deixe-me falar do meu Nordeste!
Lia de Itamaracá, esse vozeirão que cala todos que a ouvem, ou então estimula o batido de palma, o dançar da ciranda, para que a gente possa, na alegria, no compartilhar de uma roda, construir dias melhores para o Brasil, para a democracia, para as mulheres e para a igualdade de todas nós.
Parabéns a todas vocês que, assim como nós Senadoras, que assim como Lia, cirandeira, praticam a arte da defesa das mulheres!
Muito obrigada.