Pronunciamento de Eduardo Girão em 07/04/2026
Discurso durante a 29ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Cobrança da instalação da CPI/CPMI do Banco Master.
Indignação com a atuação do PGR e do STF, supostamente marcada pela desproporcionalidade das decisões e pelo abuso de poder. Reflexão sobre a crise institucional e moral no país.
Críticas ao Senado Federal por alegada omissão de sua função de controle dos outros Poderes, em especial do Judiciário.
Elogios ao trabalho do jornal Gazeta do Povo.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atuação do Judiciário,
Atuação do Senado Federal,
Controle Externo:
- Cobrança da instalação da CPI/CPMI do Banco Master.
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Atuação do Judiciário,
Atuação do Senado Federal,
Controle Externo:
- Indignação com a atuação do PGR e do STF, supostamente marcada pela desproporcionalidade das decisões e pelo abuso de poder. Reflexão sobre a crise institucional e moral no país.
-
Atuação do Senado Federal,
Controle Externo:
- Críticas ao Senado Federal por alegada omissão de sua função de controle dos outros Poderes, em especial do Judiciário.
-
Comunicações,
Homenagem:
- Elogios ao trabalho do jornal Gazeta do Povo.
- Publicação
- Publicação no DSF de 08/04/2026 - Página 44
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle > Controle Externo
- Infraestrutura > Comunicações
- Honorífico > Homenagem
- Indexação
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- COBRANÇA, INSTALAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), BANCO PRIVADO.
- INDIGNAÇÃO, ATUAÇÃO, PROCURADORIA GERAL DA REPUBLICA, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), PROPORCIONALIDADE, DECISÃO JUDICIAL, ABUSO DE PODER.
- CRITICA, SENADO, OMISSÃO, FUNÇÃO, CONTROLE EXTERNO, PODERES CONSTITUCIONAIS, JUDICIARIO.
- ELOGIO, TRABALHO, JORNAL, A GAZETA DO POVO.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Sr. Presidente, paz e bem.
Queria cumprimentar pelo pronunciamento o Senador Jorge Kajuru. Eu tive a oportunidade de participar dessa CPI e vejo realmente o quanto é importante esse instrumento da minoria. Eu participei praticamente de todas as Comissões Parlamentares de Inquérito, desde que assumi aqui, e, Senador Jorge Kajuru, o senhor foi muito feliz no seu discurso, mesmo com a desmoralização sendo aí tentada de todas as formas e muitas vezes até conseguida, especialmente pelo Judiciário e pelo Legislativo próprio, que não se dá ao respeito. A gente está vendo aí ir para o saco esse instrumento importantíssimo de investigação do Congresso Nacional. Então, que esta Casa possa se levantar.
O Presidente Davi Alcolumbre tem duas alternativas para, pelo menos, amenizar isso, que é abrindo a CPI do Banco Master ou CPMI do Banco Master. Ambas têm recorde de assinatura de Parlamentares – o senhor, inclusive, assinou todas as duas. Uma delas, que é da minha autoria, tem 53 Senadores que assinaram, gente. E é brincadeira. De 81, 53 assinaram.
Foi a maior fraude do sistema financeiro do Brasil, e essa Mesa está calada, e isso é uma vergonha para o brasileiro de bem. Mas nós vamos insistir, vamos fazer o nosso trabalho e espero que os colegas também cobrem a instalação dessa CPI, porque ela vai revelar os poderosos que estão por trás disso tudo. Quem vai pagar o pato a gente sabe, é a população, o que é terrível, a população que não tem nada a ver com a história vai pagar com mais taxa bancária, com mais juros, mas a gente precisa passar este país a limpo.
Sr. Presidente, por falar em passar o país a limpo – já quero aqui também cumprimentar o Senador Izalci Lucas, aniversariante do dia; Deus te abençoe com muita luz, paz, saúde e realizações, Senador –, mas o empresário catarinense Alcides Hahn, com 71 anos de idade, acaba de ser condenado pelo STF, com o aval covarde da PGR, que mais parece um puxadinho, hoje em dia, de gabinete de Ministro do Supremo. Ele foi condenado, esse senhor, a 14 anos de prisão em regime fechado, Senador Jorge Seif.
Qual foi o crime desse senhor catarinense, conterrâneo do Senador Esperidião Amin também? Ele foi condenado pelos seguintes crimes: abolição violenta do Estado de direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio e associação criminosa. E qual foi, afinal, o gravíssimo acontecimento que gerou essa calamidade? O empresário, um cara que gera emprego, ajudou com um Pix de R$500 para o fretamento de um ônibus de Santa Catarina para Brasília, para as manifestações do dia 8 de janeiro. Ele próprio, acredite se quiser, não viajou, ele apenas ajudou a mobilização, natural de manifestações de regimes democráticos; ele apenas colaborou para que pessoas exercessem o seu direito à crítica, à manifestação. Ele não tem nada a ver se a minoria da minoria resolveu entrar nos prédios... Inclusive evadiu quem quebrou, porque não se tem prova de nada, foram negadas as imagens, foram negadas as provas. Aliás, processo completamente irregular do Supremo Tribunal Federal, avocando para si... Ele que se diz, inclusive, o Ministro Alexandre de Moraes, vítima, ele julgou.
Está tudo errado e todo mundo está careca de saber que está tudo errado neste país, mas olha em que nível chega a injustiça suprema. Ele foi apenas um dos que contribuíram com R$500 para o anseio de pessoas se manifestarem. Esse é mais um caso brutal da injustiça praticada por Ministros do Supremo que vem se somar a tantos outros casos, como o do Clezão, Cleriston Pereira da Cunha, morto na prisão sob tutela do Estado, ou da Débora Rodrigues, a cabeleireira que pichou a estátua do Supremo com um batom que sai com água e sabão, também condenada a mais de dez anos de prisão.
Isso continua acontecendo, gente. Atenção, Sras. Senadoras! Atenção, Srs. Senadores! Atenção, brasileiras, brasileiros, que nos acompanham: isso continua acontecendo, mesmo depois de tantas denúncias gravíssimas com provas do envolvimento de Ministros do Supremo Tribunal Federal com resorts, como o Tayayá – Toffoli que o diga –, resort que até cassino tem. Para eles, pode tudo. Ou um contrato indecente de R$129 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa do Ministro Moraes. Gente, pelo amor de Deus! Eu não estou nem falando do jatinho, para cima e para baixo, de Vorcaro com essa turma. São contratos, são transações, e podem blindar de toda forma. Chega a informação, blinda, desfaz. Está todo mundo entendendo o que está acontecendo no Brasil. E, num país sério... E eu convoco as pessoas sérias, honestas deste país a se manifestarem, aqui inclusive no Parlamento! Num país sério, essa turma teria sido afastada há muito tempo. O que é que nós estamos esperando? O que mais falta acontecer?
Sr. Presidente, todos os jornais do país estão repercutindo o último escândalo descoberto, através da pesquisa de registros em cartório, sobre a acintosa evolução patrimonial da família de Alexandre de Moraes. Vocês viram isso ontem? Simplesmente aumentou 260% nos últimos cinco anos. Foram adquiridos imóveis no valor de R$23 milhões, com pagamentos à vista. Se isso não indignar as pessoas de bem, eu não sei mais o que é que vai indignar. O que é que nós estamos fazendo aqui? Curiosamente, no período em que o Ministro assume no Supremo Tribunal Federal, as coincidências ocorrem de evolução de patrimônio, de contratos fechados.
Também, até agora, nenhuma explicação sobre a utilização, por Ministros, de aeronaves particulares de propriedade das empresas do Daniel Vorcaro. Tudo isso acontecendo e a PGR "caladinha da silva", inerte. Olhe o que é que já foi a PGR (Procuradoria-Geral da República). Eu fico imaginando os promotores de bem, que são a maioria, os procuradores, pessoas do Ministério Público, respeitadíssimo, para chegar lá tem que ser bom, para entrar na instituição... Eu fico imaginando o sentimento dessas pessoas vendo tudo isso, o país ruir, porque a PGR é omissa. Tudo isso acontecendo, Presidente, com a PGR totalmente respirando por aparelhos. Mas ela foi rápida na condenação absurda do empresário catarinense a 14 anos de prisão por causa de um pagamento, de uma doação, de um Pix de R$500.
O excelente e independente jornal Gazeta do Povo... Parabéns para a mídia independente, porque não é de hoje que a Gazeta do Povo está denunciando isso. Desde que nós chegamos aqui, Senador Plínio Valério. É um dos raros veículos de comunicação – e o senhor é jornalista – que têm repercutido os abusos do inquérito das fake news, de tudo que está acontecendo neste país, da destruição da Lava Jato. A Gazeta do Povo tem feito esse trabalho redentor e um dia será reconhecida – já é reconhecida por alguns, mas um dia será reconhecida pela maioria da população brasileira.
Ela acaba de publicar uma extensa matéria de jornalismo investigativo detalhando 104 – mais de cem, um, zero, zero – decisões arbitrárias, abusivas e até ilegais praticadas apenas pelo Ministro Alexandre de Moraes nos últimos cinco anos, a partir do fatídico inquérito infindável das fake news, sobre o qual a ex-Procuradora Raquel Dodge – não sei se o senhor se lembra, a gente estava chegando aqui – disse: "Esse inquérito tem que acabar, isso está ilegal, a Constituição não prevê esse tipo de coisa. O ordenamento jurídico não aceita isso, deveria ser arquivado". Ela falou. E essa PGR abaixa a cabeça, vergonhosamente.
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Então, Sr. Presidente, nós vivemos a pior crise de todos os tempos, maior ainda do que a grave crise econômica causada pelo irresponsável Governo Lula. Uma profunda crise de degradação moral, em que prevalece a impunidade de quem? Dos poderosos – dos poderosos.
A sociedade brasileira, perplexa, já começa a compreender que o principal responsável por tudo isso não é o STF e nem o Governo Lula ou a PGR; o principal responsável por isso é o Senado da República. E olha onde é que nós estamos: no Senado da República, Senador Sergio Moro, única instituição com o poder da aplicação do – abro aspas – "peso e contrapeso" para o controle dos abusos do STF.
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Depois de negar todos os mais de 80 pedidos de impeachment de Ministros da corte; depois de negar a prorrogação da exitosa CPMI do INSS, que mostrou a roubalheira explodindo em progressão geométrica neste Governo, que diz defender os mais pobres – mas foi agora, neste Governo, que aconteceram os descontos ilegais –, o Presidente Davi Alcolumbre, até agora, ignora solenemente a assinatura de 53 Senadores da República para a imediata instalação da CPI do Master. A gente teve que ir no STF, para pedir para o STF – olha que vergonha – que seja aberta uma CPI aqui, porque tem todos os pré-requisitos e tem precedente – CPI da covid – para se abrir, imediatamente, essa CPI. E o Deputado Carlos Jordy também entrou... E acho até mais legítima ainda uma CPMI, porque a maior fraude do sistema financeiro do Brasil merece Câmara e Senado investigando.
Também está lá no STF, Sr. Presidente, esperando deliberação – uma caiu com o Ministro Nunes Marques, que acredito que deva se declarar suspeito ou impedido, até porque o filho dele, o escritório, recebeu milhões do Banco Master.
Como é que ele vai decidir alguma coisa do Banco Master? Claro que ele deve se declarar – eu estou só esperando a hora – suspeito, impedido. Teve as viagens de advogada no avião do Banco Master, do Ministro, da família do Ministro, parece que para Alagoas, para as belas praias de Alagoas. Ele deve se declarar impedido. Tem que ir para o Ministro – e eu já vou encerrar...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Acredito que tem que ir para o Ministro André Mendonça, como prevento natural. Ele que é o Relator do caso Master.
Sr. Presidente, nós não podemos continuar assistindo mudos e surdos ao agravamento dessa crise moral do Brasil sem precedentes, por isso o Partido Novo ingressou com uma representação contra o Presidente Davi Alcolumbre junto ao Conselho de Ética, sim. Não tem mais nada o que se fazer. Chegamos ao limite e fizemos. Só existem dois caminhos possíveis para o Presidente: ou cumpre fielmente o seu dever constitucional ou renuncia ao seu cargo. O Brasil precisa que o Senado acorde, que o Senado cumpra o seu papel.
Eu encerro com esse importante pensamento nos deixado pelo pacifista Mahatma Gandhi, abro aspas: "Você nunca sabe [...] [quais] resultados virão...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... da sua ação, mas, se você não fizer nada [certamente], não existirão [quaisquer] resultados".
Que Deus abençoe a nossa nação.
Muito obrigado, Sr. Presidente, pela sua benevolência; perdão aos colegas por ter passado do tempo; e uma ótima semana produtiva a todos nós.