Discurso durante a 39ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Anúncio da pré-candidatura de S. Exa. ao Governo do Distrito Federal e considerações sobre a importância de uma candidatura própria do Partido Liberal (PL) como estratégia de fortalecimento político no âmbito local. Avaliação sobre a atual administração do DF, com referência a episódios envolvendo autoridades e suas implicações para a gestão pública. Defesa da atuação do Senado Federal na intensificação da fiscalização institucional como meio de assegurar transparência e justiça.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Eleições e Partidos Políticos:
  • Anúncio da pré-candidatura de S. Exa. ao Governo do Distrito Federal e considerações sobre a importância de uma candidatura própria do Partido Liberal (PL) como estratégia de fortalecimento político no âmbito local. Avaliação sobre a atual administração do DF, com referência a episódios envolvendo autoridades e suas implicações para a gestão pública. Defesa da atuação do Senado Federal na intensificação da fiscalização institucional como meio de assegurar transparência e justiça.
Publicação
Publicação no DSF de 18/04/2026 - Página 20
Assunto
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Indexação
  • ANUNCIO, CANDIDATURA, CARGO ELETIVO, ORADOR, GOVERNADOR, DISTRITO FEDERAL (DF).
  • CRITICA, GESTÃO, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF), DEFICIT, RECURSOS, PAGAMENTO, COMPROMISSO, FORNECEDOR, AUSENCIA, ORGANIZAÇÃO, SETOR, SAUDE PUBLICA, COMPROMETIMENTO, EFICACIA, SEGURANÇA PUBLICA, PROBLEMA, PRIVATIZAÇÃO, COMPANHIA ENERGETICA DE BRASILIA (CEB).
  • COMENTARIO, BANCO DE BRASILIA (BRB), PRISÃO, CORRUPÇÃO PASSIVA, EX-PRESIDENTE, AQUISIÇÃO, BANCO PRIVADO, CONTROLADOR, DANIEL VORCARO, POSSIBILIDADE, CONEXÃO, CONTRATO, ESCRITORIO, ADVOCACIA, ESPOSA, ALEXANDRE DE MORAES, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ARQUIVAMENTO, PROCESSO JUDICIAL, ANTONIO IBANEZ, GOVERNADOR, DISTRITO FEDERAL (DF).
  • CRITICA, ENCERRAMENTO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CRIME ORGANIZADO, ANTERIORIDADE, INVESTIGAÇÃO, CONEXÃO, PALACIO DO PLANALTO, JUDICIARIO.
  • REPUDIO, AMEAÇA, DIAS TOFFOLI, GILMAR MENDES, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ALESSANDRO VIEIRA, SENADOR, INDICIAMENTO, ALEXANDRE DE MORAES, PROCURADORIA GERAL DA REPUBLICA, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CRIME ORGANIZADO.
  • EXPECTATIVA, DERRUBADA, VETO (VET), PRESIDENTE DA REPUBLICA, PROJETO DE LEI, DOSIMETRIA, REDUÇÃO, PENA, PRESO, ATO, JANEIRO, DEPREDAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL.

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Obrigado, Presidente.

    Quero cumprimentar o Senador Girão e a nossa querida Senadora Damares.

    Presidente, ontem eu lancei a minha pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal. Sim, sou pré-candidato ao Governo do DF! É algo natural porque, hoje, todas as pesquisas me colocam em terceiro lugar, em empate técnico com os dois primeiros colocados. O PL é o maior partido do Brasil e é muito grande aqui em Brasília. Não faz sentido não ter candidatura própria.

    Hoje nós estamos em um momento de completa indefinição no cenário eleitoral do DF: a Governadora Celina Leão será julgada na Operação Drácon, que pode torná-la inelegível; o ex-Governador Arruda vai ser julgado pelo TSE e também pode ficar inelegível.

    Então, veja, nem os candidatos que estão postos têm certeza de suas candidaturas. Além disso, tem a delação do Vorcaro, que envolve efetivamente o Distrito Federal, e ninguém sabe o que vai sair dali, além da prisão do ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi indicação do PP, Partido Progressista, o mesmo partido da atual Governadora Celina Leão.

    Então, nesse cenário, o PL precisa ter uma opção, que o povo está precisando e pedindo, já que me colocou em terceiro lugar nas pesquisas. O fato é que o DF precisa de uma candidatura limpa, com passado inquestionável, para ter esperança de futuro. Hoje estamos atravessando uma tempestade e precisamos de um comandante com experiência, com credibilidade, para vencer essa tempestade.

    Nós estamos na iminência de mais um Governador do DF ser preso. Brasília precisa ter um candidato limpo, sem problemas, para reconstruir tudo o que o DF já teve de qualidade – qualidade de vida – e conduzir a cidade para o futuro.

    O Secretário de Fazenda da atual Governadora Celina Leão deu uma declaração de que o DF está com um rombo de R$2,7 bilhões, que é o acumulado de 2025 e de 2026, no primeiro trimestre. A saúde está um caos: falta remédio, falta médico, filas intermináveis. Na segurança pública, o estado perdeu o controle: as facções estão invadindo o entorno do DF, causando terror e pânico à população. A CEB, que foi privatizada por este Governo, está transformando Brasília em um caos: por onde você passa, as luzes ficam piscando, a escuridão toma conta. Buracos estão espalhados por toda a cidade; você não consegue andar aqui no Distrito Federal sem cair em três ou quatro buracos; obras paradas, sem pagamento dos fornecedores. Qualquer cidadão poderia ficar muito tempo dando exemplos de por que o PL tem que ter uma candidatura própria em Brasília.

    Agora, sobre a Michelle Bolsonaro, eu ainda não conversei com ela sobre a minha pré-candidatura porque ainda não é o momento. Tem tudo isso que eu falei antes para acontecer. Neste momento, ela está mais afastada do PL para cuidar do nosso Presidente, o nosso querido Jair Messias Bolsonaro – o maior e melhor Presidente que o Brasil já teve –, e ela está certa em fazer isso, ela tem que cuidar realmente, neste momento, do Presidente. No momento certo, que é perto das convenções, nós vamos sentar com ela para conversar sobre o PL nacional, sobre as candidaturas estaduais e sobre o Distrito Federal. Enquanto isso, eu, junto com o povo, vou construir uma opção viável e real aqui para o Distrito Federal.

    Quero aqui deixar claro esse trabalho que nós estamos fazendo. Tem 90 dias aí de muita luta daqui para a frente, e nós vamos provar que realmente Brasília merece ter um candidato limpo, competente e com experiência.

    Presidente, Brasília teve a sua independência parcial em 1990... aliás, em 1986. Em 1986, nós criamos a lei orgânica, houve eleição para Deputado Distrital, não teve eleição para Governador. Para Governador, só teve eleição em 1990, então nós temos aqui, de 1990 até agora, 2022, na prática, seis Governadores, porque alguns foram reeleitos, seis. Quatro, contando agora com o Governador, foram presos – da capital do Brasil, faz agora aniversário, dia 21 de abril. Uma cidade maravilhosa, uma cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade, que abrigou aqui todo mundo. É um projeto que foi feito com ousadia, todos falavam que era impossível. JK veio e fez. Então, temos que parabenizar Niemeyer, Lúcio Costa, por essa ousadia, e parabenizar os candangos que aqui vieram, os pioneiros. Tem marca para todo lado, aqui no Senado, no Congresso Nacional, qualquer asfalto, a poeira vermelha... Eu lembro-me muito bem do início, cheguei aqui nos anos 70. Cheguei em 1970 aqui.

    Então Brasília merece realmente, e precisa voltar a ser uma referência nacional nas políticas públicas. Não tem sentido, nós temos o melhor orçamento do Brasil, o que falta nesta cidade é gestão, pessoas comprometidas com a população. Governo existe para cuidar das pessoas. Lamentavelmente, nos últimos anos, a gente vem percebendo que o Governador não gosta de gente. Prepotente, arrogante. E agora, o escândalo do BRB.

    Ontem foi preso o Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que, como foi dito aqui, recebeu seis imóveis de propina, no total de R$146 milhões. Essa questão do BRB, do Banco Master, é um escândalo, porque nós estamos falando aqui de R$146 milhões para o Paulo Henrique, mas não podemos esquecer do contrato da esposa do Alexandre de Moraes, que foi de R$129 milhões, dos quais ela já recebeu R$80 milhões. O Paulo Henrique Costa já tinha recebido mais de R$70 milhões.

    Então, não tem sentido a gente continuar com este Governo que está aí. Você lembra, Senador Girão, lá atrás? V. Exa. participou comigo da CPI da Covid. Naquele período, foi preso o Secretário de Saúde do DF, Francisco, cujo advogado era o advogado do Governador. Quem é o advogado do Paulo Henrique Costa? O mesmo advogado do Governador.

    Então, eu disse isto na CPMI do INSS: a maioria dos advogados que iam acompanhando os depoentes não estavam preocupados com o depoente, estavam preocupados com quem estava por trás disso. Isso aconteceu lá no INSS. Você lembra aquela empresária simples, que poderia ter contado tudo porque ela não tem nada com isso? O advogado não permitiu porque ia comprometer o Careca ou outros do esquema. A mesma coisa agora: o advogado defendeu o Francisco, defendendo os interesses do Governador, e, agora, com certeza, o Paulo Henrique Costa também. Não sei se ele, sabendo disso, vai continuar aceitando as orientações desse advogado, que é o advogado do Governador e está preocupado com o Governador, não está preocupado com ele.

    Agora, de fato, nós estamos aí na iminência de ter, na semana que vem, no máximo, agora, no início de maio, a delação do Vorcaro, que vai dizer tudo isso. Já está confirmado que houve a reunião na casa do Vorcaro com Alexandre de Moraes. Ligaram para o Paulo Henrique: "O homem está aqui, venha para cá", e ele foi, e ali começaram as operações da compra pelo BRB do Master. A partir daí, com a interferência do Ministro Alexandre de Moraes, o que aconteceu, na sequência?

    V. Exa. já esteve lá com o Anderson Torres, é amigo dele. O Anderson Torres era Secretário de Segurança, não estava nem em Brasília no dia 8 de janeiro, estava nos Estados Unidos, foi preso e condenado a 24 anos, mas, se você ler a sentença, Alexandre de Moraes colocou: "Olha, pior do que a situação do Anderson Torres só a do Governador Ibaneis", está escrito na sentença dele; ou seja, se o Anderson foi condenado a 24 anos, evidentemente que o Governador Ibaneis seria muito maior. Mas o que aconteceu na sequência? Primeiro, arquivaram o processo do Ibaneis do 8 de janeiro. Acho que o único processo que foi arquivado foi o dele. Será que são coincidências os R$129 milhões e essa falcatrua do BRB de comprar o Master? Alguém precisa explicar isso porque, se não explicar, nos dá o direito de interpretar do jeito que a gente acha, e acho que teve, sim. Ninguém faz um contrato de R$129 milhões para nada ou para dar consultoria. Tem um fato muito determinado aí, muito determinante, que é, a meu ver hoje, o arquivamento do processo do Governador.

    Então, nós não vamos encerrar, por mais que encerraram tanto a CPMI do INSS quanto a do Crime Organizado, e não vamos aceitar não aprofundar nas investigações.

    Lá no INSS, quando chegamos realmente ao Palácio do Planalto, quando chegamos ao Lulinha, houve diversas blindagens da base do Governo; e comemoraram, inclusive – comemoraram –, quando a gente não conseguiu aprovar a convocação do Lulinha, a convocação da Roberta, que recebeu R$300 mil por mês direcionados ao Lulinha, dito isso pelo sócio do Careca; depois foram confirmadas na CPMI as viagens do Careca com o Lulinha para a Espanha, com tudo pago pelo Careca – na prática, ele é sócio do Careca. Então, quando a gente chegou a esse ponto, a gente viu uma blindagem completa.

    Nós tivemos um rombo de mais de R$6 bilhões no INSS, nos descontos associativos, mas o rombo dos consignados era muito maior, e a gente não conseguiu aprovar vários requerimentos de quebra de sigilo do sistema financeiro dos bancos. Ouvimos um banco, o C6, que já tem processo de devolução de R$300 milhões. São mais de 80 bancos, e não foram investigados, exatamente pela blindagem da base de Governo.

    Pedimos a prorrogação, porque era necessário prorrogar, para a gente avançar nos consignados, que é fato determinado da CPMI. O Supremo Tribunal Federal disse, claramente, que prorrogação é problema do Senado, é problema do Congresso. Ora, se instalação é competência do Supremo e ele tem que defender, porque CPMI e CPI são instrumentos da minoria... Toda vez que foi ao Supremo, nos últimos anos, o Supremo determinou a abertura, a instalação da CPMI – toda vez que foi ao Supremo Tribunal Federal.

    Ora, quem pode instalar poderia também prorrogar – é evidente, é óbvio –, mas não houve prorrogação por quê? Porque chegamos à porta do Palácio do Planalto; chegamos ao Banco Master; chegamos ao irmão do Lula, o Frei Chico, que é do Sindnapi, que nem sequer poderia ter acordo de cooperação assinado, porque ele era parente, e a lei proíbe; à Contag, do mesmo jeito – foram as duas instituições as que mais roubaram dos aposentados e pensionistas –, e da qual também não conseguimos convocar o Presidente, que é irmão do secretário da Câmara Federal, que também não poderia ter assinatura do acordo de cooperação com o INSS. Agora, vem o fim da CPI do Crime Organizado, que também chegou às portas, principalmente, do Judiciário.

    Será que alguém, em sã consciência, poderia colocar que não tem nada com relação ao Toffoli na CPMI? Está claro, o Tayayá – o Banco Master financiou isso –, os fundos de pensões da Reag ligados ao PCC, e está lá o Ministro Alexandre de Moraes com esse contrato. Não é ilegal ter um contrato com a mulher dele; agora, ele interferir na compra do BRB, nas reuniões do Banco Master? Você faz a ligação direta; não tem jeito. Então tem que explicar; aliás, o melhor era ter renunciado já há algum tempo.

    O Banco Master sempre financiou todas as reuniões e todos os eventos que aconteceram em Dubai, na Espanha, Nova York, Portugal... Sempre quem bancou esses eventos foi o Vorcaro. E aí, o Ministro Gilmar? Não aconteceu nada?

    Agora, o pior não é isso. O pior é que, no pedido da prorrogação do INSS, os Ministros, esses que citei, ameaçaram o Relator. O Relator, Senador Alessandro, pediu o indiciamento – não indiciou, porque CPI não indicia ninguém, pediu o indiciamento – do Ministro Toffoli, do Ministro Alexandre de Moraes, do Ministro Gilmar e do Procurador Gonet. Ele pediu o indiciamento, com bases. Se você pegar o relatório da CPMI, os documentos da CPMI, está lá claro, existem documentos muito claros de que houve realmente envolvimento no Banco Master. Aí, ameaçou o Senador, dizendo que ele poderia inclusive ficar inelegível, que foi abuso de autoridade...

    Olha, parece que eles esqueceram a Constituição, esqueceram que tem Regimento da Casa. O que o Senador Alessandro fez foi exatamente aquilo que está previsto na Constituição e também no Regimento. O Parlamentar tem realmente a liberdade de expressão. Se a gente não tivesse, isso dificultaria muito qualquer denúncia, qualquer investigação, qualquer coisa. Então, ele fez o que tinha que fazer. Cabe agora aos Ministros se justificarem, mostrar para a sociedade aquilo que está muito claro que houve, mas não foi prorrogada a CPMI do Crime Organizado, que ainda tinha muita coisa, tanto é que pediram a prorrogação e foi negada.

    Nós estamos na Comissão de Assuntos Econômicos, agora também na Comissão de Fiscalização, nós vamos continuar dando andamento a isso. Nós não podemos deixar essa questão do BRB aqui... Gente, como é que pode um investimento, um banco que tem auditores, consultores, advogados fazer um investimento no Banco Master de R$30 bilhões – R$30 bilhões – sem checar se tem documento, se os documentos realmente são fidedignos, se tem garantias. Não! Mesmo com os alertas feitos pelos assessores, consultores e contadores, dizendo que tinha problema, eles continuaram investindo. E está aí o rombo. O prejuízo do Banco Master com relação ao BRB, o prejuízo do BRB é, no mínimo – no mínimo –, R$15 bilhões – R$15 bilhões. Depois façam o cálculo aí do que é que daria para construir com R$15 bilhões: creche para todo mundo, hospital, escola; e simplesmente foram para o ralo.

    A Governadora diz que não sabe de nada, que não viu nada, que não participou de nada, ela que sumiu por mais de seis meses do Governo e que estava todo dia com o Governador para baixo e para cima; que é do PP, do partido do Senador Ciro Nogueira, que indicou lá atrás o Francisco, que indicou agora Paulo Henrique Costa. O PP faz de Brasília um grande negócio, o PP faz do DF um balcão de negócios. Nós não podemos aceitar o que está acontecendo já há algum tempo, essa interferência do PP, que é o partido da Governadora, transformando Brasília num balcão de negócios.

    Então, a população precisa estar atenta a isso. Eu tenho falado sempre, Girão, nas reuniões que faço, nas palestras, eu tenho dito: "Gente, voto não tem preço, voto tem consequência. Votou errado, votou na pessoa corrupta, na pessoa incompetente, você tem quatro anos de sofrimento". Isso é o que está acontecendo em Brasília. A saúde está um caos! Ninguém fala da educação, mas a educação está pior, porque educação mata a geração toda. E falo também... Olhem, aqui, outro dia, para os empresários, eu disse... Sobre os empresários, não sei se lá no Ceará também era assim, a maioria dos empresários não queria se envolver na política: "Ah, não posso, não quero. Isso pode prejudicar a minha empresa". E aí deixaram a coisa correr frouxa. Então, eu tenho dito: "Olha, quem não gosta de política vai ser governado por quem gosta. Alguém vai decidir por você". Então, principalmente aqui em Brasília, em que nós temos uma população politizada e educada, precisam entender isso. Porque é muito fácil: você pega um cara que roubou alguns bilhões, chega à campanha e ele contrata 10 mil pessoas para trabalhar ou 20 mil pessoas, para pagar com esse dinheiro que ele roubou. Aí ganha a eleição, vai embora e daqui a quatro anos ele volta de novo. Lógico que eu digo para os eleitores: "Olha, não é que eu não queira que vocês não trabalhem na campanha, podem trabalhar, podem receber o dinheiro de quem contratou vocês; mas na hora de votar, não é pelo pagamento de R$1 mil por mês, de 45 dias, que você vai votar no cara que vai prejudicar depois a cidade, o município ou aqui o Distrito Federal".

    Então, estamos chegando a 2026. V. Exa. sabe a importância de 2026, não só no relacionado aos governantes, mas também ao Senado. V. Exa. sabe que, hoje, se pautássemos aqui o impeachment, nós teríamos no máximo 26 votos – 26 de 81. Por quê? Porque grande parte deles tem rabo preso, tem processo na Justiça. E você sabe, você estava na reunião de Líderes, quando um dos nossos Senadores Líderes aqui disse que um Ministro ligou para ele, na votação do fim das decisões monocráticas, e disse: "Olha, fulano, se você votar essa matéria, seu processo entra na pauta". Votou contra.

    Então, um dos objetivos em 2026 é fazer maioria no Senado, porque tudo que está acontecendo de invasão das competências do Senado, do 8 de janeiro, essa narrativa que foi construída, tudo isso que aconteceu realmente precisa ser corrigido. É por isso que nós vamos votar – V. Exa. também trabalhou nisso –, no dia 30, de forma virtual, nós vamos votar o fim, a derrubada do veto da dosimetria.

    Quero, neste momento, agradecer realmente ao Presidente Davi, que aceitou isto: marcar como item único o fim da dosimetria. Eu visitei lá agora, sempre estivemos juntos nisso, o Anderson Torres, o Silvinei, os coronéis. Os coronéis, que foram, inclusive, atingidos durante o 8 de janeiro, estão condenados, perderam o cargo, perderam o salário, por mais que tenham contribuído durante mais de 30 anos. Simplesmente o Alexandre pediu, e eles foram excluídos da Polícia Militar – perderam o cargo e perderam o salário. Quer dizer: como a família vai sobreviver? É o caso do Anderson Torres também. Tiraram o salário dele – tem esposa e três filhas. E aí vai sobreviver de quê? O cara está preso, perdeu o salário. Cara, é muita injustiça! Realmente a gente precisa corrigir isso.

    E o fim, a derrubada do veto vai permitir que a maioria vá para casa, a grande maioria. Alguns vão para prisão domiciliar. Só quem está beneficiado – mas não será prisão domiciliar, porque ele já está, inclusive – é o nosso querido Presidente Jair Messias Bolsonaro. Os demais que já cumpriram pena, com a dosimetria, já podem ir para casa. Então, por isso é que nós fizemos este acordo de votar esse item único, porque o que estava emperrando a marcação da reunião do Congresso era exatamente a leitura da CPMI.

    V. Exa. sabe, talvez os nossos telespectadores não saibam: CPI depende de o Presidente autorizar, instalar. Muitas vezes eles colocam duas, três na frente para dizer que têm outras prioridades. Agora, CPMI não. CPMI não depende de autorização do Presidente. Abriu a reunião do Congresso, ele tem que ler, fazer a leitura, e por isso é que não marcaram. Mas fizemos este acordo: nós vamos votar a derrubada do veto e não vamos falar nesta sessão sobre isso, sobre a CPMI. Mas, no dia seguinte, vamos continuar – como V. Exa. sempre faz – a cobrança, insistentemente, da instalação da CPMI.

    E, por incrível que pareça – V. Exa. sabe também –, está lá com o Ministro Nunes Marques o pedido de instalação da CPI, da CPMI do Master. E já tem jurisprudência lá no Supremo: a instalação é obrigatória, porque é um instrumento da minoria, mas está lá há quanto tempo? Já vai fazer quase um mês, e não há despacho nisso.

    Então, Presidente, parabéns a V. Exa. também pela luta que faz aqui neste Congresso Nacional, pessoa íntegra, competente, que toca na ferida e cobra, cara a cara, o que tem que acontecer aqui nesta Casa.

    Então, agradeço aí a tolerância e a prorrogação do nosso tempo.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/04/2026 - Página 20