Pronunciamento de Izalci Lucas em 27/04/2026
Discurso durante a 41ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Indignação pela investigação iniciada contra o Senador Flávio Bolsonaro, por suposta fala caluniosa contra o Presidente da República.
Registro acerca do posicionamento contrário do Partido Liberal em relação à indicação do Sr. Jorge Messias ao STF.
Destaque à sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à análise do Veto nº 3/2026, aposto ao Projeto de Lei nº 2162/2023, conhecido como PL da Dosimetria.
Críticas em relação à condução do governo do DF, que teria resultado em grandes prejuízos financeiros e na precarização da saúde local. Relato de sua atuação política nas áreas de educação, ciência e tecnologia.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Atividade Política:
- Indignação pela investigação iniciada contra o Senador Flávio Bolsonaro, por suposta fala caluniosa contra o Presidente da República.
-
Atividade Política,
Atuação do Senado Federal,
Governo Federal:
- Registro acerca do posicionamento contrário do Partido Liberal em relação à indicação do Sr. Jorge Messias ao STF.
-
Direito Penal e Penitenciário:
- Destaque à sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à análise do Veto nº 3/2026, aposto ao Projeto de Lei nº 2162/2023, conhecido como PL da Dosimetria.
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Ciência, Tecnologia e Informática,
Educação,
Governo do Distrito Federal,
Poder Judiciário,
Saúde Pública,
Trabalho e Emprego:
- Críticas em relação à condução do governo do DF, que teria resultado em grandes prejuízos financeiros e na precarização da saúde local. Relato de sua atuação política nas áreas de educação, ciência e tecnologia.
- Publicação
- Publicação no DSF de 28/04/2026 - Página 24
- Assuntos
- Outros > Atividade Política
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Jurídico > Direito Penal e Penitenciário
- Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
- Política Social > Educação
- Outros > Atuação do Estado > Governo do Distrito Federal
- Organização do Estado > Poder Judiciário
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Política Social > Trabalho e Emprego
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- INDIGNAÇÃO, INVESTIGAÇÃO, INQUERITO JUDICIAL, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), SENADOR, FLAVIO BOLSONARO, CALUNIA, DIFAMAÇÃO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, ACUSAÇÃO, UTILIZAÇÃO, NOTICIA FALSA, ADVERSARIO, NATUREZA POLITICA, CRITICA, GOVERNO FEDERAL, CORRUPÇÃO, AUMENTO, ENDIVIDAMENTO, FAMILIA, SITUAÇÃO, NATUREZA ECONOMICA, COMENTARIO, EFEITO, CASA DE APOSTA ESPORTIVA, ECONOMIA FAMILIAR.
- CRITICA, INDICAÇÃO, ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, JORGE RODRIGO ARAUJO MESSIAS, CARGO PUBLICO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), QUESTIONAMENTO, IMPARCIALIDADE, ATUAÇÃO, ATO, DEPREDAÇÃO, SEDE, LEGISLATIVO, EXECUTIVO, JUDICIARIO, JANEIRO, DEFESA, AUSENCIA, CRIME, GOLPE DE ESTADO.
- DISCURSO, VETO (VET), APRECIAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL, VETO TOTAL, PROJETO DE LEI, ALTERAÇÃO, LEI DE EXECUÇÃO PENAL, CRITERIOS, PROGRESSÃO, REGIME PENITENCIARIO, PROPORCIONALIDADE, PRAZO, CUMPRIMENTO, PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE, POSSIBILIDADE, UTILIZAÇÃO, PERIODO, PRISÃO DOMICILIAR, REMIÇÃO, CODIGO PENAL, APLICAÇÃO, NORMAS, CONCURSO FORMAL, CRIME CONTRA AS INSTITUIÇÕES DEMOCRATICAS, CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA, CRIME, CONTEXTO, AGRUPAMENTO.
- CRITICA, GESTÃO, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF), PREJUIZO, NATUREZA FINANCEIRA, PRECARIZAÇÃO, SAUDE PUBLICA, DEMORA, ATENDIMENTO, DIAGNOSTICO, ENFASE, TRATAMENTO, CANCER, EDUCAÇÃO, REDUÇÃO, QUALIDADE, ENSINO, ESCOLA PUBLICA, REPUDIO, Programa Pé de Meia, COMENTARIO, POLITICAS PUBLICAS, ADOLESCENCIA, JUVENTUDE, PESSOA IDOSA, REGISTRO, HABITAÇÃO, REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA, EMPREGO, QUALIFICAÇÃO, CIENCIA E TECNOLOGIA, APOIO, CONTINUIDADE, INVESTIMENTO.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Obrigado, Presidente Senador Girão.
Quero cumprimentar meu querido amigo Senador Jorge Seif.
Sr. Presidente, hoje eu vou falar sobre os acontecimentos dos últimos dias na política do Brasil. Podem até pensar que é normal, mas eu vou explicar para vocês que estão em casa nos assistindo, aqui também no Plenário, na galeria.
Nas últimas semanas, o Ministro Alexandre de Moraes abriu uma investigação contra o nosso Senador e pré-candidato a Presidente da República o Flávio Bolsonaro. Vocês não vão acreditar... O motivo dessa suposta calúnia contra o Lula... Isso é inacreditável!
Só que as coisas não são como deveriam ser, com um Judiciário sem lado político, um palanque, porque, ao mesmo tempo em que essa investigação foi aberta, no mesmo momento, o PT gastou R$147 mil com fake news contra o Senador Flávio Bolsonaro. No mesmo momento.
Bolsonaro, meus amigos e minhas amigas... Pasmem: postagens que foram impulsionadas tentam ligar Flávio ao caso do Banco Master e dizer que o PL não tem lado e vota contra os brasileiros. É o que eles soltaram de fake news.
Lula, deixe-me falar uma coisa aqui: quem é contra o povo é você, o seu Governo. Governo, sim, que tem lado; o lado da corrupção, dos impostos, do desemprego, do roubo dos aposentados, do mensalão, do petrolão, da Lava Jato.
Bem, se for citar aqui, Presidente, tudo, eu fico aqui o dia todo e não consigo acabar com a lista dessa corrupção. E eu espero que eles tentem me processar novamente. V. Exa. lembra... Lá na CPI do INSS, tentaram... Entraram na Justiça para que eu retirasse... Porque eu disse que o PT, no DNA do PT tem a corrupção. Mas nós ganhamos a ação.
Então, tranquilo, porque eu falei a verdade. Mas falar a verdade no Brasil hoje contra eles é errado. Agora eles mentirem e criarem fake news, isso não; isso não tem problema nenhum. Todos nós sabemos que o partido das trevas não está nem aí para o povo. A prova disso são os dados mais recentes do Banco Central. Eles mostram um cenário preocupante para as famílias brasileiras. O nível de endividamento das famílias atingiu o maior patamar da história. Além disso, o peso das dívidas no orçamento... Hoje, em média, 30% da renda das famílias está comprometida com pagamento de empréstimos, financiamentos – o que revela uma pressão cada vez maior sobre o bolso do brasileiro – e um dos itens que V. Exa. comentou hoje, que foram exatamente as bets, os jogos, que nós combatemos muito na CPI das Bets. Não conseguimos nem aprovar o relatório. Pessoas que nunca foram na reunião foram lá para votar contra. E estão aí os efeitos agora, das bets. Diminuíram, realmente, as vendas nos supermercados com a alimentação, exatamente em função do comprometimento com relação aos jogos. Mas não são só jogos. Realmente, no supermercado, o preço é outro do que estão dizendo por aí. Essa é a picanha, a cervejinha que o Lula prometeu para as pessoas.
Eu comecei falando sobre isso também, Presidente, para pontuar uma coisa muito importante: a sabatina do Messias, que vai acontecer agora na CCJ.
Nós estamos trabalhando muito. Já assinamos, inclusive, documentos fechando questão. O PL fechou questão de votar contra a indicação do Ministro "Bessias". Por que "Bessias"? Porque foi a Dilma que disse isso. Foi o mensageiro daquela mensagem para o Lula: “Ó, se você precisar, pode usar”, nomeando-o como Ministro da Casa Civil. “Se chegar a Polícia Federal, mostra aí sua nomeação.” Então, cara, vai ter que explicar muita coisa.
V. Exa. comentou aqui o parecer com relação à questão do Conselho Federal de Medicina. Então, é favorável ao aborto? Dá a entender que sim, vai ter que se explicar, porque ele se diz, inclusive, evangélico, né? Então, é uma tarefa muito grande para ele.
Foi ele quem pediu ao Supremo também a prisão dos manifestantes de 8 de janeiro e falou, com a boca cheia: “Ó, fui o primeiro a pedir a Alexandre de Moraes para condenar os terroristas”.
Então, evidentemente, todo mundo sabe aqui – V. Exa. também participou e eu participei da CPI – que não houve golpe nenhum; isso é narrativa. Não existe golpe sem armas, sem Forças Armadas. O próprio Ministro da Defesa do Presidente Lula disse que não foi golpe – o Ministro da Defesa, que entende disso. Então, não existe isso. E eu fiz um relatório de mais de 500 páginas, mostrando também que, se o Governo Federal quisesse, teria evitado tudo isso: bastava aplicar o Plano Escudo, porque eles foram alertados cinco dias antes. Todos os dias: “Ó, vai acontecer isso”. Domingo, às 8h da manhã: “Ó, vai acontecer isso”. Não fizeram nada; muito pelo contrário, facilitaram tudo isso.
Agora, a gente vê vários vídeos aí mostrando as pessoas armando aí, os infiltrados. Rapaz, não tem lógica.
O Palácio do Planalto tem lá o Batalhão da Guarda Presidencial, que só tem esse objetivo: cuidar da Presidência da República. São mais de 2 mil policiais. No domingo, as portas todas abertas e não tinha ninguém!? Então, quer dizer, não dá para acreditar nisso, né?
Bem, é evidente que nós vamos trabalhar aí porque, de fato, essa questão do Supremo é uma questão muito séria.
Além da sabatina, Presidente, nós também vamos ter a sessão do Congresso, para derrubar o veto da dosimetria, que foi vetada pelo Presidente Lula. As pessoas que estão presas não podem mais esperar, até porque isso não foi justiça, e sim vingança. Nosso trabalho e nossa luta são para que quem foi preso injustamente volte para casa e tenha a sua vida devolvida.
E um outro assunto, Presidente, importante, que eu já trouxe aqui também à tribuna, é a ligação da J&F com o PT e, agora, com o Toffoli – JBS. Vou explicar para vocês o que aconteceu – o Brasil já viu esse filme antes –: tudo começa com a grande empresa, a J&F Investimentos, que cresce de forma acelerada com apoio de dinheiro público por meio do BNDES, durante o Governo PT, evidentemente. Isso não é opinião, não, Senador Girão, são fatos públicos. Depois disso, vêm as delações, os escândalos revelados na Operação Lava Jato, mostrando um sistema que misturava poder econômico e influência política.
E agora mais uma peça entra nesse quebra-cabeça: relatórios apontam uma cadeia de pagamentos milionários que saem da J&F, passam por intermediários e chegam a pessoas ligadas ao Ministro do Supremo, Dias Toffoli. Coincidentemente ou não, estamos falando aqui do mesmo período em que a decisão individual do Ministro suspendeu uma multa bilionária contra essa mesma empresa, multa de mais de R$10 bilhões. Simplesmente meteram a caneta, dispensaram o pagamento da multa. Aí, coincidentemente, aparecem agora essas transações que chegam na conta dos familiares. E mais, nós estamos falando aqui de um Ministro indicado por quem? Pelo Governo PT, aliás, praticamente todos. Por mais que tudo isso pareça uma coincidência, fica mais difícil de acreditar que seja. Porque quando o dinheiro percorre um caminho complexo, quando decisões bilionárias são tomadas e quando há relações profissionais e pessoais envolvidas, isso deixa de ser coincidência e passa a se transformar em método.
O mínimo que o povo brasileiro espera, Presidente, é a verdade. O povo não aceita mais tantas coincidências e corrupção.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Essa "coincidência", entre aspas, perdão, foi no Resort Tayayá também?
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Quanto foi o valor aí?
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Foram mais de R$10 milhões que foram agora...
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Da JBS para o Tayayá?
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Exatamente.
E aí está tudo bem, vem o Ministro Gilmar dar entrevista, dizendo que não, que não está acontecendo nada de anormal, que isso é normal. Já foi também divulgado na mídia o patrocínio de todos aqueles eventos lá em Portugal, na Espanha, para todo lado, Nova York, quem é que bancava tudo isso? Banco Master. Então, dizer que isso é normal, dizer que um contrato de R$129 milhões do Ministro Alexandre de Moraes é normal? Não dá para aceitar isso.
E V. Exa. tem razão. A culpa de tudo isso que está acontecendo é nossa, aqui do Senado, exatamente porque nós não estamos fazendo o nosso dever de casa. E as pessoas me perguntam na rua: "Vem cá, por que vocês não votam o impeachment?"; e eu respondo, simplesmente: "Olha, se tivéssemos que votar hoje o impeachment, nós teríamos 26 votos, no máximo". Por quê? Porque grande parte tem medo do Supremo Tribunal Federal porque, de fato, eles fazem chantagem com alguns Senadores. Não sei se V. Exa. estava na reunião de Líderes uma vez, acho que estava, quando um Líder disse, na votação do fim das decisões monocráticas: "Olha, me ligaram e disseram que, se eu votar a favor, vão botar um processo semana que vem contra mim". Ele votou contra.
Nós aprovamos aqui o fim do foro – mas está na Câmara, não sei por que lá na Câmara não aprova esse troço – para tirar, realmente, do Supremo, essas prerrogativas dos Parlamentares, para ter liberdade. São poucos que têm, realmente, independência aqui e que não têm rabo preso e que não têm processo; apesar de que hoje, para quem não tem, eles criam.
Então, Presidente, essa é a razão de não acontecer o impeachment. Por isso, agora, em 2026, quem pode resolver isso? O eleitor. Nós não podemos aceitar aqui, no Senado, Senadores que têm rabo preso, que não sejam independentes, que sejam chantageados, que têm medo.
As pessoas têm que... Agora eu estou vendo, o Governador aqui de Brasília saiu para ser candidato ao Senado, depois de um rombo desse, de um prejuízo que será no mínimo de R$12 bilhões. E agora o STJ, inclusive, derrubou a decisão aqui, suspendendo a lei da venda dos terrenos. Quer dizer, os caras roubam R$12 bilhões e quem vai pagar a conta é o contribuinte, é a população.
Aí estão pegando o terreno, que é o Clube da Saúde, que está lá há anos e anos, dos servidores da saúde; estão pegando o terreno da Novacap, terreno maravilhoso; o terreno da Caesb, da CEB, e simplesmente vão botar no fundo de investimento para vender os terrenos. E, além de vender, depois nós ainda vamos ter que pagar aluguel para isso aí.
Então, não é possível que a população não veja essas coisas. Como é que pode? Uma saúde aqui no DF... V. Exa. falou do Ceará, mas aqui, a saúde aqui está na UTI há muito tempo – e cada vez mais grave. Eu fico indignado, eu fico triste, porque pessoas me procuram aqui, esperando há três anos, quatro anos, uma cirurgia, e não conseguem.
Aqui, Senador Girão, na oncologia, o cara leva seis meses para conseguir uma consulta. Aí o cara diz assim: "Olha, realmente, você vai ter que fazer o exame". Mais seis meses para fazer o exame. Aí depois que faz o exame, o cara: "Olha, agora você vai ter que procurar um especialista". Mais seis meses. O especialista chega e diz: "Realmente, você está com câncer. Você vai ter que fazer quimioterapia ou radioterapia". Morreu já. Mais seis meses, um ano.
Então, quer dizer, essa é a saúde nossa. Não é possível que as pessoas estejam satisfeitas com isso. Provavelmente, quem tem plano de saúde talvez não se incomode tanto, mas aqueles que não têm, que dependem realmente do serviço público... E olha que nós temos um orçamento aqui de bilhões. O orçamento da saúde nossa chega a quase R$15 bilhões, ou seja, o que roubaram do BRB corresponde a um ano de toda a despesa de uma saúde.
Sobre a educação, eu nem vou falar porque a educação mata a geração toda. Eu estudei em escola pública aqui em Brasília. Na minha época, tinha duas coisas: só entrava na UnB quem estudava em escola pública; segundo, todos nós saímos do ensino médio com uma profissão. Acabaram com isso, conseguiram acabar com a educação.
Hoje, a meninada está se formando no ensino médio, 70% sem saber matemática, 60% sem saber português. A maioria não foi alfabetizada na idade certa, e carrega essa dificuldade o resto da vida.
Aí estão inventando aqui o Pé-de-Meia, R$200. O pessoal: "Izalci, como é que você critica um projeto maravilhoso desse?". Gente, você segura o aluno não é com R$200, é botando estrutura na escola, é botando esporte, cultura, laboratório que não tem de ciência, de biologia, de internet, tecnologia, mas, não – curso de formação profissional –, aí você segura o aluno.
Eu pelo menos ia para a escola com prazer, acordava cedo querendo ir para a escola. Hoje a meninada fica desanimada de ir para a escola, porque não tem nada disso.
Então, tem que ter educação integral, tem que ter... Olha, creche. Hoje, a maioria das mães querem trabalhar, precisam trabalhar, mas não têm onde deixar as crianças. E ainda botaram um critério assim: "quem tem Bolsa Família tem prioridade". Ora, quem tem Bolsa Família está em casa, pode cuidar das crianças; quem precisa trabalhar não tem, fica para depois.
Então, cara, é uma distorção completa e muita incompetência, fora fake news que sai por aí. Dizem que eu botei dinheiro no Rio de Janeiro, em São Paulo, não sei onde. Conversa fiada! Sai na mídia e fica por isso mesmo. Eu botei foram milhões e milhões, que eles não executam. Só para o hospital do câncer, aqui de Brasília, nós botamos uma emenda de R$120 milhões. Perderam o prazo. Eu fui à Caixa Econômica, consegui adiar o tempo, e está lá do mesmo jeito, não fizeram a obra até hoje, está na pedra fundamental ainda, já vai fazer seis anos.
Então, esse é o Governo incompetente que está aí. Será que a população quer que continue isso aí? A hora de mudar é agora, nas eleições. Eu vejo muito pouco aqui as pessoas falarem sobre política pública. Será que só poucos aqui pensam na cidade, nas pessoas? Porque Governo existe é para cuidar das pessoas, não é para a estrutura da máquina, é para cuidar das pessoas. E quem são essas pessoas?
Olha, o cidadão começa no pré-natal. Se o Governo garantisse realmente política pública para todas as mulheres grávidas terem acompanhamento durante a gestação a criança ia nascer muito mais saudável.
Depois vem a primeira infância. V. Exa. sabe que a primeira infância é a parte mais importante, o período mais importante da pessoa, é onde tem o desenvolvimento da coordenação motora, o desenvolvimento cognitivo, a alfabetização. Então, você tem que dar uma atenção especial para a primeira infância, botar todas as crianças na escola de qualidade, com uma boa alimentação.
Depois você tem a adolescência, que é uma fase pela qual todos nós já passamos aqui, que é diferente. Você tem que ter política pública para adolescente. Depois vem o jovem. E o que o jovem quer? O jovem quer esporte, quer cultura, quer formação profissional, quer lazer, quer música, quer cultura.
Depois vem o adulto. O adulto quer emprego, quer casa para morar, quer trabalho, quer política pública, que tem que ser dada. Ninguém nasceu para morar debaixo da ponte, tem que ter uma política de habitação. Aliás, se não tivesse aqui lá atrás... aqui tinha a Sociedade de Habitações de Interesse Social (Shis). Se não tivesse o programa eu nem estaria aqui, porque meu pai só veio depois que foi sorteado com uma casa lá no Guará. Então, tem que ter uma política para...
Agora, vem o idoso. Hoje, nós temos em Brasília mais idosos do que crianças. O cara normalmente se aposenta com 60, 65 anos, vai viver até os cem. Serão o quê? Quarenta anos, trinta e cinco anos assistindo televisão? Então, qual é a política pública que nós temos hoje para o idoso? Nada. Então, você tem que ter política pública para o idoso. Assim como tem que ter creche para a criança, tem que ter espaço para os idosos, aproveitar a experiência deles.
Eles gostam também de forró, gostam de jogar alguma coisa – dominó, qualquer coisa assim –, mas tem que fortalecer atividades culturais, para eles poderem pintar, fazer artesanato, fazer coisas, inclusive, ensinando as crianças. Então, a gente tem que elaborar isso.
Eu cheguei à seguinte conclusão: a gente não vai conseguir avançar nisso se não envolver a comunidade. E é o que nós estamos fazendo. Estou fazendo cidade por cidade, como já fiz já algumas vezes, alguns anos atrás – comecei em 2011 –, 2014, 2018, ouvindo a comunidade, porque eu aprendi isto também: governar é eleger as prioridades depois de ouvir a população. Aprendi aqui: nada de nós sem nós. Acontece muito aqui, as pessoas aprovam leis ou votam sem ouvir, lá na ponta, o que vai acontecer, os interessados. Nós acabamos de aprovar a reforma tributária aqui. Eu fiz lá 22 audiências e trouxe alguns contadores, mas nunca foram chamados aqui os contadores para a reforma tributária. São eles que colocam a mão na massa. Então, aprendi aqui com as pessoas com deficiência. Como as pessoas votam aqui, criam projetos sem ouvir as pessoas, as necessidades, as prioridades? Então, eu vejo muito pouco essa discussão aqui.
Girão, eu fui Secretário por duas vezes. As pessoas talvez não entendam bem a diferença entre a gestão pública e a gestão privada. Na gestão privada, você faz o que você quiser, você só não pode fazer o que é proibido; mas, na área pública, só pode fazer o que é permitido. Lá atrás, em 2004, eu fui Secretário de Ciência e Tecnologia. Não tinha nem celular. Implantamos, compramos equipamentos para os professores, quando saiu o notebook, para todos eles; lançamos o projeto da Cidade Digital, que está do mesmo jeito que eu deixei há 20 anos. Por quê? Porque o Governo não investiu. Tudo o que a gente ia fazer não podia na área de ciência e tecnologia. O pesquisador não podia sair da universidade. O conhecimento está na universidade, mas a inovação está na empresa, e eles não se comunicam. As universidades, muitas vezes, formam profissionais sem ouvir o mercado e aí formam profissional em que o mercado não tem interesse mais. Então, esse foi um grande desafio.
Eu não vim aqui para o Congresso por carreira, eu vim aqui para aprovar as leis para poder executar. Por exemplo, quando eu estava estudando para mudar a matriz econômica do DF – porque nós precisamos mudar essa matriz econômica –, eu percebi que ninguém aqui tem escritura, nem na área rural, nem na área urbana. Muitas pessoas, muitas cidades não têm escritura. Alguém vai investir sem escritura? Primeiro, não consegue financiamento; segundo, ninguém vai investir numa terra que não é oficialmente dela e que pode ser tomada a qualquer momento. Então, a gente veio para cá e aprovou. Tudo o que tem na lei de regulação fundiária hoje, tudo o que eu podia colocar eu coloquei. Sem a lei, você não regulariza; mas, tendo a lei, depende de vontade política, competência, interesse em fazer. Como as pessoas caem de paraquedas, não sabem desses detalhes.
Eu disse aqui recentemente que a questão da segurança pública só vai ser resolvida com educação profissional. Ora, se somente 22% dos jovens entram na faculdade, 78% dos jovens não estudam e não trabalham, porque não têm qualificação. Então, você tem que investir na educação profissional. Não tinha nenhum instituto federal em Brasília quando eu fui Secretário. Hoje nós temos 11, mais nove escolas técnicas, que nós conseguimos.
Vim para o Congresso, fui o Presidente da Comissão do novo ensino médio. A gente levou cinco anos, Girão, para implantar o novo ensino médio com itinerário profissional. Mudou o Governo, acabou. No Brasil tem isso, não é? Nós não temos política de Estado, a gente tem política de Governo. Cada Governo que entra acaba com tudo e começa de novo.
Então, o que nós precisamos fazer realmente é investir na educação profissional.
Mudei tudo na área de ciência e tecnologia. Não tem nada hoje na legislação de ciência, tecnologia, inovação e pesquisa que não tenha a minha participação. Coloquei inovação na Constituição, mudamos todo o marco regulatório de ciência e tecnologia. Faltava dinheiro, porque o Governo desviava recursos da ciência e tecnologia. Nós aprovamos – e V. Exa. apoiou – o projeto, de minha autoria, proibindo o Governo de desviar recursos da ciência e tecnologia. Hoje nós temos aí R$25 bilhões garantidos – o que é muito pouco, mas não tinha nada – para poder investir em projetos de pesquisa.
Então, a vinda para cá foi para isso, para mudar essas leis.
Fui o Relator do Fundeb, o principal fundo da educação. E V. Exa. lembra que coloquei recursos para educação infantil, educação profissional. Aumentamos em 26% o Fundeb, que é o principal fundo da educação. Para quê? Para poder executar. E muita gente não sabe disso... e olha que eu tenho feito muita palestra nas faculdades, com jovens fazendo direito, terminando direito, e não sabem o que o Senador faz, o que o Deputado Federal faz, o que o distrital faz, o que o Executivo faz. Então cobram, muitas vezes, e votam em qualquer um.
Quem tem grana hoje é quem ganha a eleição. Eu já estou vendo o Governador aí... Depois desse rombo de R$12 bilhões, eu tenho até medo de ele ganhar a eleição, porque é fácil. Quem tem alguns bilhões na conta, principalmente quando não é dele, fica mais fácil distribuir dinheiro para todo mundo. Aí eu chamo o cara: "Ó, contrata dez mil pessoas para trabalhar na minha campanha". O cara trabalha, vota na pessoa, arruma mais um monte de voto, o cara ganha a eleição e vai embora, vai cuidar da vida dele. Então, nós precisamos também orientar, esclarecer. Eu digo assim: olha, voto não tem preço; voto tem consequência. E ainda digo para muitas pessoas que dizem "ah, não quero saber de política, não gosto de política". Quem não gosta será governado por quem gosta. E alguém vai decidir por você. Se você não participar, alguém vai decidir por você, e não adianta reclamar depois. E a gente vê, inclusive nos condomínios, em reunião de síndico, que ninguém quer participar. Aí aprovam uma taxa extra e todo mundo reclama. Na política é a mesma coisa: o cara não participa, ou vota de qualquer jeito, depois vêm as consequências.
Então, Senador, obrigado pela tolerância também, mas eu precisava desabafar um pouco com relação a essas questões.
Muito obrigado.