Discurso proferido da Presidência durante a 40ª Sessão Especial, no Senado Federal

Em fase de revisão e indexação
Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência

    O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) – Quero cumprimentar aqui os membros da mesa já nominados. Daqui a pouco, vou registrar a presença também de várias autoridades que aqui estão. Quero cumprimentar todos os convidados, agradecer a presença de todos – os nossos servidores aqui do Senado, nosso Exército Brasileiro, que está presente – e agradecer ao nosso Coral do Senado, maravilhoso.

    Antes de Brasília existir no mapa, ela existia num sonho. Em 1883, D. Bosco dormiu e, então, sonhou com a nova civilização, nascendo entre os paralelos 15 e 20, uma terra de riquezas naturais, um povo grande, uma luz no centro do continente. E, décadas depois, quando os engenheiros mediram o território para a nova capital, o ponto escolhido estava exatamente aqui, dentro daquelas mesmas coordenadas.

    Brasília foi profetizada antes de ser planejada, foi sonhada antes de ser construída, foi vislumbrada antes de ser desenhada. E talvez seja por isso que ela carrega, desde o primeiro tijolo, algo que outras cidades não têm: a sensação de que estava destinada a existir, mas destino no Brasil a gente sabe que não se espera, se constrói. E foram mãos brasileiras que construíram, mãos que vieram do Nordeste, do Sul, do Norte e de todos os lugares das regiões, mãos que chegaram sem ter nada e, desse nada, ergueram a capital. Os candangos não estão apenas na história de Brasília; estão na argamassa da terra vermelha, no concreto que ainda hoje sustenta esta cidade. Brasília é filha de Niemeyer e Lúcio Costa, mas é filha deles também.

    Certa noite, durante as obras, Juscelino subiu ao alto do Cruzeiro e de lá contemplou as luzes que começaram a pulsar na escuridão do Cerrado. Olhou para o candango ao seu lado e disse: "Ei, meu velho, levei três anos preparando essa noiva que, no fim, vai se casar com outro". Era a consciência serena de quem construiu algo que não é seu, mas de todos. Essa noiva, desde então, pertence ao Brasil inteiro.

    E não existe acaso em Brasília; existe intenção. Cada linha, cada curva, cada silêncio entre os edifícios e outros, foi a música pensada no traço da catedral, a disposição das asas do Plano Piloto. Brasília não foi apenas construída; foi composta. Esta é a cidade que se lê como uma poesia, com atenção, porque cada detalhe carrega sentido.

    E tem o céu. O céu de Brasília é diferente: mais largo, mais alto, mais presente. E o pôr do sol? o pôr do sol mais bonito que você já viu é sempre o último que acabou de ver em Brasília. Isso é verdade todos os dias.

    Há quem pergunte o que faz de Brasília uma cidade especial. Eu diria que é exatamente isto: ela não deixa ninguém indiferente. Ninguém passa por aqui e sai o mesmo. Ou você ama desde a primeira vez em que você a vê, ou demora um pouco, mas acaba amando do mesmo jeito, porque Brasília não é apenas uma capital, é uma ideia que virou cidade, a ideia de que o Brasil pode planejar, pode ousar, pode construir algo que o mundo inteiro irá parar para admirar. A própria Unesco confirmou com o título o que qualquer brasiliense já sabia no coração: Brasília é um patrimônio maior que o Brasil, pertence a toda a humanidade.

    Mas antes de ser patrimônio do mundo, Brasília precisa ser prioridade. Nossa Brasília também é espelho. O que acontece aqui se reflete no Brasil inteiro, e o que acontece no Brasil inteiro, Brasília sente primeiro. Por isso, cuidar desta cidade não é obrigação apenas de quem aqui vive; é responsabilidade de quem governa, de quem legisla, de quem tem o privilégio de trabalhar em seu nome.

    Brasília merece estar na altura do sonho que a criou. Sessenta e seis anos depois, a profecia de D. Bosco segue viva. O sonho de JK segue de pé. O suor dos candangos segue presente em cada pedra dessa cidade.

    Que este aniversário nos lembre do tamanho do que foi construído aqui e do tamanho da responsabilidade que carregamos de preservar, cuidar e continuar construindo, porque Brasília não vai parar de crescer enquanto o Brasil não parar de sonhar.

    Feliz aniversário, Brasília! (Palmas.)

    Antes de passar para a nossa querida Leila, eu quero aqui passar também a Presidência para ela.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/04/2026 - Página 7