Discurso proferido da Presidência durante a 40ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar o 66º aniversário de Brasília. Defesa da valorização da educação, da saúde e da segurança pública do Distrito Federal. Manifestação de preocupação com a situação do Banco Regional de Brasília e cobrança de transparência e responsabilização diante do caso envolvendo o Banco Master. Exaltação do papel dos candangos e da população brasiliense na construção da capital.

Autor
Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Homenagem:
  • Sessão Especial destinada a celebrar o 66º aniversário de Brasília. Defesa da valorização da educação, da saúde e da segurança pública do Distrito Federal. Manifestação de preocupação com a situação do Banco Regional de Brasília e cobrança de transparência e responsabilização diante do caso envolvendo o Banco Master. Exaltação do papel dos candangos e da população brasiliense na construção da capital.
Publicação
Publicação no DSF de 25/04/2026 - Página 8
Assunto
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, COMEMORAÇÃO, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, CAPITAL FEDERAL, BRASILIA (DF), DISTRITO FEDERAL (DF).
  • DEFESA, VALORIZAÇÃO, EDUCAÇÃO, SAUDE, SEGURANÇA PUBLICA, DISTRITO FEDERAL (DF).
  • PREOCUPAÇÃO, SITUAÇÃO, BANCO DE BRASILIA (BRB), COBRANÇA, TRANSPARENCIA, IMPUTAÇÃO, RESPONSABILIDADE, PARTICIPAÇÃO, TRANSAÇÃO, BANCO PRIVADO, CONTROLADOR, DANIEL VORCARO.
  • ELOGIO, ATUAÇÃO, PIONEIRO, TRABALHADOR, CONSTRUÇÃO CIVIL, POPULAÇÃO, BRASILIA (DF), CONSTRUÇÃO, CAPITAL FEDERAL.

    A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Para discursar - Presidente.) – Boa tarde a todas e a todos.

     Cumprimento, de forma muito especial, meu colega Izalci Lucas, que é requerente, junto comigo, na autoria para pedir ao Senado a sessão especial que comemora os 66 anos da nossa querida capital Brasília.

    Quero cumprimentar aqui a Sra. Ministra do Superior Tribunal de Justiça, a Dra. Daniela Teixeira; o Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Georges Seigneur; o Sr. Vice-Presidente do Memorial JK e bisneto do Presidente da República Juscelino Kubitschek, no período de 1956 a 1961, André Kubitschek, e estendo os cumprimentos à família e todos que estão aqui: Paulo Octávio, Anna Christina e a filha...

    A sua filha... Perdão... Eu me esqueci o nome da...

(Intervenção fora do microfone.)

    A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) – Não é? Ah, perdão, André. Pensei que fosse. Sempre pagando uma, né?

    Ah, é a namorada? Muito prazer, então. É da família já – é da família. (Risos.)

    Cumprimento também a Sra. Presidente da Rede Sarah de Hospitais e Reabilitação, a Dra. Lúcia Braga, que é uma querida e que faz um belo trabalho à frente da Rede Sarah. Cumprimento também a Senadora Damares, nossa querida companheira de bancada; a dupla sertaneja Zé Mulato e Cassiano. Cumprimento o Antonio Simoneto, Presidente do Sindiloterias; o Dr. Gutemberg Fialho; e o ex-Senador – claro, e querido também – Paulo Octávio.

    Sejam todos muito bem-vindos.

    Senhoras e senhores, Sras. Senadoras, autoridades presentes, brasilenses, candangos e todos os brasileiros e brasileiras que acompanham esta sessão especial, subo hoje a esta tribuna, com orgulho e emoção, para celebrar os 66 anos de Brasília, a nossa capital, a capital de todos os brasileiros.

    Eu tive a satisfação de apresentar um dos requerimentos que deram origem a esta sessão, justamente por reconhecer a importância de marcar aqui essa data, no Senado Federal, como um momento de reflexão, de celebração e também de responsabilidade com o presente e, é claro, com o futuro da nossa cidade.

    Brasília é mais do que uma cidade; Brasília é um símbolo. Símbolo da capacidade do povo brasileiro de sonhar grande, símbolo da integração nacional e símbolo da nossa democracia. Uma capital planejada, erguida no coração do país, que carrega, em sua essência, a ideia de união entre todas as regiões, todos os povos e todas as histórias que formam o Brasil. Celebrar Brasília é celebrar essa identidade coletiva.

    Mas toda celebração verdadeira exige um olhar para o presente, e, nesse aniversário de 66 anos, nós não podemos ignorar o sentimento que hoje está presente em grande parte da população do nosso DF: a preocupação. Preocupação com o futuro, preocupação com decisões que impactam, diretamente, a vida da nossa população.

    E essa preocupação se manifesta de forma muito concreta nas áreas mais sensíveis da vida da nossa gente: a educação, a saúde e a segurança pública.

    Na educação, por exemplo, é impossível não registrar o momento vivido pelos professores da rede pública aqui do DF, profissionais que hoje se mobilizam, que paralisam as suas atividades, que vão às ruas não por qualquer motivo, mas por reivindicações legítimas e que há mais de anos estão reivindicando, que é a valorização da carreira, a recomposição salarial e, é claro, melhores condições de trabalho. E é preciso dizer com todas as letras: não há projeto de futuro para Brasília sem a valorização dos seus professores. A educação é o alicerce de qualquer sociedade, e professores desvalorizados significam, claro, um futuro comprometido. Por isso, manifesto aqui o meu apoio às reivindicações da categoria e à necessidade que o diálogo prevaleça, com soluções concretas que reconheçam o papel fundamental desses profissionais.

    Da mesma forma, na saúde, temos desafios que exigem atenção permanente. O sistema de saúde do Distrito Federal depende, em grande parte, do esforço diário de médicos, enfermeiros, técnicos e de tantos outros profissionais que sustentam o atendimento à nossa população. Tenho atuado – eu e a nossa bancada, é claro –, ao longo dos nossos mandatos, com destinação de emendas para fortalecer essa rede, apoiando a construção de unidades, a aquisição de equipamentos e a ampliação da capacidade de atendimento. E é fundamental reafirmar o compromisso, o nosso compromisso com esses profissionais e com a população que depende, em sua grande maioria, do sistema público de saúde. Saúde não pode esperar. A saúde tem que ser prioridade para qualquer Governo.

    E, na segurança pública, o cenário também não é diferente. Brasília abriga as forças de segurança que são referência nacional, mas que também enfrentam desafios relacionados à valorização profissional, condições de trabalho e estrutura. Nesse sentido, nós atuamos intensamente junto ao Governo Federal para assegurar reconhecimento e melhores condições para essas categorias, porque a segurança pública se faz com investimento, planejamento e respeito a quem está na linha de frente, protegendo a nossa sociedade. E nós conseguimos avançar e muito com a aprovação recente do reajuste das forças de segurança e de outras melhorias para as categorias, para as carreiras, inclusive.

    Senhoras e senhores, além dessas preocupações que afetam diretamente o cotidiano da população, há também um tema que merece destaque especial, e eu não posso me calar, que é a situação do Banco Regional de Brasília, o BRB. O BRB sempre foi motivo de orgulho para o povo brasiliense, uma instituição sólida, respeitada, construída ao longo de décadas, que cumpriu um papel fundamental no desenvolvimento do Distrito Federal. Foi por meio do BRB que muitas políticas públicas, claro, foram viabilizadas, foi através do banco que se apoiou o empreendedor, o servidor público, o pequeno negócio, o cidadão comum. O BRB sempre esteve ao lado de Brasília, e é justamente por isso que os recentes acontecimentos envolvendo o chamado escândalo do Banco Master geram tanta apreensão. Não se trata de um tema distante, trata-se de algo que afeta diretamente a confiança, a credibilidade e o futuro de uma instituição estratégica para o nosso Distrito Federal. E o pior: o BRB está nessa situação por decisões pessoais motivadas por interesses e vantagens pessoais de quem tinha a responsabilidade de gerir e proteger o banco e o patrimônio do Distrito Federal.

    Quando uma instituição como o BRB é colocada sob questionamento, quem sofre é a cidade, quem sofre são os mais vulneráveis e a nossa população. Que os culpados, deixo bem claro aqui, sejam exemplarmente punidos, todos, doa a quem doer. Por isso, este não é apenas um momento de celebração, é também um momento de alerta. Brasília merece respeito, Brasília merece responsabilidade na condução de suas instituições. Brasília merece, acima de tudo, transparência.

    Senhoras e senhores, estamos em um ano decisivo: 2026 é um ano de eleições, e é fundamental que cada cidadã e cada cidadão do DF compreenda o peso do seu voto. O voto precisa ser consciente, e consciência exige comparações. Não basta ouvir discursos, é preciso olhar na prática, é preciso perguntar e cobrar respostas claras. Quem realmente defende Brasília? Quem trabalha para servir à população do DF? Quem utiliza a política para atender a interesses próprios, muitas vezes distantes da realidade do nosso povo? E essa avaliação não pode ser superficial, ela passa necessariamente pelo histórico de cada Parlamentar, de cada figura pública do Distrito Federal.

    Como votaram na isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil, uma medida concreta que alivia o bolso de milhares de trabalhadores do DF? Como votaram nos programas que garantem dignidade às famílias mais vulneráveis, como acesso ao gás de cozinha e tarifa social de energia? Apoiaram ou não essas medidas? Como se posicionaram? Como se comportaram diante de iniciativas que ampliam a saúde pública? Estiveram ao lado da população ou criaram obstáculos?

    E agora, no momento em que os professores da rede pública se mobilizam por valorização, qual é a posição de cada um de nós da bancada federal e distrital? É importante saber se estão ao lado da educação pública ou se se omitem diante das reivindicações legítimas de quem constrói o futuro do nosso país e do nosso DF.

    Na saúde, defenderam os profissionais que sustentam o sistema ou ignoraram as demandas? Na segurança pública, a mesma coisa: atuaram na valorização das forças que protegem a população ou limitaram-se aos discursos fáceis, sem compromisso real e sem soluções?

    Para as mulheres do Distrito Federal, é fundamental perguntar: como votaram nas pautas de combate à violência contra a mulher? Como atuaram no enfrentamento ao feminicídio e em tantas outras pautas?

    Para os servidores públicos e trabalhadores, é preciso avaliar como votaram na reforma da Previdência, como atuaram nos projetos e planos de carreira e se defenderam o serviço público de qualidade.

    Essas perguntas é que precisam ser feitas. Essas respostas existem. Elas são registradas em votos, em posicionamentos, em atitudes. Saiam de suas bolhas. É preciso ser reconhecido pela população quem de fato fez, porque há uma diferença clara e cada vez mais evidente entre quem exerce a política como uma missão pública e quem a utiliza como instrumento de interesse próprio. Há quem trabalhe para melhorar a vida das pessoas. Há quem, infelizmente, vote contra medidas que beneficiam justamente quem mais precisa.

    Há quem defenda, sim, Brasília, na nossa bancada. E há quem se sirva de Brasília – isso é fato. Essa distinção precisa ser feita com muita clareza, com responsabilidade e principalmente – por isso que estou aqui – com coragem.

    Senhoras e senhores, Brasília é uma cidade única, uma cidade construída por brasileiros de todos os cantos deste país. Inclusive, meus pais, dois nordestinos, vieram para cá num pau de arara – eu falo sempre isso, Dra. Daniela. Logo no início, logo depois da inauguração, Anna Christina, meus pais vieram, embalados no sonho do seu avô, para conquistar uma terrinha aqui. Ganharam ali em Taguatinga e lá nos instalamos. Ali eu cresci e tive uma infância incrível, uma adolescência fantástica. Então, ela foi construída para os brasileiros de todos os cantos.

    É uma cidade que reúne o setor público, com seus servidores, com seus militares e representantes eleitos; uma cidade que abriga um setor privado forte, com comerciantes, empresários, construtores, produtores e trabalhadores; uma cidade que conta com o terceiro setor atuante e comprometido com as causas sociais e com o bem comum.

    Brasília, gente, é a síntese do nosso país. É justamente esta união que deve ser celebrada neste aniversário: a união de quem constrói a cidade de todos, todos os dias; a união de quem trabalha, de quem empreende, serve e acredita.

    Brasília não pertence a um governo. Brasília não pertence a um grupo político. Brasília pertence a seu povo. E é esse povo que deve estar no centro de todas as decisões. Por isso, ao celebrarmos os 66 anos da nossa capital, precisamos reafirmar aqui certos compromissos: compromisso com a educação de qualidade, compromisso com a saúde pública eficiente, compromisso com a segurança da população, compromisso com a responsabilidade pública, compromisso com a transparência, compromisso com a boa gestão e, acima de tudo, compromisso com as futuras gerações. Este é o nosso compromisso: que possamos seguir construindo uma cidade cada vez mais justa, mais forte e mais preparada para enfrentar os desafios do nosso tempo – e eles não são poucos.

    Parabéns, Brasília, minha querida Brasília, minha mãe Brasília, pelos seus 66 anos. Parabéns ao povo brasiliense, a todos que vieram construir a cidade e que acreditaram nesta cidade e a todos que nasceram, assim como eu, nesta cidade. E parabéns a todos vocês que estão aqui conosco.

    Muito obrigada. (Palmas.)

    Desculpem-me por ter me estendido.

    Bom, eu queria citar a presença aqui do Coronel Luis Fernando e do Coronel Pires, do Exército Brasileiro, e cumprimentá-los. Sejam todos muito bem-vindos.

    Neste momento, eu vou conceder a palavra à nossa querida companheira de bancada, Senadora Damares Alves.

    Por favor, uma salva de palmas.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/04/2026 - Página 8