Pronunciamento de Confúcio Moura em 18/05/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 55ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
- Autor
- Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
- Nome completo: Confúcio Aires Moura
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Perfeito.
Bem, eu vou, daqui mesmo, fazer um breve pronunciamento. Não vindo mais nenhum Senador, nós vamos encerrar a nossa sessão já, já.
Eu vou só abrir aqui uma palavra.
Eu estou fazendo um comentário político, analítico e circunstancial do Brasil, desse tempo que nós estamos vivendo na política, e do que nós estamos observando nisso tudo. Não estou fazendo nenhuma referência ao Governo atual; estou falando do cenário brasileiro desses últimos 30, 40 anos.
Dando continuidade a essa sequência de reflexões, iniciada a partir do reconhecimento de um sentimento que atravessa o país, que é um certo cansaço, é preciso avançar na compreensão dos seus entornos.
O Brasil real não está cansado por acaso. Esse cansaço não vem apenas da luta diária pelo básico; esse cansaço tem origem em uma distância que se tornou cada vez mais evidente, cada vez mais visível, entre o tempo da vida das pessoas e o tempo de resposta do Estado!
E talvez seja importante compreender que esse sentimento não nasceu agora, ele atravessa gerações. Está presente na memória de muitos brasileiros que viram seus pais e avós enfrentarem longas esperas, dificuldades burocráticas, promessas interrompidas e sensação constante de que a vida real corria mais rápido do que as respostas das estruturas públicas.
O que se reflete aqui, portanto, não é uma crítica circunstancial a este ou a qualquer Governo, é uma reflexão sobre uma dificuldade histórica do país: aproximar o Brasil institucional da vida concreta das pessoas.
Enquanto a vida exige rápidas respostas, decisões concretas e soluções possíveis, muitas vezes o cidadão encontra estruturas lentas, excesso de exigências, processos que se acumulam e caminhos burocráticos que parecem nunca terminar. É o caso de que o Senador Humberto acaba de falar aqui agora.
Isso produz desgaste, isso produz insegurança, isso produz sensação de impotência, porque o cidadão brasileiro já enfrenta diariamente o peso do custo de vida, da instabilidade e das dificuldades cotidianas. E, muitas vezes, quando procura o Estado, para buscar soluções para seus problemas, encontra dificuldades, barreiras, burocracia e espera além do que é razoável.
Esse descompasso não é apenas administrativo, ele aparece nas pequenas e nas grandes coisas. Ele tem impacto direto na vida das pessoas. Está na obtenção de um documento simples; na demora que não é razoável; na perícia que não sai, todo mundo sabe das filas do INSS; na política pública que existe no papel, mas não se concretiza no cotidiano; na licença que nunca chega; na obra pública que começa e que para no meio do caminho. Ó o discurso do Humberto Costa agora mesmo, a obra pública que começa e que para no meio do caminho. O Humberto acabou de falar aqui agora sobre a Transnordestina.
Nos municípios que convivem com projetos interrompidos também, recursos travados e estruturas que não conseguem transformar intenção em entrega concreta; no pequeno produtor rural que espera pela regulação de sua terra e demora tanto, anos e anos; no empreendedor que tenta gerar emprego, mas se perde em exigências, carimbos e etapas que parecem não ter fim.
E, talvez, pelo conjunto da obra, pela soma desses problemas, é que o cidadão vê sua vida passar, seja pela espera, seja dentro das estruturas que deveriam facilitar a vida cansada – e não a dificultar. Isso tudo começa, consome energia, tempo, esperança e a própria vida, já acumulada por um cansaço só para se obter o que é o básico.
O Estado brasileiro tem papel essencial. Ele organiza, protege, coordena, promove direitos e ajuda a construir desenvolvimento, mas, para cumprir essa missão, precisa estar conectado com a realidade do país.
O problema não é a existência do Estado. O problema é quando a resposta do Estado deixa de acompanhar a velocidade da vida real; é quando o procedimento se torna mais importante que o resultado; é quando a estrutura passa a servir mais a si mesma do que ao cidadão. Isso precisa ser enfrentado com responsabilidade.
Não se trata de criticar as instituições, de desqualificá-las, como muitos fazem, mas nada contribuem para que se mudem as coisas. Trata-se de fortalecê-las por meio da eficiência, da modernização, da capacidade de resposta, porque o Estado forte não é aquele que dificulta, é aquele que funciona verdadeiramente.
O Brasil já demonstrou, em diferentes momentos da sua história, que é capaz de avançar enquanto enfrenta os seus próprios entraves.
A transformação digital, por exemplo, mostrou que muitos serviços podem ser rápidos, integrados e acessíveis, mas ainda convivemos com um país aonde a modernização chega de forma desigual. Enquanto alguns resolvem tudo por aplicativos, outros ainda percorrem longas distâncias atrás de um atendimento básico. Essa diferença também produz a exclusão, porque quem possui recursos encontra caminhos e evolui, quem não possui apenas espera. E, no Brasil, esperar demais, muitas vezes, significa desistir, desistir do documento, desistir do benefício, desistir de cuidar da própria saúde e da família, tudo pelo descrédito de que as coisas possam funcionar. Talvez uma das formas mais silenciosa da desigualdade seja exatamente esta: o tempo perdido de quem necessita da estrutura pública para viver, produzir, recomeçar ou mesmo cuidar. Formam-se, com isso, dois tipos de brasileiros: os que conseguem resolver os seus problemas e os que passam anos, esperando algo para seguir em frente, quando não sucumbem antes.
O Estado não pode exigir, por meio do cumprimento imediato de leis, tanto para a população, quanto para aqueles que geram renda, uma eficiência na vida real, enquanto responde em câmera lenta.
Assim, Sr. Presidente, valorizar o próprio tempo é uma das expressões mais elementares da dignidade. Quando se faz o cidadão perder tempo demais para acessar aquilo que deveria ser básico, o que se desgasta não é apenas uma relação com o Estado, é uma discussão sobre o respeito à vida concreta das pessoas por aquele que deveria ser o guardião, seu protetor e facilitador.
Assim, Sr. Presidente, o objetivo é a redução das distâncias, fazer com que as estruturas públicas voltem plenamente à vida concreta das pessoas, porque o Estado forte não é aquele que se impõe em complexidade. Talvez seja exatamente aí que começa a próxima reflexão, o momento em que o cidadão mais sente, de forma concreta, a presença ou ausência do Estado em sua vida: a saúde.
Dando continuidade, agora está presente, no nosso Plenário, a Senadora Teresa Leitão, do Estado de Pernambuco, a quem eu passo a palavra de imediato.