Pronunciamento de Jaques Wagner em 13/05/2026
Discurso durante a 53ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Esclarecimentos sobre as acusações que relacionam a atuação do Banco Master aos governos do PT no Estado da Bahia, com breve histórico do processo de autorização e crescimento do banco durante a gestão do Sr. Roberto Campos Neto no Banco Central.
Discordância com a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do Sr. Jorge Messias para o cargo de Ministro do STF.
- Autor
- Jaques Wagner (PT - Partido dos Trabalhadores/BA)
- Nome completo: Jaques Wagner
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Governo Estadual:
- Esclarecimentos sobre as acusações que relacionam a atuação do Banco Master aos governos do PT no Estado da Bahia, com breve histórico do processo de autorização e crescimento do banco durante a gestão do Sr. Roberto Campos Neto no Banco Central.
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Atuação do Senado Federal,
Poder Judiciário:
- Discordância com a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do Sr. Jorge Messias para o cargo de Ministro do STF.
- Aparteantes
- Izalci Lucas, Teresa Leitão, Veneziano Vital do Rêgo.
- Publicação
- Publicação no DSF de 14/05/2026 - Página 28
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Governo Estadual
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Organização do Estado > Poder Judiciário
- Indexação
-
- ESCLARECIMENTOS, ACUSAÇÃO, SENADOR, FLAVIO BOLSONARO, GOVERNO ESTADUAL, ESTADO DA BAHIA (BA), DANIEL VORCARO, EX-PRESIDENTE, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), ROBERTO CAMPOS NETO, ATUAÇÃO, Gabriel Galípolo, LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA, BANCO PRIVADO, VENDA, EMPRESA ESTATAL, SUPERMERCADO.
- CRITICA, REJEIÇÃO, SENADO, INDICAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, JORGE RODRIGO ARAUJO MESSIAS, CARGO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA. Para discursar.) – Presidente, primeiro, os alunos eu não sei se...Os alunos estão aí? Não? (Pausa.)
Alunos da escola em que eu estudei no Rio de Janeiro estão hoje aqui, mas acho que ainda não entraram. São da Escola Eliezer Steinbarg, judaica, onde eu estudei da 1ª à 5ª série. Bati uma foto com eles agora, e eles disseram que viriam para o Plenário e querem até tentar falar com o Presidente Davi, por serem todos judeus também dessa escola.
Pensei que eles estavam aí e ia fazer o registro.
Presidente, eu pedi esta inscrição e confesso que nada tem a ver com a matéria que saiu hoje na Intercept. O Senador – respeitando a ausência – Flávio Bolsonaro, semana passada, fez um vídeo insistindo com a tese de que, o Banco Master, a gênese dele é na Bahia, citando o meu nome e do ex-Governador e ex-Ministro da Casa Civil Rui Costa.
Então, eu fiz questão de levantar toda a linha do tempo para dizer ao Senador Flávio Bolsonaro que a gênese do Banco Master aconteceu no Governo de Jair Messias Bolsonaro e não na Bahia.
E vou citar, então... Porque hoje a mania é fake news. Eu quero ver se eu faço uma real news, ou seja, uma verdadeira notícia. Então, vou citar a linha do tempo.
O Sr. Daniel Vorcaro, em 13 de junho de 2016, deu entrada... Aliás, em 2017, perdão. Em 1º de novembro de 2017, ele deu entrada no Banco Central do Brasil. À época, o Presidente era Michel Temer, e o Presidente do Banco Central era o Dr. Ilan. Dr. Ilan e a equipe do Banco Central rejeitaram a tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Master, que, na época, tinha outro nome.
Depois, ainda o Dr. Ilan estando na Presidência do Banco Central, Daniel Vorcaro e outros tentaram, em 7 de janeiro de 2019, comprar o Banco Master. De novo, o Banco Central do Brasil rejeitou a ideia da compra por entender que era absolutamente inconsistente. A negativa do Banco Central se deu em 13 de fevereiro de 2019, por uma decisão unânime da direção do Bacen. A razão da negativa foi a insuficiência na demonstração da origem dos recursos utilizados na operação de compra.
Pois bem, em 28 de fevereiro – aí já estamos no Governo do Sr. Jair Messias Bolsonaro –, assume o Banco Central o Dr. Roberto Campos Neto. Eu quero só registrar que a segunda negativa do Dr. Ilan e do Banco Central dirigido por ele já foi em 2019. Já era o Governo de Jair Messias Bolsonaro, porém, ainda era o Dr. Ilan, que rejeitou o convite do Senhor Presidente para continuar à frente do Banco Central. Disse que tinha questões pessoais e saiu.
Pois bem, em 13 de agosto de 2019, o primeiro ano do Governo do Presidente Jair Messias Bolsonaro, já com o Dr. Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, eles fazem a terceira tentativa de compra. E aí dão entrada em 13 de agosto de 2019. Nesse caso, o Banco Central, sob a direção de Campos Neto, no Governo do Dr. Jair Messias Bolsonaro, aprova, em 24 de outubro de 2019, a compra do Banco Master – com outro nome, porque depois mudou – pelo Sr. Daniel Vorcaro e outros.
Entre 2021 e 2024, e eu insisto, sob a Presidência – do Banco Central – de Roberto Campos Neto, indicado pelo Dr. Jair Messias Bolsonaro, o Banco Central manda 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, que não foram feitas; mas também o Banco Central, à época, não pediu, como foi feito agora, a liquidação do banco.
Aqui eu tenho um gráfico, que saiu até no Valor Econômico, da evolução da captação do Banco Master. Presidente Laércio, em dezembro de 2019, eles captaram R$2,6 bilhões. Depois, passaram para R$4,5 bilhões, para R$8,5 bilhões; eles foram dobrando a sua captação nos anos da Presidência de Roberto Campos Neto. Em dezembro de 2023, eles já estavam captando R$30,5 bilhões. E durante o ano de 2024, até janeiro de 2025, quando houve a mudança do Presidente do Banco Central, eles pularam de R$30,5 bilhões para praticamente R$60 bilhões.
Eu estou chamando a atenção disso porque eu quero só botar a real news, porque toda hora ficam citando meu nome, o nome do ex-Governador. Eu vou repetir aqui: a única coisa que nós fizemos foi privatizar... Imagine, V. Exa. que é empresário: nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal, Presidente Laércio. A moda sempre foi que o Estado tem que ficar com aquilo que é fundamental, com a questão estratégica. Pois, na Bahia – do PFL à época, depois do DEM –, nós tínhamos uma rede de supermercado estatal, com 250 lojas e três pontos de distribuição de alimentos, que virou, desculpe o termo, uma bagunça, com um prejuízo que era da ordem de R$80 milhões por ano. Então, nós resolvemos privatizar e privatizamos.
Imagine, eu que sou de esquerda recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$80 milhões por ano. Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-Governador nesse episódio.
Mas eu só estou querendo mostrar que, até o final de 2024, o Master aumentou suas captações, seguradas pelo FGC, de R$30 bilhões para R$60 bilhões. Senhores, a gênese está aqui! O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a Presidência do Sr. Campos Neto, indicado pelo então Presidente Jair Messias Bolsonaro.
Mas tem mais! Na verdade, o grande crescimento dele se deu a partir de 2022, porque o Presidente Jair Messias Bolsonaro assina uma MP, que foi votada nesta Casa, por votação simbólica, autorizando ao cartão adentrar no farto mercado dos aposentados do INSS. E aí a captação, ou melhor, o faturamento do Banco Master sobe astronomicamente, porque ele alcançou um público imenso para fazer isso aí.
Então, eu só quero dizer ao nosso colega Senador Flávio Bolsonaro que...
(Soa a campainha.)
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... a gênese do Banco Master é o Banco Central, à época dirigido pelo indicado pelo ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro, e não na Bahia.
Vale a pena o Senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele... E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem da Intercept, de um diálogo profícuo entre o Senador Flávio Bolsonaro e o Sr. Daniel Vorcaro.
Eu já aprendi, Sr. Presidente, que todos que sobem aqui ou na Câmara dos Deputados para dizer que eles são os arautos da honestidade, via de regra o tempo acaba provando que não era bem assim.
Eu não vim aqui por conta disso, eu vim aqui por conta da fake news que o Senador Flávio Bolsonaro fez semana passada, para esclarecer que na Bahia não nasceu nenhum trambique. O trambique nasceu quando o Banco Central, que deveria fiscalizar o que estava acontecendo, não fiscalizou e permitiu que este senhor, Daniel Vorcaro, pudesse fazer o rombo que fez de R$50 bilhões a 60 bilhões contra o FGC, talvez o maior escândalo da história bancária deste país.
Eu estou querendo concluir só para dizer, Presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ... Nada contra quem tem CNPJ, mas é que eu já ouvi de alguns: "Olha, na pessoa física não dá, você tem que ter um CNPJ". É óbvio que eu não estou querendo generalizar, CNPJs existem muitos, e de gente muito honesta, e eu bato palma para quem cresce e enriquece...
(Soa a campainha.)
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... com o fruto do seu trabalho, da sua criatividade e da sua inteligência. Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual Governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todos pessoas que têm um nível de vida bastante razoável – como eu tenho, nada a reclamar –, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de Senador.
Então eu quero só dizer...
O Sr. Veneziano Vital do Rêgo (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB) – Líder...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Pois não?
O Sr. Veneziano Vital do Rêgo (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB) – O senhor me permitiria?
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Pois não. Quer dizer, quem tem que permitir é o Presidente.
O Sr. Veneziano Vital do Rêgo (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB. Para apartear.) – Não, é rápido, Presidente Laércio, até porque eu já estive em Plenário hoje à tarde falando a respeito... muito en passant sobre esse assunto, porque eu ocupei a tribuna para fazer menções acerca de um evento, ao meu sentir e ao de todas aquelas e de todos aqueles cidadãos e cidadãs brasileiras, muito importante, que foi o anúncio ontem por parte do Presidente Lula e de toda a equipe do Ministério da Justiça de uma grande iniciativa – não gosto de utilizar esse termo porque se tornou muito simplório –, de uma ação conjunta de iniciativas importantes de combate ao crime organizado.
Quando você fala sobre crime organizado, necessariamente, minha Senadora Damares... Nós temos aqui, em meio a um Plenário político com a diversidade de pensares, com a diversidade de posicionamentos, e isso é o que deixa a política viva, o que deixa a democracia viva... Mas a gente se depara, mais uma vez, com uma situação na qual nós observamos a tentativa de uma exploração política inverídica, ou seja, o abuso das fake news.
Semana passada, eu ligava para V. Exa., V. Exa. atenciosamente me atendia...
(Soa a campainha.)
O Sr. Veneziano Vital do Rêgo (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB) – ... porque quando eu estava, Senador Laércio, participando de um programa radiofônico na capital de estado, eu fui perguntado educadamente por um companheiro jornalista, que dizia: "Mas, Veneziano, esses episódios do Banco Master, esses episódios que eclodiram e que se transformaram no maior escândalo do sistema financeiro têm a sua gênese na Bahia com o PT baiano". Portanto, V. Exa., que faz parte do Governo, que defende o Presidente Lula, que defende o projeto nacional do Presidente Lula, não pode questionar a respeito desses episódios, não poderia aqui estar a desconhecer quando assinou a Comissão Parlamentar de Inquérito, para que nós pudéssemos investigar. Creio eu que todos os homens e mulheres que desejam ver, de forma efetiva e fática, investigado esse escabroso episódio do Sr. Daniel Vorcaro, hão de conceber.
Eu ligava para V. Exa. e dizia: "Senador Jaques, meu colega, há nenhuma dúvida sobre V. Exa. e sobre a sua trajetória. Eu só queria que a V. Exa. me detalhasse um pouco mais a respeito desse histórico, porque o propósito da oposição é o de querer, clara e evidentemente, transparentemente, criar uma deturpação na opinião pública". E V. Exa. disse: "Veneziano, inclusive na próxima semana eu ocuparei a tribuna para deixar mais uma vez, pela enésima vez, evidenciadas todas as nossas participações". Ou seja: nenhuma participação nesse escandaloso e indecente episódio, triste episódio, que se abateu sobre o sistema financeiro e que termina por respingar – aí é onde está, Presidente Laércio –, termina muito provavelmente por respingar, sobre alguns agentes políticos que devem estar a temer, em polvorosa, que possam bater à sua porta ou às suas portas.
Então, V. Exa. tem a minha solidariedade, o reconhecimento até o dia de hoje, porque eu conheço e convivo nesses últimos sete anos e quatro meses sob a sua honorabilidade, os detalhamentos são mais do que específicos, individualizados, e seria muito oportuno, fundamental, para que as máscaras caíssem, não, porque as máscaras já estão ao chão daqueles que desejam fazer essa distorção e essa deturpação... Mas uma Comissão Parlamentar de Inquérito que recebeu a sua assinatura, que recebeu a minha assinatura, que teve do nosso companheiro, que tem todo o nosso respeito, Senador Flávio Bolsonaro, uma opinião, quando ele disse "CPI do caso Master seria uma ilegalidade..." Eu tive o cuidado de também de pegar esse depoimento ou essa fala opinativa do Senador Flávio Bolsonaro.
Eu acho que já está na hora, em respeito a quem nos assiste, em respeito a quem nos acompanha e em respeito principalmente àqueles que farão escolhas eleitorais proximamente, porque, para muitos de nós – como eu próprio estarei às ruas pedindo voto de confiança –, é necessário que os cidadãos e cidadãs brasileiras saibam muito bem com quem está a verdade dos fatos.
Então, tem a minha solidariedade, Senador Jaques Wagner, em relação ao seu depoimento, trazido da forma como sempre o senhor se porta: equilibrada, detalhista e pormenorizada.
Obrigado.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Eu lhe agradeço, Senador Vital, porque eu recebi o seu telefonema com muita alegria, de alguém que nos conhece, que, quando viu uma mentira sendo dirigida a minha pessoa, me pediu uma explicação. Eu lhe dei o telefone e ele disse: "Eu vou subir à tribuna". Eu ia subir ontem, resolvi subir hoje e, quando eu estou caminhando para cá, recebo a matéria da Intercept. Que curiosidade, o Senador Flávio Bolsonaro em diálogos muito particulares, solicitando R$140 milhões para terminar o filme sobre o ex-Presidente, seu pai. Eu não estou dizendo que tem dolo aqui, mas demonstra que ele tinha uma relação, senão eu não estaria ligando para ele e dizendo: "Estamos juntos sempre!".
Eu quero dizer, Presidente, que a gênese...
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para apartear.) – Presidente, me permite?
Senador, eu gostaria de fazer um aparte rapidamente.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Pois não.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Com todo o respeito – e tenho uma admiração por V. Exa. –, mas o que foi colocado é um histórico, não quer dizer que a corrupção nasceu lá, mas, de fato, começou com o Credcesta a questão dos consignados.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Negativo.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Mas eu quero dizer o seguinte. Eu fui Deputado...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não é verdade isso.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Eu fui Deputado Federal por três mandatos.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – O negócio é que V. Exa. está falando uma inverdade, e eu sou obrigado a repelir a inverdade. Não começou com o Credcesta.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Foi vendido para o Augusto, não foi isso? Não foi vendido para o Augusto, que foi sócio do Master?
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – O.k., vamos...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – O Augusto não era Banco Máxima.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Não, sim, mas começou lá com o Augusto.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não, não começou lá não, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Senador Jaques...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não começou lá não. Aliás...
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Senador Jaques.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... a capital, Brasília, adotou o... Aliás, 23 estados, Senador Laércio, adotaram o Credcesta. Vá perguntar aos Governadores por que adotaram – 178 municípios adotaram o Credcesta. Segundo o Banco Central, o único ativo que prestava do Banco Master era exatamente o ativo Credcesta. Nós não temos nada a ver com a trambicagem posterior. Nós privatizamos um absurdo e foi o Credcesta junto. Não tem nada a ver com isso.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Calma. Calma.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Daniel Vorcaro já existia muito antes.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Senador, calma, não é isso que eu estou dizendo. Eu estou dizendo que...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não, V. Exa. disse que começou lá.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – ... o histórico que foi colocado foi esse, dos consignados.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não começou lá não. Começou quando o Campos Neto autorizou.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – A minha questão de ordem não é nem essa.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Um minutinho.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – A questão de ordem é a seguinte.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Um minutinho, Izalci, só um minutinho.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Eu fui Deputado, como V. Exa., por três mandatos.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Izalci.
Senador Jaques, V. Exa. concedeu um aparte ao seu colega.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – É rápido.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Concedi.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Deixe-o falar, depois V. Exa. fala.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Então, deixe-me só esclarecer. Eu fui Deputado por três mandatos.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Eu também.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Participei de todas as CPIs nesse Congresso Nacional, inclusive como Senador. E, vindo para o PL e acompanhando o Governo do Bolsonaro, eu sou testemunha: o PL não tem nenhum bandido de estimação. O PL não tem, como tradição, blindagem. Eu participei agora, recente, da CPMI do INSS, e o que assistimos na CPI do INSS foi blindagem, coisa que não ocorre... Eu estou falando aqui, como Líder do PL, hoje, que nós não blindamos nada. Nós não temos nenhum bandido de estimação.
Portanto, o que tem... É natural... O maior patrocinador dos últimos anos aí – seja na Lide, seja em outros eventos internacionais – foi o Banco Master. Então, o pedido de patrocínio é uma coisa que, se o cara patrocinava tudo, não quer dizer que houve, por parte do pedido, corrupção. Muito pelo contrário: houve um pedido, como a gente recebe todo dia pedidos de patrocínio e também de emendas para determinados eventos. Então, é só para...
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – O.k.
O Sr. Izalci Lucas (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – ... colocar isso muito claro, a posição do PL.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Obrigado, Senador Izalci. Devolvo a palavra...
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Nós também não temos...
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – ... a palavra.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... Senador Izalci, nenhum bandido de estimação. Tanto que, na CPI do INSS, quem estourou tudo aquilo ali foi a CGU e a Polícia Federal, sob o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Quem liquidou o Banco Master – mantido durante quatro anos pelo Presidente do BC indicado pelo ex-Presidente Bolsonaro –, quem estourou, foi o BC, sob a gestão do indicado pelo Presidente Lula.
Então, é simples assim: alguém protegeu um trambique de R$60 bilhões – não estou acusando o ex-Presidente, estou dizendo – o Banco Central não conseguiu enxergar, e nós conseguimos enxergar – sob a liderança e a Presidência do Dr. Galípolo – e liquidamos o banco. Simples assim.
Então, querer imputar ao lado de cá... Eu estou absolutamente tranquilo, eu estou como o senhor falou. Eu acho que o Dr. André Mendonça, Ministro do Supremo Tribunal Federal, tem que ir fundo, rasgar tudo o que teve lá no Banco Master, para que a gente saiba quem sustentou, porque não fui eu que sustentei, muito menos o Presidente Lula. Nós liquidamos o Banco Master, Senador Izalci – nós liquidamos. E o Banco Master cresceu em quatro anos de um Banco Central... Eu não estou culpando o Presidente Jair Bolsonaro, eu estou dizendo que foi o Banco Central sob a indicação dele.
Eu não vim aqui falar dessa reportagem, não. Eu lhe disse que eu estava vindo aqui, e o testemunho de Veneziano é mais claro ainda, porque eu falei com ele semana passada, eu disse: "Semana que vem, eu irei para lá responder", porque semana passada eu fui à China para acompanhar a apresentação da orquestra juvenil e infantil, que foi um programa que eu criei há 20 anos, e tive muito orgulho de chegar a um lugar tão distante e ver jovens simples da periferia de Salvador, de Feira de Santana, de Vitória da Conquista fazendo um concerto na Alemanha e quatro concertos na China.
Mas, por fim, eu quero só fazer duas citações. A primeira...
A Sra. Teresa Leitão (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Antes, me dê um aparte, antes do fim.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Posso dar.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Com a palavra a Senadora Teresa.
A Sra. Teresa Leitão (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Pode ser agora, né?
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Claro.
A Sra. Teresa Leitão (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para apartear.) – Eu estava assistindo, Senador Líder, um pouco da sua fala quando estavam ultimando algumas assinaturas lá no gabinete. Eu já vi um pouco desse filme, talvez um trailer, na CPMI do INSS, que tentou desviar o foco da investigação – por isso que o relatório foi rejeitado – e, em uma das sessões, houve essa mesma acusação contra V. Exa. E eu vi a sua veemente e consistente defesa, mas o povo não para – não para.
Eu tenho certeza de que quando V. Exa. foi negociar, como Governador, o que era possível fazer para melhorar a vida do povo, não chamou ninguém de "meu irmão", "estamos juntos", "amor para sempre", "onde você estiver, estarei". Tenho certeza. Se vazar algum áudio da conversa que V. Exa. teve como Governador, será, certamente, uma conversa institucional...
(Soa a campainha.)
A Sra. Teresa Leitão (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... uma conversa nos termos que merece ser. Se essa não foi a que foi divulgada, coincidentemente, hoje pelo Intercept, mostra a diferença de conduta, a diferença de perspectiva e as diferenças de posição política, sim.
Nós não podemos transformar isso num jogo de acusações. Tem quatro, Senador, tem quatro pedidos de CPMI, e eu repito em todo canto a que eu vou, porque isso faz parte da narrativa contra nós: um desses pedidos, além de vários outros que o PT assinou, um desses pedidos é de origem do requerimento do Senador Rogério Carvalho, do PT, com assinaturas suficientes também.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – A minha, inclusive.
A Sra. Teresa Leitão (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – A minha, inclusive. Assim como os outros.
Eu acho que está na hora, Presidente, de a gente desatar esse nó e, como disse V. Exa., também fazer a nossa parte de uma investigação precisa, correta, de uma investigação técnica, que tire das narrativas esse jogo de acusações. O Intercept nos ajuda? Não sei. É um fato. É um fato dado que precisa ser analisado, avaliado, divulgado, mas o que não pode – por isso vai a minha fala e toda a minha solidariedade a V. Exa. – é continuar com esse jogo de acusações de um fato que não foi realizado e que foi sobejamente desmentido por V. Exa. Quem faz V. Exa. subir à tribuna mais uma vez para se defender de uma acusação improcedente dessa é quem aposta que o ódio mobiliza, que a falácia mobiliza. Nós não apostamos nisso, nós apostamos que quem mobiliza é a verdade, quem deve mobilizar é a transparência, quem deve mobilizar é a política pública voltada para os bens das pessoas, e, nisso, o senhor foi um excelente Governador da Bahia.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Muito obrigado.
Sr. Presidente, para terminar, eu quero dizer que não só eu, querida Senadora Teresa, mas a própria Polícia Federal... Porque, muitas vezes, a CPI ou a CPMI viram um palco da nossa disputa política. É normal, ainda mais no ano eleitoral, acaba sendo uma troca de acusação, mas a Polícia Federal não apontou absolutamente nada sobre o episódio da venda da rede de supermercados Cesta do Povo, feita por mim, porque eu era o Secretário de Desenvolvimento Econômico, no Governo do então Governador Rui Costa.
Para encerrar, Sr. Presidente, eu queria primeiro, como eu já disse, saudar – queria que V. Exa. pudesse registrar – esses jovens e essas jovens que estão aqui, que estudam no Colégio... No meu tempo era Eliezer Steinberg; hoje eles fundiram dois colégios, o Eliezer Steinberg e o Max Nordau, ambos colégios de inspiração judaica.
Por acaso, uma das jovens que está aqui é sobrinha da Ministra Esther Dweck – ela está toda envergonhada porque eu estou falando isso –, e uma das meninas, não sei quem, não consigo identificar, me perguntou: "O senhor conheceu o meu bisavô?", porque o bisavô dela no meu tempo era o diretor da escola, aliás, um excepcional diretor. E ela perguntou: "E o senhor conheceu a minha avó?", "Quem é a sua avó?", ela falou: "Léa", aí eu falei: "Não, Léa foi minha professora de iídiche nesse colégio".
Eu tirei uma foto com eles. Eles gostariam de tirar uma foto também com o Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE. Fora do microfone.) – Davi.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... Davi Alcolumbre pelo fato de ele ser judeu, mas, se ele não chegar à sessão, quem sabe tiram com V. Exa...
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE. Fora do microfone.) – Sim, senhor.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... que está presidindo. São os jovens da 9ª série do Colégio Eliezer Steinberg, do Eliezer Max, que é a fusão dos dois, que estão aqui nos visitando.
Por fim, só para encerrar realmente, eu quero dizer que ontem eu me senti confortável. Eu não vou fazer acusação a ninguém porque o direito ao voto secreto é um direito sagrado, mas eu acho, Sr. Presidente, que na semana do dia 29 de abril, naquela quarta-feira, a Casa cometeu, na minha opinião, uma injustiça, uma crueldade e um desvio da funcionalidade prevista na Constituição Federal.
A prerrogativa de indicação dos membros do Supremo Tribunal Federal é exclusiva do Presidente da República, não há lista. Eu estou muito à vontade, Presidente, porque ontem tomou posse o Ministro Nunes Marques, indicado pelo Presidente Jair Messias Bolsonaro, e, como Vice-Presidente, o Ministro André Mendonça, que passaram por esta Casa. E eu tenho orgulho democrático de dizer que, nos dois casos, trabalhei dentro da Bancada do PT para que todos votassem nos dois indicados. E eu dizia: a prerrogativa é presidencial. A nós, cabe conferir aquilo que a Constituição pede: acima de 35 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico.
Como os dois, Nunes Marques e André Mendonça, comprovaram isso, eu disse ao pessoal do PT: não tem sentido receber o Ministro André Mendonça duas vezes na Bancada do PT e uma vez na Bahia. E meu orgulho, não me arrependo, não o fiz por ingenuidade. Aqui não está nenhum tolo, senão não teria sido Governador da Bahia por oito anos; mas está alguém que respeita a regra constitucional.
Infelizmente, apesar de Jorge Messias ter claramente reputação ilibada, porque ficou quatro meses esperando a votação, e nada foi levantado contra ele, teve registrado, naquela sabatina, o seu notório saber jurídico, infelizmente nós trouxemos a eleição de outubro para cá. Alguns, eu até entendo que sonhavam em ter o nosso ex-Presidente Rodrigo Pacheco no Supremo Tribunal Federal, aí retaliaram um jovem que ontem teve um momento, eu diria assim, de alívio de alma, quando o Presidente da OAB nacional trouxe o abraço dos advogados do Brasil a Jorge Messias, Advogado-Geral da União. V. Exa. estava lá, eu estava lá, e ele recebeu as palmas durante 30, 40 ou 50 segundos, não sei, porque eu não contei. Mas eu quero dizer que ali foi, na minha opinião, uma reparação, sinceramente.
E olha que eu conversei com muitos dos colegas. Eu disse, não estão votando em Lula. Vocês não podem marcar indelevelmente um jovem de quarenta e poucos anos, com uma carreira brilhante, com uma rejeição, na minha opinião, indevida, porque ele tem notório saber jurídico e reputação ilibada. Então, eu imagino que Jorge Messias ontem, como se diz na gíria, lavou a alma com aquelas palmas que eles tiveram.
Respeito os que votaram contra, mas discordo, porque não cumprimos o nosso papel. O nosso papel, na sabatina, era de conferir o notório saber jurídico e a reputação ilibada. Ambos foram comprovados por Jorge Messias, mas nós trouxemos a nossa legítima lide política para cravar, no coração de um jovem, uma rejeição sinceramente indevida.
Eu lhe agradeço a paciência e o tempo que V. Exa. me deu.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Senador Jaques Wagner, eu gostaria que V. Exa. continuasse na tribuna, porque eu também tenho a satisfação de registrar, na mesma emoção de V. Exa., a presença, na galeria, dos alunos da Escola Eliezer Max, do Rio de Janeiro, convidados do gabinete parlamentar da Deputada Laura Carneiro e do Senador Jaques Wagner.
Como o senhor falou aqui, eles não tinham chegado. Aí estão os seus colegas de escola, que o senhor já saudou com tanto carinho. Então eu não poderia deixar de fazer este registro sem a sua presença na tribuna do Senado.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Laércio Oliveira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - SE) – Quem sabe ali não estão os futuros Senadores que vêm fazer a mesma coisa e o belo trabalho que o colega de vocês, o Senador Jaques Wagner, faz em favor do Brasil. Talvez tenha Senadoras e Senadores ali. Sejam muito bem-vindos.
O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Obrigado, Presidente.