Pronunciamento de Eduardo Girão em 20/05/2026
Discurso durante a 59ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestações desfavoráveis às indicações dos Srs. Benedito Gonçalves para o CNJ e Otto Lobo para a CVM, com alegações de conflitos de interesse, favorecimento político e ligação com denúncias envolvendo o Banco Master. Defesa da instalação de CPMI que investigue essas denúncias e contestação da tramitação das indicações no Senado Federal.
Críticas ao enfraquecimento da oposição e à atuação do Governo Lula e do STF em temas relacionados à liberdade de expressão e ao combate à corrupção.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Fiscalização e Controle da Atividade Econômica,
Sistema Financeiro Nacional:
- Manifestações desfavoráveis às indicações dos Srs. Benedito Gonçalves para o CNJ e Otto Lobo para a CVM, com alegações de conflitos de interesse, favorecimento político e ligação com denúncias envolvendo o Banco Master. Defesa da instalação de CPMI que investigue essas denúncias e contestação da tramitação das indicações no Senado Federal.
-
Atuação do Judiciário,
Governo Federal:
- Críticas ao enfraquecimento da oposição e à atuação do Governo Lula e do STF em temas relacionados à liberdade de expressão e ao combate à corrupção.
- Aparteantes
- Jorge Kajuru.
- Publicação
- Publicação no DSF de 21/05/2026 - Página 53
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Fiscalização e Controle da Atividade Econômica
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Indexação
-
- DEFESA, ABERTURA, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), INVESTIGAÇÃO, BANCO PRIVADO, DANIEL VORCARO, FRAUDE, CORRUPÇÃO.
- CRITICA, INDICAÇÃO, MINISTRO, SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), ADVOGADO, COMISSÃO DE VALORES MOBILIARIOS (CVM), ACUSAÇÃO, CENSURA PREVIA, FILME, EX-PRESIDENTE DA REPUBLICA, JAIR BOLSONARO, CONFLITO DE INTERESSES, DANIEL VORCARO.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Muito obrigado, Sr. Presidente Chico Rodrigues.
Quero cumprimentar meus colegas Senadores e Senadoras e, especialmente, os brasileiros que estão nos ouvindo e nos assistindo nesta tarde de quarta-feira.
Presidente, eu confesso para o senhor que eu não sei nem por onde começar. Vou começar mostrando aqui as manchetes do que a gente, daqui a pouco, aqui neste Plenário, vai votar.
Eu espero bom senso, eu espero que a gente tenha um pouco de prudência e respeito com o brasileiro, porque tem duas indicações do Governo Lula que serão referendadas aqui, para rejeitar ou para aprovar algo que, hoje de manhã, foi uma guerra na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e na Comissão de Assuntos Econômicos, mas a oposição...
Eu até me surpreendi, porque a população brasileira, eu sei que está levando o pão de cada dia, tentando buscar alimento nessa loucura que a gente está vivendo, com aumento de preço, com bet, com a segurança pública em frangalhos, a população querendo sobreviver, mas também está acompanhando os vazamentos, as operações da Polícia Federal, esperando que esta Casa entre no jogo, no enfrentamento à corrupção e à impunidade, para fazer a CPI ou CPMI do Banco Master, que esta Casa não está querendo fazer. O Senado, já há cinco meses, tem um requerimento de minha autoria. Amanhã nós vamos ter uma sessão do Congresso, estaremos lá para cobrar o Presidente do Congresso, que é também o Presidente do Senado, para que abra a CPMI, então. Tem recorde de assinaturas de Deputado e Senador.
Enquanto isso não acontece, acreditem se quiserem, o Senado está tentando aprovar – e já aprovou hoje de manhã, com o meu voto contra – duas indicações que são inoportunas, minha gente, depois de tudo que foi revelado dessa podridão de Banco Master, de tendência político-partidária em tribunal, de desrespeito à nossa Constituição e conflitos de interesses dos três Poderes.
Vamos nos ater aqui às indicações. O Benedito Gonçalves, aquele mesmo que protagonizou uma cena emblemática no país, no dia da posse do Lula, dizendo para o Ministro Alexandre de Moraes, o microfone vazou, dizendo assim: "Missão dada é missão cumprida". Ele tentou se explicar lá, mas eu confesso – e outros Senadores – que... Foram apenas cinco que votaram contra, isso é importante registrar, cinco votaram contra na CCJ. Cadê a oposição?
E o Presidente Lula, que deu um beijo, deu um abraço forte nele, aquela coisa toda, como coleguismo, o indica para o CNJ, depois de ele ter censurado o Brasil Paralelo, de ele ter votos extremamente contra a liberdade de expressão... Inclusive, ele falou que era a favor de liberdade de expressão, mas faz outra coisa. Cassou o mandato do Deltan Dallagnol à velocidade da luz. Ele foi o Relator e foi citado – tudo bem, chegou a ser arquivado depois, mas foi citado – na delação do Léo Pinheiro, o nome dele foi citado, o do Ministro. Participou de evento jurídico em Londres sobre o financiamento. Eu perguntei a ele: "Foi do Vorcaro?", porque estava lá, nesse evento em Londres, com participação de outras autoridades públicas, num evento que teve depois degustação, teve uma série de coisas, e o brasileiro, atônito, assiste a tudo isso, a esse convescote. Ministro que também, Sr. Presidente, censurou o Brasil Paralelo naquele documentário: Quem mandou matar Jair Bolsonaro?
Isso é coisa de democracia?
Hoje, eu perguntei também, vários questionamentos eu fiz, sobre inclusive um parente seu ou filho, e eu disse: "Olhe, você não é responsável pelo que o seu filho faz e tudo", mas o filho estava esbanjando dinheiro em viagens e em tudo o que você possa imaginar de luxúria, e aí foi bloqueada essa divulgação para a população. Eu perguntei a ele: "Se fosse um cidadão comum que não fosse filho de ministro, será que teria o mesmo tratamento?". Que democracia de terceiro mundo é essa? Ainda tem gente que se arvora a dizer que, no Brasil, tem democracia.
Olhe, Sr. Presidente, é muito estranho, e eu fiz uma série de colocações. Está aqui nos Anais da Casa, são perguntas não respondidas, e declarei meu voto contra. E ao mesmo tempo – estava acontecendo ali e eu corri –, fiquei de um lado para o outro, porque, para mim, política é séria, é coisa séria. A gente tem responsabilidade, esse voto vai repercutir, eu quero avisar às assessorias: esse voto vai repercutir no povo brasileiro. E eu voto aberto. Votei contra o Sr. Benedito Gonçalves, e votei contra outro nome agora, que é o Sr. Otto Lobo, que também é envolvido em muitas controvérsias. Lá na CAE... Inclusive eu fui atropelado pelo Presidente, eu coloquei lá. Ontem, eu participei da sessão, ele disse que teria. Se tivesse pedido de vista – é regimental! –, marcar-se-ia outra sessão, para dar tempo de a gente analisar melhor essas indicações nefastas, que aconteceram num momento de escândalo por cima de escândalo no Brasil. E o Senado colocar a digital sem ler, sem ter a perspectiva de ter o pedido de vista... Foi negado o meu pedido de vista! Quando ontem eu perguntei – eu li as notas taquigráficas –, e ele concedeu um pedido de vista sem a leitura do relatório! Eu nunca vi isso, Presidente Senador Renan Calheiros. Eu nunca vi isso de 2019 para cá, fazerem esse tipo de atropelo do Regimento. Para que esse açodamento? Essa correria é para a população não saber, Presidente? É para a população não saber? Então, olhe aqui: "CVM forma maioria para absolver Joesley e Wesley Batista por uso de informações privilegiadas" e "Joesley Batista atua..." – isso aqui é tudo matéria. Tem CNN, e esta daqui é Infomoney: "Joesley Batista atua para que Otto Lobo seja Presidente da CVM". Eu perguntei isso aqui, e ele disse: "Não, eu desconheço". E eu perguntei: "O senhor vai se declarar suspeito ou impedido caso seja eleito?", ele não quis responder.
Só vota quem quer, porque as informações estão aí no meio do mundo: "Como diretor da CVM, Otto Lobo tomou decisões favoráveis ao Banco Master", CNN; e "TCU vê indícios de irregularidades em voto de indicado de Lula à CVM".
Rapaz, eu declarei meu voto, Senador Kajuru, como eu sempre fiz, contrário; o outro, eu declarei a favor.
Mas, de forma transparente, eu não tenho como colocar minha digital nisso.
O povo do Ceará – aí vamos com aquela frase de "missão dada é missão cumprida" – me deu, de forma independente... – eu cheguei aqui independente, e é assim que eu acho que Senador tem que chegar, e nessas eleições o brasileiro tem a oportunidade de mudar bastante esta Casa.
O povo cearense me deu a missão aqui, e missão dada é missão cumprida! Mostrei meu voto e, diante de tudo isso, das respostas que eu não obtive – e tinha lá uma claque, batendo palma, uma torcida organizada –, eu votei contra. Contra! E fui atropelado no Regimento do Senado. Não vale mais nada! Não vale nada esse negócio de Regimento! Quando eles querem, quando os poderosos querem, eles atropelam!
Por isso é que este país não vai para a frente. Quantas vezes a gente já viu isso aqui? Precisamos de vergonha na cara, para o Senado poder representar bem a população. Para que tem Regimento? Para que tem Regimento se o Presidente chega e faz o que quer? E aí, quem é que vai pagar o pato por isso? É a população, que vai ter indicados na base do atropelo, e com tudo isso que está vindo à tona aqui...
Olha, Sr. Presidente, eu questionei ao Ministro Benedito Gonçalves, que até teve um posicionamento correto – e eu sou justo aqui – quando ele se declarou impedido de julgar alguma situação do Master. Ele se declarou. Mas ele esteve nessas viagens. Quem foi que pagou? Não quis dizer quem foi que pagou, se acha correto esse tipo de situação dessas viagens...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... com pessoas interessadas em voto. Aconteceu.
Mas, Sr. Presidente, eu quero falar aqui, inclusive para encerrar, que a gente tem uma chance hoje aqui. Eu tenho certeza de que esse voto vai repercutir; a gente tem uma oportunidade, nós todos. É voto secreto; o meu é aberto, sempre, mas é voto secreto, e eu entendo, é regra do jogo e faz parte também.
A gente tem o dever de rejeitar esses dois indicados, pelo menos para ter prudência neste momento da República, e não fazer de conta que não está nada acontecendo, porque a insistência nessa indicação é muito, extremamente estranha.
Eu acho que o Senador Jorge Kajuru quer um aparte e eu concedo, com muita honra.
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para apartear.) – Obrigado, Senador Eduardo Girão.
Girão, no começo do meu pronunciamento hoje, me dirigi aos colegas – ao Senador Flávio Bolsonaro, e este já é amigo, e ao Senador Magno Malta – para que não se cometa injustiça com quem tem opinião própria – como você bem colocou –, opinião independente.
E as pessoas não têm memória. Você tem, você foi justo comigo. O único Senador da base do Governo, na CPI de 8 de janeiro, quando da leitura do relatório final, feito pela Senadora Eliziane Gama; o único da base do Governo que votou contra o relatório dela, que culpava Jair Bolsonaro por 8 de janeiro – e eu fui contra, votei contra –; da mesma base do Governo, eu fui o único Senador contra quando se pretendia...
(Soa a campainha.)
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... a quebra do sigilo bancário e fiscal da Primeira-Dama, então, Michele Bolsonaro. Fui contra.
Então, dessa mesma forma, depois do que você bem colocou... Eu, pela manhã, estive cuidando da minha saúde e não pude votar. Então, haverá votação hoje, aqui?
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Sim.
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Então, eu já antecipo, porque, assim como você... Nós somos os dois únicos que iniciamos – e outros acompanharam a nossa decisão –, no nosso primeiro dia, em 2019, na eleição, que mostramos o nosso voto.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – É verdade.
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Nós mostramos o nosso voto, nós fizemos esse compromisso, você e eu, de que a gente nunca votaria de forma secreta. Então, eu, antecipadamente, quero dizer que também rejeitarei esses dois nomes.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito bem!
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Que fique bem claro.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito bem. Eu incorporo, Sr. Presidente, peço que o senhor incorpore ao...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... meu pronunciamento, que eu tenho certeza de que vai repercutir na história desta Casa, porque nós temos a chance ainda de continuar nos aproximando da população. Esta Casa rejeitou um Ministro, um indicado para o Supremo Tribunal Federal depois de 134 anos, e a gente pode segurar as pontas aqui, com respeito ao Brasil neste momento, com esses dois indicados – nada contra as pessoas deles, deixando muito claro, mas eu estou trazendo matéria.
Você vê as fontes: CNN, Gazeta do Povo, veículos tradicionais do Brasil – Folha de S.Paulo também – e aqui do próprio Tribunal Superior Eleitoral, Sr. Presidente – para encerrar; se o senhor me der mais um minuto, eu prometo encerrar –, porque a fonte é da rede do próprio Tribunal Superior Eleitoral, olha:
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – "TSE desmonetiza quatro canais e suspende divulgação de documentário". Por que as pessoas não podem ver? O que estão querendo esconder? E foi um Ministro que participou ativamente, Benedito Gonçalves, o Ministro.
"TSE faz censura prévia a filme da Brasil Paralelo sobre facada em Bolsonaro". Rapaz, está errado! Se fosse do lado do PT censurando, o senhor sabe que eu estaria aqui, nesta tribuna, também dizendo que estava errado! Isso é independência – como o senhor tem uma postura de independência desde o começo do mandato, enfrentando poderosos, e eu sou testemunha disso.
Que Deus abençoe a nossa nação, Sr. Presidente, e que hoje a gente possa continuar ao encontro da sociedade, e não dar passo para trás, porque ninguém é caranguejo aqui.
Obrigado, Sr. Presidente