Pronunciamento de Eduardo Girão em 10/06/2026
Discurso durante a 77ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Defesa da rejeição, pelo Plenário do Senado Federal, da indicação do Ministro do STJ, Sr. Benedito Gonçalves, para o cargo de Corregedor do CNJ.
Apoio à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas.
Alerta para o avanço da influência econômica da China no Brasil, com preocupação quanto aos possíveis impactos sobre a soberania nacional, a autonomia produtiva e a segurança estratégica do País.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Atuação do Senado Federal,
Poder Judiciário:
- Defesa da rejeição, pelo Plenário do Senado Federal, da indicação do Ministro do STJ, Sr. Benedito Gonçalves, para o cargo de Corregedor do CNJ.
-
Relações Internacionais,
Segurança Pública:
- Apoio à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas.
-
Economia e Desenvolvimento,
Relações Internacionais:
- Alerta para o avanço da influência econômica da China no Brasil, com preocupação quanto aos possíveis impactos sobre a soberania nacional, a autonomia produtiva e a segurança estratégica do País.
- Publicação
- Publicação no DSF de 11/06/2026 - Página 18
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Organização do Estado > Poder Judiciário
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
- Economia e Desenvolvimento
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- DEFESA, REJEIÇÃO, PLENARIO, SENADO, INDICAÇÃO, MINISTRO, SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), BENEDITO GONÇALVES, CARGO, CONSELHEIRO, CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ), ATUAÇÃO, OPERAÇÃO LAVA JATO.
- APOIO, DECISÃO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), CLASSIFICAÇÃO, ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, TERRORISMO, TERRORISTA, CRITICA, GOVERNO FEDERAL, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA.
- QUESTIONAMENTO, OMISSÃO, EXECUTIVO, INVESTIMENTO, PAIS ESTRANGEIRO, CHINA, INFRAESTRUTURA, ENERGIA ELETRICA, EXPLORAÇÃO, PETROLEO, RODOVIA, AMEAÇA, SOBERANIA NACIONAL.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Paz e bem, meu querido amigo Senador Jorge Kajuru, do Estado de Goiás. Quero cumprimentar as demais Senadoras, os demais Senadores, funcionários desta Casa, assessores, quem nos está acompanhando, que é a quem a gente serve, é a você que a gente está servindo aqui, você, brasileira, brasileiro sedento por justiça, pela verdade. Muito boa tarde.
Sr. Presidente, eu já subi a esta tribuna aqui na segunda-feira e fiz um discurso de 20 minutos – segunda-feira é um dia em que um pouco mais de tempo a gente tem – falando as razões pelas quais este Senado tem o dever moral de votar pela rejeição do indicado do Presidente Lula ao CNJ, a Corregedor do CNJ. Eu elenquei vários pontos aqui, desta tribuna, mostrando que a gente precisa dar essa resposta em respeito ao brasileiro, em respeito à Casa, rejeitando o nome. Absolutamente nada contra a pessoa, mas são suas atitudes ao longo de todo esse período, que eu não vou repetir aqui, com direito a delação na Lava Jato – seu nome lá –, com direito a tantas outras situações de censura, de perseguição, enfim.
Eu peço apenas aos assessores da Casa – sempre muito competentes e atenciosos com os colegas Senadores e Senadoras – que levem essas informações que eu trouxe aqui à tribuna, para os nossos colegas, para as Senadoras e para os Senadores, para que eles, nesta tarde decisiva – tarde-noite decisiva – que a gente vai ter, estejam municiados de dados sobre essa indicação. Olhem só: é um Corregedor, não é qualquer coisa. É exatamente para poder abrir processo disciplinar e uma série de coisas. A responsabilidade é grande.
Sr. Presidente, eu venho a esta tribuna hoje para falar sobre a recente pesquisa divulgada pela Quaest, Genial/Quaest, depois de ouvir 2.004 brasileiros entre 5 e 8 de junho, que constatou que 60% do povo brasileiro – atenção, 60% –, mais da metade do povo brasileiro, concorda com a decisão do Governo dos Estados Unidos em classificar como organizações terroristas o Comando Vermelho e o PCC. Apenas 29% não concordam. Olhe só: que interessante, Governo Lula! É igual àquela música: "Agora só falta você", que está resistindo. O senhor quer a soberania de quem? É a soberania dessas facções criminosas que já dominam e já humilham o povo brasileiro, que não tem direito de ir e vir para trabalhar nem para o lazer? Ou o senhor defende a soberania verdadeira do Brasil, que é enfrentar o crime como tem que ser enfrentado, o que não é feito no Brasil?
O principal, Sr. Presidente, argumento dado pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é de que essas organizações representam, sim, uma ameaça transnacional, atuam em diversos países e promovem violência sistemática contra agentes públicos e a população civil. Nós estamos falando aqui de facções que controlam, muitas vezes, territórios inteiros, dominam presídios, financiam-se por meio do narcotráfico, da lavagem de dinheiro, da extorsão, do contrabando de armas. A quem não viu o Fantástico nesse final de semana, da Rede Globo, eu cito que ele fez uma matéria dizendo que até do pãozinho francês, em determinados locais do Rio de Janeiro, o fornecedor e o preço são dados pelo tráfico. Nós perdemos o controle completamente. O Estado precisa retomá-lo e, se a ajuda vem de fora, qual é o problema de aceitar se é para o bem da nação? Eu não entendo! Tem alguma coisa por trás. Tem alguma coisa muito estranha nisso tudo.
Sr. Presidente, organizações que desafiam diariamente o Estado brasileiro e que, em muitas regiões, impõem seu próprio sistema de poder pela força das armas e pelo terror psicológico sobre comunidades inteiras são terroristas. Sim, o PCC e o Comando Vermelho deixaram, há muito tempo, de ser apenas grupos criminosos locais: transformaram-se em estruturas empresariais do crime, com ramificações internacionais, conexões com cartéis estrangeiros e capacidade financeira "bi" – "b" de bola, "i" de índio –, bilionária. Diversos relatórios apontam que suas influências já ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da América Latina e da Europa e até os Estados Unidos.
Sr. Presidente, Lula e o PT vêm tentando fugir de sua responsabilidade como o Diabo foge da cruz, atacando os Estados Unidos ao levantar uma tese descabida de ameaça à soberania nacional. Pensam que a gente é bobo, que a gente é tolo. É evidente que qualquer cooperação internacional deve respeitar a soberania brasileira. Nenhum país pode admitir interferências indevidas em seus assuntos internos, mas soberania não pode ser confundida com rendição ao império do crime. A verdadeira soberania se exerce quando o Estado tem capacidade de proteger sua população, controlar seu território e garantir que a lei prevaleça sobre o crime.
A classificação anunciada pelos Estados Unidos vai permitir que possa haver o bloqueio de movimentações financeiras por parte desses organismos internacionais sem a necessidade da aprovação da Justiça brasileira. Concordo plenamente com a visão do Desembargador Sebastião Coelho e do General Villas Bôas. É um herói nacional, que acabou de lançar um livro aqui no Senado ontem – superprestigiado, eu fui lá – mostrando efetivamente que Lula e o PT – informações do Desembargador Sebastião Coelho – deveriam, sim, se importar com a perda da soberania, mas não diante dos Estados Unidos, e sim diante da China, que está avançando aqui no Brasil de uma forma assustadora, comprando tudo. Isso o Governo Lula não vê – e não age.
O pomposo título de República Popular da China tenta esconder sua real condição de um país comunista e imperialista, que impõe plena censura ditatorial, persegue adversários. A respeitável agência internacional de risco, a Moody's Ratings, classificou o Brasil como um dos países mais expostos ao domínio chinês, numa dependência estrutural crescente.
Eu pergunto a você, que ama o Brasil: a quem interessa isso? As relações comerciais com o nosso país já ultrapassam US$170 bilhões anuais. Nos últimos anos, foram investidos quase US$50 bilhões em energia elétrica, petróleo offshore e minerais críticos para transição energética. É cada vez maior a exportação de minério de ferro bruto, enquanto aumenta a importação de aço industrializado da China. E triplicou, nos últimos anos, a participação chinesa em rodovias, geradoras de energia e em minas de ouro e urânio brasileiras.
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Cadê, Lula, a sua preocupação com a soberania do Brasil?
Eu encerro, Sr. Presidente, com esse profundo pensamento nos deixado pelo Presidente norte-americano que acabou com a escravidão em seu país – lembre-se de quem foi: Abraham Lincoln. Abro aspas para o que ele falou: "Frequentemente [na vida pública], é necessário ter mais coragem para fazer aquilo que é certo do que ser temeroso e continuar fazendo aquilo que é errado".
Sr. Presidente, muito obrigado pela sua tolerância. Quero apenas dizer que, em dezembro do ano passado, eu tentei, aqui no Plenário do Senado, fazer essa equiparação dessas facções criminosas que humilham o meu povo do Ceará e muitos brasileiros em outros estados, a equiparação dessas facções com terroristas, eu tentei – eu tentei. Não foi aceita. E eu tentei mais: além de facções criminosas, eu coloquei sabe o quê? Milícia junto – milícia junto. Mas fui minoria, perdemos; foi uma sessão em que, infelizmente, a gente teve a chance de fazer. E não precisaria de os Estados Unidos virem aqui para dizer o que a gente precisava fazer, porque precisa considerar como terrorista porque são terroristas. E o Brasil precisa se libertar dessas organizações terríveis, que tocam terror no nosso povo e dominam, hoje, grande parte dos territórios.
Deus abençoe o senhor e todos os colegas.
Uma ótima semana para nós.