Pronunciamento de Eduardo Girão em 15/06/2026
Discurso durante a 81ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Críticas à suposta omissão do Senado Federal e do STF diante de denúncias relacionadas ao Banco Master, com defesa da imediata instalação da CPI ou CPMI destinada à apuração de possíveis irregularidades envolvendo autoridades dos três Poderes. Contestação à atuação do Governo Lula, do STF e da PGR na condução de investigações de corrupção. Defesa da transparência, da ampla divulgação das apurações, da colaboração premiada como instrumento de investigação e do fortalecimento do combate à corrupção e à impunidade, com menções à Operação Lava Jato e a outros escândalos de repercussão nacional.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atuação do Judiciário,
Atuação do Ministério Público,
Governo Federal,
Sistema Financeiro Nacional:
- Críticas à suposta omissão do Senado Federal e do STF diante de denúncias relacionadas ao Banco Master, com defesa da imediata instalação da CPI ou CPMI destinada à apuração de possíveis irregularidades envolvendo autoridades dos três Poderes. Contestação à atuação do Governo Lula, do STF e da PGR na condução de investigações de corrupção. Defesa da transparência, da ampla divulgação das apurações, da colaboração premiada como instrumento de investigação e do fortalecimento do combate à corrupção e à impunidade, com menções à Operação Lava Jato e a outros escândalos de repercussão nacional.
- Publicação
- Publicação no DSF de 16/06/2026 - Página 41
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Ministério Público
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
-
- CRITICA, OMISSÃO, SENADO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), SITUAÇÃO, BANCO PRIVADO, CONTROLADOR, DANIEL VORCARO, PREJUIZO, SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, DEFESA, INSTALAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), APURAÇÃO, PARTICIPAÇÃO, AUTORIDADE, LEGISLATIVO, EXECUTIVO, JUDICIARIO, REPUDIO, ATUAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, PROCURADORIA GERAL DA REPUBLICA, COMBATE, CORRUPÇÃO, COBRANÇA, TRANSPARENCIA, DIVULGAÇÃO, DELAÇÃO PREMIADA, INVESTIGAÇÃO, IMPUNIDADE, REGISTRO, OPERAÇÃO LAVA JATO.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Minha querida Senadora Damares Alves, eu agradeço a sua deferência com o cearense, a sua sensibilidade neste momento de dor do nosso povo, especialmente das famílias que perderam ou sofrem com esse acidente, que tiveram aí essa tragédia marcada nas suas vidas.
Sra. Presidente, Sr. Senador Izalci, que agora assume a Presidência da Casa, eu quero, nesta tarde de segunda-feira, dia 15 de junho, fazer um pronunciamento aqui com muita responsabilidade para que você, brasileira, brasileiro, que está nos acompanhando no reinício de trabalhos nesta semana procure entender tudo o que aconteceu de sexta-feira para cá no aspecto do impacto de uma hecatombe política, das revelações trazidas nesse escândalo do Banco Master, a maior fraude do sistema financeiro do mundo.
E é nosso dever procurar jogar luz, porque os grandes poderosos deste país estão insistindo em colocar a sujeira embaixo do tapete. Mas, quando a luz chega, não tem jeito, é bênção. E a gente precisa olhar para todos juntos, vendo essa sombra, agora, que está se dissipando, e procurar limpar a nossa nação para os nossos filhos, netos, bisnetos, enfim, para as próximas gerações. É nosso dever. Não temos o direito de nos calar, seja por uma amizade, seja pelo coleguismo. Nós, que fomos eleitos pela população de forma livre, espontânea, autêntica, que nos escolheu como instrumento da mudança por acreditar em nós – e eu falo aqui para os colegas Senadores e Senadoras –, não temos o direito de fazer de conta que não está acontecendo nada.
O que é que precisa acontecer mais para a gente acordar? Para a gente fazer o que tem que ser feito? Porque esta Casa é um dos problemas deste país, talvez o maior deles, o Senado Federal. Muitos querem jogar a culpa no Supremo, que tem a sua parcela gigantesca. Mas eles só fazem isso do outro lado da Praça porque nós, aqui, nos acovardamos durante anos e anos dos abusos deles, de alguns Ministros, de arbítrios, de conflitos de interesse. E eles cresceram, ficaram com o pescoço grosso e não se dobram mais, não respeitam a Constituição. E nós juramos aqui porque, diferentemente deles, a gente foi eleito pelo voto popular. Eles não têm um voto do povo; nós temos o voto popular.
Então, eu me sinto muito à vontade para cumprir o meu dever aqui e vou trazer esse discurso, que foi preparado com muita tranquilidade, com muita razão, para que a gente se estimule de vez a passar este Brasil nosso a limpo. Porque o que está faltando eu não sei mais.
O que tem saído de informações nessa segunda delação do Vorcaro...! Na primeira, já saiu muita coisa, envolvendo, inclusive, Senadores da República. O que teve de dados trazidos pela imprensa brasileira independente – e parabéns a toda a imprensa –, mostrando contratos de centenas de milhões de reais com Ministros do STF, é injustificável.
Se a gente não fizer a nossa parte, feche esta Casa, entregue a chave lá para o Supremo e não gaste o dinheiro de quem paga imposto com uma estrutura dessa, bicentenária, que vale R$6 bilhões do seu dinheiro, do seu imposto – seis bi, "b" de bola e "i" de índio –, bilhões de reais para não fazer nada? Para fazer vista grossa? Para tapar o sol com a peneira? Não, Sr. Presidente.
Hoje eu procurarei analisar o que foi corajosamente apresentado pela jornalista Malu Gaspar sobre as expectativas do, abro aspas, "socorro institucional", manifestadas pelo responsável daquela que já é a maior fraude bilionária do planeta, envolvendo diretamente autoridades dos três Poderes da República. Mas, para fundamentar essa análise, é necessário estabelecer o contexto em que estão acontecendo essas negociações da Polícia Federal e da PGR, Procuradoria-Geral da República, para concluir a colaboração premiada de quem? Do Daniel Vorcaro, do criminoso Daniel Vorcaro, que comprou meia Brasília, as autoridades mais influentes!
Em novembro de 2025, Sr. Presidente, explodiu esse monstruoso escândalo que, tudo indica, conseguirá suplantar em valores outro grande escândalo bilionário recente, que foi o petrolão, descoberto pela Operação Lava Jato em 2014. Essa não é a primeira vez que o Banco Central precisa intervir liquidando um banco no nosso país. Dentre os mais recentes, estão o Banco Nacional, na década de 90, e o Banco Santos, nos anos 2000; porém, nenhum deles chegou nem perto dos valores estratosféricos desviados pelo Master e, principalmente, do número de autoridades corrompidas.
Dessa vez, foi a Operação Compliance Zero, a cargo da Polícia Federal. Ao mesmo tempo em que o Banco Central do Brasil decidia pela liquidação do Banco Master, a PF fazia a primeira prisão preventiva de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, quando ele tentava sair do Brasil num jato particular em direção a Dubai. Paralelamente, através de mandados de busca e apreensão, foram confiscados celulares, computadores e muitos documentos que permitiram o aprofundamento das investigações.
O Banco Master teve um crescimento assombroso, principalmente entre 2024 e 2025, através da captação de grandes volumes de recursos, oferecendo elevada remuneração, sempre muito acima da média do mercado, utilizando produtos protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito. Hoje está escancarado esse mecanismo, pelo grau de corrupção realizado, junto a alguns Parlamentares, visando à aprovação da emenda, aumentando o limite individual garantido pelo FGC, que é o Fundo Garantidor de Crédito, para R$1 milhão, o que acabou não acontecendo.
Eu quero dar os parabéns ao Senador Plínio Valério, porque uma emenda que foi proposta pelo Senador Ciro Nogueira foi rejeitada, a chamada Emenda Master. O Senador Plínio Valério rejeitou esse jabuti que estavam colocando lá num projeto que foi deliberado aqui na Casa.
Ainda em novembro de 2025, o Tribunal Federal da 1ª Região concedeu liberdade a quem? A Vorcaro, mas, no dia 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, foi feita nova prisão de Vorcaro, pois o material apreendido pela PF já tinha confirmado uma extensa rede de propinas pagas a muitos agentes públicos. Nesse mesmo mês de março, também ocorria o estranho suicídio na prisão de um personagem-chave do esquema de Vorcaro, conhecido como "Sicário", entre aspas, responsável por todos os trabalhos considerados sujos.
Em maio de 2026, foi realizada a sexta fase da Operação Compliance Zero, com 21 mandados de prisão preventiva e 116 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$27 bi – "b" de bola, "i" de ilha. É dinheiro demais, gente! É só de bilhão que eu estou falando aqui. Não cabe nem num Plenário desse o que eu estou falando aqui, de dinheiro, R$27 bilhões em bens que foram bloqueados dessa turma, mas é muito pouco em relação ao que eles roubaram.
E é você que está nos assistindo e nos ouvindo que vai pagar o pato disso. É por isso que a gente não pode descansar. Por isso que a gente precisa da transparência. É por isso que todo mundo precisa ser punido, porque quem vai pagar o pato disso aqui é você, com o aumento da taxa de juros, com mais taxas bancárias. Isso não fica de graça, não. É aquela velha história: quebra sempre no lombo do mais fraco.
Dentre os presos, Sr. Presidente, estão o pai e o primo do Vorcaro. Olha só. Nesse tempo, já tinha se tornado público o indecente contrato de R$129 milhões com o escritório de Viviane Barci, esposa do Ministro Alexandre Moraes,– além de gravíssimas ligações telefônicas entre ele, o Ministro, e o Vorcaro, no dia de sua prisão.
Rapaz, pelo amor de Deus, a sociedade precisa de uma resposta sobre isso! Ninguém vem a público falar nada sobre isso, porque é indefensável. Aí eu pergunto, e eu vou perguntar outras vezes: o que mais precisa acontecer? A República está paralisada, paralisada, por interesses pessoais, por blindagem, por corrupção.
Além de ocorrer a liquidação do Master, o escritório da Sra. Barci tinha já recebido R$80 milhões sem ter prestado nenhum serviço jurídico. Foi feito, então, com outra empresa do grupo, um novo contrato, empresa do grupo do Vorcaro. Essa turma tem um apetite muito grande, são gulosos. Já iam fazer um contrato de R$50 milhões – chegaram a fazer, R$50 milhões!
Também o Ministro Dias Toffoli foi obrigado a entregar a relatoria do caso, sabe por quê? Ele se declarou suspeito, depois de muita pressão, em função dos negócios de sua família – da ordem de R$35 milhões – relacionados ao Resort Tayayá, no Paraná.
Mesmo assim, com tantas e sérias implicações, o Ministro Alexandre de Moraes desarquivou a ADPF 919, parada desde 2021, na qual 71 laudas embasam argumentos para restringir a aplicação da colaboração premiada.
Do que o senhor tem medo, Ministro? Como é que o senhor tira agora? Isso é oportunismo. O senhor tira isso debaixo da gaveta agora? É para se blindar? A mensagem que fica clara é essa.
Nas 71 laudas dessa ADPF 919, destacam-se os termos, Sr. Presidente: "sob pena de nulidade". Quer outro? Abro aspas: "invalidação de provas", fecho aspas, e, por último: "prisão cautelar manifestamente ilegal", entre aspas. Estão preparando a cama de gato, como a gente fala na linguagem que eu aprendi na infância. Armam a cama de gato ali.
Enquanto isso, também se tornavam públicas as gastanças milionárias de Vorcaro com festas e viagens de autoridades pelo mundo. Uma das mais emblemáticas e horrorosas, que mostra a degradação moral a que nós chegamos hoje, foi a degustação de uísque com charutos, em Londres, a um custo de R$3 milhões, na qual participaram Alexandre de Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e até o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet – o Diretor da Polícia Federal também estava lá.
O nível de degradação chegou ao ponto de necessitar a mobilização de tropa de choque governista no Senado, para impedir a aprovação do relatório final da CPI do Crime Organizado. A tropa de choque do Lula teve que atuar para apagar o incêndio lá, porque o Senador Alessandro Vieira indiciou três Ministros naquela CPI. Senadores que nunca participaram daquela CPI do Crime Organizado chegaram de paraquedas na hora só para votar, para blindar essa turma; só para fazer isso, inviabilizar o relatório, derrotar o relatório. Ora, ora, esse relatório pedia justamente o indiciamento dos Ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do próprio Procurador Paulo Gonet.
Essa etapa das negociações para a colaboração premiada de Vorcaro é crucial agora, para que se chegue à verdade e, consequentemente, à devolução do dinheiro desviado para essa conta, para que essa conta não seja paga novamente pelo contribuinte brasileiro, ou seja, você que está nos ouvindo e nos assistindo agora.
Esse importante instrumento jurídico que é a colaboração premiada foi estruturado no Brasil através da Lei nº 12.850, de 2013, a partir dos bons resultados obtidos em democracias sólidas, como os Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, com a Operação Mãos Limpas, na década de 90.
O grande teste brasileiro para a eficácia da colaboração premiada ocorreu já a partir da regulamentação da lei, em 2014, com a Operação Lava Jato, o maior legado no enfrentamento à corrupção, com a prisão de muitos empresários e políticos poderosos, incluindo um ex-Presidente da República. Mas a destruição da Lava Jato a partir de 2021... Na verdade, começou um pouquinho antes, mas, em 2021, foi o golpe de misericórdia pelo próprio STF. Os três Poderes da República conspiraram para acabar com a Lava Jato. O sistema reagiu, como reagiu na Itália, na Operação Mãos Limpas, mas o golpe de misericórdia veio do STF, o que permitiu que o câncer, em metástase no Brasil, da corrupção continuasse se expandindo, resultando em mais escândalos gigantescos.
Tivemos agora o do INSS, roubo de velhinhos, de velhinhas, de aposentados, pensionistas, viúvas, órfãos. Durante o Governo do Lula – agora, nesse último –, aumentaram bastante os descontos ilegais. Que coincidência, né? E o Lulinha recebendo, segundo o Careca do INSS... Suspeita-se até que o Lulinha seja o sócio oculto desse esquema. O maior operador é o Careca do INSS, com quem o filho do Presidente viajou para Portugal, fez transações milionárias, de quem ele teria recebido R$25 milhões e mais R$300 mil por mês de mesada. E eu não entendo, Senador Izalci, por que, até agora, não está indiciado. É estranho isso! Tem 14 pessoas presas dessas instituições, tem um monte de gente que está já, vamos dizer assim, sob a tutela do Estado, e o Lulinha parece que está no exterior e nem foragido é considerado ainda.
Mas, Sr. Presidente, igual a esse escândalo do Master é difícil. O do INSS foi terrível, foi covarde, com as pessoas mais humildes deste país, mais humildes, mais pobres. Mas, igual a esse do Banco Master é difícil.
E eu digo para o senhor: em função do inaceitável boicote do Presidente desta Casa, impedindo a instalação da CPI ou CPMI do Banco Master, desde o ano passado, eu dei entrada, com 53 Senadores assinando, inclusive o senhor, Senador Izalci – 53 Senadores de vários partidos, de quase todos –, em conjunto com os Senadores Alessandro Vieira, Marcos Pontes, Magno Malta e vários outros. Nós entramos no STF, pedindo para o STF obrigar, como ele fez na CPI da Pandemia – tem precedente, ele fez outras vezes...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... a Presidência do Senado a abrir essa CPI ou CPMI. Já era para ter sido aberta há muito tempo. Essa varredura já tinha passado aqui, já tinha mostrado para a população, mesmo que tenha sabotagem do Governo Lula, porque, ao que tudo indica, tudo isso começou no Credcesta, lá do PT da Bahia. Com todo esse esquema, esse escândalo, foi gerado ali o ovo da serpente.
Mesmo que o Governo Lula sabote, boicote, como fez em outras CPIs, inclusive na do INSS, negando convocação, negando quebra de sigilo, mesmo assim, o STF também fazendo a mesma coisa, não deixando convocações, que a gente aprovou, precisarem vir, liberando os depoentes para virarem as costas para o Senado, com todo tipo de sacanagem, desculpem a expressão...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – O senhor estava lá, o senhor viu. Mesmo assim, tem 14 pessoas presas no roubo do INSS. E no do Banco Master? Você tem o Vorcaro, você tem o Presidente do banco aqui, você tem o primo do Vorcaro, o pai do Vorcaro... Parece que estão armando uma cama de gato para soltar, já quero deixar aqui.
E aí a gente precisa, Sr. Presidente, estar muito atento a tudo o que está acontecendo, porque esse meu pedido, lá no STF, está parado há mais de dois meses. Nós precisamos... Inclusive estamos reforçando, porque o Fachin, o Presidente, negou o pedido de suspeição do Nunes Marques que nós fizemos. Depois que a própria Polícia Federal revelou a participação do Senador, colega nosso aqui, Ciro Nogueira, que seria, sim, com o Vorcaro, amigo, irmão, viajando com ele para cima e para baixo, e depois dessa revelação da proximidade do Ministro Nunes Marques, ele tinha que se declarar impedido. E olhe que já vem o filho dele com o escritório de advocacia, o menino prodígio, que recebeu o dinheiro da JBS e do Banco Master, por tabela, no escritório de advocacia, o Ministro Nunes Marques viajando no avião do Vorcaro, e não se declara impedido o Ministro Nunes Marques.
E o Presidente do STF, que fala em código de ética dia sim, dia não, passa a mão na cabeça? E o senhor diz que a gente entrou de forma intempestiva com esse requerimento, para que ele se declarasse impedido? O que é isso, Ministro Fachin? O que é isso, Presidente? A gente não sabia dessas informações quando a gente entrou, não. Como é que pode ser intempestivo se a informação do Ciro Nogueira veio depois? Nós estamos reiterando, Presidente, exatamente essa questão do conflito de interesse.
Paira no ar uma outra importante pergunta: por que a colaboração premiada de Daniel Vorcaro vem se arrastando por tanto tempo? A primeira tentativa foi rejeitada pela PF por ser incompleta e seletiva, sem apresentar nenhuma prova adicional relevante. Já nessa segunda tentativa, foram oferecidas novas denúncias com sérias implicações... Inclusive, o que se diz aí, pela revista Veja, estaria envolvendo até o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o PT da Bahia, com destaque para Rui Costa, até há pouco tempo o poderoso Ministro da Casa Civil do Governo Lula.
Ora, Sr. Presidente, certamente a Polícia Federal também rejeitou essa segunda tentativa porque, mais uma vez, Vorcaro não apresentou nada que já não fosse de conhecimento da Polícia Federal; por exemplo, o que ele está falando com relação ao Ministro Alexandre de Moraes, aos outros ministros, ao Toffoli, a outras autoridades poderosas deste país, desta nação?
É também, Sr. Presidente, muito suspeita a atitude tomada pelo Ministro Gilmar Mendes de pedir vista dos processos em que André Mendonça, corretamente, junto com o Ministro Fux decidiram pela prisão preventiva do pai e do primo do Vorcaro. É claro, eles não são santos! Tem bilhões de transações depois disso passando por eles. Há um risco muito grande, Sr. Presidente – já lhe agradecendo a tolerância e me encaminhando para o final –, de ser aberto um perigoso precedente pela Segunda Turma do STF, com a mudança para a prisão domiciliar dos parentes do criminoso Vorcaro.
O jornal O Globo publicou matéria denunciando a pressão feita por Gilmar Mendes sobre Nunes Marques. Isso é gravíssimo, Sr. Presidente – gravíssimo –, porque votam na Segunda Turma exatamente sabe quem? Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, pois o Toffoli não vota, porque ele se declarou suspeito. Um eventual empate de dois a dois favoreceria sabe quem? Os parentes do Vorcaro. Olhe aqui, é aqui que está a pegadinha!
O Brasil está vivendo a sua pior crise de degradação moral, ética, das instituições, na medida em que campeiam, sem controle, a corrupção e a impunidade. Nós não podemos permitir, Sr. Presidente, que se repita o trágico desastre ocorrido com a destruição da Lava Jato. Graças a Deus – repito, graças a Deus –, neste momento tão crítico da nossa história, não falta o corajoso Ministro André Mendonça, um homem técnico! Você vê que ele só fala do processo, diferentemente dos outros que vivem dando entrevista, passaram o tempo dando entrevista. Você vai aos Estados Unidos, você não ouve nem falar dos Ministros da Suprema Corte, eles são discretos. Aqui são espalhafatosos, mas o Ministro André Mendonça...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... é uma das raras exceções ali, e ele tem um apoio espiritual do Alto. Ele encara essa missão lá no Supremo como uma missão de vida e não como meio de vida.
Para isso, vejo como medida protetiva indispensável a abertura do sigilo das investigações em curso, Sr. Presidente; tem que abrir esse sigilo, tem que abrir, tem que derrubar esse segredismo. Ministro André Mendonça, está na hora disso. O Brasil quer saber.
Eu, antes de encerrar, Sr. Presidente – não vou passar mais do que esse um minuto –, eu digo o seguinte: sabe qual a cena que mais mostra o retrato do Brasil? Foi na posse do Ministro Nunes Marques – eu vi pela televisão –, a Cármen Lúcia chegando, a Presidente do TSE, a tiracolo com o Presidente Lula. Como é que isso vai dar certo, meu Deus? Olhem só o nível de relacionamento, de intimidade! Aí eu volto para os Estados Unidos, uma referência do trabalho da Suprema Corte: eles vão para os eventos de toga, não dão entrevista, só cumprem um papel institucional e vão embora. Entrar a tiracolo com.... Rapaz, eu vou te falar uma coisa...
Eu encerro, Sr. Presidente, com esse profundo pensamento retirado do livro O Príncipe, de Maquiavel: "Um povo que aceita passivamente a corrupção e os corruptos não merece liberdade, e, sim, a escravidão, pois as leis não podem ser lenientes beneficiando bandidos".
Olhe, Sr. Presidente, que nós tenhamos aí... Ontem teve um temporal aqui em Brasília, na sua querida Brasília. Eu sei que o senhor nasceu em Minas Gerais, mas é apaixonado por Brasília e eu sinto isso aqui no seu trabalho diariamente. Ontem caiu um toró, como a gente chama. Rapaz, eu nunca tinha visto aquilo. E fora de época! Nesta época, não era para estar tendo essas estações de chuva aqui, não. E eu vou dizer uma coisa: tomara que isso limpe os miasmas que estão aqui em Brasília, sabe? Que dê um surto de bom senso, que as pessoas tenham a capacidade de reflexão, principalmente os poderosos. Para quem que nós estamos servindo? Este Brasil não era para estar passando esse perrengue que ele está passando na economia. Este Brasil era para estar bem! Muitas causas são as nossas causas aqui, políticas, de falta de coragem, de ação pelo bem, pela justiça, Sr. Presidente.
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Então, que essa atmosfera de Brasília leve a essas autoridades dos três Poderes vergonha na cara. E olhe: tudo – tudo! – o que a gente faz a gente paga, mais cedo ou mais tarde; é a lei da semeadura. Não tenha dúvida disso!
E eu quero aqui fazer um apelo à consciência de cada um. Até os que estão calados estão sendo responsáveis, porque não agem pelo bem, pela restauração da justiça. Olhe a responsabilidade de cada um! Então, chegou a hora de a gente passar este país promissor a limpo, Sr. Presidente. Chegou a hora de passarmos este país a limpo, não dá mais para esperar.
Que Deus abençoe a nossa nação!
Muito obrigado pela sua benevolência.