Discurso durante a 105ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Satisfação com o lançamento do programa Conexão Lilás - Tecnologia pela Vida da Mulher. Apoio à ampliação da participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação como instrumento de autonomia e enfrentamento à violência contra as mulheres. Defesa da educação pública de qualidade e do fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção e promoção dos direitos das mulheres, com destaque para iniciativas desenvolvidas no âmbito do Senado Federal e para o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

Autor
Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Direitos Humanos e Minorias, Mulheres:
  • Satisfação com o lançamento do programa Conexão Lilás - Tecnologia pela Vida da Mulher. Apoio à ampliação da participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação como instrumento de autonomia e enfrentamento à violência contra as mulheres. Defesa da educação pública de qualidade e do fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção e promoção dos direitos das mulheres, com destaque para iniciativas desenvolvidas no âmbito do Senado Federal e para o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
Publicação
Publicação no DSF de 14/07/2026 - Página 35
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Direitos Humanos e Minorias
Política Social > Proteção Social > Mulheres
Indexação
  • REGISTRO, LANÇAMENTO, PROGRAMA, VIDA, FORMAÇÃO, ADOLESCENTE, ESCOLA PUBLICA, CIENCIA E TECNOLOGIA, CIDADANIA, DIREITOS, DESENVOLVIMENTO, FERRAMENTA, COMBATE, VIOLENCIA, MULHER, PROMOÇÃO, IGUALDADE, GENERO.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Sra. Presidente Damares, Sras. e Srs. Senadores, todos que nos acompanham nesta sessão do Senado pelos veículos de comunicação, Rádio Senado, TV Senado e Agência Senado.

    É com grande satisfação que estou apoiando e participei de um momento especial no Senado na semana passada: o lançamento do programa Conexão Lilás – Tecnologia pela Vida da Mulher.

    Estamos falando de uma iniciativa que une educação, cidadania, inovação e compromisso com a defesa dos direitos das mulheres. Essa ação inédita no Parlamento brasileiro capacitará jovens entre 14 e 18 anos, estudantes de escolas públicas, para desenvolver um aplicativo digital voltado ao combate à violência contra a mulher.

    Organizado pelo Instituto Legislativo Brasileiro, o programa tem como objetivo oferecer formação em tecnologia e cidadania para meninas de escolas públicas, filhas e netas de trabalhadoras terceirizadas do Senado Federal, envolvendo conteúdo sobre direito das mulheres e trabalho em equipe. A intenção é formar uma geração de jovens que multiplique os conhecimentos nas escolas, por exemplo.

    No total, serão 40 adolescentes contempladas. Durante quatro meses, essas alunas terão acesso a conteúdo, experiências e oportunidades voltadas às áreas da ciência, da tecnologia e da inovação.

    Mas o Conexão Lilás vai muito além da formação técnica. Ele representa o investimento na autonomia, na autoestima e no protagonismo feminino, porque sabemos que a educação transforma vidas e que o conhecimento gera oportunidades. Essas alunas serão irradiadoras de empoderamento e de informação, atuando como agentes de transformação nas suas comunidades, nas suas famílias, e a independência intelectual e econômica é uma das mais importantes ferramentas de liberdade e proteção para as mulheres.

    Sempre digo que os agentes públicos mudam a realidade quando dão exemplo para a sociedade, e é isso que o Senado está fazendo com o Conexão Lilás.

    Eu gostaria de dirigir uma palavra especial não só às alunas que estão neste programa inédito do Senado, mas a todas as meninas deste país, principalmente as de escola pública no Rio Grande do Norte e em todos os demais estados: queridas jovens, vocês são a razão de ser desse programa. Nunca permitam que alguém diga que determinado espaço não pertence a vocês. A ciência pertence a vocês. A tecnologia pertence a vocês. As universidades pertencem a vocês. O Brasil precisa da inteligência, da criatividade, da sensibilidade e da determinação das mulheres para enfrentar seus desafios e construir um futuro melhor. Quando mais mulheres ocupam o espaço de poderes de decisão, pesquisa, inovação e liderança, o país se torna mais justo, mais desenvolvido e mais democrático.

    Essas oportunidades passam necessariamente pelo acesso ao conhecimento, à inovação e às carreiras tecnológicas, áreas em que a participação feminina ainda precisa avançar muito.

    Por isso, quero parabenizar todos os envolvidos nesta iniciativa, especialmente as estudantes que aceitaram esse desafio. Como ex-Procuradora Especial da Mulher da Casa e uma Parlamentar que vota e trabalha por leis que protegem a vida das mulheres, entendo que a mudança estrutural que dá fim ao machismo, à misoginia e ao feminicídio passa obrigatoriamente pelo letramento, pela capacitação das novas gerações.

    Que a Conexão Lilás seja o início de uma trajetória de descobertas, conquistas e realizações! A iniciativa foi pensada exatamente para inspirar, formar e capacitar jovens estudantes no ensino médio, uma fase da vida em que os sonhos começam a ganhar forma e as escolhas passam a definir caminhos para o futuro.

    Nosso país enfrenta uma grave situação de violência contra as mulheres. São milhares de brasileiras que, diariamente, sofrem agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, morais e sexuais. O número de feminicídios continua alarmante e nos lembra que combatê-lo é uma responsabilidade, gente, de toda a sociedade. É exatamente nesse contexto que se insere o programa Conexão Lilás.

    Preciso reiterar outro fato: recentemente, os três Poderes da República uniram esforços no Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Trata-se de uma iniciativa permanente voltada à prevenção da violência letal contra meninas e mulheres, ao fortalecimento das redes de proteção, à efetividade das medidas protetivas e ao combate à impunidade, afinal, o enfrentamento à violência exige ação coordenada, compromisso das instituições e mobilização social.

    No Senado Federal, temos procurado fazer a nossa parte. A Procuradoria Especial da Mulher funciona nesta Casa desde 2013 e atua na defesa dos direitos das mulheres e na promoção de políticas de igualdade e proteção. Tive a honra de exercer o cargo de Procuradora Especial da Mulher por dois anos, até 2025. Nessa função, acompanhei de perto denúncias de violência, discriminação e violação de direitos. Cada relato reforçou minha convicção de que precisamos agir não apenas para acolher e proteger as vítimas, mas também para prevenir a violência e transformar realidades. Foi com esse propósito que aprovamos importantes iniciativas legislativas, como o Programa Antes que Aconteça, voltado à prevenção e ao acolhimento de mulheres em situação de violência. Também inauguramos a Sala Lilás, espaço seguro de orientação e atendimento. Avançamos também em propostas que utilizam a tecnologia como ferramenta de proteção às mulheres e fortalecemos mecanismos de segurança e prevenção à violência. Além disso, garantimos atendimento prioritário no SUS para vítimas de violência e aprovamos projetos que ampliam a proteção das mães e de seus filhos em situação de risco. Todas essas ações têm um objetivo comum: construir um país onde as mulheres possam viver com dignidade, segurança, autonomia e igualdade de oportunidades.

    Ressalto aqui a importância de iniciar a formação de estudantes, não só no campo teórico, mas no estímulo para criar soluções práticas e tecnológicas para defender a vida, a segurança, a autonomia financeira, a liberdade, a saúde e a dignidade das brasileiras, sejam meninas, adolescentes, jovens, adultas ou idosas. Nós constituímos a maioria da população brasileira. O silêncio, gente, nos mata; por isso que não podemos ser omissas. Queremos direitos, não privilégios; não somos mulheres aqui pedindo privilégios.

    E digo mais: quando se diz que a jovem não aceite que ela não possa estar em determinado lugar, eu me lembro aqui de D. Hélder Câmara, porque eu comecei a fazer Medicina no Estado de Pernambuco, e ele dizia que um jovem ou uma jovem sem um espírito de rebeldia, essa rebeldia saudável de que eu estou falando aqui, está a um passo da servidão precoce.

    Por isso os jovens, mulheres e homens jovens brasileiros não aceitem o que digam que vocês podem ser ou onde vocês não podem entrar. Lutem.

    E tudo passa pela educação. Eu queria dizer aqui ao povo brasileiro que quem defende jovem defende a educação pública de qualidade, de preferência em tempo integral, para esse jovem. Quem defende a família defende um teto para essa família, defende uma educação pública de qualidade para essa família, defende uma saúde pública de qualidade para essa família, defende segurança pública para essa família.

    Muito obrigada, Sra. Presidente.

    A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) – Obrigada, Senadora Zenaide.

    Eu compartilho cada palavra que a senhora falou. Nós precisamos investir em meninas, mais meninas na ciência, mais meninas na tecnologia, mais meninas na política. Eu compartilho.

    Parabéns pelo trabalho! Eu quero acompanhar de perto, quero acompanhar de perto esse projeto.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Fora do microfone.) – Vamos juntar.

    A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) – Juntar, obrigada.

    Nós não temos mais nenhum orador inscrito.

    Eu estava inscrita para falar, mas eu farei essa minha fala amanhã.

    Eu quero tão somente agora agradecer a todos os colegas do Senado. Eu fui surpreendida, Zenaide; todos os colegas, as minhas colegas Senadoras assinaram um ato de apoio, de solidariedade a mim, pelos ataques que eu tenho recebido nas últimas semanas. E são ataques à honra, à moral, à imagem. E ataques vindo de pessoas que eu considerava aliadas, que eu considerava aliadas. E eu quero agradecer às minhas colegas por esse voto de solidariedade.

    E quero dizer, inclusive, que a própria Advocacia do Senado já se colocou à minha disposição, porque configurou violência política, de gênero, o que está acontecendo. Então a própria Advocacia do Senado já se colocou à disposição, e nós já estamos construindo peça. E já sei que já houve representação inclusive, da Senadora Soraya, ao Ministério Público. Estamos construindo peça. E é dessa forma que a gente se protege, Zenaide.

    Não é fácil ser mulher, chegar aqui ao poder e, depois que a gente chega, a gente ser atacada da forma que a gente é atacada.

    Então eu quero agradecer a você e a toda a Bancada Feminina pelos atos que fizeram, nos últimos dias, em minha defesa, em minha solidariedade.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN) – Não vamos deixar de nos manifestar, como eu falei aqui. Se ficarmos em silêncio, o silêncio vai nos matar. Temos que nos posicionar.

    Eu costumo dizer que a vida é feita de escolhas todo dia. A gente tem que escolher aqui todos os dias. E não é atacando as mulheres, uma Senadora da República, a Senadora Damares, que a gente vai se calar diante disso, porque isso seria se omitir, e não é por aí que se constrói uma democracia. Nós temos que aceitar todas as opiniões, mas respeitando os espaços. O direito de um só vai até onde começa o do outro.

    Você merece que a nossa... Todas as mulheres e os homens também... Eu costumo dizer: a gente não quer um apartheid, gente; a gente quer eles por elas, porque a gente já sabe que sós nós não conseguimos.

    Vamos que vamos!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/07/2026 - Página 35