Discurso proferido da Presidência durante a 105ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Esclarecimento sobre a contribuição de S. Exa. ao plano de Governo do Senador Flávio Bolsonaro, com destaque para o seu apoio ao Senador como pré-candidato à Presidência da República. Insatisfação com os ataques proferidos dentro do campo conservador contra suas próprias lideranças.

Autor
Damares Alves (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/DF)
Nome completo: Damares Regina Alves
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Atividade Política, Eleições:
  • Esclarecimento sobre a contribuição de S. Exa. ao plano de Governo do Senador Flávio Bolsonaro, com destaque para o seu apoio ao Senador como pré-candidato à Presidência da República. Insatisfação com os ataques proferidos dentro do campo conservador contra suas próprias lideranças.
Publicação
Publicação no DSF de 14/07/2026 - Página 37
Assuntos
Outros > Atividade Política
Jurídico > Direito Eleitoral > Eleições
Indexação
  • ESCLARECIMENTOS, CONTRIBUIÇÃO, PLANO DE GOVERNO, SENADOR, FLAVIO BOLSONARO, DESTAQUE, APOIO, CANDIDATURA, ELEIÇÕES, PRESIDENTE DA REPUBLICA, CRITICA, ATAQUE, LIDERANÇA, CONSERVADORISMO.

    A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Para discursar - Presidente.) – Obrigada, Senadora Zenaide.

    Quero cumprimentar os visitantes que estão aqui, no Plenário. Sejam todos bem-vindos! Estou vendo até criança aqui.

    Aproveitem o passeio ao Senado Federal; esta Casa é linda! Não se esqueçam de olhar para o nosso teto: olhem esse teto como é lindo! Não se esqueçam de olhar aqui embaixo, porque nós temos a bandeira do Brasil em alto relevo aqui – este Plenário é belo! Sejam todos bem-vindos!

    Vocês estão, neste exato momento, participando, vendo uma sessão não deliberativa. É uma sessão em que os Senadores usam o espaço para fazer discursos, para fazer seus pronunciamentos, para mandar recados aos partidários. Então, sejam todos bem-vindos!

    E vocês estão tendo a alegria de estar vendo na mesa a Senadora mais bonita do Brasil! (Risos.)

    Eles concordaram, estão vendo?

    Eu sou Senadora aqui pelo Distrito Federal. Estou no meu primeiro mandato e estou muito feliz como Senadora, trabalhando muito.

    Sejam todos vocês muito bem-vindos ao Senado Federal!

    Nós já estamos chegando ao final, mas eu... Não queria aproveitar a mesa, eu estou me sentindo até constrangida em fazer o que vou fazer aqui, mas eu preciso. Eu preciso, porque os telefones não param, as mensagens não param de chegar. O que vou fazer aqui? Vou fazer uma autodefesa. Lamentavelmente, eu estou na mesa; eu queria estar na tribuna, mas nós estamos sem ninguém para presidira sessão agora.

    Neste final de semana eu fui, de novo, vítima de ataques, porque, supostamente, eu teria abandonado o meu candidato à Presidência da República. Eu queria chamar a atenção dos amigos, especialmente dos amigos da minha ala – o Brasil está dividido entre direita e esquerda –, da minha turma do lado de cá, da direita: parem de acreditar em tudo que está sendo dito e parem de atacar os seus próprios soldados. Infelizmente, eu tenho observado que a direita é um exército que machuca seus próprios soldados, deixa para trás seus próprios soldados. Não é assim que a gente vai construir uma democracia – não é assim.

    Num episódio recente, um jornalista me perguntou se eu já tinha escrito a minha parte de colaboração do plano de Governo do candidato Flávio Bolsonaro. Eu disse que sim, que já tinha entregado e que agora só precisariam da parte escrita no período da transição, que é quando se escreve a MP de formação de governo, de estrutura de governo. E esse jornalista escreveu: "Senadora Damares já entregou o plano de trabalho do presidenciável, e ela abandonou o plano de trabalho". Não, está aqui o que eu falei para ele, e ele, depois, leu – quando deu toda a confusão – e disse: "Realmente". Eu disse a ele: "Eu já entreguei e agora só vão precisar de mim na transição, para escrever a outra parte do governo".

    Deixem-me dizer para vocês: a notícia, como foi publicada, virou, na minha vida, uma grande confusão, e eu estou apanhando, porque eu supostamente abandonei o candidato da direita. Bem, a direita tem mais de um pré-candidato agora. A direita não tem só um pré-candidato, tem mais de um, mas o candidato, o pré-candidato indicado pelo ex-Presidente Bolsonaro é o Flávio. Eu sou uma bolsonarista, e o Flávio Bolsonaro ainda é o meu pré-candidato. Ele é o indicado pelo Presidente Bolsonaro, e eu sou do time.

    Eu preciso explicar como é que eu escrevi essa parte do plano: eu me ofereci. Assim que o pré-candidato foi anunciado, eu procurei o Senador Rogerio Marinho, falei que eu estava preocupada com alguns temas de governo, que eu tenho conhecimento e que eu poderia ajudar o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Falei para ele: "Eu tenho um time e eu posso ajudar a escrever essa parte". E que parte? De proteção à infância. Sobre o Ppcaam (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte), unidade socioeducativa, enfrentamento à pedofilia, Disque 100, Política Nacional para a Juventude – foi eu que cuidei da pasta –, proteção dos nossos jovens, primeiro emprego (Menor Aprendiz), estágio.

    Depois eu disse: "Eu posso colaborar também escrevendo toda a política da mulher. Sobre empreendedorismo feminino, proteção da mulher, enfrentamento à violência contra a mulher, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, o plano nacional de mães, o plano nacional para a mulher gestante, as marisqueiras, as mulheres de povos tradicionais, as mulheres indígenas.

    Eu sei que eu posso colaborar e me ofereci para escrever um pouco mais: eu quero também ajudar a escrever um plano nacional para os idosos, sobre a proteção dos idosos, as comunidades que acolhem idosos, as ILPIs, o Fundo Nacional do Idoso, o Conselho do Idoso, o conselho nacional, municipal e estadual. Eu entendo da matéria, eu trabalho com os temas de direitos humanos há 40 anos, mas me ofereci também para escrever sobre a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a Comissão de Anistia. Também me ofereci para escrever o plano de Governo do Flávio Bolsonaro sobre mecanismos de enfrentamento à tortura, sistema prisional, proteção à testemunha. Eu me ofereci para escrever também a parte do programa de Governo sobre povos tradicionais, povos indígenas, pescadores, pescadores artesanais, marisqueiras, todos os temas com os quais eu lido.

    Quando eu ofereci, aceitaram a minha ajuda. Montei um time, um time de ponta. Nós escrevemos uma proposta belíssima – belíssima. Se a nossa proposta, toda a que nós escrevemos, for absorvida pelo pré-candidato e ele for eleito, nós teremos um país – inclusive, escrevi o plano de governo dele para a comunidade LGBT – com garantias de direitos humanos de verdade.

    Entregamos. O jornalista perguntou: "Já entregou?". "Já entreguei. Agora, só vai precisar dessa parte na transição". Entenderam que eu saí da campanha. Primeiro, nós não estamos em campanha, estamos em pré-campanha. Nós estamos no momento de falar com lideranças, de conversar com lideranças, e isso eu tenho feito. Eu tenho aberto fóruns, eu tenho aberto congressos, eu tenho participado de seminários, eu tenho falado sobre o Brasil que temos e o Brasil que queremos. Eu tenho conversado com lideranças religiosas. Eu tenho feito a minha parte, mas a melhor coisa que eu posso fazer para ajudar o candidato de direita a ganhar é fazer exatamente o que eu faço dentro deste Senado.

    Eu estou presidindo a Comissão de Direitos Humanos e, acreditem – saiu um relatório: disparada, a primeira, em primeiríssimo lugar em atividades, deliberação de matéria, reuniões, audiências públicas. É assim que eu mostro para o Brasil como conservadores trabalham, e eu quero tanto que o Brasil veja como nós somos bons de trabalho, que eu quero que o Brasil queira, todo, ser conservador.

    Sabe como é que eu posso ajudar mais o meu pré-candidato? Aprovando as leis que nós estamos aprovando aqui. Sabe como é que eu posso ajudar mais o nosso pré-candidato? Apresentando as melhores propostas de lei. E a gente aprovou, nos últimos anos, o ECA Digital, aprovamos o aumento de pena para pedófilos e estupradores, aprovamos o Cadastro Nacional de Pedófilos, aprovamos castração química – nós estamos trabalhando. Nós estamos dando um duro golpe no crime organizado. É dessa forma que eu posso ajudar o nosso pré-candidato.

    Agora, eu queria dizer para esse exército da direita: parem de atacar os seus soldados! Não é dessa forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador – não. Tem muita gente rejeitando a nossa proposta, porque estão dizendo: "É isso que é ser conservador? Atacar seu próprio soldado, atacar seu próprio exército?".

    Não queria estar fazendo essa minha defesa aqui na mesa; era ali, repito, mas foi um momento que me foi permitido. E tem todo mundo perguntando: "A senhora não vai gravar vídeo?". Não. "A senhora não vai se defender?'. Não. Sabe por quê? Porque eu estou muito ocupada. Ou eu paro para ficar gravando vídeo toda hora dos ataques que são promovidos contra mim, ou eu trabalho. Eu decidi trabalhar.

    Hoje, só hoje, eu presidi uma reunião, uma audiência pública de quatro horas de duração sobre a crise humanitária que ainda acontece na área ianomâmi. Trouxemos quatro ministérios para falar hoje, na audiência, respeitando este Governo, de forma respeitosa. Não concordando, mas respeitando o Governo na hora do debate e apresentando propostas.

    Ironicamente, fui acusada de matar crianças ianomâmi. Olha o que o destino faz: hoje sou eu que presido a Comissão que vai dar respostas para o povo ianomâmi, porque esse Governo não está conseguindo dar as respostas. Nos acusaram, mas eles não estão conseguindo dar as respostas.

    Mas o Governo conservador sabe dar respostas para o povo ianomâmi. Uma Presidente da Comissão de Direitos Humanos Conservadora é que está conduzindo esse processo.

    Então, ou eu paro de cuidar das crianças ianomâmi para ficar respondendo aos vídeos, ou eu trabalho. Eu decidi trabalhar. Ou eu fico respondendo aos ataques... Inclusive, um dos ataques agora é de que eu tenho um amante... Um pastor, casado. É por isso que a Bancada Feminina se levantou em minha defesa. Aí agora estão dizendo que eu estou oferecendo dinheiro para comprar vídeos que tenham imagens do pré-candidato Flávio.

    Parem de atacar os soldados da direita! Vamos mostrar para o Brasil que é bom ser conservador, porque, daqui a pouco, o Brasil vai dizer: "Eu não quero isso não. Isso é muito ruim. Eles atacam os próprios soldados deles. O que eles não vão fazer com a gente?".

    Parem, gente!

    Quero dizer para vocês que não vou gastar meu tempo me defendendo. O meu eleitor do DF me conhece. A minha resposta, para o meu eleitor do DF, eu dou na rua, nas feiras, nos supermercados. Eu estou em todos os lugares com os meus eleitores, e eles me conhecem.

    Eu devo satisfação aos eleitores do DF, que me conhecem e me consagraram nas urnas, à minha família, ao meu Deus, à minha igreja. Aos aloprados de internet, eu não devo satisfação para eles.

    Então, povo brasileiro, quando começarem a falar de um soldado da direita, vá lá na rede desse soldado e veja o que ele disse antes de vocês começarem a compartilhar. Vão às minhas redes e vejam se eu declarei alguma vez que eu abandonei o pré-candidato indicado pelo Presidente Bolsonaro. Vê se tem alguma nota pública minha. Vê se tem algum pronunciamento meu. Parem de compartilhar mentiras!

    E aqui fica a grande pergunta: quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita? Será que tem dinheiro envolvido nesses ataques todos? Quanto a mim, eu tenho uma dúvida: todas as vezes em que eu vou avançar num projeto de lei contra a pedofilia, eu sou atacada; a indústria se mobiliza em me atacar para me desacreditar. A mim, eu tenho algumas suspeitas. Agora, e aos demais da direita que são atacados o tempo todo? Quem está por trás dessa campanha difamatória contra os soldados da direita?

    E aqui quero falar de uma soldada, em especial: quero falar de Michelle Bolsonaro. Ela não tem um Senado para fazer a defesa dela, como eu tive na última semana; ela está sozinha, só com as pessoas que a amam. Ela não tem uma Bancada Feminina para defendê-la. Mas eu estou aqui, amiga, enquanto eu tiver força, para dizer para o Brasil que você é uma mulher digna, justa, honesta, que você não trai, que você não mente, que você não se corrompe.

    Agora ela está sendo atacada porque ela criou um tal movimento, Imparáveis. Gente, você sabe o que é o Imparáveis? Os assessores dela, que eram assessores lá no PL, a amam tanto que criaram um grupo de fã-clube, chamado Imparáveis. Aí estão dizendo que ela criou um novo partido, que ela criou um novo movimento, que ela quer destruir o Flávio... Gente, conheçam antes de falar! A Michelle tem inúmeros grupos de fã-clubes, e os ex-assessores montaram mais um, chamado Imparáveis. Que loucura! Que momento difícil nós estamos vivendo no Brasil.

    Na semana passada, eu vi o Senador Davi Alcolumbre aqui, nesta mesa, dizendo o quanto ele está sendo atacado. Na semana passada, teve uma hora que eu estava orando por todos os meus colegas – porque eu oro pelos colegas daqui, do Senado; o Estado é laico, mas eu sou cristã – e senti, em uma certa hora da noite que eu estava orando, e mandei uma mensagem para o Senador Davi: "Presidente, fique firme! Você tem um time. Fique firme! Deus é Deus de justiça", e ele estava acordado. Ele me respondeu, e me respondeu de forma emocionada por causa dos ataques que ele sofre.

    Estamos sendo atacados o tempo todo, o tempo todo, mas eu estou aqui, firme. E eu sou imparável. Ah, eu sou imparável.

    Não tenho medo de bandido, não tenho medo de pedófilo, não tenho medo de ataques, como também não tenho medo de aliados; Como também não tenho medo das insatisfações dos aliados.

    Se vocês tiverem dúvidas sobre mim, vão ao privado das minhas redes sociais e me perguntem, ou então vão lá e vejam a minha nota sobre o assunto, mas acreditem: eu amo a nação brasileira. E eu sei que o melhor projeto para a nação brasileira é o projeto conservador.

    O meu pré-candidato, indicado pelo meu grande líder... Eu tenho um líder. Eu tenho um líder. O meu líder se chama Jair Messias Bolsonaro, que amo de forma incondicional. É meu líder, e seguirei o que meu líder falou. Então, ainda, o meu pré-candidato, para quem não sabe, ainda é Flávio Bolsonaro.

    Lamento que eu tenha que gastar o tempo nesta Mesa, quando eu poderia estar falando tudo o que aconteceu ali, agora, com relação às crianças ianomâmi, tudo o que nós vamos fazer esta semana aqui no Senado. Nós temos muitas entregas, mas tive que gastar um tempo para dizer: parem de atacar seus próprios soldados. Antes de divulgarem uma notícia, antes de divulgarem qualquer coisa, vão à rede desse soldado e vejam a posição dele primeiro.

    Eu já fui acusada de assassina de crianças indígenas, sequestradora, já fui acusada de genocida, já fui acusada de louca, de maluca, já fui acusada de terrorista, de golpista, de nazista, de fascista... Vocês não têm ideia de tudo de que eu já fui atacada desde novembro de 2018, quando Bolsonaro me escolheu para ser ministra, mas agora ser atacada de adúltera, de mentirosa... Bem, para quem já foi assassina, ser adúltera não é nada.

    Então, eu quero dizer para vocês que sou imparável. Eu vou continuar meu trabalho. Não sei quem está financiando, mas o recado está dado.

    Continuarei firme, acreditando num Brasil conservador. Continuarei firme contra o crime organizado e os criminosos, mesmo que alguns sejam disfarçados de conservadores.

    Que Deus abençoe a nação brasileira.

    Fique firme, Michelle. Teu Deus é Deus de justiça e Deus de misericórdia.

    Fique firme, Jair Bolsonaro.

    Um dia ele vai ouvir esse meu discurso, um dia ele vai ouvir. Um dia ainda verei o meu Presidente livre.

    Que Deus te abençoe, Jair Messias Bolsonaro. Que Deus abençoe a nação brasileira. Que Deus te abençoe, Davi Alcolumbre e todos os meus colegas.

    E obrigada pelo voto de solidariedade, mas, usando a frase dos assessores de Michelle, do novo fã-clube: lamento; vocês podem continuar, mas eu sou imparável.

    A Presidência informa à Senadora e aos Senadores que está convocada a sessão deliberativa semipresencial para amanhã, terça-feira, às 14h, com pauta divulgada pela Secretaria-Geral da Mesa.

    Pedindo desculpas ao Brasil por ter usado a Mesa para fazer um desabafo, cumprida a finalidade desta sessão não deliberativa, semipresencial, do Senado Federal, desejando uma semana de bênçãos para todos os Senadores e de muitas entregas, a Presidência declara o seu encerramento.

(Levanta-se a sessão às 15 horas e 24 minutos.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/07/2026 - Página 37