Fala da Presidência durante a 18ª Sessão Solene, no Congresso Nacional

Abertura de sessão solene destinada a homenagear os 170 anos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), destacando sua trajetória histórica, atuação no salvamento de vidas e importância para a segurança da população. Defesa de melhores condições de trabalho e valorização remuneratória dos bombeiros e reafirma seu compromisso parlamentar com novas conquistas para a categoria.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Congresso Nacional
Tipo
Fala da Presidência
Resumo por assunto
Militares dos Estados, Distrito Federal e Territórios, Remuneração, Segurança Pública:
  • Abertura de sessão solene destinada a homenagear os 170 anos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), destacando sua trajetória histórica, atuação no salvamento de vidas e importância para a segurança da população. Defesa de melhores condições de trabalho e valorização remuneratória dos bombeiros e reafirma seu compromisso parlamentar com novas conquistas para a categoria.
Publicação
Publicação no DCN de 15/08/2026 - Página 11
Assuntos
Administração Pública > Agentes Públicos > Militares dos Estados, Distrito Federal e Territórios
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
Matérias referenciadas
Indexação
  • ABERTURA, SESSÃO SOLENE, HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, CORPO DE BOMBEIROS, DISTRITO FEDERAL (DF), DESTAQUE, HISTORIA, ATUAÇÃO, SALVAMENTO, VIDA, SEGURANÇA, POPULAÇÃO, DEFESA, MELHORIA, CONDIÇÕES DE TRABALHO, VALORIZAÇÃO, REMUNERAÇÃO.

HOMENAGEM

     O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. PL - DF) - A presente sessão foi convocada pelo Presidente do Congresso Nacional em atendimento ao Requerimento nº 11, de 2026, de minha autoria e do Deputado Federal Alberto Fraga, em conjunto com o Senador Humberto Costa.

     Convido para compor a Mesa desta Sessão Solene do Congresso Nacional o Sr. Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Coronel Moisés Alves Barcelos (palmas); o Sr. Subcomandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Coronel Flávio Murilo Nunes Pereira (palmas); a Sra. Comandante Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Coronel Shirlene Costa (palmas).

     Convido todos os presentes para, em posição de respeito, ouvirmos o Hino Nacional brasileiro, que será executado pela Banda de Música do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, sob a regência do Major Ademir Rodrigues Pereira Junior.

(Procede-se à execução do Hino Nacional.)

     Quero cumprimentar o nosso Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Sr. Moisés Alves Barcelos; o nosso Subcomandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Sr. Flávio Murilo Nunes Pereira; e também a Comandante Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Coronel Shirlene Costa.

     Cumprimento todos os oficiais, todos os praças, os demais convidados.

     Há um som que a cidade aprendeu a reconhecer. Ele corta o ar, atravessa janelas, interrompe conversas. O que acontece depois desse som diz muito sobre quem somos. Enquanto a sirene toca, há sempre alguém correndo na direção contrária à de todo mundo. Todos se afastam do perigo, mas eles, não; eles vão ao encontro dele. Esse gesto de avançar quando a lógica manda recuar não nasceu ontem. Ele tem 170 anos de história nesta corporação. Trata-se de uma data que talvez poucos lembrem com exatidão. Faz mais de 60 anos que soldados do Rio de Janeiro deixaram para trás tudo o que conheciam — ruas, quartéis, a paisagem do mar — e atravessaram o Brasil inteiro, com suas famílias, para fundar no meio do Cerrado uma corporação que ainda não tinha cidade para proteger. Vieram antes de Brasília estar pronta para recebê-los. Vieram para que ela pudesse, um dia, confiar que teria quem a protegesse.

     Há algo que nenhuma data comemorativa consegue registrar sozinha: o rosto de quem está dentro do uniforme. Por trás de cada farda, há uma história que normalmente não chega até este plenário. Trata-se do pai que troca o jantar em família pelo plantão de 24 horas. Trata-se da mãe que, antes de sair de casa, beija os filhos sem saber ao certo que tipo de cena vai encontrar naquele dia. Trata-se do jovem recém-formado na academia que ainda carrega no corpo a adrenalina do primeiro resgate. Trata-se do veterano que já perdeu a conta de quantas vidas cruzaram seu caminho e que, mesmo assim, ainda sente o peso de cada uma delas.

     Cada um desses bombeiros tem nome, tem família esperando em casa, tem uma vida inteira que segue acontecendo entre uma ocorrência e outra. O que fazem é ainda mais extraordinário porque escolhem, repetidas vezes, colocar a vida de estranhos à frente da própria segurança.

     Não sabemos dizer com exatidão quantas vidas vocês já salvaram. Não sabemos quantas famílias inteiras voltaram a se reunir à mesa de jantar porque, num momento em que tudo parecia perdido, havia um bombeiro entrando onde o fogo ainda ardia ou descendo onde a água ainda subia. Esses números não cabem no discurso, mas sei o que cada um deles significa: uma criança que voltou a dormir no próprio quarto, um idoso que voltou a ver o próprio jardim, uma família que não precisou aprender a viver com uma cadeira vazia à mesa.

     Por isso, falar em heroísmo aqui não é figura de linguagem, é descrição do cargo. E é sempre bom dizer em voz alta: vocês não são apenas servidores públicos cumprindo escala, são mulheres e homens comuns que, no momento exato em que a maioria entra em estado de paralisia, encontram dentro de si a força para agir. Isso tem nome, chama-se heroísmo. E ele mora em cada um dos homens e das mulheres aqui presentes.

     Justamente porque conheço essa realidade, não posso limitar minha homenagem apenas às palavras. Tenho acompanhado de perto as dificuldades reais que esta vocação enfrenta: equipamento falta, viatura envelhece, salário não acompanha o tamanho da responsabilidade. Não é justo pedir coragem a quem arrisca a vida e, ao mesmo tempo, negar-lhe condição digna de trabalho.

     Quando coloco minha atuação no Senado a serviço de vocês, não o faço como favor, mas sim como dívida que o poder público tem para com quem nos protege todos os dias. Este é um compromisso que segue firme, porque uma cidade só pode dormir tranquila se quem a protege também pode fazê-lo.

     O reajuste para os bombeiros, pelo qual lutamos nesta Casa, foi uma das conquistas merecidas. Vou continuar trabalhando para que venham outras conquistas para todos os bombeiros do Distrito Federal.

     Hoje, ao celebrar esta data, eu quero que cada brasileiro olhe para os bombeiros presentes nesta sessão e saiba de uma coisa: por trás de cada farda que vemos aqui hoje existe uma pessoa que decidiu, em algum momento da vida, que o bem-estar do próximo valia mais do que a sua própria tranquilidade. Essa decisão, multiplicada por todas as mulheres e homens dessa corporação, foi o que transformou 170 anos de história em algo que nenhum monumento consegue traduzir por completo.

     Se comecei falando do som da sirene, preciso terminar falando de outro som, muito mais silencioso, que talvez nunca percebamos: é o som da tranquilidade de milhões de brasileiros que seguem suas vidas porque sabem que, quando o perigo aparecer, haverá sempre um bombeiro disposto a responder ao chamado. Enquanto houver homens e mulheres assim, o Distrito Federal continuará dormindo em paz. E nós continuaremos despertando todos os dias profundamente agradecidos.

     Parabéns ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal! Nosso DF dorme tranquilo, sabendo que vocês permanecem vigilantes, acordados.

     Parabéns a todos os integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal! (Palmas.)

     Neste momento, eu convido todos a assistirmos a vídeo preparado pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF especialmente para esta solenidade.

(Exibição de vídeo.) (Palmas.)

     Convido para fazer uso da palavra a Coronel Shirlene Costa, Comandante Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.


Este texto não substitui o publicado no DCN de 15/08/2026 - Página 11