Pronunciamento de Paulo Paim em 11/08/2026
Discurso durante a 111ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
- Autor
- Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
- Nome completo: Paulo Renato Paim
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Aparteantes
- Plínio Valério.
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) – Presidente Chico Rodrigues, Senadores e Senadoras – aqui no Plenário, Senador Esperidião Amin, Senador Izalci, Senador Plínio Valério –, venho falar, infelizmente, sobre a triste realidade do meu estado devido às chuvas, temporais, tornados, enchentes que avançam pelo Rio Grande. Mais uma vez, o Rio Grande do Sul sofre com perdas e destruições diante da força dos temporais. Na noite de 6 de agosto, uma frente fria associada a uma linha de instabilidade provocou tempestades severas em diversas regiões do estado, com ventos muito fortes, chuva intensa e queda de granizo. O resultado foi: mortes, pessoas feridas e danos em 117 municípios.
Segundo o balanço da Defesa Civil do meu estado, infelizmente, isso aconteceu não só no interior, mas também na capital, Porto Alegre, e região metropolitana, inclusive na cidade em que resido, Canoas. Mais de 2,6 mil pessoas foram desalojadas – o número chegou a 2.690 pessoas.
Conforme o levantamento divulgado pela Defesa Civil no domingo, dia 9 de agosto, entre os municípios com mais desalojados estão: Minas do Leão, com 500 pessoas; Novo Hamburgo, com 480; Sapiranga, com 360. Também houve interrupções na energia elétrica, destelhamentos, queda de árvores, danos em residências, carros virados e alguns levados pela enchente, estabelecimentos comerciais e estruturas públicas demolidas. No sul do estado, um tornado atingiu com muita força o interior, principalmente, Pedro Osório, ali na localidade de Matarazzo, destelhando casas e destruindo estruturas.
É mais um sinal de que os ventos climáticos extremos estão se tornando uma realidade cada vez mais presente no Sul do Brasil, atingindo gaúchos e gaúchas. Isso não começou agora. Na noite de 27 de julho, um forte temporal atingiu outras cidades ali próximas – já citei Osório – e deixou mais de 200 casas destelhadas. Segundo relatos locais, a tormenta durou menos de um minuto, mas fez um grande estrago. Foi rápida, extremamente intensa e destrutiva. Esse padrão de tempestades severas tem se repetido em diferentes regiões do nosso estado. E tudo isso se soma às cheias registradas em julho, que elevaram novamente os níveis dos rios, atingindo regiões dos vales do Taquari e do Caí, em municípios como Lageado, Encantado, São Sebastião do Caí e outras cidades ribeirinhas.
O Rio Grande do Sul ainda está se reconstruindo da grande tragédia de 2024. E, enquanto reconstruímos, novos eventos extremos continuam acontecendo. Isso precisa servir de alerta.
Os órgãos de metodologia e monitoramento climático já confirmaram a formação do El Niño – o famoso El Niño – de 2026 a 2027. As projeções do Inpe, do Inmet, do Cemaden e de outras instituições indicam alta probabilidade de permanência, infelizmente, do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com possibilidade de o El Niño vir ainda muito mais forte. Para o Sul do Brasil, os modelos apontam risco de chuvas acima da média nesses próximos períodos.
Portanto, não podemos esperar a próxima tragédia para agir. Temos que estar atentos. Temos que estar preparados. É preciso políticas de prevenção. Faço um alerta aos governos – ao Governo Federal, estadual e municipais –: precisamos acelerar mais a execução das obras de prevenção e proteção contra as cheias e enxurradas. Precisamos, senhoras e senhores, de mais diques, mais sistema de drenagem, mais contenção de encostas, mais desassoreamento, mais recuperação das estruturas de proteção e sistemas modernos de monitoramento e alerta.
Senhoras e senhores, precisamos também reforçar mais, de maneira permanente, a estrutura humana, para não perder vidas – por que não lembrar –, não perder os animais. Isso exige de nós todos o avanço em estrutura técnica e financeira, na defesa civil e nos corpos de bombeiros, tanto militares quanto voluntários. A solidariedade é fundamental, mas solidariedade não substitui vida, não substitui prevenção. Não podemos continuar apenas chegando depois da tragédia para retirar famílias e colocar em abrigos improvisados, distribuir donativos, reconstruir aquilo que a água levou ou que o vento e o granizo destruíram. Prevenir custa menos do que reconstruir e, acima de tudo, salva vidas.
Precisamos transformar a experiência dolorosa que vivemos em uma política permanente de prevenção e proteção contra os eventos climáticos extremos. Reconheço o trabalho dos voluntários, dos profissionais da defesa civil, dos bombeiros, das forças armadas, das forças de segurança, das prefeituras, do governo estadual e Federal tentando ajudar – repito, eu comecei minha vida na Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) –, mas a palavra-chave é prevenção.
Aqui, é claro que eu cumprimento a todos aqueles que, muitas vezes, colocam a sua própria vida em risco, que estão na linha de frente para proteger a população. A eles, nossa gratidão eterna.
Mas precisamos ir além. O clima está mudando no mundo. É só a gente ver o que aconteceu na Venezuela, na Bolívia e por aí vai. Os eventos extremos estão acontecendo, e a nossa resposta também precisa mudar. Não podemos esperar a próxima enchente, o próximo tornado, a próxima tempestade, as próximas mortes. É hora de prevenir, é hora de investir, é hora de proteger vidas...
(Soa a campainha.)
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... porque a natureza não espera.
Sr. Presidente, vou terminar nos 50 segundos, conforme combinei. Os meus companheiros estão ali: "Tu prometeste".
E o Rio Grande do Sul também não pode esperar.
Conto sempre com a presença dos senhores e das senhoras nesta caminhada em relação aos desastres climáticos.
Obrigado, Presidente.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Senador Paim, Senador Paim...
Permita um aparte, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Concedido o aparte a V. Exa., Senador Plínio.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para apartear.) – Senador Paim, eu gosto de ouvir o seu discurso sempre, para elogiá-lo, mas desta vez, quando o senhor fala de prevenção, quando o senhor fala de políticas públicas para combater eventos climáticos, é de extrema importância e alerta.
No meu Estado do Amazonas, nós temos dois regimes da água: seca e cheia. Nós estamos numa cheia, que acabou não atingindo o que nós temíamos, mas prejudicou. E a previsão da seca é enorme. A estiagem vai ser grande no Amazonas.
E não se faz nada. Está todo mundo esperando – é aquilo que você fala –: na hora, socorrer, pedir, irem voluntários, libera a licitação, e começa a chegar remédio... Parece que há uma cultura de esperar a desgraça acontecer para poder...
Então o seu discurso valoriza aqueles que vão lá para ajudar, os voluntários, mas ao mesmo tempo chama a responsabilidade de ter que prevenir, de ter que se organizar.
Eu só queria fazer esse aparte para dizer que o Rio Grande do Sul, assim como nós sofremos também, sofre não só a punição do clima, mas também a desunião, a despreocupação e o descaso das autoridades.
Parabéns!
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Muito bem, Senador Plínio Valério, que trouxe à tona não só as chuvas e as enchentes, mas também as secas, que atingem grande parte do nosso país.
Muito obrigado. Obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Senador Paulo Paim, V. Exa., aparteado que fora pelo Senador Plínio Valério, trata hoje de um assunto que é recorrente no Brasil e – por que não dizer – no mundo, principalmente na América Latina.
E, coincidentemente, nós estamos com um pronunciamento aqui mais ou menos nessa linha, com a precisão cirúrgica dos seus dados, em relação ao que acontece e que acontecerá – aliás, já está acontecendo – em função do problema causado pela variação de temperatura no Pacífico, com elevação de 1,2 grau. Imagine o que é 1,2 grau num universo oceânico gigante como o Pacífico. E, obviamente, a tendência é empurrar esses ventos para bem distante.
Em casos como no Rio Grande do Sul, ele divide, numa linha de corte norte-sul, a intensidade de nuvens, ocorrendo, mais uma vez, enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul. E, na Região Norte, nós verificamos realmente uma estiagem extremamente incontrolável.
Portanto, há a necessidade de que os órgãos de Governo possam encontrar um meio de mitigar esses efeitos junto à população que vive no Norte, que vive na Amazônia, que vive no meu Estado de Roraima também, que – eu vou dizer aqui no meu pronunciamento - terá uma perda direta de R$500 milhões aproximadamente, com extensão na cadeia produtiva de R$2 bilhões. Imagine isso num estado que está começando o seu desenvolvimento. Afinal de contas, é o clima, é o tempo, e foge exatamente ao controle do ser humano.
Portanto, com todas as obras de arte, com toda a tecnologia implantada para diminuir esses efeitos, mesmo assim, realmente é de uma intensidade inimaginável, podendo se prolongar até fevereiro, março, abril de 2027, o que, na verdade, nos assusta bastante.
Portanto, parabéns a V. Exa.! Mais uma vez, é um tema dirigido, um tema recorrente e um tema que deve ser analisado com muito cuidado pelo Governo e, acima de tudo, trabalhado aqui, em nível de Congresso Nacional, de Senado, o de viabilizar recursos para diminuir esses efeitos sobre a nossa população.
Parabéns!
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Obrigado, Presidente Chico Rodrigues (Fora do microfone.), que complementou com informações, inclusive globais, em relação aos acidentes climáticos.
Parabéns a V. Exa.