Pronunciamento de Marcio Bittar em 11/08/2026
Discurso durante a 111ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
- Autor
- Marcio Bittar (PL - Partido Liberal/AC)
- Nome completo: Marcio Miguel Bittar
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Aparteantes
- Plínio Valério.
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC. Para discursar.) – Meu querido colega Izalci, meu querido colega Plínio, autor da CPI das ONGs, que ajudou a mostrar para o Brasil, mais uma vez, como as ONGs que atuam na Amazônia representam interesses econômicos de países estrangeiros e que não querem que o Brasil seja concorrente. E a desculpa que criaram, evidentemente, não pode ser a verdadeira; então, têm que criar uma cortina de fumaça, se dizendo preocupados com o meio ambiente, mas isso é uma mentira.
Aliás, agora há pouco, encontrei com o pré-candidato ao Senado Derrite, de São Paulo, e falei para ele: "Vá ao Acre. Vá conhecer a terra da Marina Silva". Eu desafio qualquer ambientalista a apontar uma obra no estado natal da Marina Silva na área ambiental. Não tem 10m de recuperação de mata ciliar, não tem 1km de recuperação de leito de rio assoreado, não tem uma área degradada que tenha sido recuperada do pequeno produtor rural da Amazônia brasileira por ação da Marina, das ONGs que ela representa. Rio Branco é a capital menos arborizada do Brasil, e a grande obra do Governo do PT – do Jorge Viana, Tião Viana, Marina Silva – é um canal no centro de Rio Branco que joga no Rio Acre, no centro da cidade, merda e mijo, descaradamente – no centro da cidade.
Então, o nosso querido Plínio ajudou com a iniciativa dele – mais de quatro anos de trabalho – a mostrar para o Brasil, mais uma vez, que a história não fecha. Antigamente, Plínio, a imagem que se tinha era de que as ONGs eram todas santas, todos voluntários, que ninguém ganhava dinheiro, que não tinha interesse econômico e que todos ali estavam preocupados verdadeiramente com o meio ambiente – isso mudou. E se nós vencermos a eleição nacional, hoje o Brasil reúne condições de começarmos a destravar a economia da nossa região.
Mas hoje, Presidente Chico, eu venho aqui a esta Casa para falar de algo que aconteceu no Acre – particularmente em Cruzeiro do Sul – muito grave. O jornalista Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau trabalham há muito tempo na imprensa do nosso estado falando, denunciando, falando de política, daquilo que imaginam, entrevistando pessoas e, na madrugada do dia 22 de julho, agora, o jornalista Chico Melo teve a sua casa invadida. Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém – coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora, e o pior – porque isso já é grave, qualquer lar violado por um marginal que faz do dono da casa um refém que sofre graves violências na sua vida, no seu corpo, já é muito grave –, mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio.
Isso tem que ser mais celeremente investigado, porque, vamos repetir, se um jornalista ou qualquer cidadão brasileiro tem a sua casa violada, a sua integridade física ameaçada, torna-se refém durante 30, 40 minutos, isso já é grave, isso é gravíssimo – o lar devia ser inviolável. Agora, quando paira a dúvida de que isso pode ter acontecido por matérias e opiniões veiculadas no programa que eles, Chico Melo e Rogério Wenceslau, fazem em Cruzeiro do Sul, isso é mais grave ainda. Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele – o que já é muito grave –, mas é contra V. Exa., é contra este Parlamento, é contra o brasileiro.
Então, é muito grave, e eu quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema. Se foi, além da invasão, crime de opinião, cerceamento da liberdade de um jornalista, é mais grave ainda.
Então, fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível.
E aí, Sr. Presidente, um assunto se mistura com outro. Nós estamos vendo na América Latina países dando uma guinada para o campo da direita. O campo da direita que significa mais rigor com a lei, mais rigor para defender o trabalhador, a trabalhadora, o homem honesto, que muitas vezes se encontra desempregado, mas que, mesmo assim, não se utiliza de violência.
Veja que o Brasil tem milhões de pessoas desempregadas ou que dependem só do Bolsa Família, e nem por isso a gente entra numa guerra civil. Então, países como Equador, Costa Rica, Argentina, Panamá, Bolívia, Honduras, Chile, Peru e Colômbia, agora, por último, dois países que também têm floresta amazônica, deram uma guinada à direita.
E é incrível, Sr. Presidente, que bastou o Presidente da Colômbia e a Presidenta do Peru assumirem, para declararem guerra do Estado contra as facções narcoterroristas.
No exemplo do Peru, o pleito agora foi em 2026, que terminou sendo um dos resultados mais apertados da história, mas ganhou a eleição o Keiko Fujimori, do partido de direita. Na Colômbia, famosa pelo cartel colombiano das drogas, que liderou o tráfico de drogas por muito tempo, foi a mesma coisa. Esses países agora estão tendo a força do Estado combatendo os grupos narcoterroristas, porque é isso que eles são.
E aí, Sr. Presidente, o Brasil vai ficando como o pária aqui na América Latina e, particularmente, na América do Sul. Quer dizer, só o Brasil hoje está ficando sozinho, porque o Governo, o Estado brasileiro tem medo, tem receio, de dar ao Comando Vermelho, ao PCC e às facções criminosas o tratamento que eles merecem receber de narcoterroristas.
Eles dominam território nacional. Hoje, quase um quarto da população brasileira dorme e acorda vivendo sob o domínio das facções criminosas. São elas que decidem quem pode entrar naquela região, naquele bairro, quem pode sair, quem pode montar um comércio, quem não pode, pagam pedágio para eles. E o gravíssimo é que têm algumas moças que acabam se entregando para os chefes das organizações criminosas para salvarem a vida dos seus pais. Então, são territórios dominados.
Isso é uma calamidade pública na área da segurança, mas também é uma calamidade na área da economia. Quem é que vai investir no Brasil, um país que está dominado? São quase 50 milhões de brasileiros que vivem sob o domínio de facção criminosa? Essa insegurança afasta investimento. Quem é que vai investir no Brasil? Além da carga tributária, além da burocracia, além da regulamentação, da política ambiental, do licenciamento ambiental, que só tem no Brasil, da burocracia monumental, além disso tudo, há a insegurança. O turismo no Brasil nunca vai usar a potencialidade nacional enquanto as famílias tiverem medo de virem para o Brasil.
Então, Sr. Presidente, o que nós estamos vendo nos países vizinhos é o que nós veremos no Brasil se nós derrotarmos a esquerda, o PT e o Lula nas eleições deste ano.
Nós estamos preparados, assim como o Peru e a Colômbia agora, por último, para decretar guerra contra os narcoterroristas, desde que atuam no país o PCC, o Comando Vermelho e as facções criminosas.
Por fim, quero lembrar que Governo que gasta demais sempre, como sempre, foi a esquerda...
Aliás, Sr. Presidente, a minha esposa, Thaís, fez uma camiseta que eu uso na campanha dizendo o seguinte...
(Soa a campainha.)
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – ... "Mais eficiente do que o Mounjaro para emagrecimento é um país comunista". Em todo país comunista, a população é magra, porque passa fome. Quer uma dieta? Vai viver num país comunista. A esquerda prega os regimes comunistas, mas lá não quer morar.
É um Governo gastador, que todos os meses ultrapassa a sua receita e que, agora, já está dizendo que não vai ter R$105 bilhões para despesas. Sabe o que isso significa, Sr. Presidente? O Lula vai cortar de novo na saúde, o Lula vai cortar de novo na educação, ele vai cortar de novo do pouco recurso que tem para a segurança pública.
Isso aqui não é o Marcio Bittar que está inventando, não. Isso aqui são dados oficiais: "Saúde e Educação são os ministérios mais afetados pela restrição no orçamento e restos a pagar, totalizando R$330,9 bilhões", o que ele vai tirar da educação e da saúde.
Uma coisa é o que se fala, a outra coisa é o que se faz. Aqueles que se dizem preocupados com a educação levam o Brasil a sofrer os maiores cortes da educação dos últimos anos.
Nem na pandemia, no Governo do Presidente Bolsonaro, houve cortes do tamanho que estão tendo de novo no Governo do PT. Aliás, de dez universidades, nove já entraram em greve, e na saúde também.
Esse é o caos provocado pela esquerda.
Mas isso não é uma coincidência. Isso é método, isso é modelo. Onde se instalam, isso acontece.
Por fim, deixo uma mensagem de otimismo, de esperança: o ciclo da esquerda, que está completando 28 anos no Brasil, está perto de acabar e, se Deus permitir, acabará no dia 4 de outubro.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Sr. Márcio, por favor, fique aí na tribuna.
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Pois não.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para apartear.) – Todas as vezes que o senhor fala em CPI das ONGs, joga todo o mérito para mim, o que é injusto, é injusto. Eu não tenho todo o mérito.
(Soa a campainha.)
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Não sei se a modéstia o faz fazer isso. O senhor foi o Relator da CPI das ONGs.
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Com muita honra.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Foi um trabalho belíssimo, belíssimo.
Portanto, eu gostaria de lhe pedir, porque, quando o senhor fala e me elogia, eu fico até sem jeito, porque a CPI foi levada também pelo Chico Rodrigues, que foi membro, e o senhor foi o Relator.
Portanto, eu quero aqui fazer justiça.
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Obrigado.
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Quando o senhor estiver, se o senhor não falar que foi o Relator, vou interrompê-lo da próxima vez para dizer isso. Está bom?
O senhor foi o Relator de um relatório que fez história, que vai continuar fazendo história.
Hoje o Brasil tomou conhecimento, sabe o que essas ONGs ambientalistas representam, porque nós não demonizamos ONGs nenhuma. A gente foi para cima dos picaretas, dos hipócritas e dos cretinos.
E o senhor tem todo o mérito, o senhor foi o Relator, está bom? Só queria fazer esse adendo.
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Eu agradeço.
Sr. Presidente...
O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – O povo do Acre tem que saber disso, o povo acriano tem que saber disto: que o senhor aqui luta muito, mas muito mais pelo Acre do que aquelas pessoas...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AC) – Sr. Presidente, o senhor me permite só um minuto?
O Senador Plínio, meu vizinho ali de estado, e o senhor sabe que eu sou torcedor da sua reeleição, mas, quando eu falo, eu faço justiça. A CPI não seria instalada, o Senador Chico Rodrigues sabe disso, se V. Exa. não tivesse trabalhado mais de quatro anos. Mais da metade do seu mandato, o senhor trabalhou para que ela fosse instalada.
E aí me deu o privilégio, foi uma surpresa para mim o dia em que o senhor entrou lá numa Comissão, acho que a CCJ, e disse: "Olha, eu quero você como Relator". Para mim foi uma honra, foi um privilégio participar de um momento histórico como este: eu, V. Exa., o Senador Chico, o Senador Hiran, os Senadores da Região Norte do Brasil ajudando a mostrar para o Brasil quem verdadeiramente manda na Amazônia, que, em primeiro lugar, são as ONGs.
Mais uma vez, muito obrigado.
Parabéns e estamos juntos.